Mudança
13ºC em Estocolmo, 20ºC em Portimão
Ainda sem água quente, mas já a pensar na mudança, levantei-me cedo para começar a arrumar as coisas. Por um lado, tenho pena de já não morar com o Erik e a Sabrina, pois dei-me mesmo muito bem com eles, mas por outro vou mudar para o sítio onde vou ficar o resto do ano, o que é positivo… E vou estar com as outras raparigas do curso!
Depois de colocar +- tudo dentro de sacos, dirigi-me para a paragem de autocarro, e lá fiz mais uma vez a viagem de 30 a 40 minutos que separa os dois campus. Ao menos hoje está solinho, yey!! :D
No horário as aulas começavam às 10h30, tendo como temática “Apresentação de posters”. Ao entrar no auditório foi-nos dada logo a distribuição por grupos, e pude verificar que fiquei no grupo do Mario (Alemanha), Giulia (Itália) e Marike (França / Suécia), o que é óptimo, pois são das pessoas com quem sinto mais afinidade no curso! A aula foi mais ou menos, provavelmente porque eu já sabia muito do que foi apresentado, depois de fazer o poster de Virologia (belos tempos…). No final deram-nos a escolher os artigos da apresentação olhando só para o abstract, e aconteceu-nos o habitual – o abstract parecia interessante mas o artigo em si nem tanto, basicamente sobre a morte neuronal em doenças degenerativas e como novas técnicas permitem determinar o local onde se inicia a doença. A sério, parece mais interessante do que é… Para além disso, eu não sou grande espingarda a neurologia, por isso hoje à noite seguem-se umas boas leituras para tentar ficar mais por dentro do assunto…
Ao almoço sentei-me com a Giulia e a Marike, e mais tarde também a Dasha e a Clarissa, o que deu origem a uma conversa animada sobre tudo um pouco, que foi desembocar nas diferenças entre os “machos latinos” e os homens suecos; isto tudo porque a Marike estava a contar como ficou chocada durante um ano em que morou na Itália e teve que aturar as bocas de vários gajos quando passava na rua – se fosse em Portugal havia de ser “Ó boua!” lol Depois passámos à máfia italiana, em que a Giulia contou comtes de histórias não muito felizes – fiquei ao menos satisfeita por saber que ela não pertence à facção Berlusconi, pelo contrário, até se sente um pouco envergonhada com a situação política do seu país. A imigração também esteve em cima da mesa, e às tantas no meio da conversa foi interessante perceber que, enquanto nós próprios encaramos a Suécia como “o país perfeito”, os suecos se queixam IMENSO sobre o seu próprio país. Mas geralmente fazem-no em privado, não em manifestações ou nem sequer (normalmente) com outras pessoas que não conhecem bem; mas a Marike é metade francesa, e isso explica muita coisa (como ela dizia hoje – Maio de 69??)…
Depois de almoço era hora de reunir o grupo para começar a trabalhar, mas levámos imenso tempo só a ler o artigo, a decifrar umas partes, a discutir o que iríamos fazer a seguir… É giro ver como as várias pessoas contribuem para a discussão: a Marike sempre a falar, muito impulsiva e impetuosa; a Giulia volta e meia tentava fazer um apanhado do que já se tinha dito, no seu inglês lento e com sotaque bem italiano; o Mario falava essencialmente para discutir algum ponto que não tivesse percebido ou para explicar um dado conceito, visto que ele percebe bastante de Neurologia (BEM mais que eu, que estava um bocado à nora); e eu, fui eu mesma, e acho que vocês saberão como é que me comporto nos trabalhos melhor do que eu. :P Durante uma parte da aula na sala dos computadores vi um mail de uma menina que vai para Coimbra, soube-me muito bem. A sério, pessoal, se puderem escrevam, especialmente agora que vou estar uns tempos sem Internet e não vi dar propriamente para estar no Messenger o tempo todo…
Às 15h apanhámos mais uma vez o autocarro, e a Shermaine e a Dasha foram umas queridas em vir ajudar-me a mudar. A sério, eu nem tinha noção da quantidade de tralha que tinha no quarto! No final, tínhamos para carregar 4 sacos de supermercado, 1 saco do IKEA, a mala do PC, a minha mala grande e mais a mala pequena… Lol. O que vale é que dá para apanhar à porta um autocarro directo para junto da nossa nova casinha :)
Depois de metermos tudo no autocarro, bastante a custo (as pessoas e o motorista só olhavam, porque estávamos a atrasar a partida do autocarro), lá partimos para uma zona da cidade que eu ainda não conhecia mas que, francamente, gostei de conhecer. Já tinha ouvido que esta zona era bastante boa, mas ver é diferente – é realmente muito agradável.
Saímos na última paragem, junto ao hospital, e qual não é a minha surpresa quando as minhas ajudantes e guias entram no hospital! Atravessámos alguns corredores quase vazios (eu andava sempre à espreita, não fosse aparecer algum McSteamy como na Anatomia de Grey, mas nada), apanhámos um elevador, seguimos por mais um corredor e pronto! Cá estávamos no prédio certo! Nunca pensei viver tão perto de um hospital… De facto, eu até que vivo mais ou menos NO hospital, o que ainda é mais estranho. A Ni e a Riti é que devem estar habituadas a esta situação.
Fiquei surpreendida com o tamanho do quarto, tinam-me falado que eram tão pequenos tão pequenos que na minha cabeça já tinha pintado uma imagem pouco maior que uma caixa de fósforos… Mas é bastante agradável, o espaço está bem aproveitado, a cama é uma cama A SÉRIO e não no chão como a do outro quarto, tenho secretária com gavetas, dois móveis com prateleiras, uma bacia com um espelho e um armariozinho para os produtos de higiene, um roupeiro. De que mais é que uma pessoa precisa?
As áreas comuns também são agradáveis, na cozinha tenho direito a uma prateleira só para mim num dos 2 frigoríficos, meia gaveta no congelador, um cacifo para guardar as minhas coisas e posso usar as panelas, pratos, copos, etc., logo, não tenho que comprar quase nada! A lavandaria tem 3 máquinas, por isso não deve ter grandes enchentes (posso ir às horas em que tenha companhias agradáveis, tipo 40 dias e 40 noites:D); o quarto da televisão tem uns sofás que parecem muuito confortáveis.
O principal problema é mesmo o facto de termos que partilhar casa de banho, há sempre aquelas horas em que toda a gente que tomar banho ao mesmo tempo e os duches não são assim tantos. Mas pelo menos hoje ainda não vi nenhuma enchente… vamos ver como corre. Já me pareceu discernir um ou dois rapazitos engraçados no corredor, o que é sempre positivo. Mas a maioria do pessoal é asiático, tipo chinês ou indiano (dá para ver pelos nomes nas portas; na minha porta diz “J Flores”, ao que achei bastante piada).
Nesta altura acho que as outras meninas estão basicamente nos seus quartos a trabalhar nos seus artigos, por isso vou ver se faço o mesmo. Antes, porém, vou tentar o truque da janela: aparentemente, de uma das janelas do corredor apanha-se internet de um dos prédios da vizinhança e anda sempre tudo a ver o que vem à rede… :D
4 de setembro de 2008
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2 comentários:
Que bom saber que a nova morada é agradável. Fico bem mais descansada, particularmente por saber que a companhia também ajuda.
Bj
Já sabes que agora faltam fotozinhas do novo habitáculo da J.Flores... lol, o nome fica mesmo giro assim!
Beijinhos
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