18 de novembro de 2009

En typiskt dag

Um dia típico

O despertador toca às 6h20. Nem é tarde nem é cedo: se geralmente toca Às 7, também já dias houve que tocou às 5, 5h20. Levanto-me a custo, banhoca, pequeno-almoço sozinha que isto o resto do pessoal levanta-se mais tarde. Lavar dentes, retocar maquilhagem, pegar no computador e na mala e toca a correr para o autocarro que, felizmente, para mesmo à porta.

Depois do autocarro nº1, autocarro nº2 - corro par o apanhar e o motorista tem mesmo gozo, nota-se, em fechar-me a porta na cara. Outro vem. Troco para o nº3 para ser mais rápido. Cheio, cheio a abarrotar, sem lugar sentado.

Finalmente no laboratório às 8h20, toca a fazer medições, começa-se a experiência. Viagem ao primeiro andar porque esta semana sou a responsável por manter o armário do material cheio. Depois dos deveres, lá ligo o computador. Análise dos dados já recolhidos nos últimos dias em que passei uma média de 5 a 7 horas ao microscópio, o que resultou numa dorzinha de cabeça irritantemente persistente que não passa. Chego à conclusão que se quero acabar de recolher os dados ao microscópio tenho que vir cá domingo o dia inteiro - óptimo. Vou ter que trocar de cartão com a Ingrid já que o meu não abre a sala do microscópio.

Entretanto, de hora em hora, vou medindo a densidade óptica da cultura. Lentinha... Mais um intervalo de uma hora, escrevo no caderno de laboratório tudo o que fiz nos últimos 5 dias e ainda não tinha tido tempo de escrever. Faço a lista do que tenho que fazer até às férias e o meu estômago dá uma volta. Mais uma medição e tentar não perder o fio à experiência enquanto me disperso pelas outras coisas todas que tenho que ler / escrever.

Combino almoçar com a Clarissa, o único momento de relax do dia, embora deprimente no sentido em que estávamos as duas tão cansadas que metade do tempo foi passado a suspirar entre mastigadelas.

Volto ao laboratório, mesmo a tempo: a cultura estava finalmente crescida, descongelo o factor-alfa, adiciono-o. Faltam 3 vezes de hora a hora. Na primeira hora de intervalo, planeio as próximas duas semanas de trabalho e chego à conclusão que se quero concluir este projecto tenho que trabalhar todos os fins-de-semana até às férias menos o que vou a Portugal. Na segunda, consigo ser produtiva ao ponto de acabar o trabalho de uma das cadeiras que ainda não acabei. Menos mal. Na terceira, toca a preparar soluções para o resto da experiência: umas a partir dos stocks, outras têm que ser descongeladas, fazem-se cálculos, já estou atrasada, para cúmulo não encontro o kitasato para a filtração.

Lá o desencanto, 10 minutos de atraso, agora vai ser uma corrida: filtração 1, filtração 2, células num novo meio, começa a recolha de amostras. 21 ml, 1 praqui, 20 prali, os 20 para a centrifuga 1, 5 minutos, os 1 para a centrífuga 2, 1 minuto, não dá para fazer mais nada, tira de lá, aspira, resuspende, pro congelador, hora de tirar a outra amostra da centrifuga 2, aspira, águinha gelada lá pra dentro, mais 5 minutos, e é a fomeca que aperta mas não dá para comer que já aí vem outra recolha em menos de nada.


Eu e a Ingrid discutimos como as pessoas que nunca trabalharam num laboratório acham que dá para fazer uma pausazinha de 5 minutos aqui ou ali e comer, dar uma dentadinha. Vê-se mesmo que nunca estiveram no stress de uma experiência com tempos definidos para tudo, em que 5 minutos fazem muita diferença, sim senhora, já que muitos dos eventos que estudamos até se passam em SEGUNDOS, em que os reagentes não podem ficar ali em cima à espera que a gente dê a dita dentadinha porque alguns deles estragam-se se não forem postos imediatamente a -20ºC ou -80ºC, depende, e até custam uns milhares de coroas, porque de qualquer forma não se pode comer no laboratório e comer implicaria sair do laboratório, tirar as luvas, lavar bem as mãozinhas porque já agora convinha assegurar que as substâncias cancerígenas com que trabalhamos não vão parar ao estômago, lembrar que ao voltar ao laboratório é necessário repetir o processo em ordem inversa, voltar a colocar luvas, etc., e que 5 minutinhos NÃO CHEGAM. Nem para ir à casa de banho dá, é tudo calculado, penso que na próxima centrifugação de 5 minutos lá consigo dar lá um saltinho mas então aparece o Haythem e estraga-me o esquema, 3 minutos de conversa e também tenho que lhe dar com os pés porque a experiência chama e não espera. Nos pequenos intervalos de 2, 3 minutos, é ir arrumando e lavando a imensidão de material que se gastou ao longo do dia, vejo que o armário já está vazio e vou ter que o encher novamente amanhã.

O laboratório de 8 pessoas agora tem duas: eu e a Ingrid. A experiência acaba por fim, últimas amostras no congelador, uma sandes comida à pressa só mesmo para aguentar a viagem e ala que se faz tarde, 18h30, autocarro nº1 mesmo a sair, metro, duas estações, LIDL onde compro 3 litros de azeite que acabou, 3 kg de cebolas e 1 kg de iogurte a ver se este dura, porque temos um ladrão de iogurtes no corredor que roubou 5 da minha prateleira nas últimas duas semanas. Mala cheia com as compras, está a chover, tão bom! (Sarcasmo) Metro, uma estação, esperar pelo autocarro, esperar, está a chover, estou a ficar molhada, o guarda-chuva está esmigalhado debaixo dos 7 kg de compras e o meu ombro a caminho de um deslocamento, o autocarro que não chega, em dias de chuva até na Suécia atrasa 20 minutos.

Entro no autocarro e durmo. O caminho todo. Acordo na curva da minha rua, saio disparada, entro em casa e finalmente pouso as coisas no quarto, vou à cozinha e como um prato de sopa e deixo o frango a marinar para o resto do jantar e é neste bocadinho que finalmente me consigo sentar a escrever para que vocês percebam, precisamente, porque é que eu não tenho tempo de escrever, porque não apareço no messenger e porque é que à noite me apetece tudo menos conversar. Agora multipliquem pelos 15 últimos dias que foram todos +- assim e pelos 25 que faltam e que assim hão-de ser.

E é por estas e por outras que me ponho a pensar se tenho estaleca para um doutoramento, em que é suposto fazermos isto tudo e muito mais todos os dias durante 4 anos a fio. Acho que caio pro lado ao fim do primeiro mês, quanto mais... É algo a considerar.

O frango está pronto. Amanhã o despertador toca às 6.

9 de novembro de 2009

Fem minuter...

Cinco minutos...

Antes de recomeçar mais um passo da experiência de 12 horas em que estou metida. Comecei às 7 da matina... E depois de hoje recolher 200 amostras, seguem-se duas belas semanas a analisar os resultados... Se eu não gostasse do que ando a fazer...

1 de novembro de 2009

Halloween

6ºC em Estocolmo, 23ºC em Portimão

Os suecos têm amor à América e tudo o que de lá vem. São as séries de televisão. Os filmes. O inglês com sotaque americano que retiram das suas séries preferidas (fora os fãs das Brit coms que adoptam o british accent). E é o Halloween. Sem quaisquer raízes na sociedade sueca, mas é a loucura total. Em todos os supermercados vendem-se abóboras para esculpir e as festas e bares de Halloween multiplicam-se.

Eu também fui contagiada pela febre e comecei o aquecimento quarta-feira, no bar de Halloween do CCK.

Já sexta, foi dia de bar de Halloween do meu departamento actual, CMB. O bar estava às moscas, mas a noite traria uma das festas mais concorridas a que Jägargatan já alguma vez assistiu. Deviam ser umas 80 pessoas na sala de estar diminuta do 1º andar. Eu fui de Minnie - OK, eu sei, não parece à primeira vista relacionado com o Halloween, mas na verdade foi uma americana que me sugeriu o disfarce. Nos Estados Unidos eles mascaram-se de qualquer coisa no Halloween, não necessariamente de vampiros, fantasmas e outros que tais, apesar de essa ser a escolha mais frequente.

Só cerca de um terço a metade das pessoas é que foram mascaradas, mas houve disfarces excepcionais. O Pedro decidiu adoptar simplesmente um ar hardcore e colar caveiras na roupa e maquilhar-se de preto (depois da festa ficaria com a dúvida existencial de como é que as raparigas fazem aquilo todos os dias).

A Cécile foi uma freira sexy.

Duas raparigas de Jägargatan fizeram elas mesmas fatos de aranha, em que as pernas extra consistiam em collants pretos cheios com folhas de jornal - mas com um efeito bem engraçado!

A Karina vestiu-se de boneca Chuckie (tiveram que me explicar esta, eu não sou nada entendida nestes filmes).

Havia vampiros, diabos...

O Gustavo era a Morte.

A Clari e a Filipa pintaram as caras de forma assustadora.

Uma rapariga vestiu-se de doente psiquiátrica fugitiva.

Dois amigos meus pegaram simplesmente em batas de laboratório e salpicaram-nas de ketchup, o que, aliado à peruca maluca e às pipetas / seringas que usaram a noite toda para beber o que quer que fosse, desde cerveja a rum, deu um ar de cientistas completamente loucos.

Por fim, a festa serviu para dizer adeus (com lagriminha no olho) ao meu querido amigo Christian, que partiu para terras suíças à conquista do PhD. A nossa última foto.