15ºC em Estocolmo, 25ºC em Portimão
Sol em Estocolmo… A cidade torna-se mais bonita, as pessoas andam na rua com outra disposição, alguns até de t-shirt (sim, que isto estava um calor ontem! Uns 12 graus…) mas a verdade é que o sol anima e faz bem, nem que seja pela vitamina D :) Uma pessoa está a trabalhar, precisa de ir à universidade tratar de uns papéis e a viagem de 45 minutos de autocarro nem custa tanto, vai-se vendo as vistas…
(Vistas da nossa janela do corredor, com solinho)
Nesta altura também já deu para perceber que os suecos não são assim tão bons no que toca a burocracias, pelo menos relativamente a imigrantes. Coisas do tipo ir a um gabinete e mandarem-nos a um segundo, irmos ao segundo e recambiarem-nos para o primeiro, que eu pensava só acontecerem em Portugal, afinal não, aqui também há disso, também irrita, também deixa uma comichosice no estômago mas pronto, o que é que uma pessoa há de fazer…
Fui à loja da universidade a tentar comprar uma pasta para o meu PC, que a minha tem a alça estragada, para descobrir que se podem comprar desde canecas a toalhas de banho com o símbolo da universidade… Gostava de saber quantas vendem por ano, que aquilo ainda por cima não é barato. Das pastas nem sinal, só se comprar uma das mochilas mataconas e cor-de-rosa que para lá há e que toda a gente carrega orgulhosamente, por aqui. Se bem que uma mochila daquelas até pode dar bastante jeito para levar no avião… Tenho que pensar no assunto.
Adiantar trabalho de filosofia, abstract escrito e revisto, e toca a preparar para a festa desta noite. Encontrámos o coitado do Albert com uma constipação terrível que o deixou de cama, logo, desta vez não nos pôde acompanhar. Eu e a Shermaine seguimos para a maior comunidade estudantil de Estocolmo, Lappis, onde iria haver uma festa House, e o resto do pessoal ficou de lá ir ter mais tarde… Perdemo-nos pelo caminho mas lá chegámos, para descobrir que éramos as primeiras! Em Portugal seria normal ser-se o primeiro numa festa a chegar lá às 10 e pouco, mas na Suécia… O tipo do bar era um chef do Uruguai, muito simpático, que me serviu uma sangria muito bem feita e ainda me ofereceu uma bebida. Simpático, mas a festa não foi o sucesso que ele esperava… A música não era nada de especial e o pessoal demorava a entrar. Quando o resto das miúdas chegaram, decidimos ir a outro sítio e fomos apanhar o metro para a nossa ilha.
Depois de andarmos de bar em bar para descobrirmos que a maioria deles estava quase a fechar (ainda só era meia-noite e meia!), lá descobrimos um que só fechava às 3. Nem nós sabíamos onde nos íamos meter… Entrámos num bar cheio de rockeiros, daquele pessoal com cabelos compridos e barba enorme, eventualmente às trancinhas, guitarras eléctricas na parede, espelhos, candelabros. O sítio em si nem era mau, e a música, para quem gosta de rock, era boa. Nós é que destoávamos da multidão em geral… Depois de muito procurar, lá conseguimos encontrar uma mesinha, e nesta altura a noite não parecia ter muito a oferecer, estava tudo a pensar “bem, onde é que a gente se veio meter” (sim, por favor, tentem imaginar 6 raparigas bem vestidas, incluindo uma Marike muito sexy de salto alto, saia-lápis e top, no meio daquele maralhal…).
Entretanto… Sentou-se na mesa ao lado um grupo muito fixe, de pessoal mais ou menos da nossa idade, especialmente um rapaz que ficou sentado mesmo ao lado da Stefania e à minha frente. Ele meteu logo conversa, meio surpreendido por nos ver ali, a perguntar como é que tínhamos ido ali parar. Simpático, giro para quem não se importar com o cabelo meio à Kurt Cobain, conversador, chamado Andreas, um sueco de gema, de Estocolmo, que durante o dia trabalha numa espécie de instituição a tomar conta de pessoas com incapacidades e durante a noite vai beber uns copos com os amigos, por vezes dançar. É como eu dizia ontem à Clarissa: acho que nestas 3 semanas conheci mais rapazes “apetecíveis”, digamos assim, do que no resto da minha vida, lol. A Clarissa topou logo que eu estava um bocadinho apanhada e não parava de me enviar sorrisinhos do outro lado da mesa, foi uma tortura constante :D
Seguiu-se um episódio engraçado que deixou os suecos estupefactos. Segundo uma conversa que eu e a Stefi estávamos a ter com o Andreas, as raparigas suecas são muito independentes e tomam sempre a iniciativa e levam a mal se o rapaz lhes pagar uma bebida, logo os suecos geralmente não oferecem bebidas às raparigas porque para elas é uma ofensa, como se o homem pensasse que elas não têm capacidade de se sustentar. Manias… E tinha eu acabado de realçar como foi justamente na Suécia que um homem me tentou pagar uma bebida, contrariando a teoria dele, quando, ainda nem 15 minutos passados dessa conversa, a empregada do bar se chega à nossa mesa e começa a descarregar cervejas. “Descarregar” é o termo. Eu ao princípio nem percebi o que se estava a passar, pensei que ela estava a usar a mesa como ponto de apoio ou assim, visto que nós não tínhamos pedido nada… Afinal foi um homem de uma das mesas do lado que deve ter achado que nós queríamos embebedar-nos e decidiu dar-nos uma ajudinha, mandando a empregada levar para a nossa mesa, nada mais, nada menos, que 18 cervejas, ou seja, 3 para cada uma! Lol sem comentários, e eu que nem gosto de cerveja por aí além… Os suecos da mesa ao lado só olhavam de olhos esbugalhados, o Andreas abanava a cabeça e dizia “nunca vi uma coisa assim”, e o homem acenava lá do fundo…
Resultado, lá distribuímos as cervejas, já que aquilo era pré-pago, logo, de qualquer forma ele já tinha gasto o dinheiro, inclusivamente por alguns dos rapazes da mesa ao lado, que não se fizeram rogados (obviamente que nós não conseguíamos beber 3 cervejas cada uma, até porque eu e a Clarissa não apreciamos especialmente). Pois o tal homem, não satisfeito, como viu que algumas de nós não estavam a beber as cervejas, chegou-se ao pé da nossa mesa e disse-nos para pedirmos o que quiséssemos à empregada que ele pagava e voltou para a mesa dele. O mais estranho disto tudo é que, supostamente, ele devia estar a oferecer-nos bebidas com alguma intenção, mas nem por uma vez se dirigiu a nós para tentar meter conversa. Às tantas, e vendo que nós não pedíamos nada à empregada, tomou ele a iniciativa e lá aparece ela na nossa mesa com dois shots para cada uma. Sem palavras… E até eram bons, não tinham muito álcool e sabiam a morango :P Se as bebidas não estivessem a ser trazidas pela empregada a gente ainda desconfiava, mas neste caso foi apenas muito estranho. Não nos queixamos, visto que acabámos por beber de graça :D
Em suma, saldo da noite: uma festa e um bar, um tipo muito giro, 4 bebidas de graça e uma a pagar, para além da habitual conversa e parvoíce… Eu diria que foi um saldo positivo ;D
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