18 de setembro de 2008

Rytm

Ritmo

11ºC em Estocolmo, 21ºC em Portimão

Ontem foi um dia normal mas ainda assim divertido… Acordar tarde devido ao cansaço da noite anterior, ir às compras, descobrir que a minha encomenda finalmente chegou de Portugal, fazer almoço, iniciar uma tarefa hercúlea que ainda não está concluída – a limpeza do forno da nossa cozinha. Deixem-me explicar devidamente o problema… Eu para cozinhar utilizo o forno bastantes vezes, mas ainda não me atrevi a usar o nosso forno (tal como ninguém mais o utiliza) visto que tem o aspecto de ter sido utilizado por gerações sucessivas de inquilinos do nosso corredor, quiçá desde os tempos mais primordiais, sem nunca ter visto a cara de um pinguinho de detergente. Deixem-me pôr isto por menos palavras com uma imagem muito simples: depois de borrifar com um daqueles limpa-tudo tipo Cif e passar um papel, este veio com o aspecto de ter passado por uma estação petrolífera – completamente preto. O fundo tinha pedaços de coisas carbonizadas, a porta do forno, que em tempos terá sido transparente para se poder espreitar o que estava a cozinhar no interior, estava castanha. Ou seja, o suficiente para qualquer pessoa fugir a sete pés e nem se atrever a tentar limpá-lo. Mas nada que me demovesse, que eu tenho em mente umas quiches e lasanhas para as quais o forno é ferramenta indispensável… Em suma, entre ontem e hoje já passei umas duas horas só a esfregar, tenho as unhas numa desgraça, mas ao menos ao passar o pano no fundo já não vem preto (cinzentinho, vá) e a porta já está mesmo quase transparente! Ai de quem se atrever a sujar o forno depois disto…

Depois de almoço, lá fui levantar a minha encomenda, felizmente acompanhada, que aquilo era grande como tudo. Ao voltar para casa finalmente escrevi o meu abstract para Scientific Writing, só falta enviar. O jantar teve que ser adiantado, visto que hoje era dia da primeira aula de salsa! Fiz uma massada de camarão que ficou uma maravilha… Para inveja das minhas companheiras de corredor – aliás, a Dasha até disse que tem que tirar fotografias da comida que eu faço para enviar à mãe dela! Lol…

Entretanto, tinha passado o dia a trocar mensagens com o meu novo amigo português, a convidá-lo para ir connosco à aula de salsa, já que é na universidade dele. Ele respondeu que não podia, porque hoje tinha uma noite de póquer combinada com os amigos, mas se eu não queria passar lá. E eu que não, que estava com umas amigas, mas que depois combinávamos. O engraçado disto tudo é que eu estou a escrever mensagens em português e viro-me para a Dasha e começo a falar com ela também em português – e a coitada a olhar para mim com cara de boi a olhar para palácio, claro…

Quanto à aula em si, foi muito gira. Dividiram-nos em dois grupos, os principiantes e os intermédios. Claro que a Clarissa foi a única a ir para a outra sala com os dançarinos mais avançados. Quanto a nós, ficámo-nos pelo grupo que ainda tinha que contar os passos: “One two three… Five six seven…” e assim por diante. Perna esquerda para a frente, perna direita para trás. Dividem-nos em dois grupos, raparigas para um lado, rapazes para outro. As raparigas fazem os passos ao contrário, mexem os ombros, enquanto que os rapazes são mais rígidos (porque, como dizia a instrutora, se eles movessem os ombros iam parecer… e para não concluir a frase como todos nós pensávamos que ia concluir, lá se saiu com um “estranhos”). Aprendem-se passos mais complicados, um em que se trocam os pés cujo nome não consigo apanhar, voltas para a esquerda, voltas para a direita, depois tudo junto: básicos, passos esquisitos, volta para a esquerda, volta para a direita.

E vamos para os pares… Eu tive azar, fui “caçada” por um iraniano que não era lá grande dançarino (eu também não, diga-se de passagem). Mas pronto, ainda deu para praticar as voltinhas a pares, que são bem mais difíceis do que parecem. A parte mais gira da aula foi mesmo no fim, quando puseram música para o pessoal dançar – nessa altura troquei de par, para um tipo que não sei de onde era, mas era mais giro e claramente europeu, e que tinha um amigo lindo de morrer. O que estava a dançar comigo não tinha sentido de ritmo absolutamente nenhum, era muito lento e trocava os pés – não se safou de uma pisadela, não por culpa minha, mas porque ele veio para a frente quando era suposto ir para trás. Mas o amigo… Às tantas pedimos para o amigo nos ensinar um passo que ele estava a fazer com o seu par (uma rapariga muito bonita e também uma excelente dançarina) e lá veio ele dançar comigo por um bocadinho… Foi o melhor minuto da noite! No geral, gostei muito da aula. Íamos para o metro e volta e meia alguém começava “one two three”, a contar os passos… E podemos sempre fazer umas sessões de treino no nosso corredor, já que o Albert também vai ter aulas de salsa (mas noutro sítio). Hopefully, na próxima semana também vou ter um par melhor que o de hoje, já que o Alex prometeu que na próxima semana se juntava a nós…

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