2 de setembro de 2008

Charad

Charada

18ºC em Estocolmo, 24ºC em Portimão

Primeiro que tudo, um comentário: aquela fotografia é mesmo do David que eu conheci há uns dias, eu sei, é muita areia para o meu camiãozinho, só queria que vocês vissem o tipo de pessoas que há aqui… Elucidar-vos… Tudo para aumentar a vossa cultura geral, claro. ;)


Anyway, hoje ainda não tinha água quente, o que é mesmo mau… Saí cedo de casa com medo de partirem sem mim, mas afinal fui das primeiras a chegar – só lá estava, já, a Su (Alemanha) com o seu cão, Wuschel, a Eli (China) e o Xinming (preciso mesmo de pôr o país??).

Lá ficámos na conversa, entretanto foi chegando mais pessoal, até se juntar o grupo dos 23 na paragem de autocarro. Em breve chegaram também os professores e pudemos finalmente embarcar e partir, assim, para uma ilha nos arredores de Estocolmo.

O autocarro passou pelos pontos centrais da cidade, alguns dos quais eu já conhecia, antes de entrar na auto-estrada que nos levaria ao nosso destino. No autocarro, fiquei sentada ao lado do Espen, o que significa que estivemos imenso tempo a falar de viagens, de Portugal, etc. :) Ele de facto impressiona-me com o português dele, porque, apesar de não falar muito, ainda, diz coisas aparentemente difíceis e com vocabulário elaborado, e não consigo perceber se ele simplesmente decora as frases ou se de facto já sabe os rudimentos da língua… Como uma vez, em que eu elogiei o português dele e ele responde “Muitíssimo obrigado pelo elogio” o que, para alguém que está a aprender sozinho, não é nada mau…


O autocarro deixou-nos, basicamente, no meio do nada, que é como quem diz, numa floresta já afastada da cidade, onde a associação de estudantes tem uma casa que é usada para eventos deste tipo e para festas. A casa é tipo uma cabana de madeira vermelha, razoavelmente grande, junto a um lago lindíssimo, que parecia tirado de um postal… E vocês conseguem acreditar que a minha máquina fotográfica estava sem bateria? Eu nem queria acreditar… E eu tinha a certeza de a ter carregado… Felizmente muita gente tirou fotos, incluindo a nossa directora de estudos, por isso devo conseguir algumas por e-mail, mas vou ter que esperar… :(

Enquanto andávamos até à casa, as minhas colegas de corredor ofereceram-se para me ajudar na mudança, o que foi mesmo muito simpático da parte delas, porque não havia maneira de eu conseguir levar tudo em menos de 2 ou 3 viagens, se estivesse sozinha.


Na casa, toda a gente se abancou na sala, que tinha sofás e cadeiras para todos, e em breve o director do programa deu início às actividades. A primeira baseou-se, essencialmente, numa apresentação de toda a gente, em que cada pessoa dizia o nome, a origem e o background científico, começando pelos professores, que foram os primeiros a dar o exemplo. Foi mesmo muito bom, porque deu para saber mais sobre toda a gente e decorar aqueles últimos nomes que faltavam… Devo dizer que, neste momento, só me falta um, de um senhor do Bangladesh, mas hei-de lá chegar…

Assim, os nomes que me faltavam são: Kanwal (Índia), Andreas (Suécia), Niklas (Suécia), Khairun (Suécia / Bangladesh) e Dhifaf (Suécia / Bangladesh). Conseguem ver porque não sabia alguns deles, não é?

Na rodada de apresentações houve alguns momentos de riso, como por exemplo quando a Dasha (Rússia) no fim da apresentação concluiu com um “and i really like to party”, ou a Clarissa pegou na deixa da dasha e disse “and i like to eat and sleep”. Lol. Também percebi, finalmente, a história dos dois egípcios, Mustafa e Haythem, que são irmãos(!), ambos médicos e agora ambos no mesmo mestrado… E são muito divertidos, especialmente o Mustafa, que consegue pôr toda a gente a rir.

Também foi bom o facto de, no final da apresentação geral, nos terem dado etiquetas para escrevermos o nosso nome e colocá-lo no casaco ou blusa, porque tornou tudo muito mais fácil. E deram-nos café, chá e bolo, para abrir as hostilidades, o que foi especialmente agradável para os vários coffeholics que há no grupo, como o Mario (Alemanha). Já agora, eujá mencionei que o Mario é super parecido com o Orlando Bloom? Ontem foi muito engraçado, porque eu pensei isso quando o vi, mas obviamente não lhe disse, e mais tarde ouvi uma conversa entre ele e a namorada em que ele lhe perguntava: “Mas eu sou parecido com o Orlando Bloom? Já duas pessoas me disseram isso…” E ela respondia: “Sim, até que dás ares” e depois eu claro que meti o bedelho e confirmei com a minha opinião de Bloom-especialista e a Iskra (Canadá mas origem croata) também concordou. Lol.


Em seguida, dividiram-nos em 3 grupos: um ficava a conversar, outro ia falar com antigos estudantes do programa, outro com os professores. Foi óptimo porque conseguimos que nos respondessem a todo o tipo de questões, quer da perspectiva de um professor, quer de um estudante, tanto sobre o curso em si, como sobre as saídas, os estudantes mais velhos partilharam as suas experiências… A Clarissa, que é a verdadeira dinamizadora do grupo, não parava de colocar questões, e às tantas, quando perguntavam “Mais alguma questão?”, já olhavam directamente para ela. Digo que ela é dinamizadora porque é o tipo de pessoa que toma a iniciativa, muito extrovertida (uma verdadeira latina!), como por exemplo, antes do início das apresentações, quando estávamos todos sentados em círculo a olhar uns para os outros sem dizer nada, ela quebrou a tensão ao ir buscar a máquina e tirar uma foto de grupo que deve ter ficado o máximo, tendo em conta os malabarismos que tivemos que fazer para meter os 23 na mesma fotografia…


Depois das reuniões era hora de almoço… Eles tinham mesmo comida para um batalhão, e até estava bastante boa! Pão, uma espécie de tostas com tomate, salmão, frango, canelloni, queijos vários (para quem gosta, claro)… Sentámo-nos em círculo, os mais corajosos lá fora, os mais acomodados cá dentro (a maioria raparigas). Aprendi a dizer bom apetite numas 5 línguas diferentes, mas devo confessar que já esqueci todas (muita informação num só dia…). Ao almoço, eu e a Giulia (Itália) partilhámos a nossa igual necessidade de cozinhar em vez de comer a comida feita horrível que eles têm por aqui, o escândalo do preço do azeite, etc. Foi bom falar com alguém que compreenda que eu faça o meu próprio molho para as massas ou que cozinhe a todas as refeições…


É difícil lembrarmo-nos de todas as conversas que temos ao longo do dia, porque são tantas, em várias direcções, com pessoas tão diferentes… Lembro-me de falar com o Mustafa sobre o presidente líbio, que ele acha que é louco por ter seguranças mulheres (e é, mas não por isso), de falar com a Shermaine sobre o alfabeto japonês, com a Marike sobre a dupla nacionalidade dela (sueca / francesa) e com a Dasha sobre o grupo de teatro que ela frequentou na escola, mas para dizer a realidade eu não parei de falar o dia todo, a não ser nas alturas em que alguém estava a falar comigo… Foi também bom falar com as pessoas no geral, pois tive a oportunidade de falar com algumas que ontem achei mais caladas ou menos comunicativas, como a Irina (Ucrânia), que afinal já é casada e tem uma filha de 4 anos e até é bastante simpática, apesar de o seu inglês não ser dos melhores…


Depois do almoço, foi a altura dos jogos! Começámos por uma espécie de rally paper, em que fomos divididos em equipas de 2; felizmente, fiquei com o Mario aka Orlando Bloom. Tínhamos que seguir um caminho pelo meio das árvores em que volta e meia encontrávamos perguntas coladas nas árvores, a que tínhamos que responder. Umas eram sobre a nossa universidade, outras eram perguntas gerais sobre ciência, especialmente na área da biologia molecular. Mas a melhor mesmo foi a pergunta nº 10, a última de todas: O que é um anfioxo? E depois tinha três imagens… E eu era uma das duas únicas pessoas a saber a resposta! Ah, os belos exames de Biologia Animal… Nunca pensei que me servissem de alguma coisa… Eu e o Mario ficámos em 2º lugar, com 8 respostas certas em 10, nada mau. Mas a parte mais divertida da tarde ainda estava para chegar.

O jogo seguinte foi um jogo de charadas, que é como quem diz: mímica! Ah, aqueles belos tempos no meu apartamento de Lisboa, com o Helinho a atirar-se para o chão a fazer de sereia ou a Vera a tentar fazer de cacto, sem grande sucesso. Mas até a palavra cacto parece canja ao pé de… Aterosclerose???!!! Esta foi uma das muitas palavras científicas que tivemos de mimetizar para os outros adivinharem. A mim calharam-me duas: proliferação (:-O) e Western blot. A primeira foi mesmo muito difícil, até consegui explicar mais ou menos mas andavam todos a apontar ao lado, tipo “Divisão celular” ou “Crescimento exponencial”… Mas a Su lá acabou por acertar. A segunda foi fácil, eu e o Mario apontámos nas 4 direcções até que alguém dissesse tipo North ou South e a partir daí foi fácil, acertaram logo. Mas giro giro foi quando um grupo de 2 raparigas e um chinês da outra equipa põe o chinês agarrado à sua próstata, com um ar super aflito como quem estava a sofrer dores horríveis, até alguém chegar à expressão: “Urinary tract infection”! LOL essa foi mesmo mazinha :D


Claro que nos fartámos de rir, passámos momentos bem divertidos, criámos os tais “laços” que era suposto e no final do dia já nos conhecíamos todos uns aos outros. Depois das charadas, tivemos ainda algum tempo para conversar, primeiro na sala da cabana (formou-se um grupo de 13 raparigas e só um rapaz, um coitado de um sueco que parecia um bocado perdido á no meio mas não se queixava muito – até que a Clarissa começou a brincar com ele e a dizer “So this is why you came here – for the girls!”), depois no cais, enquanto as responsáveis limpavam a cabana. Eu e a Dasha falámos imenso e viemos juntas no autocarro, ela é mesmo muito querida…


À chegada ainda tive tempo para tratar do cartão da biblioteca e vim para casa fazer o meu jantarinho, uma bela canjinha de galinha. Até hoje temos estado na brincadeira, amanhã começa o trabalho sério. Mas acho sinceramente que este grupo tem muito boas perspectivas de se dar bem a nível pessoal e não só…

1 comentário:

Cristiana disse...

Esse pessoal é completamente louco... mas isso é óptimo !! Parece que foste para um acampamento de férias lol

Eh pa, aquela da infecção urinária é que me partiu toda... e estou só a ler... acho que está equivalente ao Hélio a fazer de sereia!