8 de setembro de 2008

Svamp

Cogumelo

11ºC em Estocolmo, 22ºC em Portimão

Segunda-feira; dia de aulas, mas também dia de um jantar num certo restaurante italiano que se revelaria muito interessante…

Mais dois blocos de Scientific Writing, o de manhã bastante divertido, leccionado por dois professores de inglês que, basicamente, nos deram uma aula de inglês académico, mas de forma bastante peculiar – para terem uma ideia, o artigo que eles escolheram para dar alguns exemplos de frases tinha como tema fezes de coruja – sim, leram bem, fezes de coruja. Aparentemente, também eram daquele tipo de pessoas que acham que biólogos são aqueles maluquinhos empoleirados numa rocha para tentar ver minhocas em rituais de acasalamento, lol. Mas os profs eram divertidos, um deles, ao ver o nosso olhar incrédulo (depois de 10 minutos a olhar para um slide em que a palavra “feaces” aparecia escrita umas 20 vezes) disse, bastante divertido: “I thought this was a rather funny one – I mean, it talks about owls, beautiful animals, and it talks about shit! What’s there not to like?” [Risada geral, claro]

Depois de mais um almoço de peixe panado (acho que eles desconhecem outras formas de cozinhar peixe, pelo menos no restaurante da faculdade), fomos para a aula da tarde, em que a professora escolheu a minha composição (sobre o tema “What is a gene”) como um dos exemplos positivos a destacar, o que é sempre agradável :). Foi também interessante aprender mais sobre o processo de revisão de artigos e alguns dos “podres” da comunidade científica aos quais nos devemos ir habituando…

Seguiu-se uma visita exasperante à associação de estudantes da faculdade (OK, não é só em Portugal que certas coisas funcionam mal, admito) – para comprar passe de estudante não basta cartão da faculdade, tenho que ter cartão da associação; para ter cartão da associação tenho que pagar 47€ e que ter um Swedish personal number; para ter um personal number tenho que ir à agência de impostos; para me darem o número tenho que, antes disso, registar-me no gabinete de imigração; para me registar no gabinete de imigração tenho que ter uma catrefada de documentos, ou seja… Tenho que tratar de umas 10 coisas diferentes para chegar ao passe de autocarro, lol.

Mas o melhor do dia veio… À noite. Tínhamos combinado ir jantar a um restaurante italiano muito in, o Vapiano, na melhor zona de Estocolmo, mas nem por isso muito caro. Logo à saída do metro compreendi o que queriam dizer com “melhor” zona de Estocolmo, ao dar logo de caras com uma loja Louis Vuitton… No entanto, eu e a Dasha não fazíamos a mínima ideia de onde estávamos, visto que aquela rua parecia não aparecer no mapa. Perguntámos a uma senhora, demos o nome da rua que procurávamos e ela perguntou logo: Vão ao Vapiano? Restaurante conhecido, aparentemente. Diz-nos ela: “Do you see the mushroom?” E nós olhamos uma para a outra e pensamos: Nah, devemos ter percebido mal. Vai ela, aponta numa dada direcção e repete: “Don’t you see the mushroom there? Just follow the mushroom and you’ll be in the right street. Just always go by the side of the mushroom…” E eu, que até tinha visto uma estrutura grande naquela direcção, pensei, bem, digo que sim e devo encontrar o caminho… o “cogumelo” era uma espécie de cabine telefónica com a forma daqueles chapéus de sol do Parque das Nações – os telefones junto ao poste e depois aquela estrutura à laia de guarda-sol/chuva por cima. Some mushroom…

O restaurante era dos mais giros a que já fui. É uma espécie de buffet. Podemos comer pizza ou pasta, o que quisermos, e é tudo feito na hora à nossa frente. A própria massa é pasta fresca, feita no momento do pedido. Quanto às pizzas, para as pessoas não ficarem à espera que aquilo coza no forno, dão-no uma espécie de beeper em forma de walkie-talkie que levamos para a mesa e que vibra no momento em que a nossa pizza está pronta para a irmos buscar – muito à frente! Tudo o que pedimos é descontado num cartão magnético que depois é lido à saída, e nem por isso os preços são muito elevados: 6€50 pelas pizzas mais simples, 7€50 pelas massas, podemos beber a água que quisermos à borla… As mesas estão guarnecidas com vasos de basilic e de rosmaninho que podemos arrancar directamente do vaso para pôr no prato – mais fresco é impossível! E o restaurante era muito bem frequentado, tudo pessoal com um ar muito nice… Foi giro porque à entrada o senhor nos perguntou logo, quando dissemos que estávamos com uns amigos – “Are you with a German guy?” Como sempre, o Mario fez-se anunciar… Mas ao menos não tivemos que andar à procura da mesa.

De início, estávamos só 6 – eu, a Dasha, o Mario, a Carolina (namorada do Mario, para quem não se lembra), a Giulia e a Marike. A conversa fluiu (ou rolou, como dizem os brasileiros) naturalmente, damo-nos todos bem, e o próprio processo de pedir a comida e esperar que os walkie-talkies tocassem foi divertido o suficiente para fornecer tema de conversa.

Mas o melhor do jantar veio com a chegada dos irmãos egípcios. Às tantas, já nós pensávamos que eles não vinham, toca o telemóvel da Marike e eram eles, que estavam perdidos. Quando damos por nós, estava a Marike a dizer-lhe, tal como a outra senhora, para procurarem o cogumelo, para seguirem o cogumelo, etc. Eu e a Dasha só olhamos uma para a outra e desatámos a rir, a pensar: “Quem não conhece, nunca adivinharia que aquilo era o que eles chamam cogumelo.” A Marike levanta-se para ir buscar os egípcios, o resto do pessoal levanta-se para ir buscar as sobremesas (nesta altura já tínhamos acabado as nossas pizzas / massas respectivas) e quando dou por mim estou sozinha na mesa.

De repente, do nada, vem um homem dos seus 30, 30 e poucos anos, estilo italiano mas daqueles meio sebosos, de cabelinho apanhado atrás e cheio de gel (daí a expressão seboso) ter comigo e pergunta-me se me pode oferecer um copo de vinho. Ok, não era feio de cara, só tinha meio aquele estilo italiano mafioso. Eu acho que me fiz de todas as cores… Lá disse, ah e tal, estou aqui com uns amigos… E ele: ah, não faz mal, eu ofereço à mesma. E eu, à desmancha-prazeres: ah, muito obrigada, e tal, mas não. Lol. Lá vai o coitado de volta recambiado para a mesa dele, ter com o amigo com quem estava (que até era mais giro).

Entretanto chega o Mario com um ar comprometido…

E aqui tenho que abrir um parêntesis: na ementa do restaurante há uma sobremesa chamada, nem mais nem menos do que “Death by chocolate”. Sugestivo, no mínimo, e então para chocaholics como eu, nem se fala! E então, tanto eu como a Carolina, outra chocahólica, dissemos: temos mesmo que provar esta. Aliás, descobrimos na parede do restaurante um lema que acho que nos serve perfeitamente:

Bem, e então chega o Mario e diz: “Please don’t hurt me… I just got the last piece of chocolate cake!” E eu, estava tão abananada com a história do outro homem que disse OK. Ele achou estranho mas não disse nada; entretanto a Marike já tinha encaminhado os egípcios para as barracas das massas e das pizzas. Chega a Carolina e eu conto-lhe o que tinha acontecido; ora qual foi o meu azar: o Mario é daquelas pessoas que as primeiras palavras que aprende numa língua (como português) são palavrões e bebidas, tipo vinho. Ora, pela expressão “copo de vinho”, pelo meu ar abananado e pelo facto de ter visto o homem a sair da mesa juntou 2+2 e percebeu o que se tinha passado. Foi o meu inferno… Para já, fez questão de contar ao resto da mesa, que, obviamente, quis saber detalhes e lá tive eu que contar. Depois começou tudo a olhar para o homem, e não ajudou o facto de, daí para a frente, o Mario dizer, de 5 em 5 minutos: “Your friend of the glass of wine is still there” ou “Your friend of the glass of wine just looked at you”, lol. Às tantas pergunta-me: “Does that happen to you a lot?”, tipo, homens oferecerem-me bebidas. E eu que não, e ele: “That’s good, means you moved to the right country!” E realmente, dada a agitação dos últimos dias, não posso deixar de concordar… Quanto ao bolo de chocolate, acabei por dividir o bolo com a Carolina, que disse que não o conseguia comer todo, e realmente tenho a dizer que não sei se morri, mas sem dúvida que fui ao Paraíso e voltei! Quem me conhece sabe que adoro chocolate, que provo tudo o que tenha chocolate e se, de facto, digo que foi o melhor bolo / doce de chocolate que já comi, é porque era fantabulástico.

Quanto aos egípcios, foi uma barrigada de rir, para variar

… Estiveram perdidos, primeiro porque não sabiam onde estavam e, depois de falarem com a Marike, porque andaram à procura de uma qualquer entidade estranha, um tal cogumelo mágico que os faria encontrar o caminho certo, qual conto de fadas. Às tantas estavam debaixo de uma estátua que, daquela perspectiva, parecia um cogumelo, mas quando se afastaram, viram que era apenas uma mulher numa posição invulgar; mas o melhor mesmo foi quando perguntaram a um turco se sabia onde era o cogumelo e o coitado do homem, tão perdido como eles, aponta para um restaurante mesmo em frente e diz: “Mushroom, yes, but they also have very good fish!!!” Surreal…


Mustafa, o irmão divertido...

E Haythem, o irmão sério.


Entre provocações, comida deliciosa, histórias meio loucas e conversas semi-sérias, foi uma noite muito bem passada. À saída, ainda nos ofereceram gomas em formas de ursinhos, yey! :D Foi um regresso à infância… E tudo isto por apenas 8 euros. Assim vale a pena…

4 comentários:

O BíRÙS tem Bacúolo? disse...

Até o segurança ou porteiro do restaurante, sabe que andam aí alemães atrás de vocês....
Mas, já que entrou no meio desta história um italiano (de cabelo seboso), é só para dizer k entre alemães e italianos ...prefiro ITALIANOS...
Ou melhor podes continuar com os alemães que eu fico com os ITALIANOS...

p.s. - A tua mãe ensinou-te a não aceitar nada de pessoas estranhas....
no entanto se fosse eu tinha aceitado o copo de vinho ...ainda mais de um italiano...
mama..mia ...
k cést passa nestas terras do Norte...
só lá aparece haver aventuras...
Fica bem, e agradeço os teus comentários ..têm sido a distraçaõ de umas férias a pseudo-estudar para a época especial...

Bjinhos da LR

já agora como se diz beijos em sueco???
o david ou Erik não te ensinaram???!!!

Carolina/e disse...

O Neves!!!! Encontraste o Neves em Estocolmo e o tipo ainda te oferece bebidas?!!!! FOGE!!=P

Anónimo disse...

Lol!
Que saudades Joaninha!!! Já vi que te tas a divertir imenso e isso é que importa!
Vou continuar a ler as novidades!!!
Bjokas
Leonor

Cristiana disse...

Oh Carol só tu...
Os homens em Portugal andavam cegos! Aceitavas o copinho e com jeito ele ainda te pagava o jantar. Machos latinos ao poder!

LOOL