28 de setembro de 2008

Segrare

Vencedora


14ºC em Estocolmo, 21ºC em Portimão


Depois de uma overdose de comida na sexta à noite, sábado prometia mais do mesmo.

Acordar, tomar banho, pequeno-almoço, arrumar quarto, fazer almoço (uma bôla de carnes que não ficou nada má), falar para casa, dormir a sesta, ver os 2 primeiros episódios de Anatomia de Grey, voltar à cozinha.


Fui encontrar o Albert a preparar o seu prato para o jantar, uns ovos recheados. Não imaginam como é que ele encheu (ou tentou encher, pelo menos) os ovos: com uma seringa roubada do laboratório. Lol mesmo coisa de cientista :D Ele não previu é que se calhar o recheio era um bocadinho demasiado espesso para conseguir passar pela seringa, e lá teve que desistir da sua ideia maluca e encher os ovos usando um saco plástico (não, colheres não, que isso dá muito trabalho).


A cozinha foi decorada principalmente quando eu não estava lá, mas ficou óptima… Para a iluminação não ser tão intensa, puseram um pano dobrado por cima da lâmpada, espalharam velas, trouxeram as mesas da sala da televisão e puseram-nas em cima da mesa da cozinha, criando um efeito agradável, cadeiras arrumadas a um canto e computador em cima do frigorífico, com música sempre a tocar…


O conceito do jantar era: tapas, características do nosso país, e com direito a prémio para o melhor prato!


Fui cozinhar para a cozinha do 5º piso para não ter distracções. O meu prato da noite seria: camarões com laranja e whisky. Enquanto cozinhava, a Vivi e uma asiática do andar fizeram-me companhia e quiseram aprender a fazer os ditos camarões… Claro que, pelo apoio moral, tiveram direito a provar no fim! Ficaram óptimos, com um molho que estava uma verdadeira delícia…

Lá levei os meus camarões para a cozinha, onde já estava toda a gente! Coloquei o meu prato no sítio, com o meu nome à frente, como todos os outros… O jantar foi muito agradável, apesar de a qualidade da comida, no geral, ser inferior à de sexta. Mas foi muito bom para conhecer as pessoas que vivem connosco e que geralmente quase nunca vemos. Conheci pessoas novas, nomeadamente infiltrados de outros corredores… O meu prato preferido foi uma sobremesa, um bolo de chocolate fantástico feito pela Karina (alemã)… De comer e chorar por mais!

"The Dutch delegation", como eles se auto-intitularam: Jacomijn, Martijn e Madelinde...


A votação era feita nuns papelinhos que eram depositados numa urna (decididamente, a Jacomijn pensou em tudo). Quando dei por isso, já tinham recolhido a urna sem que eu tivesse conseguido votar no bolo de chocolate… Quando perguntei à Jacomijn se ainda podia votar, ela respondeu com um enigmático “De qualquer forma, o teu voto não fazia diferença”…

E pouco depois, são anunciados os resultados. O Albert faz as honras da casa, à apresentador televisivo, e começa por dizer que foi renhido e que, por isso, não conseguiram decidir um 3º lugar, e que o 2º lugar vai para a “pasta” feita por uma colombiana, a Catarina…

“And the first place goes to…” (suspense, silêncio, expectativa…) “The shrimps!”


Ao princípio não percebi, porque estava à espera que dissessem o nome da pessoa e porque não estava nada à espera de ganhar, mas… Lá fui receber o meu prémio :D Weeee!!!! Sim, eu sei, eu sou boa! O prémio era um jogo de dados que dá para fazer uns “drinking games” e que já combinámos jogar juntos um dia destes… Claro, depois seguiram-se os agradecimentos, a sessão de autógrafos, etc, que eu sou uma pessoa muito importante :D Lol ainda bem que o pessoal gostou… No final sobraram 2 camarões que eu me encarreguei de acabar, era um desperdício deitá-los fora...


Depois de jantar, saída de grupo!

Foi giríssimo para conhecer melhor o pessoal do prédio, e não só do nosso andar. Fomos a um bar com karaoke e acabámos a cantar (uns 6 ou 7 de nós) a música “I will survive” para uma audiência de suecos bêbados – desafinámos como tudo, mas foi o máximo e quer-me parecer que alguém filmou… Se conseguir arranjar faço um post com o vídeo ;)

Falei com um indiano do andar -1, com o iraniano do nosso andar, com o holandês, que para além de giro é mesmo muito simpático, com o espanhol que se vai embora esta semana, com um americano do piso 1 que é mesmo giro… Fica uma foto para melhor me expressar (visto que uma imagem vale mais que mil palavras!)

E, por fim, voltámos para casa. Algumas das meninas ainda foram sair com o Albert, mas eu estava mesmo cansada… No fim, viemos o caminho todo a conversar, desenvolveu-se um espírito de grupo óptimo e a Vivi já prometeu recolher os emails de todas as pessoas de todos os andares para fazer uma mailing list e combinarmos sair novamente no próximo fim-de-semana…

Mat

Comida

14ºC em Estocolmo, 21ºC em Portimão

Sexta à noite: altura do primeiro de dois jantares multiculturais que muitas surpresas trariam…

Encontramo-nos no metro, estação mais próxima da casa da Su. Toda a gente a carregar comida e bebidas, o que atraía os olhares de muitos curiosos… Ainda pensámos se não seria de fazer negócio a vender comida na rua… Mas não. A casa é gira, rés-do-chão, nos subúrbios, o “ninho de amor” da Su e do seu namorado sueco, o Philip. A comida começa a sair dos sacos e a ser disposta em cima da mesa, e é imensa, muita mesma, alguma de aspecto familiar, outra nem por isso. Conseguem adivinhar qual é a minha?


Anyway, provei de quase tudo (menos as bratwurst, que é como quem diz salsichas alemãs, do Mario) e passo a descrever algumas das iguarias:
Eli (China) – porco frito num molho meio doce, meio picante, muito bom

Ghezal (Suécia / Irão) – frango e arroz com “persian berri
es” (bagas persas?), umas bagas com aspecto de sultanas mas de cor vermelha viva e azedinhas
Marike (França) – um bolo de maçã fantástico

Clarissa (Peru) – não sei explicar… uma espécie de puré com batata, maionese, chili, tomate e frango, mistura estranha mas deliciosa….

Iskra (Croácia / Canadá) – salada de cuscus com pimento e tomate
Giulia (Itália) – duas saladeiras com dois tipos de “pasta”: uma com tomate cereja e orégãos, outra com “pesto” feito por ela – de salivar!
Mustafa (UK / Egipto) – um cheesecake óptimo, mesmo para quem não gosta de cheesecake…


E assim por diante. Era imensa comida e sobrou a montes, menos de algumas coisas, como o meu arroz-doce, que toda a gente adorou! A Eli comeu 3 vezes, e toda a gente que provava, primeiro um bocado a medo, gostava imenso. Foi engraçado descobrir que no Egipto têm um prato parecido, pelo que me disseram os dois irmãos…

Mas agora que já descrevi a parte gostosa do jantar, e aproveito para dizer que comi que nem uma alarve, fiquei super cheia e até mesmo maldisposta, passemos à parte social. Chegados a casa, sapatos à porta, como convém. E fiquem mesmo com esta ideia na cabeça, do pessoal a andar pela casa em meias, que será importante mais tarde. Uma imagem para realçar como o hall de entrada tomou aspecto de sapataria:


Comíamos em pratos de plástico, sentados no chão, em círculo(s), a conversar uns com os outros, a conhecermo-nos melhor, especialmente aqueles de nós que não têm tanta oportunidade de falar fora das aulas. Pouca gente faltou: só o Niklas, que teve de trabalhar, e algum do pessoal mais velho, como o indiano. Risos (especialmente em qualquer grupo a que se juntasse a Clarissa), conversa alta, música, pessoas a alternar entre a cozinha e a sala… Os irmãos egípcios chegam e a festa melhora, ri-se (ainda) mais, o pessoal já está cheio e a Clarissa sente que é altura de animar a festa. Não foi fácil convencer as pessoas a dançar… Mas quando a Clarissa se lembrou de jogarmos ao “Limbo” (aquele jogo em que temos que passar por baixo de uma corda que vai baixando cada vez mais), houve muita gente a aderir. E o vencedor foi… O Haythem, um dos irmãos, que se baixava de uma forma notável! A Marike chegou a um prestigiante segundo lugar, surpreendendo todos com a sua flexibilidade (ok, não foi uma surpresa assim tão grande, dado que ela já dançou ballet, mas ainda assim…)

A parte mais gira viria quando a Clarissa fez uma última tentativa de por o pessoal a cantar / dançar. O Mustafa foi forçado a entrar em cena durante uma música de Queen, aquela da bicicleta, e começou a fazer palhaçadas com o Espen, nomeadamente a fingir que andava de bicicleta à volta da sala. Ora, pulinhos em meias em chão encerado e não é preciso ser um génio da matemática da vida para ver que a equação se iguala a uma queda descomunal, que provocou risos descontrolados, choro de tanto rir e que, por sorte minha e azar do Mustafa, aconteceu no preciso momento em que eu tinha começado a filmar :D Durante o resto da noite os irmãos ainda me tentaram coagir para eu apagar o filme, mas eu não o fiz, é bom demais… :D Depois de uma promessa de que este não iria parar ao YouTube, o Mustafa lá ficou mais descansado. Claro que não prometi nada em relação a publicá-lo no blog… Have fun ;) (sugiro que baixem as luzes para ver o filme, porque está um bocado escuro e não se vê bem com o reflexo no ecrã)

Teater

Teatro

15ºC em Estocolmo, 22ºC em Portimão

A aula de ontem foi espectacular. Foi altura de deixarmos o nosso espaço de conforto e trabalharmos a nossa linguagem corporal… A nossa professora do dia é actriz e dá aulas de teatro na universidade de Uppsala. Começámos pelos habituais exercícios de respiração, relaxamento, etc. aos quais já estava mais que habituada depois de 5 anos de coro e 2 de teatro. A parte gira veio depois, quando tivemos que nos expor cada vez mais aos outros, começando simplesmente por associarmos o nosso nome a um gesto para todos repetirem, avançando depois para expressarmos um desejo, depois para trabalho em pares em que tínhamos que contar a nossa experiência da “vida selvagem” aos outros…

A minha parte preferida do dia foi quando tivemos que contar a nossa experiência à turma inteira. Aprendi imenso… Como eu mesma diria mais tarde, hoje viajei pelo mundo todo sem sair daquela sala. O objectivo era exactamente esse: pintar um postal da nossa experiência, usando todos os sentidos, de forma a que os outros pudessem ver o que nós estávamos a ver…
Houve de tudo, desde risos a choros… Os primeiros provocados, por exemplo, pela Giulia e pelo Mustafa, este último com uma história que envolveu muito vomitado, lol, os últimos da parte da Dhifaf, que contou uma experiência muito vívida de um assalto à loja da mãe dela em que os assaltantes apontaram uma arma à cabeça da mãe com ela a ver…

A última parte da aula foi dedicada aos nossos poemas, com algumas performances espectaculares, outras nem tanto… O melhor foi a Marike a interpretar a letra da canção I Will Survive, a Clarissa a dedicar “The Way you look tonight” ao Haythem, e o Niklas a ter que dizer o seu poema sobre libertar-se das pessoas que o deitam abaixo com os dois irmãos egípcios a agarrá-lo e a puxá-lo para trás e ele a lutar ao mesmo tempo…

Foi um dia de aulas bem passado, em que deu para tudo: rir, chorar, coisas sérias. Aprendi que tenho que fazer menos gestos e concentrar-me mais na audiência e vou tentar melhorar para a minha apresentação de segunda-feira…

25 de setembro de 2008

Kul

Diversão

16ºC em Estocolmo, 23ºC em Portimão

A apresentação de ontem correu bem e foi extraordinário como uma pessoa se pode divertir numa aula, só de assistir às apresentações uns dos outros e depois fazer comentários, uns com piada, outros sérios… Mas boa boa deve ter sido a apresentação da Clarissa de manhã, em que apresentou uma teoria sobre a extinção do cromossoma Y dentro de 10 milhões de anos e mostrou uma fotografia de todos os rapazes da nossa turma para demonstrar como eles estavam à beira da extinção.

Claro que não se pode comparar a diversão da aula, com o nosso professor extremamente engraçado, ao tipo de diversão que se seguiu nessa noite, na festa Erasmus. Para resumir: 8 pessoas de Jägargatan + um amigo do Albert + Stefania + amigos da Stefania, um dos quais era português e que me puxou para dançar durante o fantástico “hit” Dragostea din tei (têm saudades, confessem!) = noite fantástica. Música boa, ambiente óptimo e companhia nem se fala… Ficam algumas fotos…

O Martyn, holandês do nosso andar e amor da Clarissa... Bem simpático, para dizer a verdade...

4 meninas do "Sex" floor (sexto andar, o que é que estavam a pensar???)

Dois rapazes encostados às boxes!!!

A foto mais gira e simultaneamente horrivel da noite! (eu a posar para a foto e o Albert decide fazer um tributo aos Kiss... gajos, não há quem os perceba...)

A diversão continuou esta noite, com a aula de salsa mais fantástica de sempre. Obviamente que parte da fantasticidade (e aqui atinjo um novo nível no que toca à língua portuguesa) teve que ver com os parceiros de dança, ou um deles em particular, que veio directamente de Jägargatan e que se revelou um dançarino fantástico… (A minha mão no ombro dele, a mão dele na minha cintura, e 1, 2, 3… 5, 6, 7…) :D Agora a sério, estou mesmo a adorar as aulas e acho que até tenho jeito para aquilo :D Ao menos é giro quando estamos a fazer um esquema ou uma volta e vemos que mais ninguém acompanha a não sermos nós :P Sempre deu para subir um bocadinho o ego. E danças latinas é tão bom, uma pessoa até parece que se sente mais em casa…

Amanhã novos desenvolvimentos, com o primeiro de dois jantares multiculturais para o qual já fiz um fantástico arroz-doce (dei a provar à Shermaine e ela adorou!)…

Dröm

Sonho


16ºC em Estocolmo, 23ºC em Portimão


Uma nota breve para dizer que… As aulas deste módulo estão a ser fantásticas. Tenho aprendido imenso sobre coisas do dia-a-dia de ser cientista nas quais uma pessoa não pensa verdadeiramente até precisar, mas eles aqui têm tudo muito bem organizado e estruturado. Do género: como escrever um artigo? Como PUBLICAR um artigo (que não é bem o mesmo)? Como fazer uma apresentação de um poster? E uma comunicação científica? Como colocar a voz, como usar a linguagem corporal, como fazer pausas para ver se as pessoas nos estão a acompanhar? Como responder a perguntas colocadas numa conferência? O que fazer se essas perguntas forem “para nos lixar” (basicamente)? Como preparar uma entrevista de emprego? Como criar um negócio? E assim por diante… Não há um dia que se dê por perdido e, apesar da rambóia, tenho mesmo aproveitado as aulas.


Hoje vimos o discurso “I have a dream” do Martin Luther King e, confesso, arrepiei-me. Eu sei que o discurso nos foi mostrado com a intenção de dar um exemplo de retórica perfeita, mas… o conteúdo e forma são tão bons que às tantas deixei de tirar apontamentos e concentrei-me apenas no discurso… E emocionei-me, lol. Vá lá que estava na primeira fila e acho que ninguém notou… Mas fiquei arrepiada (a palavra inglesa é melhor: overwhelmed) durante mais uns minutos antes de voltar à realidade. I have a dream…

24 de setembro de 2008

Sköldpadda

Tartaruga

14ºC em Estocolmo, 22ºC em Portimão


O meu professor de retórica parece um híbrido entre uma tartaruga e o Mr. Bean. Não pretendo com isto insultar o meu professor de retórica, muito pelo contrário, até acho que as aulas dele são das mais interessantes que já tive… Imaginem a figura: óculos de fundo de garrafa, redondinhos, barriga, baixo (para um sueco), calvo (tipo Tartaruga Genial), de laçarote ao pescoço e fato horroroso… Mas a verdade é que consegue captar a nossa atenção o tempo inteiro. Ou não fosse ele professor de Retórica…
Giro giro foi às tantas eu lembrar-me de um certo professor nosso da licenciatura que logo na primeira aula disse que tinha uma voz muito monocórdica e tentar ver quantas das regras do bem-falar e bem-apresentar é que ele cumpria nas aulas dele, tendo chegado ao fantástico número de… 0. Lol.

Para além de ter aprendido imenso, a última parte da aula foi gira, com o professor a dividir-nos em pares, tendo nós que entrevistar o nosso par e depois apresentá-lo perante a turma… Fiquei com a Giulia e foi muito giro, basicamente fartámo-nos de dar graxa uma à outra mas ela até que fez uma descrição bastante simpática da minha pessoa (sinal de que não me conhece assim tão bem, lol :D).

O resto da tarde foi passada com trabalhos de filosofia (finalmente acabei, ao contrário da maioria do pessoal do curso – ironicamente, já há quem me chame workaholic, embora o meu raciocínio seja precisamente despachar o trabalho o mais rapidamente possível para poder ir a festas, aulas de salsa e outras que tais :D) e a preparar a apresentação para hoje – 5 minutos apenas, não me parece que vá conseguir cumprir o tempo…

Ainda assim, espero despachar isto o mais rapidamente possível para poder ir para casa fazer o jantar e depois sair com a Shermaine e o Albert… :)

Dumhet...

Estupidez…


8ºC em Estocolmo, 17ºC em Portimão


…é a voz dele funcionar como um despertador, mesmo se ele está na cozinha, a 4 portas de distância, a falar baixinho com alguém e se, sendo 7 da manhã, eu estava a dormir profundamente e a sonhar (com imigrantes portugueses na Suécia que abriram um hotel junto à praia – altamente improvável, eu sei).

…é levantar-me a correr, tentar dar um jeito ao cabelo desgrenhado do contacto com a almofada, sair do quarto em pijama e com olhos ensonados para estar com ele, já que não o vi ontem.

…é combinarmos as coisas para logo à noite, eu pedir-lhe o nº de telemóvel para assegurar que não nos desencontramos, dar-lhe o meu em vez disso, ele dar-me um toque para o meu telemóvel, esquecido nalgum recanto do meu quarto.

…é tirar as coisas para o pequeno-almoço enquanto falo com ele, apesar de nunca tomar pequeno-almoço a estas horas ou em pijama (apesar de ele não saber isso, visto que geralmente sai antes de eu acordar).


Mas o cúmulo da estupidez é mesmo…

…voltar ao quarto para guardar o número dele e descobrir que não está lá, ou porque lhe demos o número errado tal não era o sono, ou simplesmente porque ele não deixou tocar o tempo suficiente…

21 de setembro de 2008

Kök

Cozinha

10ºC em Estocolmo, 21ºC em Portimão

Quer dizer, uma pessoa faz posts grandes, vocês reclamam, faz-se um post pequeno e há logo reclamações a pedir mais pormenores... Decidam-se!!! Não, não vou desenvolver a questão da "boa companhia", não vale a pena insistirem...

Nos últimos dias / horas descobri que este blog, que supostamente era escrito para os meus amigos (vá, de uma faixa etária entre 20 e 23 anos), afinal anda a ser lido por muitas outras pessoas, desde as irmãs mais novas às mães desses mesmos amigos :D Se calhar vou ter que poupar nas sem vergonhices (como diz o meu próprio irmão) e moderar a linguagem... Ou então não.

Hoje e ontem foram dias de estar em casa, trabalhar e cozinhar, basicamente. Devo aproveitar para dizer que os meus dotes culinários estão a ficar conhecidos aqui pelo andar, estou a desenvolver um certo estatuto de menina prendada :D Não é que eu cozinhe nada de especial, mas para pessoal que passa a vida a comer saladas, massas e lasanhas de compra uma pessoa que faz strogonoff de frango ou lasanha de atum sem ser de compra já é muito à frente. Também já houve quem me agradecesse pela limpeza do forno, desde a Jacomyn e o Albert a dizerem com espanto "It's so clean!!!" (pudera, depois de 3 horas de esfreganço), até à Dasha e à Shermaine que me compraram uma fatia de um bolo de chocolate ÓPTIMO como agradecimento :D Até apetece uma pessoa limpar o forno mais vezes...

Entretanto já comecei a planear os meus cozinhados para os jantares internacionais da próxima semana, vamos ver como correm... Já fiz uma das experiências hoje, uns bolinhos de chocolate e côco que ficaram uma maravilha (apesar de serem super doces) e que o Albert já me pediu para fazer de novo na festa de sábado. Outros pratos incluem camarões com laranja e whisky e o bom do nosso arroz doce... Vai ser tão booom :D

20 de setembro de 2008

Soffa

Sofá

E como de repente nos apetece mais ficar em casa a ver um filme piroso com a Sandra Bullock no papel principal, aconchegadinha no sofá, com uma boa companhia, do que sair para mais uma festa...

Gratis

Grátis

15ºC em Estocolmo, 25ºC em Portimão

Sol em Estocolmo… A cidade torna-se mais bonita, as pessoas andam na rua com outra disposição, alguns até de t-shirt (sim, que isto estava um calor ontem! Uns 12 graus…) mas a verdade é que o sol anima e faz bem, nem que seja pela vitamina D :) Uma pessoa está a trabalhar, precisa de ir à universidade tratar de uns papéis e a viagem de 45 minutos de autocarro nem custa tanto, vai-se vendo as vistas…




(Vistas da nossa janela do corredor, com solinho)

Nesta altura também já deu para perceber que os suecos não são assim tão bons no que toca a burocracias, pelo menos relativamente a imigrantes. Coisas do tipo ir a um gabinete e mandarem-nos a um segundo, irmos ao segundo e recambiarem-nos para o primeiro, que eu pensava só acontecerem em Portugal, afinal não, aqui também há disso, também irrita, também deixa uma comichosice no estômago mas pronto, o que é que uma pessoa há de fazer…
Fui à loja da universidade a tentar comprar uma pasta para o meu PC, que a minha tem a alça estragada, para descobrir que se podem comprar desde canecas a toalhas de banho com o símbolo da universidade… Gostava de saber quantas vendem por ano, que aquilo ainda por cima não é barato. Das pastas nem sinal, só se comprar uma das mochilas mataconas e cor-de-rosa que para lá há e que toda a gente carrega orgulhosamente, por aqui. Se bem que uma mochila daquelas até pode dar bastante jeito para levar no avião… Tenho que pensar no assunto.

Adiantar trabalho de filosofia, abstract escrito e revisto, e toca a preparar para a festa desta noite. Encontrámos o coitado do Albert com uma constipação terrível que o deixou de cama, logo, desta vez não nos pôde acompanhar. Eu e a Shermaine seguimos para a maior comunidade estudantil de Estocolmo, Lappis, onde iria haver uma festa House, e o resto do pessoal ficou de lá ir ter mais tarde… Perdemo-nos pelo caminho mas lá chegámos, para descobrir que éramos as primeiras! Em Portugal seria normal ser-se o primeiro numa festa a chegar lá às 10 e pouco, mas na Suécia… O tipo do bar era um chef do Uruguai, muito simpático, que me serviu uma sangria muito bem feita e ainda me ofereceu uma bebida. Simpático, mas a festa não foi o sucesso que ele esperava… A música não era nada de especial e o pessoal demorava a entrar. Quando o resto das miúdas chegaram, decidimos ir a outro sítio e fomos apanhar o metro para a nossa ilha.

Depois de andarmos de bar em bar para descobrirmos que a maioria deles estava quase a fechar (ainda só era meia-noite e meia!), lá descobrimos um que só fechava às 3. Nem nós sabíamos onde nos íamos meter… Entrámos num bar cheio de rockeiros, daquele pessoal com cabelos compridos e barba enorme, eventualmente às trancinhas, guitarras eléctricas na parede, espelhos, candelabros. O sítio em si nem era mau, e a música, para quem gosta de rock, era boa. Nós é que destoávamos da multidão em geral… Depois de muito procurar, lá conseguimos encontrar uma mesinha, e nesta altura a noite não parecia ter muito a oferecer, estava tudo a pensar “bem, onde é que a gente se veio meter” (sim, por favor, tentem imaginar 6 raparigas bem vestidas, incluindo uma Marike muito sexy de salto alto, saia-lápis e top, no meio daquele maralhal…).

Entretanto… Sentou-se na mesa ao lado um grupo muito fixe, de pessoal mais ou menos da nossa idade, especialmente um rapaz que ficou sentado mesmo ao lado da Stefania e à minha frente. Ele meteu logo conversa, meio surpreendido por nos ver ali, a perguntar como é que tínhamos ido ali parar. Simpático, giro para quem não se importar com o cabelo meio à Kurt Cobain, conversador, chamado Andreas, um sueco de gema, de Estocolmo, que durante o dia trabalha numa espécie de instituição a tomar conta de pessoas com incapacidades e durante a noite vai beber uns copos com os amigos, por vezes dançar. É como eu dizia ontem à Clarissa: acho que nestas 3 semanas conheci mais rapazes “apetecíveis”, digamos assim, do que no resto da minha vida, lol. A Clarissa topou logo que eu estava um bocadinho apanhada e não parava de me enviar sorrisinhos do outro lado da mesa, foi uma tortura constante :D

Seguiu-se um episódio engraçado que deixou os suecos estupefactos. Segundo uma conversa que eu e a Stefi estávamos a ter com o Andreas, as raparigas suecas são muito independentes e tomam sempre a iniciativa e levam a mal se o rapaz lhes pagar uma bebida, logo os suecos geralmente não oferecem bebidas às raparigas porque para elas é uma ofensa, como se o homem pensasse que elas não têm capacidade de se sustentar. Manias… E tinha eu acabado de realçar como foi justamente na Suécia que um homem me tentou pagar uma bebida, contrariando a teoria dele, quando, ainda nem 15 minutos passados dessa conversa, a empregada do bar se chega à nossa mesa e começa a descarregar cervejas. “Descarregar” é o termo. Eu ao princípio nem percebi o que se estava a passar, pensei que ela estava a usar a mesa como ponto de apoio ou assim, visto que nós não tínhamos pedido nada… Afinal foi um homem de uma das mesas do lado que deve ter achado que nós queríamos embebedar-nos e decidiu dar-nos uma ajudinha, mandando a empregada levar para a nossa mesa, nada mais, nada menos, que 18 cervejas, ou seja, 3 para cada uma! Lol sem comentários, e eu que nem gosto de cerveja por aí além… Os suecos da mesa ao lado só olhavam de olhos esbugalhados, o Andreas abanava a cabeça e dizia “nunca vi uma coisa assim”, e o homem acenava lá do fundo…

Resultado, lá distribuímos as cervejas, já que aquilo era pré-pago, logo, de qualquer forma ele já tinha gasto o dinheiro, inclusivamente por alguns dos rapazes da mesa ao lado, que não se fizeram rogados (obviamente que nós não conseguíamos beber 3 cervejas cada uma, até porque eu e a Clarissa não apreciamos especialmente). Pois o tal homem, não satisfeito, como viu que algumas de nós não estavam a beber as cervejas, chegou-se ao pé da nossa mesa e disse-nos para pedirmos o que quiséssemos à empregada que ele pagava e voltou para a mesa dele. O mais estranho disto tudo é que, supostamente, ele devia estar a oferecer-nos bebidas com alguma intenção, mas nem por uma vez se dirigiu a nós para tentar meter conversa. Às tantas, e vendo que nós não pedíamos nada à empregada, tomou ele a iniciativa e lá aparece ela na nossa mesa com dois shots para cada uma. Sem palavras… E até eram bons, não tinham muito álcool e sabiam a morango :P Se as bebidas não estivessem a ser trazidas pela empregada a gente ainda desconfiava, mas neste caso foi apenas muito estranho. Não nos queixamos, visto que acabámos por beber de graça :D

Em suma, saldo da noite: uma festa e um bar, um tipo muito giro, 4 bebidas de graça e uma a pagar, para além da habitual conversa e parvoíce… Eu diria que foi um saldo positivo ;D

18 de setembro de 2008

Rytm

Ritmo

11ºC em Estocolmo, 21ºC em Portimão

Ontem foi um dia normal mas ainda assim divertido… Acordar tarde devido ao cansaço da noite anterior, ir às compras, descobrir que a minha encomenda finalmente chegou de Portugal, fazer almoço, iniciar uma tarefa hercúlea que ainda não está concluída – a limpeza do forno da nossa cozinha. Deixem-me explicar devidamente o problema… Eu para cozinhar utilizo o forno bastantes vezes, mas ainda não me atrevi a usar o nosso forno (tal como ninguém mais o utiliza) visto que tem o aspecto de ter sido utilizado por gerações sucessivas de inquilinos do nosso corredor, quiçá desde os tempos mais primordiais, sem nunca ter visto a cara de um pinguinho de detergente. Deixem-me pôr isto por menos palavras com uma imagem muito simples: depois de borrifar com um daqueles limpa-tudo tipo Cif e passar um papel, este veio com o aspecto de ter passado por uma estação petrolífera – completamente preto. O fundo tinha pedaços de coisas carbonizadas, a porta do forno, que em tempos terá sido transparente para se poder espreitar o que estava a cozinhar no interior, estava castanha. Ou seja, o suficiente para qualquer pessoa fugir a sete pés e nem se atrever a tentar limpá-lo. Mas nada que me demovesse, que eu tenho em mente umas quiches e lasanhas para as quais o forno é ferramenta indispensável… Em suma, entre ontem e hoje já passei umas duas horas só a esfregar, tenho as unhas numa desgraça, mas ao menos ao passar o pano no fundo já não vem preto (cinzentinho, vá) e a porta já está mesmo quase transparente! Ai de quem se atrever a sujar o forno depois disto…

Depois de almoço, lá fui levantar a minha encomenda, felizmente acompanhada, que aquilo era grande como tudo. Ao voltar para casa finalmente escrevi o meu abstract para Scientific Writing, só falta enviar. O jantar teve que ser adiantado, visto que hoje era dia da primeira aula de salsa! Fiz uma massada de camarão que ficou uma maravilha… Para inveja das minhas companheiras de corredor – aliás, a Dasha até disse que tem que tirar fotografias da comida que eu faço para enviar à mãe dela! Lol…

Entretanto, tinha passado o dia a trocar mensagens com o meu novo amigo português, a convidá-lo para ir connosco à aula de salsa, já que é na universidade dele. Ele respondeu que não podia, porque hoje tinha uma noite de póquer combinada com os amigos, mas se eu não queria passar lá. E eu que não, que estava com umas amigas, mas que depois combinávamos. O engraçado disto tudo é que eu estou a escrever mensagens em português e viro-me para a Dasha e começo a falar com ela também em português – e a coitada a olhar para mim com cara de boi a olhar para palácio, claro…

Quanto à aula em si, foi muito gira. Dividiram-nos em dois grupos, os principiantes e os intermédios. Claro que a Clarissa foi a única a ir para a outra sala com os dançarinos mais avançados. Quanto a nós, ficámo-nos pelo grupo que ainda tinha que contar os passos: “One two three… Five six seven…” e assim por diante. Perna esquerda para a frente, perna direita para trás. Dividem-nos em dois grupos, raparigas para um lado, rapazes para outro. As raparigas fazem os passos ao contrário, mexem os ombros, enquanto que os rapazes são mais rígidos (porque, como dizia a instrutora, se eles movessem os ombros iam parecer… e para não concluir a frase como todos nós pensávamos que ia concluir, lá se saiu com um “estranhos”). Aprendem-se passos mais complicados, um em que se trocam os pés cujo nome não consigo apanhar, voltas para a esquerda, voltas para a direita, depois tudo junto: básicos, passos esquisitos, volta para a esquerda, volta para a direita.

E vamos para os pares… Eu tive azar, fui “caçada” por um iraniano que não era lá grande dançarino (eu também não, diga-se de passagem). Mas pronto, ainda deu para praticar as voltinhas a pares, que são bem mais difíceis do que parecem. A parte mais gira da aula foi mesmo no fim, quando puseram música para o pessoal dançar – nessa altura troquei de par, para um tipo que não sei de onde era, mas era mais giro e claramente europeu, e que tinha um amigo lindo de morrer. O que estava a dançar comigo não tinha sentido de ritmo absolutamente nenhum, era muito lento e trocava os pés – não se safou de uma pisadela, não por culpa minha, mas porque ele veio para a frente quando era suposto ir para trás. Mas o amigo… Às tantas pedimos para o amigo nos ensinar um passo que ele estava a fazer com o seu par (uma rapariga muito bonita e também uma excelente dançarina) e lá veio ele dançar comigo por um bocadinho… Foi o melhor minuto da noite! No geral, gostei muito da aula. Íamos para o metro e volta e meia alguém começava “one two three”, a contar os passos… E podemos sempre fazer umas sessões de treino no nosso corredor, já que o Albert também vai ter aulas de salsa (mas noutro sítio). Hopefully, na próxima semana também vou ter um par melhor que o de hoje, já que o Alex prometeu que na próxima semana se juntava a nós…

Erasmus

(vá lá, esta não precisa de tradução!)

8ºC em Estocolmo, 20ºC em Portimão

Quarta-feira, de volta às aulas… Scientific writing de manhã, duas horas, uma delas à volta de como escrever uma tese, a segunda sobre posters. No final da primeira aula, a Su, que é a nossa comandante (está sempre a par de tudo), lá nos disse que era preciso eleger 3 representantes do curso para uma coisa tipo conselho pedagógico, representantes esses que ficam responsáveis de recolher feedback sobre as cadeiras / profs no final de cada cadeira (ou seja, aqui somos mesmo encorajados a falar e a discutir sobre o que correu mal e NÃO NOS TENTAM CHUMBAR POR ISSO :D). A parva aqui lá se oferece, juntamente com mais 4 ou 5, e acabamos por ser eleitos a Su (com 10 votos, sem surpresas), eu, com 4, e o Mario, também com 4. Ou seja, agora sou uma senhora representante do curso :). Não deixou de ser giro quando, na altura de contar os votos, o Mustafa adiciona o nome “Obama” à lista de candidatos. Ninguém votou no pobre do Obama, mas esperemos que seja bem diferente daqui a uns mesitos…

No fim da aula, o Mario desafia-nos para irmos comer lasanha a casa dele e eu, a Dasha e a Clarissa aceitamos o desafio. Lá vamos nós, juntamente com o Espen, que agora como mora com o Mario vai com ele para todo o lado. Depois de algum tempo em transportes para lá chegar, vamos ao supermercado comprar a “matéria-prima” e depois para casa dele, para cozinhar a bela da lasanha. Eu abstive-me dessa parte, visto que as lasanhas que eu faço são mais à base do refogadinho com produtos frescos e não de molho de tomate de compra. Mas pronto, a verdade é que até estava saborosa, apesar de ter dado uma dorzinha de estômago a seguir. A acompanhar a lasanha, vimos um filme com o Gael Garcia Bernal, muito giro mas estranho, sobre sonhos…

Enfim, chegada a casa, muita coisa para fazer e pouco tempo, antes de ir para a festa Erasmus com o Albert. Ele chegou quando eu tinha acabado de jantar e disse que tinha encontrado uma rapariga alemã no corredor que também ia connosco. Oooohhhhh… Lol.

A festa foi muito gira mesmo. O espaço era enorme, com zona de dança, zona de bar, zona para o pessoal se sentar e simplesmente conversar… A alemã (não consigo atinar com o nome dela) era muito simpática e fartámo-nos de conversar os três. Descobri, por exemplo, que o Albert tem 1,98 m (!) ou seja, eu e a Clarissa, que tínhamos apostado, respectivamente, que ele tinha 1,99 e 1,97, empatámos e ninguém leva o prémio para casa. Fomos dançar, principalmente eu e o Albert, visto que a alemã era um bocado mais contida e só ao fim da terceira cerveja é que se juntou a nós. No final de contas, foi uma noite bem passada...

A parte mais gira viria no fim. A alemã quis-se ir embora às 11h30 (apesar de eu, por mim, ainda ficar mais tempo) e lá fomos buscar os nossos casacos. Enquanto esperava, comecei a ouvir um palavreado que me soava a familiar… Viro-me e as minhas suspeitas confirmaram-se: portugueses! Dois rapazes e duas raparigas… Foi pena estar a ir embora (eles ainda me disseram para ficar, mas eu depois não tinha com quem ir para casa), mas ainda troquei número com um deles, chamado Alex, muito simpático mesmo… Agora é só combinarmos qualquer coisa juntos. Mas soube tão bem falar em português, mesmo que só por 5 minutos...

Tisdag

Terça-feira

10ºC em Estocolmo, 22ºC em Portimão

Terça-feira: dia de (suposto) trabalho. De facto, os trabalhos de casa de Inglês (sim, eu tenho TPC) ainda foram concluídos, e para dizer a verdade, também começámos e acabámos o poster na segunda à tarde, mas ainda falta muita coisinha para fazer… A meio de um dia passado entre a secretária e os trabalhos domésticos, a Dasha lá me arrastou para fora de casa, para irmos dar uma voltinha a Gamla Stan. Adoro aquela ilha, tem lojas tão giras… É de perder a cabeça só de olhar para as montras… e para os preços! Cheguei à conclusão que os chapéus lindos que experimentei no outro dia custavam, não 70 coroas (cerca de 7 euros), mas 795 coroas (ou seja, 80 euros)!!! Muito dinheiro por um simples chapéu… Acabámos por subir a um miradouro (137 degraus!) com uma vista espectacular do centro de Estocolmo. Vista linda, mesmo com nuvens, mas um frio de rachar…

De volta à residência, depois de uma paragem numa banca de fruta e legumes, o cansaço mental era demasiado para continuar a trabalhar a sério, por isso tratei de passar roupa, dobrar roupa, arrumar gavetas, ver se consigo dar alguma organização ao caos que é o meu quarto.

A melhor parte do dia foi, sem dúvida, o jantar… Quando para lá fui fazer o jantar, encontrei a Dasha, a Shermaine e a Jacomyn já a comer. Conversa para cá e para lá, elas acabam de comer quando eu vou a começar e entra o Pedro e, pouco depois, o Albert. A conversa continua, como foi o dia de um e de outro, o meu, sem dúvida, o mais secante, o Pedro sai, ficamos os dois. O Albert é um estudante de Medicina, alemão, da Bavária, que está cá por seis meses num intercâmbio… A conversa continua, porque é que ele foi para medicina, porque é que eu escolhi biomedicina, passamos para o serviço militar alemão, para o pessoal do meu curso, para o pessoal do corredor, para a festa do corredor no dia 27, para a filosofia de vida dele (mínimo esforço, como qualquer bom rapaz – comer directamente da panela e beber o sumo directamente do pacote, para não ter muita louça para lavar…). No meio de tanta conversa, deu tempo para a Madelinde (outra holandesa) entrar, fazer o jantar, comer e sair, e quando o Pedro entrou novamente na cozinha uma hora depois de ter saído de lá, não me espanta que tenha perguntado: “Ainda cá estão?”

16 de setembro de 2008

Fila (ou bicha, como preferirem)

8ºC em Estocolmo, 21ºC em Portimão

O dia começou cedo, a tratar de burocracias. Primeiro o Tax Office (para receber um Swedish Personal Number) e depois o Migration Board para me registar como residente na Suécia. Foi giro registar a diferença de eficiência em ambos os sítios…
Tax Office: estamos de facto num país civilizado. Sofás para o pessoal se sentar, balcões com canetinhas e cadeiras para se preencher os papéis, atendimento rápido e eficiente, quase que não se espera… Fiquei muito bem impressionada.
Depois passa-se de Södermalm, uma das melhores zonas de Estocolmo, onde fica o Tax Office, para Solna, nos subúrbios, onde fica o Migration Board. Dezenas e dezenas de pessoas (momentos antes de ser atendida, contei cerca de 100). Cadeiras de plástico, mas confortáveis, não digo que não, já não há canetas à disposição nos balcões, a espera é interminável. Olha-se em volta e vemos que de certa forma não estamos na Suécia, pois é raro ver-se uma cabeça loura. Negros, morenos, cabelos escuros, homens sozinhos, com ar cansado, pobre ou simplesmente normais, alguns acompanhando as mulheres, controlando a situação, mulheres essas tapadas da cabeça aos pés, com um rebanho de crianças à volta, crianças de todas as idades que brincam umas com as outras, amizades que se fazem, o choro de um bebé recém-nascido, uma mulher iraquiana com uma t-shirt decotada a dizer “Come to mummy” (?!), um húngaro quieto, de óculos, sentado a um canto, barulho, um pequeno caos bem diferente do ambiente calmo e frio do Tax Office, uma confusão que não chateia tanto como reconforta, porque sentimo-nos mais próximos daquelas pessoas de cabelos negros do que das frias louras dos balcões de atendimento que nos despacham como quem despacha uma encomenda.
Ironicamente, o balcão da União Europeia era o com menos pessoas a atender (só 1 homem), logo, demorei mais de uma hora só à espera dos 5 números que estavam à minha frente…
Lá fui para o campus, pagar a renda aos serviços de alojamento; lá fui almoçar a uma cafetaria cheia de gente onde tive que esperar mais de 15 minutos numa fila só para colocar o meu tupperware no microondas; parece-me que passei a manhã numa única fila interminável…

A tarde de trabalho de grupo, por uma vez, rendeu; tomei as rédeas à situação para evitar mais discussões sem fim à vista e o trabalho avançou bem, a tarde toda, e lá conseguimos acabar o nosso poster que, devo dizer, ficou bastante bem, ao fim de 5 horas de trabalho árduo! A meio da tarde, a minha mãe telefona-me e foi bastante engraçado, pois de repente apercebo-me de que estava tudo a ouvir a minha conversa – uns deviam achar simplesmente graça a ouvir falar português, a Marike perguntava ao Mario se percebia alguma coisa por causa da sua namorada brasileira, ao que ele respondia que não, o Espen, que agora está a morar no chão do quarto do Mario e por isso anda sempre com ele, aguçava o ouvido a ver se percebi. Quando desliguei, perguntei-lhe: “So, did you understand anything?” Ao que ele respondeu (em português, claro!): “Gosto do som da sua voz…” Sem comentários!

Regresso a casa, fazer jantar. Sopinha de alho francês, ovos mexidos com salsichas acompanhados por uma saladinha de tomate e alface. Entretanto o Pedro (espanhol) e o Albert juntam-se a mim; a conversa começa, como foi o teu dia para cá e para lá. Às tantas o Albert e o Pedro começam a falar entre eles em espanhol e eu divertidíssima, porque não sabia que o Albert falava espanhol (e bem! Resultado de apenas um mês passado em Espanha) e porque, obviamente, percebia tudinho. Às tantas lá se aperceberam do meu sorrisinho e perguntaram-me, em espanhol, se eu percebia, e eu que si, por supuesto! Descobri que o Albert vai ao ginásio todos os dias e que vai juntar-se a umas aulas de salsa – uma coincidência, visto que eu também vou começar a ter aulas de salsa (mas as minhas de graça) esta quinta-feira!
Sai o Pedro, entra a Jacomyn, a conversa continua. O Albert vai buscar os posters que esteve a imprimir sobre a festa do corredor, discutem-se detalhes, acabo de comer os ovos e passo para a fruta, fala-se de cinema e do trabalho no laboratório. A Jacomyn convida-me e ao Albert para umas panquecas com gelado e, obviamente, não recusamos… Ouço falar de mais duas festas, uma na quarta, outra na sexta e mais uma vez a agenda social da semana fica preenchida. Chegam mais dois holandeses, Madeleine e Martin, a primeira começa a fazer o jantar, o outro junta-se à conversa… Entretanto o Albert e o Martin decidem armar-se em rapazes de entregas e fazer a distribuição dos posters pelo corredor e caixas do correio, enquanto nós ficamos na cozinha. A Jacomyn é acometida de uma fúria arrumadeira e decide reorganizar os frigoríficos (hoje houve uma situação chata, com o Pedro e o Paul a escolherem a mesma prateleira e o primeiro acabou por deitar fora coisas do segundo, o que deu azo a umas demonstrações de testosterona na cozinha); imprimem-se novas folhas para organizar as prateleiras por quartos, retiram-se frascos e frascos de coisas fora do prazo deixadas por hóspedes prévios há demasiado tempo atrás, retiram-se gavetas e prateleiras que são limpas sem piedade; acabei por me juntar à vaga de arrumação, enquanto os dois rapazes basicamente gozavam com a nossa determinação.

Limpeza terminada, cada um para seu quarto, excepto eu, que fui apanhar a roupa à lavandaria, vim ao Skype falar com amigos e família, saber que o meu maninho que começou hoje a vida de universitário teve um dia do pior:( ; dobrei roupa, falei com mais uns quantos, e este speed todo à 1 da matina deve-se somente ao café que bebi a meio da tarde “to get the work going”. Amanhã vai ser lindo para acordar…

14 de setembro de 2008

Toalett

WC (casa de banho)

9ºC em Estocolmo, 24ºC em Portimão

Mais uma noite, mais uma saída… Que começou com um episódio bastante estranho, diga-se de passagem. Íamos nós para a paragem de autocarro quando vemos um velhote vestido só com uma bata de hospital e uma fralda (com aquele frio!) que parecia mesmo ter fugido do hospital. Lá telefonámos para o 112 para o irem buscar, mas entretanto conseguimos chamar também a atenção dos seguranças do hospital que o levaram para dentro… Entretanto, o “nosso” hospital parece também o local de encontro da máfia aqui da zona – estão sempre aqui reunidos todas as noites e de repente vão-se todos embora ao mesmo tempo, nos seus brutos carros (Audis, Mercedes e outros que tais) a acelerar até se sentir o cheiro a borracha queimada. É bom ter vizinhos assim...

Ontem à noite o nosso amigo Albert (alemão) do corredor juntou-se a nós na nossa saída; no autocarro encontrámos ainda a Sophia, uma das nossas companheiras de equipa – foi difícil reconhecê-la sem os óculos dourados e a pele de leopardo!

Quanto à festa, resume-se muito rapidamente: mais de meia-hora para entrar, outros 15 minutos de fila para deixar os casacos, mas a música era boa… Dançámos até fartar, até os pés doerem, até aos limites da loucura, até a alma ficar limpa… Foi óptimo, divertimo-nos imenso! Quanto a rapazes, chegámos à conclusão que aqueles em que estávamos “de olho” iam muito bem acompanhados, por suecas louras e curvilíneas… Ficámos todas destroçadinhas… :( Lol, como diz a Clarissa: “Men are like toilets: the good ones are taken, the rest is full of shit.” (o que a gente se riu!) Ficam algumas fotos para mais tarde recordar…

Eu e a Sabrina a curtir à grande!

Eu com a Jacomyn e o Martin, ambos do meu corredor...

Shermaine, Dasha, Sabrina e Su...

Girl power! (Shermaine, Stefania, Clarissa, Dasha, Sabrina, eu e Su)


Quanto a hoje, foi só dormir, comer, tratar da roupa suja e começar a trabalhar. Tenho esta semana livre de aulas (a não ser na 4ª feira) mas trabalho a montes… Para variar, que isto não podem ser só festas!

13 de setembro de 2008

Vi älskar juryn

Nós amamos o júri

10ºC em Estocolmo, 27ºC em Portimão

Ontem chegámos tarde para inscrever a nossa equipa, mas lá conseguimos descobrir onde era o local das “actividades de recepção aos novos alunos” para ver se nos aceitavam mesmo em cima da hora. E aceitaram, de facto…

As praxes foram há 3 anos atrás e nunca pensei que fosse estar na mesma situação outra vez, lol. Mas dizem que a idade é um estado de espírito, certo? De facto, a maioria do pessoal que lá estava eram caloiros de licenciatura, e depois nós as 4, que já não pudemos formar a nossa própria equipa e tivemos que, assim, juntar-nos a uma pré-existente que estava com falta de elementos.
De facto, não estávamos bem conscientes das regras do jogo: cada equipa ia vestida a rigor, segundo um determinado tema – por exemplo, uma equipa ia toda vestida para a neve, até tinham um trenó! Havia uma outra em que todos os membros eram personagens de histórias, desde a Pipi das meias altas à Sailor moon; numa outra, ia cada um de sua cor com balões a condizer atados à cintura.

Mas a nossa… Era uma banda, com direito a flauta e guitarra, inspirada num grupo sueco de pop / electrónica dos anos 80 com o nome fantástico de “Bana
nas Eléctricas” – LOL. Claro que não estávamos muito a condizer (ai se eu soubesse tinha trazido as minhas calças de leopardo :D) mas lá nos pintalgámos e entrámos no espírito da equipa.

Havia 5 regras básicas para ganhar pontos (a ver se me lembro de todas): ganhar os desafios; os fatos em si (aí é que estávamos pior); o espírito de equipa e a animação; a canção da equipa; e a última era, basicamente, dar graxa ao júri. E, realmente, nesse ponto, a nossa equipa tinha tudo pensado… Enquanto as outras equipas, pelo que vi, se limitavam a dar uns abraços de grupo com o júri no meio ou distribuir bolinhos, nós começávamos, em cada prova, por estender uma passadeira vermelha para o excelso júri não sujar os pés, distribuíamos doces, tínhamos corações pendurados ao pescoço a dizer como amávamos o júri e no final de cada prova dávamos uma rosa a cada jurado (entregue boca a boca, mas não por mim, não se ponham com ideias…). Para além disso, houve outros eventos de graxismo, tais como a Clarissa dar uma aula de salsa a um elemento do 1º júri (que afinal sabia dançar maravilhosamente bem) ou darmos umas massagens a umas juradas (pelos rapazes da nossa equipa), enquanto esperávamos por uma equipa concorrente; até a nossa própria canção era sobre o júri e tinha uma letra do tipo “Vi älskar juryn”, ou seja, nós amamos o júri…



As provas propriamente ditas não eram particularmente originais, e ficavam muito em linha com aquilo que fizemos nas nossas praxes há três anos ou com quaisquer jogos deste evento. Talvez a primeira fosse a mais invulgar, mas porque acho que em Portugal ninguém arriscaria a saúde de dois computadores portáteis completamente em bom estado, usando-os como alvo… Sim, de facto a primeira prova tomou lugar no jardim junto à Biblioteca Real, e basicamente, como os suecos têm, quase todos, computadores Mac (Apple) e não PCs, tínhamos que usar Apples (mas das frutas) para deitar abaixo 2 PCs que estavam empilhados a uns metros de distância. Não é tão fácil como parece, até porque não podíamos atirar as maçãs directamente com as mãos mas tínhamos que, em vez disso, usar uma espécie de fisga, o que fez com que conseguíssemos pouquíssimos pontos.

Mas ao menos engraxámos o júri bem engraxado (e eram tão giros…).
A segunda e a terceira provas eram numa praça perto da estação central, com uma fonte (como convém…). A segunda consistia, basicamente, em dar uma trinca na maçã dentro de água, meter a cara na farinha para comer um rebuçado, deitarmo-nos no chão em fila e passarmos uma carta boca em boca de uma ponta à outra, sem usar as mãos.
Claro que deu azo a muita risota e a fotos bastante comprometedoras… O último desgraçado (um rapaz, por sinal, que se sacrificou pela equipa) tinha que ir a correr para dentro de água e fazer flexões (também é nisto que a graxa ao júri ajuda – o nosso só fez 3 flexões, enquanto vimos outra equipa em que fizeram 12…). Numa terceira prova, tínhamos de passar um ovo por dentro da roupa de toda a gente da equipa e quando chegou ao fim o que estava a passar o ovo teve que o comer (foi o mesmo coitado das flexões)…
Depois disso fomos até à praça do centro cultural de Estocolmo, onde cumprimos mais duas provas: uma de dança, em que era um desafio, nós contra outra equipa, em que dançávamos diversos estilos de música, primeiro dois contra dois, depois as equipas inteiras… A Clarissa acabou por ir buscar uns homens que estavam a olhar e acabámos por pôr montes de gente que não tinha nada a ver com aquilo a dançar também, foi o máximo.


A segunda prova nessa praça foi mais original mas
também mais cansativa, mas acabámos por ser o melhor grupo até ao momento (com bastante sacrifício, diga-se de passagem…): o júri tinha um baralho de cartas e, para cada carta, dizia o nome de duas partes do corpo (um dos nomes sempre em latim) e nós tínhamos que segurar a carta entre essas partes de duas pessoas. Nada de mal, não fiquem com ideias, mas 10 pessoas (o tamanho da nossa equipa) ligadas entre si por várias partes do corpo, tipo “calcanhar com cintura”, “joelho com estômago”, “nariz com orelha”, etc., é obra. O mais engraçado foi mesmo “boca com Gluteus maximus”, em que uma coitada ficou a segurar uma carta ao rabo da Clarissa durante a prova quase toda…

Perdíamos quando deixássemos cair uma carta, mas ainda conseguimos segurar umas 20, entre todos, o que foi bastante positivo (mal posso esperar para ver a foto de grupo que a guia tirou, porque eu estava bem lá no meio e não faço ideia do aspecto geral…). A última foi mesmo a pior, pelo menos para mim, que saí lesionada – basicamente competíamos directamente com outra equipa e a que acabasse primeiro ganhava. O desafio era correr até ao outro lado do jardim, rodar 7 vezes com a testa apoiada num pau de vassoura, voltar para trás a correr e dar passagem ao próximo, etc. Quando regressávamos, tínhamos um doce atado à cintura que tínhamos que comer sem o tocar com as mãos… Escusado será dizer que… Dei um tombo, lol. Depois de andar 7 vezes à volta, tentar correr a direito dá geralmente mau resultado. Mas lá me levantei e voltei para trás e comi o meu doce com relativa facilidade… No final ganhámos mais este desafio, isso é que é importante. Só foi pena ter que fazer estas figuras à frente de tipos tão giros…

Ah pois é, lembram-se daqueles rapazes da mesa de ontem, 4, todos giros e simpáticos, um dos quais aparentemente é o novo amor da vida da Clarissa? Estavam lá, todos eles, não como participantes mas como guias de diferentes equipas (não da nossa, mas dos nossos concorrentes)… Primeiro vimos o loiro da Clarissa, que estava com um estilo… Todo bem vestido, até dava gosto. Depois disso, naquele último desafio em que eu fiz as figuras mais tristes da história (mas ganhámos!), estavam dois outros rapazes da mesma mesa, que mal eu cheguei com a equipa começaram a apontar para mim tipo “Olha já conhecemos aquela…” Enfim, é a vida. Mas realmente, hoje estávamos a comentar entre nós as 4 (que começamos a formar uma “sisterhood” tipo Sexo e a Cidade, já decidimos os papéis respectivos e tudo), esta cidade tem rapazes giros às carradas… Se continuarmos a usar o código da Clarissa e da Stefania (de rodar o dedo junto ao canto da boca quando se vê um gajo giro), é como dizia a Shermaine hoje, no final dos dois anos do mestrado temos um buraco no meio da cara…

Chegámos a casa estafadas, foi comer e dormir. Acordar a meio da tarde, arrumar coisas, fazer e comer jantar e segue-se mais uma saída – no âmbito do mesmo evento de recepção aos alunos, uma festa até às 3 na associação. Yey! Vemo-nos amanhã, então…