Debate
13ºC em Estocolmo, 30ºC em Portimão
Realmente, já estou mesmo a ficar habituada ao tempo da Suécia. A Shermaine hoje a morrer de frio e eu viro-me para ela e digo: “Mas hoje até está bom!” (13 graus…)
Ontem fiquei extremamente irritada com o jogo da selecção (estive a ouvir pela Antena 1 online), por isso não vou falar mais disso. Só espero que não seja o mesmo contra a Suécia, visto que eu vou para o meio dos suecos ver o jogo num café qualquer e perder “is not an option!”.
Hoje as aulas não foram assim tão más. Aliás, acho que hoje percebi a verdadeira importância de termos estas discussões e de recebermos este tipo de informação sobre ética, fraude, etc.
Quem viu os Jogos Olímpicos de Pequim ou pelo menos ouviu as notícias sobre toda a controvérsia da cerimónia inaugural (a miúda a cantar em playback porque a que tinha a voz espectacular tinha os dentes tortos, etc.) percebeu com certeza que os chineses têm uma tendência para buscar a perfeição, o aspecto exterior, para esconder os lados mais negativos, mas não me tinha apercebido ainda até que ponto é que tal se reflecte também na ciência. De facto, já tinha ouvido rumores sobre orientais a retocarem resultados para ficarem mais perfeitinhos e mais de acordo com as hipóteses defendidas, mas só quando ouvi a Eli perguntar ao professor qual era o problema de escolhermos os melhores de entre os nossos dados, se eram os nossos dados de qualquer maneira, é que me apercebi o quão normal é que isso é para eles. De facto, a própria Shermaine me disse que eles não recebem qualquer tipo de formação em ética, filosofia ocidental ou nada que se pareça, o que torna este módulo tão importante num curso tão internacional. A Eli ainda discutiu com o professor, como é que podia ser fraude se os dados eram dela, e se ela só estava a escolher alguns dos seus dados para apresentar, em vez de todos, e que não estava a mentir ou a enganar ninguém, mas a trabalhar com dados verdadeiros, até o professor lhe afirmar categoricamente que ocultar parte dos dados de uma experiência só porque são negativos é considerado fraude, mas foi uma discussão animada…
O tema de discussão de hoje também era mais interessante, sobre um cientista sueco que fez umas experiências nuns miúdos deficientes mentais para determinar se os doces faziam mal aos dentes, e claro que toda a gente argumentou contra o dito cientista, mas o engraçado é que no artigo em questão, do próprio, escrito já nos dias de hoje, ele continua a achar que agiu bem…
Ao almoço as discussões foram de outro tipo, e mais uma vez como éramos maioritariamente raparigas tenderam um bocado para o lado da parvoíce, mas houve partes giras, nomeadamente a continuação de uma conversa de ontem em que a Marike nos ensina a pronunciar certos sons suecos, que são ainda mais difíceis do que eu julgava… É muito giro ter uma mesa toda ao mesmo tempo a tentar imitar a forma como ela pronuncia o som “sj”, enrolando a língua, lol.
Na parte da tarde falámos de direitos dos animais, o que também originou discussão acesa, não propriamente entre nós, mas com o professor. É que era um professor diferente, que deu uma aula bem mais interessante que as do outro, mas que era completamente… filósofo! Daqueles com quem não dá para discutir. Do tipo: “Será que devíamos magoar os coitadinhos dos animaizinhos?” E nós: “Se não causarmos sofrimento desnecessário, não tem mal, porque de qualquer forma estamos a tratar da sobrevivência da nossa própria espécie.” E ele: “Eu não quero explicações biológicas… Isso é o que vocês fariam, mas será que era isso que deveriam fazer?” Epa impossível de discutir com alguém assim. Ainda por cima eu que não ligo nada aos animais… A discussão prolongou-se fora de portas, com a Clarissa a defender os animais e basicamente o resto do pessoal contra. Nós somos terríveis, eu sei… Mas acho que o professor atingiu o seu objectivo, que foi pôr-nos a discutir. Eu, a Shermaine e o Niklas ainda continuámos a discussão até à estação de comboios, e foi interessante ver como o Niklas, que parece até bastante tímido (especialmente porque é quase sempre a cobaia dos nossos almoços de raparigas, coitado), até é uma pessoa com quem se tem conversas muito giras. Aliás, giras não são só as conversas (tem uns olhos verdes…).
Agora olho pela janela e está SOL! Wow, isto é mesmo invulgar, lol. Acho que já não lhe via a cara há uma semana e tal… :D
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