Dois
10ºC em Estocolmo, 27ºC em Portimão
Escolhi dividir os dias de ontem e de hoje em dois posts, pelo menos, visto que são demasiados eventos para um post só…
As aulas de ontem foram melhores do que as anteriores, especialmente as discussões (sobre eutanásia, por exemplo). Mas a nossa cabeça estava completamente noutro sítio, só conseguíamos pensar “Festa, festa” por ser sexta feira e o dia em que supostamente tínhamos 3 festas para ir…
Pusemo-nos belas, arranjadas e perfumadas e às 19h estávamos prontinhas para sair (saídas a começar às 19h, realmente só estes tipos…) A viagem de autocarro foi completamente de loucos – a pobre da Violenne sentou-se comigo, com a Shermaine e com a Clarissa e foi só rir, mais uma vez. Um dos resultados daquela conversa é que a Shermaine me chama agora, oficialmente, “She Devil”. Mas no meio das conversas e dos acontecimentos que se seguiriam acabámos por ver que mesmo a Dasha, a “anjinha” do grupo, afinal não era assim tão santinha…
(A "nossa" francesa, a Violenne, com a Clarissa - tão giras!)
A meio da viagem de autocarro o Niklas juntou-se a nós as 7 e acompanhou-nos até à associação. Desta vez a festa mudou-se para a cave (realmente, com o frio), onde tinham umas mesas, uma mesa de snooker, um bar, ou seja, o suficiente para o pessoal conversar e divertir-se. As raparigas tomaram conta da mesa de snooker, o que viria a originar uma verdadeira avalanche de jogadas péssimas, das que faziam os rapazes ou jogar as mãos à cabeça ou simplesmente desatar a rir – desde falhar a bola branca (não estou a brincar), até falhar as outras bolas todas, até meter a bola branca, até finalmente acertar numa bola “certa”, digamos, e vermos essa bola dar a volta à mesa toda para acertar na bola preta e enfiá-la no buraco – mau demais!!!
Entretanto a Marike e o Espen já se tinham juntado a nós e eu já andava à procura do Pedro (o português), sem resultados… Acabei por não o conseguir encontrar, apesar de ter uma suspeita de quem poderia ser… Em todo o caso perguntei a toda a gente correspondente à descrição que ele me deu (procurar grupo de gajos barulhentos, com um gajo de camisola vermelha entre eles) – ou seja, basicamente abordei quase todos os grupos de gajos da sala, em caso de dúvida… Uns deles, 4, todos giros, ainda começaram a dizer – “nós temos aqui um amigo português, e tal, se quiseres” – a gozar, claro, acho que ele era de Porto Rico ou assim; mas não seriam as últimas notícias que teria desses 4. Se eu soubesse o que sei agora, tinha-me lixado para procurar o português e tinha aceitado o convite deles para o convívio, mas naquela altura estava noutra… É a vida.
(Marike, Sabrina, Shermaine, Dasha et moi ;)
Por volta dessa altura ocorreu um dos casos polémicos da noite (aliás, O caso polémico, que deixou a Clarissa furiosa)… À chegada do Espen, eu e a Clarissa começamos a brincar com ele, a dizer que estávamos cheias de saudades, e a Clarissa diz a brincar, naquele estilo dela, que o coração dela pertencia ao Espen, etc. Não sei se foi isso que despoletou o “evento”, mas às tantas, estava o Espen a jogar snooker, e a Clarissa a brincar com ele, finge que lhe sopra um beijo em direcção à cara dele, ele volta a cara a oferecer a bochecha no momento em que ela faz o movimento como se lhe fosse dar um beijo na bochecha, ele vira a cara (de propósito, obviamente) e dá-lhe um beijo na boca. Risada geral, mas só quem conhece a Clarissa é que reconheceu aquele olhar latino mortífero de quem não tinha achado piada nenhuma, apesar de também esboçar um sorriso. E o Espen, feito parvo, ainda continuava a provocá-la – houve um ponto que eu achei, MESMO, que ela ia bater-lhe, mas depois as águas acalmaram…
O David andava por lá mais uma vez, mas como acho que ele não me conhece, não falei com ele. No entanto, acabei por falar bastante com o Niklas, que até é boa pessoa, apesar de ter os seus quês, como todos nós. Às tantas fui dar com ele a falar com outro tipo, no bar (por acaso um homem bem simpático, apesar de não me lembrar do nome dele), sobre whisky, e acabei por ter a minha introdução ao maravilhoso mundo do whisky, lol. Confesso que estava à espera de bem pior (apesar de, obviamente, eles terem diluído o meu um bocadinho). Na minha santa inocência, já me ia preparar para despejar aquilo pela goela abaixo quando o outro me pára a tempo e me ensina que isto do beber whisky tem uma técnica e que, se feito correctamente, nem sequer queima a garganta enquanto desce – inspirar, engolir e depois expirar com a boca aberta. As coisas que uma pessoa aprende – até para ser bêbada é preciso técnica! :D
Claro que eu não fiquei bêbada, não, não. Só bebi meia cerveja e dois golitos do whisky do Niklas… Acabámos por emparelhar no snooker e, não me perguntem como, mas ganhámos um jogo contra a Shermaine e a Clarissa, a primeira das quais é uma pró – e até consegui acertar com as bolas nos buracos, uma ou outra vez! Grande evolução, para alguém que começou a noite a fazer as acrobacias atrás descritas… A meio do jogo, a Shermaine agarra num bocado do giz azul para os tacos, pinta-me o braço e exclama: “Smurf!” (ou seja, Estrumpfe!) – sem comentários…
A Jacomyn e o Albert, cá do corredor, já tinham aparecido a dada altura, para nos informarem de que iam à outra festa, a suposta festa de Erasmus. A Jacomyn deu-me o número de telemóvel, para eu lhe ligar quando chegássemos ao metro da universidade…
Entretanto, íamos nós a sair do bar quando este fechou (às 10 da noite) quando a Clarissa dá com os olhos num dos gajos da mesa dos 4, à qual eu tinha ido para tentar encontrar o português… E nunca mais foi a mesma, lol. Está completamente apanhadinha… Os tipos foram connosco apanhar o autocarro, altura em que me deu uma cãibra (comentário dela: “Porque é que não me deu a cãibra a mim? Podia ir-lhe pedir para me levar ao colo” – e coisas semelhantes) daquelas mesmo más, tive que me sentar no chão, tirar o sapato, enfim. Mas passou, e seguimos depois para o metro; os outros também iam para o metro, por isso tivemos que aturar a babadice da Clarissa mais um bocado – mas lá que o rapaz era mesmo giro, era. Depois fiquei com remorsos de não ter aceitado o convite deles, posso ter comprometido a felicidade de minha querida amiga…
Ao chegarmos à estação de metro certa, tentei ligar à Jacomyn, sem resultados, pelo que seguimos directamente para a festa russa, guiados pela Dasha. No caminho, o Espen fez uns comentários um bocado machistas que não vou reproduzir mas que fizeram com que descesse ainda um bocado mais na minha consideração (decididamente, não foi uma noite favorável para ele)… Ao chegarmos à festa, damos de caras com a Jacomyn e o Albert – afinal a festa de Erasmus que eles tinham mencionado era a festa dos Erasmus russos, ou seja, estávamos todos a falar da mesma coisa. E assim, as três festas a que íamos converteram-se em duas…
Foi muito engraçado estar numa festa, como a Marike a apelidou, “cultural” – só com música de dança russa, à excepção de duas (David Guetta e Destination Calambria) -, em que toda a gente batia palmas e dançava à maneira russa – demos por nós aos saltos, numa roda, perna para um lado, perna para o outro, a cantar em coro com os russos. Nessa altura o Espen já se tinha ido embora – pouco depois da nossa chegada, pega-me na mão e o meu instinto (não foi por mal, foi derivado dos acontecimentos prévios) foi recuar, espero que com um ar não muito aterrorizado – até que ele disse que não gostava do ambiente e que se ia embora. Não sei se não é do tipo de dançar ou se simplesmente sentiu a pressão de ser um americano no meio de tantos russos – mas a parte da dança não é argumento, visto que o Niklas, pessoa bastante tímida que tinha afirmado, nessa mesma manhã, que não era pessoa de dançar, ao fim da terceira cerveja já pulava no meio de nós todas, divertidíssimo :D
Acabei por falar também com o Albert, uma conversa um tanto ou quanto difícil, visto que ele deve ter uns 2 metros de altura e, com a música tão alta, tinha que se baixar para me ouvir (não estou mesmo a exagerar, no outro dia reparei que ele tem que se baixar para entrar na nossa cozinha do corredor…)
(Albert e Dasha...)
A Dasha estava nas suas 7 quintas, cantava as letras todas (nós obviamente que não percebíamos patavina) e lá nos ia ensinando a dançar “à russa”. Foi só rir… Às tantas o Niklas foi embora porque o joelho dele (ao qual ele já foi operado 3 vezes, ao que conta, depois de uma ruptura de ligamentos a jogar futebol) estava a reclamar com tanta dançaria. Acabei por ir com ele à procura do casaco dele, porque ele não o conseguia encontrar, e à despedida dei-lhe um beijo na bochecha – acto para nós natural, em Portugal, mas depois fiquei naquela a pensar se tinha ido longe demais, já que este pessoal daqui é de manter as distâncias, tipo “Este é o meu espaço e esse é o teu”… Mas ele também estava tão alegre que duvido que se importe… E se para ele tudo bem, para mim tudo óptimo :D
Contei à Clarissa e ela fartou-se de gozar comigo, o que já era de esperar. Mas na nossa “sisterhood” os segredos ficam bem guardados. Voltámos para casa antes das 2, visto que nos tínhamos que levantar às 8h hoje, para as actividades de recepção aos caloiros…
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