4 de dezembro de 2009

80-talet

80s... ou anos 80, como preferirem

2ºC em Estocolmo, 9ºC em Portimão

Bem, este post já devia ter sido feito há duas semanas, que foi quando teve lugar a primeira festa temática dos anos 80 de Jägargatan, que surpreendeu pela quantidade de pessoas que realmente se deram ao trabalho de arranjar uma indumentária da respectiva época!!! Vou deixar as fotos falarem por si:





O meu outfit foi muito bem recebido (embora o meu preferido ainda seja o do gustavo, vejam foto acima). O ombro à mostra aparentemente é muito sexy e deu direito a um chorrilho de elogios...

18 de novembro de 2009

En typiskt dag

Um dia típico

O despertador toca às 6h20. Nem é tarde nem é cedo: se geralmente toca Às 7, também já dias houve que tocou às 5, 5h20. Levanto-me a custo, banhoca, pequeno-almoço sozinha que isto o resto do pessoal levanta-se mais tarde. Lavar dentes, retocar maquilhagem, pegar no computador e na mala e toca a correr para o autocarro que, felizmente, para mesmo à porta.

Depois do autocarro nº1, autocarro nº2 - corro par o apanhar e o motorista tem mesmo gozo, nota-se, em fechar-me a porta na cara. Outro vem. Troco para o nº3 para ser mais rápido. Cheio, cheio a abarrotar, sem lugar sentado.

Finalmente no laboratório às 8h20, toca a fazer medições, começa-se a experiência. Viagem ao primeiro andar porque esta semana sou a responsável por manter o armário do material cheio. Depois dos deveres, lá ligo o computador. Análise dos dados já recolhidos nos últimos dias em que passei uma média de 5 a 7 horas ao microscópio, o que resultou numa dorzinha de cabeça irritantemente persistente que não passa. Chego à conclusão que se quero acabar de recolher os dados ao microscópio tenho que vir cá domingo o dia inteiro - óptimo. Vou ter que trocar de cartão com a Ingrid já que o meu não abre a sala do microscópio.

Entretanto, de hora em hora, vou medindo a densidade óptica da cultura. Lentinha... Mais um intervalo de uma hora, escrevo no caderno de laboratório tudo o que fiz nos últimos 5 dias e ainda não tinha tido tempo de escrever. Faço a lista do que tenho que fazer até às férias e o meu estômago dá uma volta. Mais uma medição e tentar não perder o fio à experiência enquanto me disperso pelas outras coisas todas que tenho que ler / escrever.

Combino almoçar com a Clarissa, o único momento de relax do dia, embora deprimente no sentido em que estávamos as duas tão cansadas que metade do tempo foi passado a suspirar entre mastigadelas.

Volto ao laboratório, mesmo a tempo: a cultura estava finalmente crescida, descongelo o factor-alfa, adiciono-o. Faltam 3 vezes de hora a hora. Na primeira hora de intervalo, planeio as próximas duas semanas de trabalho e chego à conclusão que se quero concluir este projecto tenho que trabalhar todos os fins-de-semana até às férias menos o que vou a Portugal. Na segunda, consigo ser produtiva ao ponto de acabar o trabalho de uma das cadeiras que ainda não acabei. Menos mal. Na terceira, toca a preparar soluções para o resto da experiência: umas a partir dos stocks, outras têm que ser descongeladas, fazem-se cálculos, já estou atrasada, para cúmulo não encontro o kitasato para a filtração.

Lá o desencanto, 10 minutos de atraso, agora vai ser uma corrida: filtração 1, filtração 2, células num novo meio, começa a recolha de amostras. 21 ml, 1 praqui, 20 prali, os 20 para a centrifuga 1, 5 minutos, os 1 para a centrífuga 2, 1 minuto, não dá para fazer mais nada, tira de lá, aspira, resuspende, pro congelador, hora de tirar a outra amostra da centrifuga 2, aspira, águinha gelada lá pra dentro, mais 5 minutos, e é a fomeca que aperta mas não dá para comer que já aí vem outra recolha em menos de nada.


Eu e a Ingrid discutimos como as pessoas que nunca trabalharam num laboratório acham que dá para fazer uma pausazinha de 5 minutos aqui ou ali e comer, dar uma dentadinha. Vê-se mesmo que nunca estiveram no stress de uma experiência com tempos definidos para tudo, em que 5 minutos fazem muita diferença, sim senhora, já que muitos dos eventos que estudamos até se passam em SEGUNDOS, em que os reagentes não podem ficar ali em cima à espera que a gente dê a dita dentadinha porque alguns deles estragam-se se não forem postos imediatamente a -20ºC ou -80ºC, depende, e até custam uns milhares de coroas, porque de qualquer forma não se pode comer no laboratório e comer implicaria sair do laboratório, tirar as luvas, lavar bem as mãozinhas porque já agora convinha assegurar que as substâncias cancerígenas com que trabalhamos não vão parar ao estômago, lembrar que ao voltar ao laboratório é necessário repetir o processo em ordem inversa, voltar a colocar luvas, etc., e que 5 minutinhos NÃO CHEGAM. Nem para ir à casa de banho dá, é tudo calculado, penso que na próxima centrifugação de 5 minutos lá consigo dar lá um saltinho mas então aparece o Haythem e estraga-me o esquema, 3 minutos de conversa e também tenho que lhe dar com os pés porque a experiência chama e não espera. Nos pequenos intervalos de 2, 3 minutos, é ir arrumando e lavando a imensidão de material que se gastou ao longo do dia, vejo que o armário já está vazio e vou ter que o encher novamente amanhã.

O laboratório de 8 pessoas agora tem duas: eu e a Ingrid. A experiência acaba por fim, últimas amostras no congelador, uma sandes comida à pressa só mesmo para aguentar a viagem e ala que se faz tarde, 18h30, autocarro nº1 mesmo a sair, metro, duas estações, LIDL onde compro 3 litros de azeite que acabou, 3 kg de cebolas e 1 kg de iogurte a ver se este dura, porque temos um ladrão de iogurtes no corredor que roubou 5 da minha prateleira nas últimas duas semanas. Mala cheia com as compras, está a chover, tão bom! (Sarcasmo) Metro, uma estação, esperar pelo autocarro, esperar, está a chover, estou a ficar molhada, o guarda-chuva está esmigalhado debaixo dos 7 kg de compras e o meu ombro a caminho de um deslocamento, o autocarro que não chega, em dias de chuva até na Suécia atrasa 20 minutos.

Entro no autocarro e durmo. O caminho todo. Acordo na curva da minha rua, saio disparada, entro em casa e finalmente pouso as coisas no quarto, vou à cozinha e como um prato de sopa e deixo o frango a marinar para o resto do jantar e é neste bocadinho que finalmente me consigo sentar a escrever para que vocês percebam, precisamente, porque é que eu não tenho tempo de escrever, porque não apareço no messenger e porque é que à noite me apetece tudo menos conversar. Agora multipliquem pelos 15 últimos dias que foram todos +- assim e pelos 25 que faltam e que assim hão-de ser.

E é por estas e por outras que me ponho a pensar se tenho estaleca para um doutoramento, em que é suposto fazermos isto tudo e muito mais todos os dias durante 4 anos a fio. Acho que caio pro lado ao fim do primeiro mês, quanto mais... É algo a considerar.

O frango está pronto. Amanhã o despertador toca às 6.

9 de novembro de 2009

Fem minuter...

Cinco minutos...

Antes de recomeçar mais um passo da experiência de 12 horas em que estou metida. Comecei às 7 da matina... E depois de hoje recolher 200 amostras, seguem-se duas belas semanas a analisar os resultados... Se eu não gostasse do que ando a fazer...

1 de novembro de 2009

Halloween

6ºC em Estocolmo, 23ºC em Portimão

Os suecos têm amor à América e tudo o que de lá vem. São as séries de televisão. Os filmes. O inglês com sotaque americano que retiram das suas séries preferidas (fora os fãs das Brit coms que adoptam o british accent). E é o Halloween. Sem quaisquer raízes na sociedade sueca, mas é a loucura total. Em todos os supermercados vendem-se abóboras para esculpir e as festas e bares de Halloween multiplicam-se.

Eu também fui contagiada pela febre e comecei o aquecimento quarta-feira, no bar de Halloween do CCK.

Já sexta, foi dia de bar de Halloween do meu departamento actual, CMB. O bar estava às moscas, mas a noite traria uma das festas mais concorridas a que Jägargatan já alguma vez assistiu. Deviam ser umas 80 pessoas na sala de estar diminuta do 1º andar. Eu fui de Minnie - OK, eu sei, não parece à primeira vista relacionado com o Halloween, mas na verdade foi uma americana que me sugeriu o disfarce. Nos Estados Unidos eles mascaram-se de qualquer coisa no Halloween, não necessariamente de vampiros, fantasmas e outros que tais, apesar de essa ser a escolha mais frequente.

Só cerca de um terço a metade das pessoas é que foram mascaradas, mas houve disfarces excepcionais. O Pedro decidiu adoptar simplesmente um ar hardcore e colar caveiras na roupa e maquilhar-se de preto (depois da festa ficaria com a dúvida existencial de como é que as raparigas fazem aquilo todos os dias).

A Cécile foi uma freira sexy.

Duas raparigas de Jägargatan fizeram elas mesmas fatos de aranha, em que as pernas extra consistiam em collants pretos cheios com folhas de jornal - mas com um efeito bem engraçado!

A Karina vestiu-se de boneca Chuckie (tiveram que me explicar esta, eu não sou nada entendida nestes filmes).

Havia vampiros, diabos...

O Gustavo era a Morte.

A Clari e a Filipa pintaram as caras de forma assustadora.

Uma rapariga vestiu-se de doente psiquiátrica fugitiva.

Dois amigos meus pegaram simplesmente em batas de laboratório e salpicaram-nas de ketchup, o que, aliado à peruca maluca e às pipetas / seringas que usaram a noite toda para beber o que quer que fosse, desde cerveja a rum, deu um ar de cientistas completamente loucos.

Por fim, a festa serviu para dizer adeus (com lagriminha no olho) ao meu querido amigo Christian, que partiu para terras suíças à conquista do PhD. A nossa última foto.

27 de outubro de 2009

Konferensen

A conferência

6ºC em Estocolmo, 25ºC em Portimão

OK, depois de muito reclamar das minhas leitoras :P lá me decidi a fazer um pequeno post, por entre centrifugações e amostras, em directo do laboratório. Eu já tinha dito que ADORO este laboratório? Se calhar não, mas a descrição detalhada vai ter que ficar para o próximo post. Por agora, fico-me por mencionar a conferência a que fui na 6a feira (enquanto certas pessoas se passeavam por Amesterdão, e tal, para fazerem o pessoal sentir-se mal).

O encontro anual do departamento teve lugar no meio do mato, que é como quem diz, num hotel nos subúrbios de Estocolmo. Lá foi o pessoal todo, excelsos cientistas e meros estudantes, em dois autocarros alugados que nem visita de estudo, a maioria de posters em punho, prontos para as apresentações. A maioria das apresentações foram muito interessantes, tínhamos sempre café, chá e bolos à disposição nos intervalos, a única coisa que ajudava a enfrentar aquelas horas matinais... Aliás, deixei-me de dormir durante uma das conferências, lol. O melhor desse episódio: deixei-me de dormir enquanto tirava notas e quando regressei a um estado consciente, reparei que tinha escrito uma palavra enquanto passava pelas brasas: guys (gajos). Lol. Nem o meu subconsciente me deixa em paz...

Mas o giro destas coisas nunca é a parte científica. Pronto, a ciência é interessante, mas giro giro é observar os cientistas quando se apanham num ambiente mais descontraído - e com bebidas à borla. Ninguém prestou muita atenção aos posters, as conferências foram seguidas umas com mais interesse que outras, mas a diversão começa quando o pessoal se apanha com bar aberto. Para além disso, os organizadores da conferência puseram o pessoal a jogar Guitar Hero (não, não estou a gozar) como forma de estimular o convívio, e foi giríssimo ver aqueles velhotes do comité Nobel todos contentes a jogar contra a malta nova (e a perder). O Takaharu, do nosso laboratório, até foi à final, mas perdeu.

Seguiu-se o jantar, a entrada e o prato nada de especial mas as sobremesas até eram boas. E no fim houve discursos e prémios para os melhores posters e conferências (desde garrafas de champanhe a câmaras para Western blot a livros a (?!) bolas de malabarismo. lol.). E foi ao jantar que eu cometi o erro, não pela primeira vez, de discutir a existência de Deus com um fanático religioso. Claro que, quando começámos, eu não sabia que ele o era, mas isso tornou-se bem claro ao longo da discussão, que acabou mal. E mais: ele é do meu laboratório e senta-se à minha frente todos os dias: ontem e hoje ainda não me falou (apesar de supostamente eu ter sido a "ofendida" e ele até ter dito que me ia pedir desculpa).
Pessoal do meu lab na mesa do lado: começando pela esquerda e no sentido dos ponteiros do relógio, Kristian J., Andreas, Ingrid, Camilla (a boss!), 3 japoneses do departamento (não sei o nome deles...)

Depois de jantar, seguiu-se a festa, este ano sem tanta gente visto que não ficámos a dormir no hotel, mas ainda assim jeitosa. Tivemos bebidas de borla através de "senhas de bebida", por alguma razão toda a gente que tinha senhas de sobra dava-mas (não sei se me achavam com cara de bêbeda) e eu acabei por não usar nenhuma e a única bebida que tomei foi paga pelo meu supervisor. O pós-doc alemão do meu lab, o Andreas, só gozava comigo de cada vez que alguém (quase sempre gajos) me vinha dar mais uma senha. Na pista de dança, os investigadores libertavam-se de preconceitos e faziam figuras dignas de se ver, alguns bebiam um bocadinho mais que a conta e assumiam expressões demasiado felizes...Eu, o meu supervisor (Kristian C.) e a Ingrid (sueca/americana, minha parceira de bancada)

Vendo bem as coisas, foi um dia giro. Conheceram-se pessoas, passou-se um bom bocado e vai-se a ver e ainda houve ciência no meio daquilo tudo. Devia ser sempre assim...

12 de outubro de 2009

Recept

Receita...

5ºC em Estocolmo, 20ºC em Portimão

...para começar a semana mais cansada do que se acabou a semana anterior:

Marinar durante uma semana em trabalho intensivo até se ficar bem exausto. Retirar do trabalho e passar por um jantar internacional. Rechear de comida e bebida de vários cantos do mundo. Repousar 3 horas.

No dia seguinte, lavar bem a roupa de duas semanas e refogar lentamente uma visita ao IKEA. Preparar para uma festa de despedida, cozinhar com espumante espanhol durante 5 horas. Repousar 5 horas.

Fritar os miolos a tentar compreender uma exposição de Dali no Museu de Arte Moderna. Estufar num restaurante vegetariano. Passar uma segunda vez por um jantar internacional, recheando de comida deliciosa. Reservar no quentinho da cama até o despertador tocar na segunda de manhã...

7 de outubro de 2009

Namn

Nomes

Eu já sabia que os cientistas tinham a mania de dar nomes, vá, estúpidos, às proteínas, genes e outros que tais. Como "Sonic Hedgehog", por exemplo! Mas hoje descobri uma proteína cujo nome é (para mim) o cúmulo: "Ménage-à-trois". No comments...

6 de outubro de 2009

Tvivel

Dúvida

8ºC em Estocolmo, 24ºC em Portimão

Nunca tantas vezes como na Suécia fui assaltada por dúvidas existenciais durante simples viagens de metro ou autocarro.

A mais frequente é "Homem ou mulher?" Já sou capaz de ter mencionado o quão femininos são os homens suecos, mas também há mulheres daquelas com a mania do feminismo que se vestem à homem e tornam tudo mais complicado. Gera-se então uma espécie de diálogo na nossa mente que poderia ser algo do género:
"Homem ou mulher?"
"Muito alto - deve ser homem"
"Calças super justas - deve ser mulher"
"Ah não espera, eles na Suécia vestem-se assim - homem"
"Cabelo super liso, comprido e bem tratado e sem pêlos faciais - mulher"
"Botas de homem - homem"
"Ah, mas tem gloss nos lábios!!! - Mulher!"
"Ah mas... não tem mamas! OK, definitivamente homem... Ou "homem"..."

Outro problema são as suecas, que se vestem todas de igual. Se virem uma loura de olhos azuis com maquilhagem perfeita, calças cinzentas ou pretas, botas ou botins pretos por fora das calças, blusa branca larga com blusão de cabedal preto por cima, lenço ao pescoço e cabelo artisticamente desgrenhado, então, meus caros, estão a olhar para uma sueca. Que se veste de forma igual a 99% das outras suecas.

Qual é a confusão então?? A idade, meus caros, a idade. As suecas parecem ter uma infância que termina com a escola primária; mal chegam aos 10 anos, as suecas começam a maquilhar-se e a vestir-se como adultas - faz MESMO impressão ver miúdas (que não têm outro nome) vestidas como eu descrevi acima e completamente maquilhadas. Mas quer dizer, de que outra forma é que elas atingiam o grau de prática em que conseguem retocar a maquilhagem dos olhos com uma única mão no metro sem se cegarem com o rímel quando o condutor faz uma travagem brusca???

OK, dizem vocês, mas ainda não percebemos onde está a dúvida. Voltem comigo há umas horas atrás, quando eu estava na paragem de autocarro à espera do dito cujo. Vem uma sueca.
"Criança ou mulher?"
"Epa que cara de miúda! Criança."
"Mas está vestida com roupa de adulto! Mulher."
"É tão baixinha! Criança."
"Está na estação de metro da universidade, deve ser estudante... Mulher."
"Ah mas... Não tem mamas! OK, criança."

Eu sei que a sociedade sueca é do mais livre que existe e que não põem rótulos a ninguém, por isso as pessoas sentem-se livres para expressar a sua individualidade... Ou será que o problema é o oposto e as pessoas não rotulam porque 50% das vezes não sabem que rótulo pôr???

5 de outubro de 2009

Okunnighet

Ignorância

9ºC em Estocolmo, 24ºC em Portimão

O anúncio do prémio Nobel da Medicina ou Fisiologia 2009 não foi como o do ano passado: quase que não deixaram entrar pessoas na sala (eu fui a última a conseguir!!!), apesar de haver cadeiras vazias; o entusiasmo não foi nem de perto nem de longe o mesmo; e os jornalistas pareciam uma cambada de amadores.



Consegui filmar do meu cantinho mas devido a ter que segurar a câmara numa mão e o casaco na outra o envio de mensagens foi mais crítico, só para 3 ou 4 privilegiados ;P

Depois do anúncio, e do "chairman" (fugiu-me a palavra em português) ter feito a apresentação sobre a importância da descoberta, seguiram-se as perguntas da parte dos jornalistas. Silêncio. Ninguém abriu a boca durante uns dolorosos 20 ou 30 segundos. Depois disso lá uma levanta a mão para iniciar um chorrilho de perguntas banais tais como:

"Se esta descoberta foi há 20 anos porque é que só deram o prémio agora?"
"Já falaram com os laureados?"
"Qual é o próximo passo neste campo de investigação?" (Ui, que pergunta tão específica)

E assim por diante. Parecia que ninguém na sala se tinha dado ao trabalho de ir ver afinal o que é que uma telomerase fazia, apesar de se saber que os dois vencedores mais prováveis eram ou as telomerases ou as células pluripotentes induzidas (iPS) do senhor Yamanaka que, visto terem sido descobertas só há DOIS anos, estava-se mesmo a ver que ainda não iam ganhar. Apesar disso, eram montes os jornalistas japoneses e mesmo os outros pareciam ter-se esquecido de estudar a hipótese mais provável. Foi triste, em suma. Uns meros 5 minutos de perguntas ao contrário dos 20 ou mais do ano passado. Eu sei que uma telomerase não é fácil de compreender pelo público geral - mas ainda assim, os profissionais de informação podiam ter-se esforçado mais um bocadinho...

2 de outubro de 2009

Noll

Zero

9ºC em Estocolmo, 25ºC em Portimão

Segunda foi tocar piano e ping-pong no Ginko, um dos bares mais trendy e alternativos de Estocolmo.

Terça foi o dia em que um professor italiano que veio de New York só para nos dar uma aula me chamou a sua "melhor aluna".

Quarta reencontrei o Maurijn, de quem já tinha montanhas de saudades - foi bom juntar o grupo do velho corredor de Jägargatan outra vez...


Quinta fomos ao ballet, na Ópera de Estocolmo (que é um edifício LINDO por dentro), ver "O Lago dos Cisnes". Éramos 18 pessoas, divertimo-nos imenso e o espectáculo foi óptimo, ia chorando (depois tive que aturar o Niklas a gozar comigo por ser uma romântica :D).

Sexta (hoje) foi dia da apresentação final da última cadeira a sério, que correu maravilhosamente bem. Esta noite é para descansar, porque no fim-de-semana espera-me um concerto, uma festa, uma exposição e um jantar.

E porque é que o nome do post é zero? Porque tem sido essa a temperatura matinal nos últimos dias e é algo difícil de ignorar, MESMO. Essas meninas que estão na Bélgica ou Holanda não se queixem do tempo, por favor... E das que estão em Itália / Espanha nem quero ouvir falar :P

28 de setembro de 2009

En bra dag

Um dia bom

Até foi um dia de trabalho. Até me levantei às 7 da manhã depois de me ter deitado à 1h a acompanhar as eleições. Mas foi um dia com aulas espectaculares e super interessantes; em que eu e a Giulia decidimos ficar juntas num trabalho de grupo e redescobrimos os nossos interesses comuns; em que decidimos ir ver uma exposição do Dali no fim-de-semana; em que encontrei o Pedro, tive oportunidade de falar um bocadinho em português e descobrir que ele disse bastante bem de mim ao pessoal do laboratório dele, onde muito provavelmente irei trabalhar a seguir (aquela entrevista que tive, lembram-se?); em que os organizadores da cadeira nos ofereceram fruta e bolos para acompanhar discussões científicas empolgantes; em que cheguei a casa cheia de vontade de trabalhar, com uma breve pausa para escrever no blog; um dia que, se tudo correr como previsto, vai terminar com uma pianada e um jogo de ping-pong num dos nossos bares preferidos (o nosso "Central Perk"). Fossem todos os dias de trabalho assim...

Självmord

Suicídio

Há uns dias chego eu a casa para encontrar 5 carros de polícia estacionados à frente do prédio do lado. Mal vi uma fita a circundar o lado do edifício que dá para uma ribanceira, pensei logo: "Ainda algum se atirou". Mas a polícia sueca e os suecos em geral não são muito de dar com a língua nos dentes (tal e qual os portugueses!) e não transpirou nada para as poucas pessoas que estavam paradas no passeio (mais uma vez, tal e qual...!).

Hoje a Shermaine confirmou: um morto, ninguém sabe quem, ninguém sabe como. Ao que a Karin esclareceu que quando alguém morre e a polícia se fecha em copas, é porque foi suicídio e não divulgam a notícia porque ainda incentivavam outros a fazer o mesmo... Gente fixolas, estes suecos! E ainda mal começou o Outono...

26 de setembro de 2009

Apoteket

Farmácia

16ºC em Estocolmo, 24ºC em Portimão


Hilariante é a melhor palavra para descrever o meu encontro de hoje com a senhora da farmácia. Fui ter com ela a pedir um termómetro (é verdade, a bela da gripe bateu-me à porta, ou pelo menos uma constipação bem chatinha).
Ela, muito prestável, vira-se para a prateleira certa e começa-me a mostrar a variedade de termómetros que existia:
"This one is to measure the temperature in your mouth and this one is for your... back."
Perante a minha cara desconcertada, achou melhor esclarecer:
"You know, to stick up your... ... ... ... back."

A expressão disse tudo e não escondeu um certo alívio quando eu disse que levava o primeiro. Mal me vi cá fora, desatei a rir, pois então... Este pessoal estrangeiro a pôr as farmacêuticas à procura de um sinónimo decente de "ass". :D

24 de setembro de 2009

Min hjärta...

O meu coração...

Versão 2.0, com fotos actualizadas.

21 de setembro de 2009

Frågor och svaror

Perguntas e respostas

15ºC em Estocolmo, 25ºC em Portimão


"Espen killed David!" David is...
a) a guy
b) a database

"Now look at the Prints." Prints are...
a) print-outs
b) a database

"This is SMART." This is...
a) intelligent
b) a database

"T?Coffee?"
a) Orange juice?
b) Database.


E é isto que acontece ao cérebro de uma pessoa depois de uma semana de Bio-informática...

15 de setembro de 2009

Nervös

Nervosa

19ºC em Estocolmo, 25ºC em Portimão

... porque amanhã ou depois vou ter uma entrevista com um senhor cientista que tem "apenas" 4 artigos na Nature, 4 na Science, 2 na Nature Neuroscience, 4 na Cell, fora todos os outros que vão para revistas de "segunda categoria" como a "Development" ou "Journal of Neuroscience"...

Quase que me dá uma coisinha ruim só de o ver à minha frente.

11 de setembro de 2009

Stam celler

Células estaminais

18ºC em Estocolmo, 30ºC em Portimão



A vantagem de se estar numa universidade deste calibre é tão simples como isto: uma pessoa inscreve-se numa cadeira sobre células estaminais e tem a oportunidade de assistir a uma conferência com o Yamanaka, que inventou as iPS; para além do nível excelente das aulas normalinhas, que são dadas por um prof mais novo que "só" tem
dois artigos na Cell, depois temos as aulas com os crânios, com várias publicações na Nature e outras que tais, e que estão sempre na crista da onda. Nesta altura quero lá saber do mau tempo na Suécia e acho que a melhor coisa que fiz foi mesmo vir pra cá...

Posso dizer que passei a primeira cadeira do ano, que tive mais umas irritações num trabalho de grupo em que para variar fiz a maior parte do trabalho mas valeu a pena porque o professor nos felicitou por uma "estratégia muito inovadora"; e que ainda fiz contactos com vários dos professores e arranjei (provavelmente) um projecto para a tese de mestrado. Diria que o balanço foi positivo...

E para finalizar, deixo-vos o desenho da minha fantástica estratégia experimental sobre como seria possível regenerar rins no futuro, que o meu professor adorou:



8 de setembro de 2009

Landskap...

Paisagem...

17ºC em Estocolmo, 28ºC em Portimão


da minha janela...


do meu bairro...


5 minutos a pé do meu prédio :)Lindo, não é?

7 de setembro de 2009

Sista år...

No ano passado...

Eu estive aqui :) Só agora reparei que este vídeo existia. Notem o pessoal do meu mestrado no segundo 31 (se puserem na pausa dá para identificar, de cá para lá, a Dasha, Marike, Mustafa, Mario, Espen, Kanwal e Niklas). No minuto 19:22 o Mustafa filma "discretamente" a jornalista que coloca uma pergunta. Eu estava demasiado lá atrás...

Este ano lá estarei outra vez :) falta um mês: 5 de Outubro às 11h30 (hora da Suécia).


PS: Afinal apareço! Mesmo no fim! Minuto 32:07, praí, vejam a rapariga que se levanta na penúltima fila com um casaco branco, mala creme e juba de leoa :P Yep, it's me!

Ny rum

Quarto novo


18ºC em Estocolmo, 30ºC em Portimão


4 viagens de casa da Catarina, uma de casa da Masako, um encontro com a Iryna, uma viagem ao centro e outra ao IKEA, mais 3 horas e meia a montar umas malvadas cortinas, e finalmente estou instalada no meu quartinho. Quartinho, isto é, bem maior que o outro, 18 m2 e com casa de banho :) Ora vamos lá à visita guiada aos meus aposentos.

Começando pelo mais importante: a CAMA :) Acompanhada pelas fotos das pessoas que realmente interessam!

Poltrona e estante…

Secretária com poster do prémio Nobel (um bocado geek, eu sei :P)

E ao fundo, as malfadadas cortinas. OK, confesso, não fui eu que as montei, mas sim o meu amigo Diogo, que perdeu 3h30 do seu fim-de-semana para ajudar uma donzela em apuros. E ainda dizem que já não há cavalheiros por aí…


6 de setembro de 2009

Grannar

Vizinhos


17ºC em Estocolmo, 30ºC em Portimão

Supostamente neste bairro de estudantes vivem maioritariamente suecos, mas no meu corredor… Nem um para amostra! Mas diversidade, lá isso há. E conheci os meus vizinhos logo no primeiro fim-de-semana, em que organizámos um jantar internacional para nos conhecermos. Aqui fica a foto:

Ora começando pelo rapaz de óculos que está à frente, e seguindo no sentido dos ponteiros do relógio, temos:

Chee Hong (o fotógrafo) – Singapura

Eu :)

Lasse – Alemanha

Nok – Tailândia

Vasse – Rússia

Chin-Tse e Liu – um casal de chineses que andavam comigo nas aulas de sueco no ano passado, por coincidência

Maxime – um francês até que a modos que giro que é o meu vizinho do lado… (mas tão novinho! 19 anos!)

Danbee – Coreia do Sul

Aly – USA, Seattle

Paloma – España

Michal – Rep. Checa

Faltaram ao jantar uma alemã, um indiano e uma indiana (irmãos, partilham um quarto). Isto promete…

27 de agosto de 2009

Flygplan och bagage

Aviões e bagagem

18ºC em Estocolmo, 29ºC em Portimão

E depois de acordar às 3h30 da manhã, e de um primeiro vôo Faro-Lisboa sem incidentes, chega-se ao aeroporto de Lisboa para descobrir que o vôo está cancelado. Sai-se a correr para o balcão da TAP e afinal não estava, só mudou o número. E volta-se a passar pela segurança, e espera-se pelo voo que não só tem novo número como nova hora.

E entra-se no avião às 9h10 e às 10h10 ainda se está em Lisboa que há uma falha técnica qualquer. E afinal parece que o voo vai fazer escala em Copenhaga, já não é directo. E em Copenhaga a falha técnica ainda não resolvida dá para hora e meia de paragem.

E chega-se a Estocolmo às 17h15, 3 horas mais tarde do que era suposto, e o tipo que me ia entregar a chave já fechou a loja e foi pra casa. E a bagagem atrasada, atrasada, que nunca mais chegava, afinal parece que é agora, e é mesmo, mas não pra mim, que tinha logo que ser a única mala que se perdia com a roupa toda lá dentro.

E para ter onde dormir esta noite tive que apanhar um táxi para chegar rapidamente a casa da Stefania, que ia sair em breve com uns amigos, e lá foram 20 euros para uns míseros 10 minutos de táxi, se tanto.

E foi uma grande irritação, foi o que foi.

19 de agosto de 2009

Åtta dagar...

Oito dias...

27ºC em Portimão, 14ºC em Estocolmo

... e lá vou eu outra vez.

8 de junho de 2009

Tårar

Lágrimas

14ºC em Estocolmo, 20ºC em Portimão

Bem agora lembrei-me daquela fantástica canção de Zé Cabra... Mas má música à parte, a verdade é que a despedida custou muito, mesmo. Mesmo a Dasha e Clarissa e a Stefania indo a Portugal nas férias, mesmo indo ver o pessoal todo, a verdade é que os "Jägargatan times" (como a gente lhes chama) acabaram e muitas das pessoas de quem mais gosto vão-se embora e não voltam...

O Mario vai para a Alemanha morar com a namorada, a Dasha também para a Alemanha, Heidelberg, em intercâmbio (epa esta palavra escrita é mesmo feia), o Mustafa idem idem aspas aspas, os italianos Elisa, Gian Luca e Christian vão para Itália e em princípio não voltam, a Clarissa no próximo ano vai para o Peru e depois para a Austrália, por isso estes foram mesmo os últimos dias que passámos todos juntos.

Por isso foi mesmo aproveitar até ao último instante, sexta-feira jantar indiano depois do exame com o pessoal todo do curso - é incrível como nos damos todos tão bem, mesmo depois de um ano - e festa da associação de estudantes a seguir; sábado, uma festa de anos com o pessoal do meu antigo laboratório, também com muitos abraços apertados na despedida; ontem,depois de andar o dia todo a exportar caixotes para os 4 cantos de Estocolmo, jantar com a Clarissa, Dasha, irmãos, e os 3 portugueses Catarina, Diogo e Pedro (amigo da Verinha ;) ). Hoje, pequeno-almoço em casa da Catarina e do Diogo quando fui lá despejar as mihas roupas de inverno.

Foi óptimo mas agora há um nó na garganta que não passa... Quando chego a casa, vejo uma nota da Dasha na minha porta a dizer o seguinte:

"Joana,
Vi ses i Portugal! (Vemo-nos em Portugal)
I'm so blue, can't help but crying although I'm going to Portugal!
Don't cry on board, it was raining a lot the last few days (haha).
Keep in touch!
Dasha"

Escusado será dizer que a torneira abriu novamente... Realmente, se até a minha russa chora, o que farei eu, portuguesa e super chorona ainda por cima?

3 de junho de 2009

Sommar

Verão


9ºC em Estocolmo, 18ºC em Portimão


Diz-se que em Estocolmo há duas estações: o Inverno frio e o Inverno quente. Também se diz por aí que os suecos estão mortos-vivos durante o primeiro destes invernos e que finalmente acordam para a vida no segundo. É verdade: vêem-se pessoas na rua, pessoas deitadas em tudo quanto é relva, pessoas a conversar, pessoas, pessoas, pessoas… E finalmente a cidade perde o ar de semi-desabitada que tinha o resto do ano.


Lembram-se de um post que fiz há uns meses, para demonstrar como aqui estava sempre de noite? Pois é, agora a situação inverteu-se e, se bem que não vá cá estar para o "midsummer" a 21 de Junho (sol da meia-noite, 24 horas de luz), a verdade é que já começa a chatear uma pessoa acordar com o sol a bater-lhe na cara às 4 da matina.

8h30


10h30


12h15


14h30


18h50


21h


22h

23h


Meia-noite - não fica mais escuro que isto


2h


4h50


Por outro lado, sabe bem estar no "Verão" (se é que se pode chamar a isto Verão – hoje, por exemplo, chove e estão 9ºC): são os churrascos, um atrás do outro, sempre em parques diferentes;

são as caminhadas junto à água; são os gelados (deliciosos!) de framboesa ou mirtilos

; são os banhos, para alguns, em água que não deve estar muito acima dos 10ºC; é a possibilidade de, finalmente, bronzear um bocadinho :)


Mas claro, quem diz que não há nada como o Verão na Escandinávia é porque nunca passou um Verão no Algarve… ;)


28 de maio de 2009

København

Copenhaga


20ºC em Estocolmo, 24ºC em Portimão


Ora então passámos a ponte e chegámos a Copenhaga.

Deixámos o Florian em casa de um amigo e fomos dar com a pousada onde tínhamos marcado duas noites. Bem pior era difícil, mas realmente por 220 coroas dinamarquesas (~30 euros) para duas noites… Todos ao molhe numa camarata de 22, sem lençóis nem almofada nem cobertores… Se bem que os cobertores eram bem dispensáveis, tal não era o calor humano… Maravilha! A primeira noite passou-se, éramos só nós os 9 no quarto. O Haythem fez questão de manter o pessoal acordado por um bom bocado com as suas parvoíces (por exemplo, entra o tipo da recepção na camarata porque ia buscar uns cobertores e põe-se ele, num sotaque indiano de chorar a rir: "who aaaree yoouu? What do you want from us? You should be ashamed of disturbing us respectable people! Go back to the trash can you came from!"). A segunda foi horrível porque éramos uns 20 e mal se podia respirar… A única vantagem de tão auspicioso sítio era ser próximo do centro, uns 10 minutos a pé da câmara municipal.


Copenhaga é liiiindaaaa! Avenidas largas, canais, um conjunto de monumentos mas também zonas com arquitectura moderna, uma zona de compras bem melhor que Estocolmo… Deixou vontade de voltar. Fizemos a opção (correcta) de ir numa viagem guiada de barco e foi excelente, dando-nos uma perspectiva da cidade, desde o bairro hippy onde a polícia não entra, aos bairros residenciais novos com uma arquitectura espectacular, às casas-barco, à Ópera e Biblioteca novas, ao barco real, ao palácio real e, claro, à sereia, símbolo da cidade.

Mas a viagem também valeu pelo guia… Um israelita alto, moreno, de olhos verdes e barba de 3 dias que quando percebeu que eu e o Pedro éramos Portugueses mudou a narração da visita de italiano (o que estava previsto) para Português (já que não havia italianos no barco). Pronto, Português do Brasil. Mas valeu o esforço…

Depois de almoço, os preguiçosos dos rapazes decidiram ir a mais um fika, enquanto nós fomos a pé à sereia. Para quem não sabe, a sereia é uma estátua que foi construída em homenagem ao conto A pequena sereia de Hans Christian Andersen e que se tornou no símbolo de Copenhaga. A história é parecida à da Disney mas muito mais trágica e dolorosa, por o "Viveram felizes para sempre" não acontece e a sereia morre no fim. Tive que contar a história várias vezes ao longo do dia já que os irmãos, por exemplo, educados numa cultura árabe, nunca sequer tinham ouvido falar do conto. É engraçado apercebermo-nos de que coisas que para nós são tidas como dado adquirido que toda a gente sabe, afinal não o são bem… Também é engraçado verificar que por eles não saberem grande coisa de cultura ocidental / cristã, os irmãos assumem que nós também não sabemos nada da deles, e é vê-los abrir a boca de espanto quando dizemos que sabemos o que é Meca ou os contos das 1001 noites…

Contos à parte, a zona junto à sereia é linda e muito mitológica, também com a fonte de Gifeon (a divindade que, reza a lenda, separou a ilha de Zealand, em que Copenhaga se encontra, da Suécia).

Depois de passarmos por uma citadela que aparentemente é o local preferido para fotos de casamentos (cruzámo-nos com 3 num espaço de 15 minutos), fomos a pé ao palácio real, que está rodeado por um parque óptimo para descansar daquelas andanças. Grupos de jovens a conversar sentados na relva, famílias com miúdos pequenos a jogar à bola ou a lançar papagaios, velhotes sentadinhos à sombra… Os rapazes encontraram-nos lá, por coincidência, já que depois do fika também decidiram ir passear para aqueles lados.

Foi o momento de relax perfeito: sol (finalmente!), um relvado imenso, o pessoal todo deitado pela relva e… espectáculo ao vivo incluído! Ah pois é, depois de uns 15 minutos de descanso exclama alguém do nosso grupo: "Are those two HAVING SEX????" Os olhos que estavam fechados abrem-se, de deitados passa-se a sentados e toca a focar o olhar no dito ponto do parque, não particularmente recôndito, mas sim no meio da relva e em plena luz do sol, em que um casal dos seus 30 e tal 40 anos estava muito entretido, ela de vestido arregaçado até à cintura, ele por cima e vai cá disto! Realmente devia ser a isto que a Carol se referia quando escreveu na minha fita de finalista, citando: "Aproveita o que a Suécia tem de melhor, ou seja: NUDISMO!" Pronto, verdade seja dita estávamos na Dinamarca, mas é tudo Escandinávia :P Bem, para resumir, o espectáculo (do qual a parte mais engraçada não era ver os ditos cujos, mas sim as caras chocadas dos que passavam ao lado, desde velhotas e um tipo com ar de nerd que parecia ter ganhado a lotaria :D) durou ai por volta de meia-hora. A Clarissa só dizia: "Isto tem que ser para os apanhados" e olhava em volta à procura de uma câmara escondida. O Haythem não se faz rogado, pega numa bicicleta e vai todo afoito andar às voltinhas no local do acontecimento. O Niklas dizia: "não acham que quando eles acabassem devíamos bater palmas?". E assim por diante…


As saídas à noite: na primeira, fomos a um bar dos mais in de Copenhaga e divertimo-nos a ver o modus operandi dos dinamarqueses no engate. Aqui não há cá menino oferece bebida à menina, mas sim o oposto: elas é que tomam a iniciativa de os convidar para tomar uma bebida ou para simplesmente se juntarem a elas a conversar. Há as directas, que não estão com meias-medidas e se dirigem à mesa deles para os convidar, e as indirectas, que aproveitar o facto de pedirem uma cadeira emprestada à mesa deles para meter conversa. Há ainda as tímidas demais, que olham e olham mas não metem conversa e essas acabam a noite sozinhas. Por isso, meninas, se querem vir para a Suécia / Dinamarca, é prepararem-se para suar as estopinhas :)

Na segunda noite, fomos encontrar-nos com uns amigos da Clarissa, 2 italianos e um alemão super simpático e interessante que até já morou no Porto e fala um bocadinho de português… Só foi pena ter 10 anos a mais.


E assim se acabaram os nossos tempos em Copenhaga.

A viagem de volta à Suécia foi de ferry, directamente para este belo país em que às 10 da manhã de domingo não está nada aberto para uma pessoa tomar o pequeno almoço, em que à hora de almoço, numa das maiores cidades do país (tipo Braga), o McDonalds era a única coisa aberta, em que comprar álcool tem que ser muito bem planeado porque aos domingos a loja fecha. Mas às tantas tivemos que parar de reclamar, que o Niklas já estava a ficar chateado com tanta crítica…


E de volta a Estocolmo, no meio das filas de trânsito, fizemos inveja aos condutores dos outros carros ao dançarmos Shakira e Black Eyed Peas em altos berros dentro do carro, com os lagos suecos como testemunhas…