Djur
-2ºC em Estocolmo, 15ºC em Portimão
Disclaimer: para pessoas que não gostam de ratos, a leitura é segura. Quando não for, eu aviso.
E assim começou a cadeira de Laboratory Animal Science, ou seja, como matar animaizinhos sem eles sofrerem muito, duas semanas, 4,5 ECTS, aulas todos os dias das 9 às 5, ou seja, sobrecarga de trabalho.
Sobre a cadeira em si: no primeiro dia gostei muito, no segundo dia não gostei nada, no terceiro e quarto e quinto assim-assim. A verdade é que, se por um lado acho uma cadeira muito útil, por outro acho isto tudo uma hipocrisia e dá-me pena dos bichos. Por um lado, andam a ensinar-nos que devemos respeitar os comportamentos instintivos e naturais dos animais, a reduzir o seu sofrimento e tudo o mais; no dia a seguir mostram-nos umas jaulas baixíssimas que aquilo nem dá para as ratazanas se porem em pé e quando eu pergunto porque é que não as fazem mais altas dizem que depois dá “menos espaço de arrumação”. Falam-nos do ponto de vista dos tipos das associações de defesa dos direitos dos animais, que são contra toda e qualquer investigação nos mesmos: ora eu não acredito que esses tipos que se andam a armar em defensores da natureza se recusem a tomar comprimidos quando ficam doentes, ou recusem um transplante se dele precisarem para sobreviver – tudo medicamentos e técnicas IMPOSSÍVEIS de desenvolver sem animais. Mas os cientistas que se andam ali à frente a armar em bonzinhos e preocupados com os animais também que se deixem de tretas. Como é que é possível uma pessoa (como nós vimos num filme) ter cães em casa e ir fazer experiências em cães? E não me venham cá falar de equilíbrio da natureza, que a própria investigação biomédica prolonga a vida de forma artificial, contrariando a selecção natural e tornando-nos geneticamente mais fracos. Se fôssemos pelo “equilíbrio e ordem natural”, não fazíamos o que fazemos, tirávamos a roupa e íamos viver para cima das árvores, end of story.
O que é que aprendi nesta cadeira, então? Que temos necessidade da mesma essencialmente para nos sentirmos menos culpados. E lá pelo meio, aprendemos umas coisas sobre as leis e os animais propriamente ditos que, essas sim, têm utilidade. Mas dos animais falo noutro post, que é preciso separar as águas…
30 de janeiro de 2009
26 de janeiro de 2009
新年快乐
(lê-se Sin Yeng Huáila) – Feliz Ano Novo (Chinês)
1ºC em Estocolmo, 11ºC em Portimão
No Sábado ouvi uns rumores sobre umas festas em celebração do Ano Novo Chinês, tanto por parte da Shermaine como do Xinming. Não liguei muito, mesmo tendo sido convidada, porque no domingo não estava com muita vontade de sair de casa. Até que percebi que… Ambas eram no MEU prédio. Para variar!
No primeiro andar foi montada uma verdadeira linha de produção, eram uns 20 e tal chineses, todos a cozinhar, um amassa, outro estende, outro mete recheio, super coordenados e empenhados, durante 2 horas passadas a preparar comida.

E lá fui provando bolinhas de peixe, tarteletes de ovos, bambu, cogumelos picantes (6º andar), várias coisas que não sei bem o que eram mas eram boas, uma coisa tipo um recheio de carne de porco com camarão e especiarias com massa à volta que era ÓPTIMA, uma espécie de frango engordurado que era tão horroroso que tive que o deitar fora, nem engolir consegui, uma tarte que não era chinesa mas sueca de supermercado (1º andar). E o Gustavo ainda fez a gracinha de ir buscar tequila só pela piada de ver chinesas (com a sua baixa resistência ao álcool) embebedarem-se ao primeiro shot. Houve uma coitada que, só com um, ficou a abanar-se uma hora, com a cara completamente vermelha (não estou a exagerar, foi mesmo uma hora). E no fim de tudo, a Jacomijn ainda achou por bem contribuir com os seus muffins de chocolate. Ou seja: enfardar, enfardar, enfardar.
E viva o ano novo chinês! Bom ano do boi para todos!!!
1ºC em Estocolmo, 11ºC em Portimão
No Sábado ouvi uns rumores sobre umas festas em celebração do Ano Novo Chinês, tanto por parte da Shermaine como do Xinming. Não liguei muito, mesmo tendo sido convidada, porque no domingo não estava com muita vontade de sair de casa. Até que percebi que… Ambas eram no MEU prédio. Para variar!
No primeiro andar foi montada uma verdadeira linha de produção, eram uns 20 e tal chineses, todos a cozinhar, um amassa, outro estende, outro mete recheio, super coordenados e empenhados, durante 2 horas passadas a preparar comida.
No sexto, o jantar era dos de Singapura, que não queriam misturas com os chineses (conflitos culturais) mas como são de etnia chinesa celebram as mesmas festas. Aí, o tom foi descontraído, as coisas eram tiradas de pacotes 20 minutos antes de chegarem os convidados e algumas eram cozinhadas mesmo à nossa frente! 
Jantar de Singapura
Jantar de Singapura
Ora eu, convidada para ambas as festas, lá tive que andar a saltitar de uma pra outra, que chatice!!!
Uma das coisas mais estranhas que comi, uma espécie de sobremesa cujo interior sabe bem mas é de textura um bocado nojenta. Um bocado é pouco...
E lá fui provando bolinhas de peixe, tarteletes de ovos, bambu, cogumelos picantes (6º andar), várias coisas que não sei bem o que eram mas eram boas, uma coisa tipo um recheio de carne de porco com camarão e especiarias com massa à volta que era ÓPTIMA, uma espécie de frango engordurado que era tão horroroso que tive que o deitar fora, nem engolir consegui, uma tarte que não era chinesa mas sueca de supermercado (1º andar). E o Gustavo ainda fez a gracinha de ir buscar tequila só pela piada de ver chinesas (com a sua baixa resistência ao álcool) embebedarem-se ao primeiro shot. Houve uma coitada que, só com um, ficou a abanar-se uma hora, com a cara completamente vermelha (não estou a exagerar, foi mesmo uma hora). E no fim de tudo, a Jacomijn ainda achou por bem contribuir com os seus muffins de chocolate. Ou seja: enfardar, enfardar, enfardar.
E viva o ano novo chinês! Bom ano do boi para todos!!!
25 de janeiro de 2009
Artist
Artista
2ºC em Estocolmo, 15ºC em Portimão
E eis que um dia aparece no parapeito da janela da cozinha uma família de gansos e um cesto cheio de rosas, tudo feito em papel de alumínio.
Temos artista em Jägargatan! Depois de perguntar aqui e ali, lá se chegou à conclusão que o responsável era o Maurijn, um dos holandeses do corredor, que aparentemente terá aprendido aquela habilidade num bar na Turquia.
O Maurijn mora no quarto mesmo em frente à cozinha, o que o faz a vítima principal do homem das limpezas. Para terem uma ideia, o homem da limpeza é um grego que não percebe inglês, limpa mal e porcamente e faz uma barulheira dos infernos às 6 da manhã, todos os dias de semana, pois limpa o chão da cozinha sem fechar a porta e, como deve dar muito trabalho afastar as cadeiras para limpar debaixo da mesa, anda ali a bater com a esfregona nas pernas das cadeiras até acordar o corredor inteiro (de tal forma que a Madelinde, no fim do corredor, chegou a levantar-se um dia para o mandar calar). Enfim, coitado do Maurijn que acorda cedo todos os dias por causa do homem. Depois de considerar planos de vingança que incluíam equilibrar um balde de água na porta para lhe cair em cima quando ele a abrisse, lá se decidiu por um inocente desenho na porta a pedir silêncio.
O problema é que, se para bom entendedor meia palavra basta, para mau entendedor um desenho não chega de certeza e o problema continua…
Entretanto chegou-nos aqui ao corredor o habitante mais estranho de todos os tempos. Veio do Ruanda e, para terem uma ideia, nunca tinha visto um semáforo antes de vir para cá?! Para além disso cheira-me que não toma banho e é uma pessoa uma bocado hostil, não faz esforço para meter conversa connosco… OK, eu sei que deve ser complicado uma pessoa vir para um ambiente tão diferente, mas também para nós não é propriamente fácil lidar com alguém que nos diz que “não gosta de europeus porque são pessoas que só pensam em si próprios e não ajudam os outros”, que “não gosta de Jägargatan porque acha o cúmulo uma pessoa como ele ter que aprender a cozinhar”, mesmo antes de se apresentar… Para além do mais, desde que ele chegou que se vai acumulando louça suja na cozinha e, visto que ele é a única variável no corredor, só pode ser dele. Não sei se está à espera que lavemos a loiça dele por sermos mulheres, ou se a boca dos europeus não ajudarem ninguém se dirigia ao facto de não lhe lavarmos os pratos e os copos. A verdade é que a situação se está a tornar insuportável. Ontem, alguém disse que devíamos pedir ao Maurijn para fazer um novo desenho, este a pedir para lavarem os pratos, e hoje de manhã acordo para dar de caras com esta obra prima por cima do lava-louça:
Decididamente, o rapaz é um artista. E é giro. E simpático. E com sentido de humor e um bocado maluco (pediram “emprestada” a bandeira da associação de estudantes, na última sexta-feira – enquanto a Madelinde distraía os responsáveis do bar, ele tirou a bandeira que agora está pendurada no nosso corredor – mas atenção, foi mesmo pela graça, que no próximo bar da associação já está planeada a devolução).
Trabalha no CCK (Cancer Centre Karolinska) que era para onde eu queria ir. E só tem mesmo um defeito: tem namorada (de acordo com a regra da casa-de-banho - os bons estão ocupados)…
2ºC em Estocolmo, 15ºC em Portimão
E eis que um dia aparece no parapeito da janela da cozinha uma família de gansos e um cesto cheio de rosas, tudo feito em papel de alumínio.
O Maurijn mora no quarto mesmo em frente à cozinha, o que o faz a vítima principal do homem das limpezas. Para terem uma ideia, o homem da limpeza é um grego que não percebe inglês, limpa mal e porcamente e faz uma barulheira dos infernos às 6 da manhã, todos os dias de semana, pois limpa o chão da cozinha sem fechar a porta e, como deve dar muito trabalho afastar as cadeiras para limpar debaixo da mesa, anda ali a bater com a esfregona nas pernas das cadeiras até acordar o corredor inteiro (de tal forma que a Madelinde, no fim do corredor, chegou a levantar-se um dia para o mandar calar). Enfim, coitado do Maurijn que acorda cedo todos os dias por causa do homem. Depois de considerar planos de vingança que incluíam equilibrar um balde de água na porta para lhe cair em cima quando ele a abrisse, lá se decidiu por um inocente desenho na porta a pedir silêncio.
Entretanto chegou-nos aqui ao corredor o habitante mais estranho de todos os tempos. Veio do Ruanda e, para terem uma ideia, nunca tinha visto um semáforo antes de vir para cá?! Para além disso cheira-me que não toma banho e é uma pessoa uma bocado hostil, não faz esforço para meter conversa connosco… OK, eu sei que deve ser complicado uma pessoa vir para um ambiente tão diferente, mas também para nós não é propriamente fácil lidar com alguém que nos diz que “não gosta de europeus porque são pessoas que só pensam em si próprios e não ajudam os outros”, que “não gosta de Jägargatan porque acha o cúmulo uma pessoa como ele ter que aprender a cozinhar”, mesmo antes de se apresentar… Para além do mais, desde que ele chegou que se vai acumulando louça suja na cozinha e, visto que ele é a única variável no corredor, só pode ser dele. Não sei se está à espera que lavemos a loiça dele por sermos mulheres, ou se a boca dos europeus não ajudarem ninguém se dirigia ao facto de não lhe lavarmos os pratos e os copos. A verdade é que a situação se está a tornar insuportável. Ontem, alguém disse que devíamos pedir ao Maurijn para fazer um novo desenho, este a pedir para lavarem os pratos, e hoje de manhã acordo para dar de caras com esta obra prima por cima do lava-louça:
Decididamente, o rapaz é um artista. E é giro. E simpático. E com sentido de humor e um bocado maluco (pediram “emprestada” a bandeira da associação de estudantes, na última sexta-feira – enquanto a Madelinde distraía os responsáveis do bar, ele tirou a bandeira que agora está pendurada no nosso corredor – mas atenção, foi mesmo pela graça, que no próximo bar da associação já está planeada a devolução).
20 de janeiro de 2009
Väder
Tempo
1ºC em Estocolmo, 7ºC em Portimão
Sei que o tempo, especialmente os males do tempo, são um tema recorrente do meu blog, mas a verdade é que o tempo afecta muito tudo o que fazemos ou temos vontade de fazer, especialmente para pessoas que gostam tanto de sol como eu...
Se não estivesse sol no sábado, não teria adiado a arrumação do quarto para ir passear com a Shermaine e a Dasha, primeiro de barco, depois a pé, ao lado de um lago gelado mas com o sol a bater-nos na cara, para terminarmos no cimo de uma torre com uma vista fantástica de Estocolmo…
Se não estivesse de chuva no domingo, não teria apetecido tanto ter ficado por casa a ver um filme, na nossa primeira sessão de filmes de Jagargatan, em que se ouviu português (o filme, fornecido por mim, foi “Cidade de Deus”)e se comeram os muffins que eu e a Jacomijn fizemos (eu, de framboesa, ela, uns de maçã, outros de chocolate)…
Se não estivesse neve e um frio de rachar, não custava tanto uma pessoa levantar-se da caminha antes das 7 para ir para as aulas…
1ºC em Estocolmo, 7ºC em Portimão
Sei que o tempo, especialmente os males do tempo, são um tema recorrente do meu blog, mas a verdade é que o tempo afecta muito tudo o que fazemos ou temos vontade de fazer, especialmente para pessoas que gostam tanto de sol como eu...
Se não estivesse sol no sábado, não teria adiado a arrumação do quarto para ir passear com a Shermaine e a Dasha, primeiro de barco, depois a pé, ao lado de um lago gelado mas com o sol a bater-nos na cara, para terminarmos no cimo de uma torre com uma vista fantástica de Estocolmo…
Se não estivesse de chuva no domingo, não teria apetecido tanto ter ficado por casa a ver um filme, na nossa primeira sessão de filmes de Jagargatan, em que se ouviu português (o filme, fornecido por mim, foi “Cidade de Deus”)e se comeram os muffins que eu e a Jacomijn fizemos (eu, de framboesa, ela, uns de maçã, outros de chocolate)…
Se não estivesse neve e um frio de rachar, não custava tanto uma pessoa levantar-se da caminha antes das 7 para ir para as aulas…
17 de janeiro de 2009
Kaos
Caos
-10ºC em Estocolmo, 9ºC em Portimão
Caos = do Gr. kháos; s. m.; confusão de todos os elementos, antes de se formar o mundo; grande desordem; babel; balbúrdia. Sinónimo: o meu quarto.
Depois de uma semana de estudo intenso, um exame de 3 horas, almoçar com uma amiga que vai voltar para a Alemanha, ir ao cafezinho (fika) com pessoal do curso, ir comer kebabs com os irmãos e com o Niklas, encontrarmos a Clarissa no autocarro e dirigirmo-nos todos para o bar da Associação de Estudantes em que fiz umas figuras terríveis a jogar bilhar…
Uma pessoa entra no quarto às 11 da noite para encontrar um espectáculo digno de se ver (ou não): roupa por passar em cima da cama, roupa por lavar no chão, roupa por arrumar na cadeira, papéis de chocolates que foram o combustível para o estudo, chocolates nas prateleiras, um saco de maçãs (outro combustível) e um vaso de salsa no chão, a carta da Tani a olhar pra mim da janela, a prenda do Neil por arrumar, a máquina fotográfica por carregar, papéis com slides das aulas, papéis com artigos, papéis com apontamentos…
Ou seja, já tenho programa para hoje, que é o meu primeiro e penúltimo dia de férias (ah pois é, que o 2º semestre começa já na segunda!)…
-10ºC em Estocolmo, 9ºC em Portimão
Caos = do Gr. kháos; s. m.; confusão de todos os elementos, antes de se formar o mundo; grande desordem; babel; balbúrdia. Sinónimo: o meu quarto.
Depois de uma semana de estudo intenso, um exame de 3 horas, almoçar com uma amiga que vai voltar para a Alemanha, ir ao cafezinho (fika) com pessoal do curso, ir comer kebabs com os irmãos e com o Niklas, encontrarmos a Clarissa no autocarro e dirigirmo-nos todos para o bar da Associação de Estudantes em que fiz umas figuras terríveis a jogar bilhar…
Uma pessoa entra no quarto às 11 da noite para encontrar um espectáculo digno de se ver (ou não): roupa por passar em cima da cama, roupa por lavar no chão, roupa por arrumar na cadeira, papéis de chocolates que foram o combustível para o estudo, chocolates nas prateleiras, um saco de maçãs (outro combustível) e um vaso de salsa no chão, a carta da Tani a olhar pra mim da janela, a prenda do Neil por arrumar, a máquina fotográfica por carregar, papéis com slides das aulas, papéis com artigos, papéis com apontamentos…
Ou seja, já tenho programa para hoje, que é o meu primeiro e penúltimo dia de férias (ah pois é, que o 2º semestre começa já na segunda!)…
15 de janeiro de 2009
Fråga
Pergunta
-5ºC em Estocolmo, 12ºC em Portimão
Em dia de revisões para o exame final deste semestre, não há tempo para grande coisa, a não ser para vos deixar o link para o vídeo da sessão de perguntas e respostas aos prémios Nobel da Medicina deste ano, em que eu tive a coragem (não sei como) de fazer uma pergunta, à qual recebi uma resposta bem curta, diga-se de passagem.
Ainda assim, se quiserem assistir a esse meu “momento de glória”, vão ao site: http://ki.se/ki/jsp/polopoly.jsp?d=25546&a=67047&l=en .
Cliquem em “View movie from the visit”, vão até ao minuto 1h15 e xarããã!!!! A minha cara feia :D
Espero que gostem ;)
-5ºC em Estocolmo, 12ºC em Portimão
Em dia de revisões para o exame final deste semestre, não há tempo para grande coisa, a não ser para vos deixar o link para o vídeo da sessão de perguntas e respostas aos prémios Nobel da Medicina deste ano, em que eu tive a coragem (não sei como) de fazer uma pergunta, à qual recebi uma resposta bem curta, diga-se de passagem.
Ainda assim, se quiserem assistir a esse meu “momento de glória”, vão ao site: http://ki.se/ki/jsp/polopoly.jsp?d=25546&a=67047&l=en .
Cliquem em “View movie from the visit”, vão até ao minuto 1h15 e xarããã!!!! A minha cara feia :D
Espero que gostem ;)
14 de janeiro de 2009
“Är du portugisisk?”
“É portuguesa?”
4ºC em Estocolmo, 13ºC em Portimão
Tunnelbana, que é como se chama o metro de Estocolmo, fim-do-dia, mesmo antes da hora de ponta (que é como quem diz, 3 da tarde).
Os Suecos têm uma noção especial de “personal space” que é perfeitamente falsificável (ou verificável) nas carruagens do metro. Uma pessoa senta-se, a segunda senta-se diagonalmente à primeira (nem à frente nem ao lado) e para que os outros dois lugares sejam ocupados, ui, é preciso que o metro esteja bem cheio. E por isso é estranho que uma pessoa (eu) entre numa carruagem vazia, vá, com umas duas pessoas, e o homem que vinha atrás de mim sentar-se mesmo mesmo à minha frente. Mmm… Ainda mais estranho se, pelo reflexo da janela, conseguimos ver que o homem não pára de olhar pra nós. AINDA mais estranho se ele se vira para nós e pergunta, do NADA: “Are you Portuguese?”
Depois de um momento de inicial surpresa, em que devo ter olhado para ele com uma cara indiciadora de retardamento mental, lá disse que sim e o senhor lá me explicou que não, não foi pela minha barba nem cheiro a sardinha assada que ele lá chegou, mas sim porque teve uma aluna portuguesa que era “igualzinha a mim”. Querem ver que tenho uma sósia e não sabia?
Enfim, afinal ele era professor de Genética Clínica no Karolinska, provavelmente vinha no mesmo autocarro que eu desde o hospital e se calhar até me ouviu a falar com a Giulia sobre Portugal e, não querendo admitir que vinha a ouvir, lá inventou a da aluna igual a mim. Mas pronto, o senhor era simpático e um sueco nada típico, já que meter conversa cm um estranho no metro, para um sueco… É um num milhão. Já o pesquisei no site do KI e fico com o contacto, que isto do networking é importante, especialmente quando uma pessoa está a entrar na fase dos projectos. Se bem que não quero ir para o laboratório dele, genética não é para mim, não, não.
4ºC em Estocolmo, 13ºC em Portimão
Tunnelbana, que é como se chama o metro de Estocolmo, fim-do-dia, mesmo antes da hora de ponta (que é como quem diz, 3 da tarde).
Os Suecos têm uma noção especial de “personal space” que é perfeitamente falsificável (ou verificável) nas carruagens do metro. Uma pessoa senta-se, a segunda senta-se diagonalmente à primeira (nem à frente nem ao lado) e para que os outros dois lugares sejam ocupados, ui, é preciso que o metro esteja bem cheio. E por isso é estranho que uma pessoa (eu) entre numa carruagem vazia, vá, com umas duas pessoas, e o homem que vinha atrás de mim sentar-se mesmo mesmo à minha frente. Mmm… Ainda mais estranho se, pelo reflexo da janela, conseguimos ver que o homem não pára de olhar pra nós. AINDA mais estranho se ele se vira para nós e pergunta, do NADA: “Are you Portuguese?”
Depois de um momento de inicial surpresa, em que devo ter olhado para ele com uma cara indiciadora de retardamento mental, lá disse que sim e o senhor lá me explicou que não, não foi pela minha barba nem cheiro a sardinha assada que ele lá chegou, mas sim porque teve uma aluna portuguesa que era “igualzinha a mim”. Querem ver que tenho uma sósia e não sabia?
Enfim, afinal ele era professor de Genética Clínica no Karolinska, provavelmente vinha no mesmo autocarro que eu desde o hospital e se calhar até me ouviu a falar com a Giulia sobre Portugal e, não querendo admitir que vinha a ouvir, lá inventou a da aluna igual a mim. Mas pronto, o senhor era simpático e um sueco nada típico, já que meter conversa cm um estranho no metro, para um sueco… É um num milhão. Já o pesquisei no site do KI e fico com o contacto, que isto do networking é importante, especialmente quando uma pessoa está a entrar na fase dos projectos. Se bem que não quero ir para o laboratório dele, genética não é para mim, não, não.
13 de janeiro de 2009
Krig
Guerra
4ºC em Estocolmo, 13ºC em Portimão
Hoje em dia, que tanto se fala de guerra, nós temos a nossa própria guerra nacionalista a decorrer neste mesmo corredor… Por enquanto sem vítimas :)
Era uma vez… Uma holandesa e um holandês que vieram morar cá para o prédio. Era uma vez… uma russa que também para cá se mudou. Era uma vez… outra holandesa que veio morar para o mesmo sítio. E foi assim que tudo começou…
Na cozinha havia uma bandeira sueca. Ora a russa decide que era giro pôr lá uma bandeira russa e deita mãos à obra, corta revista daqui, corta jornal dali, e lá surge uma bela bandeira russa (branco-azul-vermelho) colada a uma caneta, espetada num vaso que temos na cozinha.
Ora passam semanas, meses, em que mais uma holandesa se muda para o corredor (total=4), até que os amigos da russa vêm de visita. 5 russos no corredor, 10 olhos a contemplar a bela obra da Dasha com a bandeira. Mas…
“Dasha, não tens vergonha de não conhecer a bandeira russa? As cores estão trocadas, aquilo é a bandeira francesa!” E já a gente via a Dasha em frente a um tribunal comunista, acusada do crime de desconhecimento dos símbolos nacionais, quando eu olho bem para a bandeira e reparo que o acusador também não tinha grandes conhecimentos de geografia, pois a bandeira francesa tem riscas verticais e não horizontais… Ora riscas horizontais, Vermelho-Branco-Azul…
“Esperem lá, esta bandeira não é francesa, mas sim holandesa!” “Holandesa?” Ora eu e a Dasha olhamos uma para a outra e não é preciso ser muito esperto para chegar à conclusão que, com 4 holandeses no corredor, se calhar havia mão deles na miraculosa inversão de cores da bandeira.
Vai-se a ver dos culpados e as santas holandesas prontamente confessam o crime, cometido há 3 semanas atrás (e pode notar-se na bandeira que foi cortada e re-colada, se é que existe tal palavra).
Natal, os ânimos acalmam como seria de esperar. Mais dois holandeses mudam-se para o corredor, agora num total de 6. A russa volta do seu país munida de Matrioshkas e pins do Lenine para toda a gente (não vá alguém dizer que ela desconhece os símbolos da nação russa) e uma nova bandeira, bastante maior que a russa-agora-holandesa, de tecido e não de papel, e com letras a dizer Rússia (em russo) por cima das riscas para evitar confusões, não vá o diabo tecê-las…

Ontem à noite conspirava-se na cozinha, que a russa é só uma e os holandeses 6 e ela tem uma bandeira maior que a deles? E tratava-se de congeminar como é que se dava a volta à nova bandeira. A guerra ainda não acabou…
Por isso, não percam o próximo episódio, porque nós… também não!
PS: Será que também devo arranjar uma bandeira portuguesa? Opiniões aceitam-se...
4ºC em Estocolmo, 13ºC em Portimão
Hoje em dia, que tanto se fala de guerra, nós temos a nossa própria guerra nacionalista a decorrer neste mesmo corredor… Por enquanto sem vítimas :)
Era uma vez… Uma holandesa e um holandês que vieram morar cá para o prédio. Era uma vez… uma russa que também para cá se mudou. Era uma vez… outra holandesa que veio morar para o mesmo sítio. E foi assim que tudo começou…
Na cozinha havia uma bandeira sueca. Ora a russa decide que era giro pôr lá uma bandeira russa e deita mãos à obra, corta revista daqui, corta jornal dali, e lá surge uma bela bandeira russa (branco-azul-vermelho) colada a uma caneta, espetada num vaso que temos na cozinha.
Ora passam semanas, meses, em que mais uma holandesa se muda para o corredor (total=4), até que os amigos da russa vêm de visita. 5 russos no corredor, 10 olhos a contemplar a bela obra da Dasha com a bandeira. Mas…
“Dasha, não tens vergonha de não conhecer a bandeira russa? As cores estão trocadas, aquilo é a bandeira francesa!” E já a gente via a Dasha em frente a um tribunal comunista, acusada do crime de desconhecimento dos símbolos nacionais, quando eu olho bem para a bandeira e reparo que o acusador também não tinha grandes conhecimentos de geografia, pois a bandeira francesa tem riscas verticais e não horizontais… Ora riscas horizontais, Vermelho-Branco-Azul…
“Esperem lá, esta bandeira não é francesa, mas sim holandesa!” “Holandesa?” Ora eu e a Dasha olhamos uma para a outra e não é preciso ser muito esperto para chegar à conclusão que, com 4 holandeses no corredor, se calhar havia mão deles na miraculosa inversão de cores da bandeira.
Vai-se a ver dos culpados e as santas holandesas prontamente confessam o crime, cometido há 3 semanas atrás (e pode notar-se na bandeira que foi cortada e re-colada, se é que existe tal palavra).
Natal, os ânimos acalmam como seria de esperar. Mais dois holandeses mudam-se para o corredor, agora num total de 6. A russa volta do seu país munida de Matrioshkas e pins do Lenine para toda a gente (não vá alguém dizer que ela desconhece os símbolos da nação russa) e uma nova bandeira, bastante maior que a russa-agora-holandesa, de tecido e não de papel, e com letras a dizer Rússia (em russo) por cima das riscas para evitar confusões, não vá o diabo tecê-las…
Ontem à noite conspirava-se na cozinha, que a russa é só uma e os holandeses 6 e ela tem uma bandeira maior que a deles? E tratava-se de congeminar como é que se dava a volta à nova bandeira. A guerra ainda não acabou…
Por isso, não percam o próximo episódio, porque nós… também não!
PS: Será que também devo arranjar uma bandeira portuguesa? Opiniões aceitam-se...
11 de janeiro de 2009
Säng
Cama
3ºC em Estocolmo, 10ºC em Portimão
Sexta à noite houve festa, a primeira do ano, por cá. Animada como sempre e cheia de desenvolvimentos… Se quiserem ver fotos podem ir “checkar” o meu último álbum no facebook, http://www.facebook.com/album.php?aid=2013821&l=7f1b1&id=1016883840 .
A noite (e o dia seguinte) revelaram-se particularmente agitados para as camas por todo o prédio, ora vejamos: Duas amigas da Dasha vieram da Alemanha, tendo ficado a dormir no quarto dela, pelo que a Dasha me pediu para dormir comigo. A Clarissa tinha um amigo, o Guido, a ficar com ela. O que acontece é que a Dasha e o Guido desapareceram para o quarto da Clarissa a meio da festa, pelo que esta foi desalojada para o meu quarto. Entretanto, o Gustavo, tendo ido bater à porta do quarto da Jacomijn (agora solteira, depois de terminar um namoro de 5 anos) sem sucesso, desapareceu para o seu próprio quarto com a Cécile. A Clarissa e a Stefania (para quem era demasiado tarde para voltar sozinha para casa) dormiram no meu quarto.
No dia seguinte, rotação de pares no quem-dorme-com-quem: a Dasha comigo e o Guido com a Clarissa, como era suposto. Os do primeiro andar é que ficaram a ver navios, depois de o Neil, que lhes tinha prometido levá-los a um bar para jogarem snooker, se ter fechado no seu quarto com a Cécile (que não se trata nada mal, diga-se de passagem). Ou seja, isto por aqui anda agitado, numa daquelas agitações vagamente reminiscente de novelas mexicanas…
PS: A propósito de camas, com esta história toda deu para perceber que no meu quarto só cabem 3 pessoas, ou seja, eu mais duas, dois na cama e um no chão, no caso de alguém estar a pensar vir-me visitar... Ou, quanto muito, se eu for dormir com a Dasha ou a Clarissa, posso receber 3. Só para avisar, no caso de estarem a pensar nisso ;)
3ºC em Estocolmo, 10ºC em Portimão
Sexta à noite houve festa, a primeira do ano, por cá. Animada como sempre e cheia de desenvolvimentos… Se quiserem ver fotos podem ir “checkar” o meu último álbum no facebook, http://www.facebook.com/album.php?aid=2013821&l=7f1b1&id=1016883840 .
A noite (e o dia seguinte) revelaram-se particularmente agitados para as camas por todo o prédio, ora vejamos: Duas amigas da Dasha vieram da Alemanha, tendo ficado a dormir no quarto dela, pelo que a Dasha me pediu para dormir comigo. A Clarissa tinha um amigo, o Guido, a ficar com ela. O que acontece é que a Dasha e o Guido desapareceram para o quarto da Clarissa a meio da festa, pelo que esta foi desalojada para o meu quarto. Entretanto, o Gustavo, tendo ido bater à porta do quarto da Jacomijn (agora solteira, depois de terminar um namoro de 5 anos) sem sucesso, desapareceu para o seu próprio quarto com a Cécile. A Clarissa e a Stefania (para quem era demasiado tarde para voltar sozinha para casa) dormiram no meu quarto.
No dia seguinte, rotação de pares no quem-dorme-com-quem: a Dasha comigo e o Guido com a Clarissa, como era suposto. Os do primeiro andar é que ficaram a ver navios, depois de o Neil, que lhes tinha prometido levá-los a um bar para jogarem snooker, se ter fechado no seu quarto com a Cécile (que não se trata nada mal, diga-se de passagem). Ou seja, isto por aqui anda agitado, numa daquelas agitações vagamente reminiscente de novelas mexicanas…
PS: A propósito de camas, com esta história toda deu para perceber que no meu quarto só cabem 3 pessoas, ou seja, eu mais duas, dois na cama e um no chão, no caso de alguém estar a pensar vir-me visitar... Ou, quanto muito, se eu for dormir com a Dasha ou a Clarissa, posso receber 3. Só para avisar, no caso de estarem a pensar nisso ;)
6 de janeiro de 2009
God nytt år
Bom ano novo
-3ºC em Estocolmo, 6ºC em Portimão
Bom ano novo, pessoal!
E a primeira resolução é: fazer posts mais pequenos, já que as pessoas nem têm tempo de ler nem eu de escrever. Mas escrever mais vezes em compensação, que só 4 posts em Dezembro é uma vergonha…
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Bom ano novo, pessoal!
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