30 de outubro de 2008

Berätta…

Contar…

5ºC em Estocolmo, 18ºC em Portimão


… ou não contar? Foi esta a questão dos primeiros dias de namoro, em que algumas pessoas sabiam, outras não, mas não demorou muito até as novidades alastrarem por outras vias que não as nossas…

Da minha parte, fui interrogada logo no primeiro dia: pelas meninas de Jägargatan, que estranharam a minha ausência durante a tarde toda, e não paravam de perguntar onde tinha estado e, principalmente, com quem; pela minha mãe e pela Tani, que sabiam o que se passava e estavam ansiosas para saber as novidades. Escolhi contar às segundas e não às primeiras, porque estava com medo que elas se portassem de forma difere
nte connosco na universidade e não queria causar confusões, porque ainda não estava certa do que ele queria.

Da parte dele, no dia seguinte contou logo à sua melhor amiga (a Marike) que se encarregou de contar ao Mustafa e pronto, com aqueles dois a saber, já se está a ver que as notícias correram rapidamente… Mas eu ainda não sabia que ele tinha contado a alguém quando contei, eu própria, às meninas de Jägargatan. A verdade é que fui completamente encurralada “entre a espada e a parede”, como se costuma dizer… Jantar de meninas n
a cozinha do 6º andar: ainda mal tinha tido tempo para respirar quando pergunto uma coisa qualquer à Clarissa e ela responde, a atacar: “We won’t tell you ANYTHING until you tell us what’s going on with Niklas!!!” Pronto, impossível escapar a múltiplas questões, umas respondidas satisfatoriamente, outras evadidas melhor ou pior, a verdade é que elas ficaram satisfeitas e em breve pararam o bombardeamento.

No dia seguinte voltámos a sair, só os dois, e a fuga do rebanho foi mais difícil e notada, e cada vez era mais evidente que toda a gente ficaria a saber em breve. Passou o fim-de-semana, em que contei a pessoal amigo mas de Portugal, e não passou mais dia nenhum sem toda a gente saber…


A partir do momento em que contei à Clarissa que o Mustafa já sabia, ela considerou as notícias de foro público e oficial, e tratou de se portar “à Clarissa”…
Acho que já tinha contado que a Clarissa desde que entrou no curso declarou-se dona e proprietária de todos os rapazes no curso… Na segunda de manhã, começou por se mostrar “ofendida” por o Niklas, um dos rapazes do seu harém, se ter extraviado, e deu-me o mesmo tratamento, a dizer que não me perdoava e que raio de amiga era eu, lol. Claro que com este tipo de comportamento exuberante, quem ainda não tinha reparado começou a reparar e a comentar… E que MESMO assim não reparou, não passou do almoço: a Clarissa (who else?) vira-se para a Karin e diz “Whaat, you don’t know the neewwws? Let me tell you, let me tell you: Joana and… Niklas are dating!!!!” E assim passou a dado adquirido. Ao menos não tivemos que disfarçar quando voltámos a sair juntos nessa tarde, para um passeio romântico por Estocolmo…

Terça-feira: o único a não saber, o Mario, chegou de viagem, pois tinha ido à Alemanha e não estava a par de nada. Desta vez não foi a Clarissa a contar-lhe… A dada altura, pelo andar da conversa apercebeu-se de algo e perguntou, com ca
ra de espanto: “Whaat? SHE (apontando para mim) is your girlfriend?” Ao que o Niklas respondeu “Yes, I think at this point we can start calling ourselves that.” E ele que não se surpreendia, que já andava desconfiado desde o dia da nossa visita ao IKEA…

E assim passámos a ser uma entidade, Joana e Niklas. Ao almoço, na segunda-feira em que toda a gente ficou a saber, ainda houve uns engraçadinhos a tentarem arranjar um nickname para nós os dois (Joaniklas? Dizia a Clarissa. Nah, Jiklas! Respondia o Mustafa) – felizmente que a moda não pegou… Passaram duas semanas e cada vez gosto mais do meu sueco :D E sinto que ele de mim também…


28 de outubro de 2008

Examen

Exame

2ºC em Estocolmo, 15ºC em Portimão

O exame correu bem :D Vamos a ver o resultado…

26 de outubro de 2008

Vinter

Inverno

10ºC em Estocolmo, 21ºC em Portimão

OK, o Inverno chegou – definitivamente!
Eu sei, eu sei, só a 22 de Dezembro é que é oficialmente inverno. Mas hoje que a hora mudou nota-se mais do que nunca…

Visto que antes de a hora mudar anoitecia às 17h, hoje passou a anoitecer às 16h – sim, 4 da tarde aqui são 4 da noite… Ou seja, a estas horas, 8 da noite, o pessoal já jantou e só apetece ir para a cama – já é escuro há tanto tempo!

A escuridão vem acompanhada de frio, vá, frescote – esta semana vamos ter temperaturas entre os 2 e os 6 graus, tão boom… As folhas das árvores já caíram quase todas e por isso à nossa volta o mundo aparece pintado de cinzento, especialmente em dias de chuva como hoje.

Sim, é inverno em Estocolmo – e as coisas ainda vão piorar. Vá lá que já cumpri o objectivo delineado no primeiro post deste blog, de encontrar um sueco para me aquecer – pode ser que o Inverno passe sem eu dar por isso ;)

25 de outubro de 2008

Studera

Estudar

8ºC em Estocolmo, 19ºC em Portimão

E depois do amor… O estudo! Exame de cardiovascular na segunda-feira não é pêra-doce… De forma que tanto eu como o meu sueco como toda a gente com o mínimo de responsabilidade está com a cabeça mergulhada em livros e apontamentos e slides…

Aproveito para fazer uma súmula (epa já pareço o prof. e Bio-informática) das últimas semanas, já que muita gente me tem perguntado: sim, amor e festas e tal, tudo bem, mas e o curso? Como está a ser? E de facto, esse aspecto, que está a ser tão positivo como o resto, tem sido deixado um pouco de lado, por isso passo a comentar.

Do primeiro mês já falei, foi basicamente darem-nos as ferramentas para podermos enfrentar tarefas tão distintas como escrita de artigos, elaboração de um poster para uma conferência ou apresentação de um seminário. Mas este mês as aulas “a sério” começaram…

Temos aulas no hospital, num auditório em que as cadeiras são (demasiado) confortáveis e não ajudam à concentração… Daí que me sente sempre na primeira fila, para não ter distracções, se bem que geralmente o tema é suficientemente interessante para a mente não divagar (muito, divaga sempre um bocadinho para o parceiro do lado :P). Os professores dão-nos os slides no início da aula, impressos por eles, às vezes mesmo a cores, para que possamos tirar apontamentos à medida que eles vão falando - de momento a pilha de folhas de slides já passa a espessura de uma lista telefónica, sem exagerar...

Primeira semana sobre técnicas moleculares, já as mencionei… É interessante ver como as coisas podem ser abordadas de formas tão distintas em universidades diferentes. Claro que eu já tinha ouvido falar de microarrays, de transgénicos, de RT-PCR, Western blot e afins, mas aqui é tudo dado do ponto de vista das ciências biomédicas, não se focando tanto na parte mais técnica porque, obviamente, não é numa aula teórica que vamos aprender o método, isso logo acontecerá se formos para um laboratório em que tivermos que o aplicar. Assim, as apresentações focam-se em questões como: em que é que esta técnica me pode ajudar a investigar a doença X? quais são as várias abordagens alternativas que posso ter para endereçar um mesmo problema? Quais são as vantagens e desvantagens de uma e outra técnica e quais as situações em que será preferível usar uma ou outra? Tudo isto acompanhado de exemplos CONCRETOS, visto que as pessoas que nos falaram de cada uma das técnicas estão de facto a aplicá-la na sua investigação e podem realçar-nos aspectos mais específicos que só alguém por dentro do assunto poderia conhecer… E essa é a vantagem de termos um professor por aula, sempre pessoas diferentes, pois sabemos que são de facto as pessoas mais indicadas para nos falarem sobre aquele tema em especial.

Uma semana depois começa o módulo cardiovascular, ou seja, enquanto na primeira semana os nossos médicos andaram à nora e nós na maior, porque obviamente já sabemos as bases das várias técnicas apresentadas e foi só um acrescentar de conhecimento, nestas últimas semanas deu-se o oposto: os médicos na maior, pois o que demos já eles sabem de cor e salteado (a maioria mas não tudo, porque demos alguns aspectos mais relacionados com investigação que o médico “normal” desconhece) e nós… nada. Para terem uma ideia, na primeira aula destas duas semanas demos tudo o que falámos em fisiologia sobre o sistema cardiovascular ao longo de um semestre inteiro, lol.
Mas é diferente… No segundo dia fomos visitar as instalações onde o pessoal de fisiologia faz investigação, para vermos os vários aparelhos de que tínhamos falado no primeiro dia e que permitem medir vários factores relacionados com o funcionamento do sistema cardiovascular. Vimos corações de rato, artérias, uma montagem que permite estudar um coração fora do corpo ainda a bater, adicionámos substâncias várias a artérias previamente extraídas para ver se elas contraíam ou relaxavam, vimos os aparelhos usados para fazer ECG e ecos em ratinhos, e até nos cruzámos com alguns dos ditos cujos em gaiolas. No fim, o professor (que era o típico cientista “maluco”, super entusiasmado com o seu próprio trabalho) ainda nos mostrou o seu próprio projecto mais acarinhado, investigação sobre o sistema cardiovascular em peixe-zebra (zebrafish), estivemos a ver as larvas do dito peixe, que não têm mais de 3 mm de comprimento, e surpreendemo-nos quando percebemos que eles são capazes de extrair um músculo daquela coisinha minúscula para estudar a sua contractibilidade. No final, dado o nosso entusiasmo, o professor levou-nos ao laboratório, anestesiou umas quantas larvas e estivemos a vê-las ao microscópio – foi giríssimo, porque elas são completamente transparentes e dá para ver o coração a bater…

OK, eu sei, conversa de nerd, toda entusiasmada com ratos e larvas. Eu sou assim, o que é que querem…

O resto das aulas debruçaram-se sobre assuntos vários, como células endoteliais, sinalização celular em processos de contracção de células cardíacas, controlo neurohumoral da circulação, função vascular em processos inflamatórios, “pericytes” (não sei como traduzir), tecido adiposo e resistência à insulina, inflamação na aterosclerose, enfarte do miocárdio, AVCs. Estes são apenas alguns exemplos… O facto é que as aulas se tornam extremamente interessantes pelo facto de os professores apresentarem sempre dados experimentais a ilustrar cada parte, falam do que está a ser feito na “crista da onda” naquela área e como podemos aplicar várias técnicas para tirar conclusões sobre cada doença – como diz a nossa coordenadora desta cadeira, o objectivo é nós sairmos deste módulo a sermos capazes de ler e compreender qualquer artigo em investigação cardiovascular e, de facto, acho que nos dá uma excelente preparação para tal. Eu, pelo menos, estou a adorar esta parte e gostava de fazer um dos meus projectos nesta área…

E pronto, já dei a seca para aqueles a quem o meu curso não interessa nada, mas espero ter esclarecido um pouco aqueles que me perguntam frequentemente “como é que isto é”.

Espero também que agora percebam a razão de eu estar a hibernar, sem sair do meu quarto 24 horas por dia, até ao exame de 2ª feira… Intervalos, só para comer, WC, dormir, falar com o meu amor na net e com a minha mãe no Skype, arrumar o quarto, passar roupa a ferro – ou seja, regime militar! Mas como o estudo está a correr bem, pode ser que hoje à noite vá a uma festa que há no 5º andar… Se for, amanhã mostro fotos ;) E agora dêem-me licença, que tenho que voltar aos processos inflamatórios na aterosclerose…

23 de outubro de 2008

Kyss

Beijo

39ºC em Estocolmo :), 19ºC em Portimão

Para as mentes mais lentinhas que não tenham apanhado os múltiplos sinais de paixão à vista, o título deste post deverá ser esclarecedor… Sim, passa-se ALGO… LOL.

Começando pelo começo: um rapaz tem um gesto simpático, digamos, deixar-nos ganhar numa competição de braço-de-ferro, ainda que fosse fisicamente impossível, só para nós não ficarmos tristes… E de repente começamos a vê-lo sob outra luz. Começamos a falar mais, ele é querido, não nos poupa elogios, começamos a ver que temos algo em comum… As conversas são boas, falamos de tudo um pouco, mas é preciso algo mais.

E é então que esbarramos na evidência de que nem ele viu o meu filme preferido (“Moulin Rouge” – “filme de gajas”, segundo ele) nem eu o dele (“Top Gun” – filme de gajos!). Parece-lhe a desculpa perfeita para uma sessão de filmes, planos começam a ser feitos… Na minha casa ou na tua? A questão quase não se põe, já que eu vivo num corredor em cuja sala da tv não há leitor de DVD, logo, fica para casa dele. Já que ele dá a casa, eu prometo fazer o meu bolo de chocolate para acompanhar o filme; ele promete limpar o quarto e deixá-lo decente, já que eu vou lá… Seguem-se os preparativos, as compras de supermercado planeadas cuidadosamente com antecedência, ele, quase sem mencionar o assunto, deixa escapar um “Hoje vou para casa mais cedo já que tenho que limpar o quarto para esta quarta-feira”, não precisamos de falar para sabermos que estamos os dois ansiosos para saber se o nosso próprio filme terá o fim que esperamos…

E eis que chega o dia D, dorme-se mal na noite anterior, o bolo de chocolate (óptimo!) já prontinho e num tupperware para levar. As aulas (em que nos sentamos sempre lado a lado) passam mais lentamente do que nos outros dias, e não sabemos muito bem como evadir questões na altura de sairmos dali juntos, tendo como destino a casa dele e uma sessão de “filmes”, sem dar bandeira para o resto do pessoal. Tarde livre, a maioria vai para casa, alguns ficam na faculdade a almoçar, nós lá conseguimos escapulir-nos os dois e apanhar o autocarro.

A viagem de autocarro e depois comboio corre bem, passa rápido, a conversa flui, sem parar em nenhuma estação, em direcção a paragens só nossas. A casa dele é na periferia, numa zona muito arborizada, onde, segundo a Marike, “em cada 5 pessoas a 5ª é um cavalo”. Casa gira, de madeira vermelho-escuro, plantinhas à janela, frascos de doce nas prateleiras. Quentinho lá dentro, como convém, e sapatos à porta (vá lá que eu me lembrei desse pormenor e deixei as meias com vaquinhas em casa, lol!). Primeiro almoçamos, que eu estava a morrer de fome, e depois seguem-se os filmes em si. Saco do meu arsenal: bolo de chocolate, de comer e chorar por mais – ele adora e eu sei que já estou a marcar pontos, que toda a gente sabe que um homem se conquista pelo estômago ;)

Os filmes foram visualizados no ecrã plasma do quarto dele. Começamos pelo Moulin Rouge: ok devo confessar que ele se portou bastante bem, não dormiu, não bocejou, viu o filme inteiro sem reclamar nem gozar, disse que era giro eu chorar no fim, porque mostrava um lado sensível de mim que ele não conhecia, e por fim lá admitiu que o filme “não era mau”. Lol. Mas depois é que os olhos dele se iluminaram, só de pensar no que se seguia: Top Gun, yey! OK, até gostei, mas é um filme light, não tem emoção. Coisa de gajos, pronto. Daí que no final, quando eu lhe disse: “Sinceramente, entre aviões de um lado e música e romance do outro, o que é que escolhias?” E ele, que eram os aviões, sem hesitar. Hopeless…

Sim, dizem vocês, mas então e o outro filme, aquele do qual ainda não sabemos o fim e que estamos em pulgas para saber? Bem, se não sabem onde é que isto foi desembocar, sugiro a leitura atenta do título do post de hoje. Questões? Dúvidas? Comentários?

E para concluir, deixem-me só dizer que o “filme” terminou quando os pais dele chegaram a casa, que fui logo apresentada e tudo (como amiga, claro), que ele me levou à estação, muito fofinho, e que não consegui tirar o sorriso estúpido da cara o resto da noite… Quando cheguei a casa deparei-me com um jantar indiano do qual já vos falei e com perguntas infindáveis das meninas do meu corredor, que já andavam desconfiadas… Mas essas histórias ficam para próximos posts.

Sim, tenho um sueco só para mim… E sim, estou completamente apanhadinha :D

21 de outubro de 2008

Hjärta

Coração

10ºC em Estocolmo, 22ºC em Portimão

Desde a semana passada que por aqui se estudam os males e bens do coração, com direito a teoria e prática… De facto, o módulo cardiovascular não poderia vir em altura mais apropriada :D

As aulas têm sido fantásticas, mesmo! Acho que aprendi mais numa manhã ou numa tarde do que nos anos da licenciatura… Dos professores não me posso queixar, a maioria são bastante bons e até tive direito a umas sessões tutoriais personalizadas e visitas de “estudo”…

Lol falando a sério, estou a gostar imenso das aulas, até gostava de fazer um dos meus estágios na área cardiovascular. Até já consigo aplicar conhecimentos, por exemplo, ao aperceber-me de como um certo espécime de Homo sapiens sapiens dotado de cromossoma Y induz o meu sistema nervoso simpático a aumentar o influxo de cálcio nas células cardíacas, aumentando a força das suas contracções!
Isto é ciência, meus caros… E mais não digo ;)

19 de outubro de 2008

Fönster

Janela

10ºC em Estocolmo, 24ºC em Portimão


Fim-de-semana, sinónimo de descanso? Falso. A partir desta semana, fim-de-semana passa a ser sinónimo de tentar acompanhar minimamente o volume megalómano de matéria que nos impingem todas as semanas… Sim, que isto de dar tudo sobre o sistema cardiovascular e suas doenças em apenas duas semanas não é pêra doce…

OK, não me posso queixar, que até agora tem sido só rambóia. E mesmo ontem, depois de uma manhã / início de tarde de estudo e tarefas domésticas, fui encontrar-me com o pessoal para mais um fika, que é como quem diz, tomar café. Fartámo-nos de conversar e rir, como sempre acontece quando se junta a Marike e o Mustafa à mesma mesa. Lá fomos expulsos do café às 19h30, porque ia fechar (e aquele é a excepção à regra, todos os outros fecham às 6 da tarde – sim, mesmo a um sábado, estes suecos são doidos!) e o resto do grupo decidiu ir a um restaurante de fast-food (uma espécie de McDonalds sueca) e eu lá fui também, para mais umas horitas de convívio… :D

E como ontem saí, hoje fiquei em casa. O dia inteiro, ler sobre coisas como medição da pressão arterial em ratos de laboratório, tipos de tecidos vasculares, alterações da função endotelial em doenças cardiovasculares… O dia inteiro, sentada em frente da janela a ver um sol fantástico lá fora, a ver o helicóptero a pousar e levantar umas 5 ou 6 vezes do heliporto do hospital, a pensar em quantas coisas boas se poderia fazer num dia tão bonito: passear, ver as vistas, ir às compras, namorar…
Enfim, mas hoje não pode mesmo ser. Fica para uma outra vez… ;)

18 de outubro de 2008

Indisk middag

Jantar indiano

6ºC em Estocolmo, 17ºC em Portimão


Quarta-feira desta semana. É tarde, 7 e tal, e ainda eu vou no comboio a caminho de casa… Quando recebo mensagem do Pedro a perguntar-me: “já cá estou. É no primeiro andar?”
Não faço ideia do que se passa porque estive fora o dia todo, outros compromissos… :)

Depois de uma intensa troca de mensagens, lá consigo perceber o que se passa: a mãe do Neil (o americano do 1º andar), que esteve cá a visitá-lo esta semana e ia voltar para a Califórnia, decidiu cozinhar um jantar tip
icamente indiano para todos os amigos do Neil e fomos todos convidados… Não podia vir mais a calhar, já que eu estava cansadíssima e não me apetecia nada pensar que, chegando a casa às 8 da noite, ainda ia ter que cozinhar…

Quando cheguei ao primeiro andar já estava tudo sentado à mesa, éramos uns 14! Sentei-me perto do Pedro, Shermaine, Dasha e Neil, que se encarregaram de me servir de um pouco de tudo. Estava tudo óptimo, a mãe dele cozinha mesmo muito bem, apesar de a comida ser super picante, como convém na cozinha indiana… Mas nada que não se resolva com uns quantos copos de água a acompanhar.


Foi giro ver as competições de “quem aguenta mais picante que os outros”, particularmente entre a Shermaine, Dasha e Pedro – só as caras que os dois últimos faziam, davam uma foto excelente…


Quanto aos pratos em si, não sei bem descrever… Havia um arroz, um com tofu, um com uns
vegetais que pareciam feijão-verde em miniatura, e um frango delicioso que era suposto ser comido usando como “garfo” uma espécie de pão indiano – excelente!

Fica uma foto de grupo, tirada no final do jantar, já de barriga cheia e depois de muita, muita conversa…

17 de outubro de 2008

Kaffe

Café

8ºC em Estocolmo, 22ºC em Portimão

Já há algum tempo que ando para fazer um post sobre o café na Suécia. De cada vez que bebo café cá lembro-me da Verinha e da sua insistência para irmos beber café ao bar da biblioteca, porque tinham Delta Platinum em vez de Delta normal, pelo mesmo preço! Lol, a sério, quem me dera ter um Delta do normalinho cá…

O pessoal cá não bebe aquele café curto, com espuma, de que nós tanto gostamos, mas sim o café aguado em copos de papel, tipo Starbucks – americanices! A verdade é que aquilo é mesmo horrível: por um lado, pode beber-se sem açúcar, porque de facto sabe a algo como água com um sabor ligeiramente amargo que lembra café, por outro lado se não se põe açúcar ainda menos graça tem, é como beber água que sabe mal. Lol.

Outra coisa sobre o café na Suécia: é caríssimo!!! O mais barato que encontrei até hoje é numa das cafetarias da faculdade (por sinal, bem longe de onde eu tenho aulas), 7 coroas. Que é como quem diz, 80 cêntimos. O preço “normal”, em qualquer restaurante ou quiosque é 15 coroas, ou seja, mais de 1€60 por água que diz que sabe a café. Não há bolso que aguente…

Por isso, hoje em dia levamos café de casa, do instantâneo, e fazemos na faculdade – temos uma sala de almoço com máquina de café mesmo ao pé do auditório onde temos aulas e juntamo-nos lá para tomar café. O que até é agradável, torna-se uma espécie de ritual de grupo, e até se conseguem ter discussões acesas sobre tópicos como: “Café com ou sem açúcar? Prós e contras” lol. Até que o Espen pergunta se alguém já bebeu café com mel (!), fica tudo espantadíssimo e depois a conversa descamba para algumas misturas bastante estranhas, tipo Bailey’s com leite morno :D

Uma última nota acerca do café: hoje saiu um estudo, que, dada a sua relevância, não passou das páginas do jornal gratuito “Metro”, sobre a relação entre a quantidade de café e o tamanho do peito das mulheres – a sério, houve pessoal de uma universidade sueca com FINANCIAMENTO para fazer um estudo destes, lol. Aparentemente, chegaram à conclusão que, se bebermos 3 ou mais cafés por dia, o nosso peito diminui de tamanho… Uff, vá lá que eu ainda só vou nos 2 por dia… :D

16 de outubro de 2008

Molekylära tekniker

Técnicas moleculares

8ºC em Estocolmo, 23ºC em Portimão

Como já devem ter percebido pela escassez de posts ultimamente, o trabalho começou a apertar… Ah pois é, que uma pessoa está cá é para fazer um mestrado e não para andar a saltitar de festa em festa, como tem acontecido ultimamente. Fiz a resolução de não ir a mais festas (OK, talvez uma ou outra, de vez em quando) e vou cumpri-la, que agora é altura de estudar e tenho o primeiro exame daqui a 2 semanas…

Falando de coisas sérias, as aulas estão a ser excelentes. A semana passada foi totalmente dedicada a técnicas moleculares usadas em Biomedicina, para estudos diversos, o que se traduziu em aulas sobre genotipagem, RT-PCR (os slides do Balau de GM ainda me serviram de alguma coisa!), microarrays, linfócitos e citometria de fluxo, os blots todos, transgénicos. Foi uma avalanche de informação em que, para cada aula, tínhamos toneladas de coisas para ler e perceber… Gostei particularmente de uma aula sobre como estudar processos de sinalização celular, passo a passo… Quanto à pior, um empate entre a dos ratinhos transgénicos, que tentou inserir uns 100 slides em duas horas – claramente uma má ideia, apesar de o tópico em si ser interessante, e a dos microarrays, em que o professor era um recém-doutorado, giro, com claramente menos de 30 anos, que não teve mão para aguentar um turno composto de 11 raparigas :D

Esta semana começámos no módulo cardiovascular, tem sido de loucos! Mas fica para outro post… Tenho que racionar, agora que o tempo e as novidades são escassos (serão?)

13 de outubro de 2008

Förra vecka

Semana passada

13ºC em Estocolmo, 23ºC em Portimão


Só porque tinha umas fotos em atraso, da festa Erasmus da semana passada, decidi fazer um post “em diferido”. A verdade é que o trabalho começa a apertar e tenho imensa coisa para
estudar e pouco tempo para escrever…

Mais uma festa Erasm
us, o formato não é novo, mas conseguimos juntar um número inédito de pessoas no nosso grupo, tanto pessoal do nosso prédio como do curso. Entre eles o Niklas, que demorei meia-hora a convencer até que finalmente o consegui arrancar de casa…

Houve de tudo: um tipo gay atirou-se ao Niklas (foi de rir!), dançámos que nem uns malucos, o Niklas e a Shermaine fizeram uma “drinking bet” em que por cada duas cervejas que ele bebesse ela tinha que beber
1 copo de vinho, mas perderam os dois – baixa resistência ao álcool levou à interrupção da bebedeira, dos dois lados… Por fim, até o Pedro se juntou a nós, mesmo estando muito cansado de mais um dia de trabalho. Ficam as melhores fotos…


Niklas, Iskra e Shermaine


Clarissa e Vivi - no drinks, just fun!


Já a Shermaine... ficou linda logo após o primeiro copo!


Olhem-me só a diferença de alturas (nota: a Clarissa estava de saltos :D)


Foto de grupo (não o grupo todo): Martijn, Karin, Jacomijn, Vivi, Albert, eu, Leoni, Shermaine
(de fora: Pedro, Clarissa, Niklas, Neil, Iskra, Madelinde e namorado, Hester, amigos do Neil)

12 de outubro de 2008

Fotboll

Futebol

13ºC em Estocolmo, 22ºC em Portimão

OK, eu sei, o jogo foi uma porcaria (para não usar pala
vras feias neste blog que até é lido por menores de idade :D). Mas foi uma festa na mesma…

Antes do jogo, andámos a passear por Estocolmo, eu, o N
iklas (o nosso guia), o Mustafa (o mentor da ideia), a Amani, o Xinming, o Espen, a Marike e a Dasha. Mais tarde, juntar-se-iam a nós a Iskra e a Giulia.

Niklas (o guia) e Mustafa (o ideota :P)

O grupo de "turistas": Mustafa, Niklas, Dasha, Marike, Amani, Xinming e Espen

Andámos um pouco por todo o lado, desde a casa da justiça à câmara municipal (onde é o jantar dos prémios Nobel), até junto do museu Vasa (uma das atracções de Estocolmo, um museu construído em torno de um navio de guerra que naufragou na viagem inaugural e que foi “repescado” do fundo das águas de Estocolmo e transformado num museu)… Foi giro, principalmente quando eu saquei do cachecol da selecção e comecei a andar pelas ruas assim vestida, com os suecos todos a olhar.

Um banco com o símbolo da selecção sueca no centro de Estocolmo: oportunidade ideal para uma foto!

A dada altura deixei o grupo e fui encontrar-me com o Pedro e o Tiago, que estavam com um amigo italiano, Antonio, que é um pagode. Antes de partirmos para o jogo ainda fomos a um bar para eles e o casal sueco que ia connosco beberem umas cervejas (suecos muito simpáticos e nada com ar de suecos, ela até nos cumprimentou com 2 beijinhos !)… Ao entrarmos na estação vimo-nos rodeados por um mar de suecos, azul e amarelo, e nós os 3 éramos os únicos de cachecol verde e vermelho. Mas até acabou por ser engraçado, eles olhavam para nós como se fôssemos uma aberração e até quiseram tirar fotos connosco…


À chegada ao estádio o espírito estava ao rubro. Os nossos lugares eram bem lá em cima, por trás de uma das balizas, sem hipótese nenhuma de aparecer na televisão – até porque os suecos fizeram questão de nunca filmar a claque portuguesa. Éramos pouquinhos, uns 2000 contra uns bons milhares de suecos (mais de 20 000), mas o que é certo é que nos fizemos ouvir mesmo por cima dos suecos, que estiveram a maior parte do jogo sentadinhos, muito compostos, a ver o jogo e a aplaudir ocasionalmente… Foi pena o jogo não traduzir o espírito que se viveu na bancada, o resultado foi mesmo mau. E de cada vez que o Ronaldo se atirava ao chão, eu só via a cara do Mario a dizer-me que odiava o Ronaldo porque ele estava sempre a mergulhar para o relvado… A verdade é que mesmo eu já me estava a enervar com aquilo.
Eu com o Pedro, Tiago e Antonio

No geral, valeu a pena. Convivemos com suecos e portugueses, fiquei sentada ao lado do Pedro e fartámo-nos de conversar no intervalo, ainda nos rimos com as parvoíces de adeptos dos dois lados e com o Antonio, que só dizia parvoíces. É sempre bom podermos estar num sítio tão longe de casa e sentir que, por alguns minutos, podemos estar rodeados de pessoas que se emocionam com as notas do hino e que gritam em conjunto, a plenos pulmões: “PORTUGAL!”

11 de outubro de 2008

Äventyret om den försvunna biljetten

Em busca do bilhete perdido

14ºC em Estocolmo, 18ºC em Portimão

Estive ausente durante uns dias devido a factores vários: aulas e trabalho a sério (finalmente), falta de tempo, mais uma festa Erasmus (fotos em breve) e uma enorme irritação devido ao jogo de futebol de hoje entre Suécia e Portugal.

Passo a explicar: como qualquer emigrante fora da sua terra natal, claro que queria ir ver o jogo entre as selecções sueca e portuguesa… Mas os bilhetes estavam esgotados desde o dia em que foram postos à venda. Descobri que ainda havia bilhetes em Portugal, na FPF… mas não tinha com quem ir, e ir para um estádio cheio de suecos, sozinha, à noite… não me parecia.

Até que conheci o Pedro, na semana passada. E ele ia ao jogo com o Tiago. De forma que… decidi ir ao jogo também, apesar de o preço do bilhete significar que durante o resto do semestre só posso sair para sítios onde não se pague :D Mas tudo na boa, o importante é que eu ia ao jogo, yey!

O bilhete foi comprado na sexta e posto no correio na segunda-feira, em correio expresso urgente, de forma a poder chegar cá a tempo do jogo. Deveria chegar na quarta-feira… Mas não chegou. Nem na quarta, nem na quinta, nem na sexta.

Este tipo de envio pressupõe um sistema de seguimento da encomenda / carta (neste caso) via internet. Quando na quinta-feira vou à net ver onde parava a minha carta, descubro que já estava em Estocolmo mas que não tinha sido entregue devido a endereço incorrecto – muito estranho, já que o endereço estava correcto, confirmei com a minha mãe. Vou aos correios para descobrir onde parava a carta e dizem-me que não havia registos de a carta ter chegado ao correio sueco, que talvez tivesse vindo por uma empresa de distribuição privada. Mais telefonemas, para a central de correios da Suécia, para uma das maiores companhias de entregas privadas, e nada… Já começava a desesperar.

Entretanto, em Portugal, a minha mãe ligou para o número de apoio do serviço expresso e eles abriram um processo de averiguação. Quinta à noite, nada e eu com uma grande irritação em cima, já a pensar nos mais de 60 euros perdidos...

Sexta de manhã, telemóvel ligado nas aulas, e tudo o que chegou foi uma sms da Clarissa (que por sinal estava sentada no mesmo auditório que eu e podia ter falado comigo no intervalo, mas não, mandar sms a meio da aula é mais giro) a convidar-me para um jantar. À tarde, chamada do meu pai a saber se há novidades, e eu que não.

15 h – Acabam as aulas, eu decido ir assistir ao treino da selecção que é já ali pertinho da universidade, já que provavelmente não vou ao jogo. Combinei tudo para ir assistir ao jogo pela tv com o resto do pessoal, num bar desportivo na nossa ilha… Que frustração!

15h45 – Chego ao estádio, dou a volta ao recinto para descobrir que o treino é à porta fechada. Nada a fazer, decido ir-me embora, dirijo-me para a estação de Solna.

16h05 – Chego à estação de Solna, toca o telemóvel, o meu pai finalmente conseguiu contactar alguém que lhe dissesse quem tinha a minha carta, uma empresa chamada DHL, dá-me o número de telefone e o número de identificação do pacote na Suécia (que como convém não é o mesmo que lhe atribuíram inicialmente em Portugal)

16h20 – 10 minutos ao telefone com a senhora da empresa para descobrir a estação onde estava a encomenda; ela dá-me uma morada algures em Estocolmo, que eu não tenho ideia nenhuma de onde fica, e diz-me que tenho que estar lá antes das 18h, hora de fecho. 1 hora e 40 minutos and counting down… Aproveito para perguntar qual é a estação de metro ou comboio mais próxima, a senhora diz-me para aguardar e… O meu telemóvel fica sem dinheiro.

16h30 – SMS (ou SOS) urgente para o meu pai, a ver se ele vê o mapa para me dizer onde raio é a tal rua. Apanho o comboio, saio na estação central para poder ter todas as opções de transporte à minha disposição e também para poder ir a uma das lojas que carregam telemóveis.

16h40 – Telemóvel carregado, ligo novamente para a empresa para eles me dizerem mais ou menos a zona da rua onde eu tinha que ir, o meu pai telefona e confirma +-, se bem que, sem mapa, não sei como ir para a rua a partir da estação.

16h50 – apanho novamente o comboio, apenas 2 estações de distância.

17h – Saio na estação certa, falta 1ª hora para o tempo terminar. Procuro um táxi, a única maneira de me orientar naquele fim-de-mundo (zona industrial, tão bom!), mas… não há praça de táxis, como convém.

17h05 – Telefonema ao Niklas, que me dá o número de uma companhia de táxis.

17h10 – Ligo para os táxis, dizem que me enviam algo já de seguida.

17h15 - O tipo dos táxis telefona-me, dizendo para aguardar 5 minutos pelo táxi e dando-me o número do mesmo, 48T.

17h20 – Chega o táxi, o condutor não fala inglês, mas lá aponto o endereço e ele parte na broa, cruzando umas quantas vias rápidas e zonas de fábricas cinzentas.

17h25 – Chegada ao destino. O motorista pergunta se eu quero que ele espere e eu que sim, claro, não faço ideia de como voltar para a estação e já estava a ficar de noite…

17h30 – Dentro do armazém, dou a referência da encomenda, o meu nome, assino papéis, mostro o passaporte, o homem desaparece dentro do armazém e…

17h35 – O homem volta de dentro do armazém com o meu envelope – finalmente!

17h40 – Já no táxi, de volta à estação, contemplo o meu bilhete com ar de incredulidade e adoração… Custou mas foi!

E lá fui eu apanhar o comboio para regressar a casa, depois desta aventura…

A sério (mas mesmo a sério), se a selecção não ganha, depois disto tudo… Eu mato-os!!! É contra os suecos, por amor de Deus, pelo menos dois golinhos têm que meter… Não?

Assim, planos para hoje:
Manhã – ler artigos sobre microarrays
12h30 – almoçar
13h – sair de casa
13h30 – St. Eriksplan, encontrar o pessoal para uma visita a Estocolmo
16h30 – encontrar Pedro e Tiago para irmos para o estádio
Das 17 às 20: entrar no estádio, encontrar os lugares, tirar fotos, conhecer mais portugueses :D
20h – pontapé de saída, gritar muito, sofrer muito, gritar “GOOOOLO” pelo menos duas vezes – é o que se espera!
22h – sair do estádio, irmos ter com o pessoal para uma after-party (como diz o Pedro, se ganharmos, bebemos para celebrar, senão, bebemos para esquecer…)

Eu diria que é um dia cheio de boas perspectivas… Depois conto como correu.

De qualquer forma, não se esqueçam:

SUÉCIA-PORTUGAL, HOJE A PARTIR DAS 20H SUECAS, 19H EM PORTUGAL

OLHOS ATENTOS À MIÚDA DE CASACO CASTANHO, CABELO ESCURO E CACHECOL DA SELECÇÃO, A PULAR QUE NEM UMA MALUCA, NA BANCADA DOS ADEPTOS PORTUGUESES!

6 de outubro de 2008

Nobel presskonferens

Conferência de imprensa dos prémios Nobel

12ºC em Estocolmo, 24ºC em Portimão

Hoje foi dia N na universidade. A excitação era grande e até na primeira aula da manhã, de apresentação da nova cadeira (o “cadeirão” do curso) a professora não se conteve e lá começou a debitar como estavam todos muito ansiosos porque o Presidente do Comité Nobel era do laboratório dela e não se descosia sobre os premiados…

As aulas da manhã foram, assim, passadas a saltitar mentalmente entre um pé e o outro, à espera que nos dispensassem para podermos correr para o outro lado do campus e tentarmos infiltrar-nos na conferência que iria anunciar o Nobel da Medicina 2008, para podermos saber em primeiríssima mão, primeiro que todos os outros que não estivessem naquele auditório, primeiro que o resto do mundo. As professoras, sensíveis ao nosso entusiasmo, encurtaram o nosso 1º intervalo e o próprio tempo da aula e, assim, depois de duas horas a ouvir falar do programa da cadeira, datas de exames e a importância da “Translational Medicine”, lá nos deixaram sair. E lá fomos em excursão, uns 20, para nos infiltrarmos na conferência. Não foi tão difícil como esperávamos, visto que chegámos ainda uns 20 minutos antes da hora e havia muito espaço livre de pé, junto à parede – obviamente que os lugares sentados estavam todos reservados a jornalistas e a inúmeras câmaras de televisão. Sentia-se o suspense, efervescente, no ar, nas conversas sussurradas entre uns e outros, que cessaram mal a conferência começou, às 11h30 em ponto, tal como previsto (pontualidade sueca!).

Não houve cá rodeios nem conversa inútil: direitos ao ponto, depois de uns breves agradecimentos. “O prémio Nobel da Medicina 2008 é, este ano, dividido entre Harald zur Hausen, pela descoberta da associação do HPV com o cancro cervical, e por Luc Montagnier e Françoise Barré-Sinoussi, pela descoberta do HIV.” Os pelinhos até se arrepiam, pronto, já está, mais um prémio Nobel anunciado ao mundo mas, em primeiro lugar, a nós, naquela sala. Vê-se um frenesim de câmaras, flashes, telemóveis, o pessoal manda SMSs a contar as novidades a toda a gente que possa estar interessada em saber em primeira mão.

Seguiu-se uma apresentação sobre os laureados, o seu percurso, investigação e a descoberta em si, bem como a relevância da descoberta para o mundo. A parte do HIV foi especialmente interessante para alguém que estudou o assunto com alguma profundidade…

Por último, uma sessão de perguntas e respostas, que abriu com uma pergunta a abrir o caminho à polémica. A verdade é que houve 2 grupos independentes, no mesmo ano, a identificar o vírus: um nos EUA e um em França, mas só o francês foi premiado. O presidente lá respondeu que de facto, era consensual que a primeira descoberta tinha sido feita no Instituto Pasteur, mas não foi muito convincente, visto que houve outras pessoas com a mesma dúvida, apesar de ninguém ter colocado a pergunta uma segunda vez. O conceito de “quem identificou primeiro” torna-se difícil de justificar quando toda a gente sabe que os dois artigos de identificação do vírus foram publicados no mesmo número da revista “Science”, em páginas consecutivas… As outras questões prenderam-se com a reacção dos premiados (obviamente extasiados), o porquê agora, já que o HIV está em cima da mesa para a atribuição há anos, se já há promessas de vacinas para o HIV (infelizmente não) e a mesma jornalista da primeira pergunta, claramente a tentar despoletar controvérsia, a perguntar se o facto de o prémio para o HPV surgir agora, pouco depois de ter sido lançada a vacina (bem cara por sinal), não teria implicações comerciais, ou seja, fazer aumentar as vendas da vacina… E lá tiveram que relembrar a senhora que a descoberta de que o vírus causava cancro já tinha salvo milhares de vidas e que o prémio não era para a descoberta da vacina… embora eu compreenda onde ela queria chegar.

All in all, foi uma experiência inesquecível. Levámos a hora de almoço a discutir as implicações do prémio e a inventar estratégias para nos plantarmos à porta do auditório das Nobel lectures em Dezembro, às 6 da manhã, senão não se arranja lugar.

A aula da tarde, sobre SNPs e análise de genomas, foi interessante, sem dúvida, mas a nossa cabeça andava a voar bem alto… (O Mario, por exemplo, está radiante porque o tipo do HPV é de Heidelberg, a universidade dele!) Até uma pessoa fica com mais motivação para estudar :D


5 de outubro de 2008

Höst

Outono

8ºC em Estocolmo, 23ºC em Portimão

Ontem fui passear aqui ao pé de casa, apreciar o
Outono em Estocolmo. O Outono aqui é diferente de Portugal, onde só se vêm árvores de tom amarelado e nem todas. Aqui o Outono é amarelo, laranja, vermelho-vivo, e as cores sucedem-se a uma velocidade tão alucinante que temos a impressão de acordar no dia seguinte com o mundo pintado de outra cor. A minha zona é muito agradável porque temos um parque bem perto, junto à água, e é óptimo para relaxar ao fim do dia…


Quem disse que não havia praia em Estocolmo?




Hoje, para reforçar a ideia de que, de facto, é Outono em Estocolmo, o dia amanheceu cinzento e com chuva… Isto é, acho que amanheceu cinzento e com chuva, porque para mim o dia começou umas horitas depois do nascer do sol, às 10h30. Melhor motivação não havia para uma sessão de compras com as meninas, de roupa e calçado de inverno! O pior foi que o ponto de encontro era na estação central, às 13h, ou seja, acordando às 10h30, foi o tempo de tomar banho, não tomar pequeno-almoço mas sim começar logo a fazer o almoço, comer, arrumar a cozinha e ala que se faz tarde!

4 raparigas às compras é sempre divertido, quer pela conversa, quer pelas ditas compras, que são para mim um vício que seria ainda maior se tivesse mais dinheiro para fazer umas loucuras aqui e ali.
Mas como isto não são tempos para gastos fúteis, ficamo-nos pelos objectivos que definimos à partida (no meu caso, botas+casaco+gorro) e o resto é window-shopping. Ou window-eating, termo inventado pela Dasha para descrever o meu comportamento, quando fiquei durante uns 5 minutos a namorar uns bombons de aspecto fantástico na montra de uma pastelaria…


Talvez por isso as meninas tenham identificado a necessidade de me levarem a uma pastelaria, um sitio giríssimo sugerido pela Giulia, perto de Östermalm. A decoração parece da casa de uma avozinha, mas acaba por dar um ar muito acolhedor e old-fashioned que confere a piada toda ao local… Isso e os bolos deliciosos!!! Claro que, com 4 gajas juntas, depois de uma sessão de compras, e com comida de gajas a acompanhar, só se p
odia seguir uma série de fofoquices em que descobri, por exemplo, que a Amani, a rapariga do véu no meu curso, é uma PRINCESA no Omã.:O As coisas que uma pessoa descobre… Realmente já me tinha interrogado como é que uma “simples” rapariga do Omã tinha a)dinheiro e b) autorização da família para vir estudar para a Suécia, mas agora já percebi…

Mesmo com a chuva a fustigar impiedosamente as janelas, foi uma tarde bem passada, à volta de uma fatia de bolo de maçã com merengue… :D Isso e ter comprado as minhas botas!!


Miss Botas, como me chama o Pedro :)

4 de outubro de 2008

Polis

Polícia

"Police shoot knife attacker in Stureplan

Published: 4 Oct 08 10:17 CET
Online: http://www.thelocal.se/14744/20081004/

Stockholm police shot and wounded a man after he threatened policemen with a knife in Stureplan, Stockholm late on Friday night. "

Afinal foi isto a cena macaca a que nós assistimos. Nós bem ouvimos um barulho que parecia um foguete, afinal era o tiro da polícia... E vimos o homem no chão, alvejado no pé. A diferença para Portugal é que não estava um milhão de pessoas parado a assistir e uns quantos dos milhentos polícias que acorreram ao local isolaram logo o perímetro...

Improvisation

Improviso

11ºC em Estocolmo, 23ºC em Portimão

A Vivi não perdeu tempo, depois da saída do último fim-de-sema
na, em recolher os e-mails do pessoal todo do prédio para fazer a tal mailing list para combinarmos sair juntos. Ontem, à última da hora, recebo um mail do Neil a convidar o pessoal para ir sair à noite e para passarmos antes no 1º andar para uma “pre-party” bem à sueca. Entretanto, tanto o Pedro como o Albert tinham-me falado de uma festa brasileira que ia haver em Lappis essa noite, pelo que decidimos passar por lá.

O 1º andar é bem mais giro que o nosso e tem uma sala enorme, com internet! Temos que começar a ir lá de vez em quando… O Neil, o nosso organizador de eventos, lá andou a servir vodka com sumo de umas “berries” quaisquer às meninas
(nós as 4), uma combinação que até fica bastante bem… O Albert decidiu juntar-se a nós e lá fomos em direcção a Lappis.

A festa brasileira não estava grande coisa, era principalmente pes
soal mais velho e a música não era nada de especial… As caipirinhas eram boas mas as do João são melhores (ah grandes noites de caipirinhas na Lapa!). Ao fim de umas quantas músicas, decidimos rumar a outras paragens...

Fomos tentar Östermalm, a zona das discos por excelência, para descobrir que a maioria dos sítios ou eram muito exclusivos mesmo, ou eram para
maiores de 25 (e eu a pensar, quando fiz 21, que já não era barrada em lado nenhum), ou pagava-se 150 coroas (17 euros, sem bebidas incluídas!) para entrar. Entretanto, o Pedro, que conheci ontem, juntamente com o seu colega de curso e de casa, o Tiago, e o francês que já ontem o acompanhou à aula de salsa, o William, juntaram-se a nós. Escusado será dizer que a conversa se tornou bastante confusa daí para a frente, num misto de português e inglês… A dada altura desistimos de procurar um sítio naquelas bandas, não sem antes assistirmos a uma cena macaca de um homem caído na rua, ensanguentado, e uns 6 ou 7 carros de polícia à volta (ainda agora não faço a mínima ideia do que aconteceu).

Próxima paragem: Södermalm, a ver se encontrávamos uns sítios mais baratinhos perto de Medborgarplatsen. Nada. O mesmo problema: idade ou preço. Acabámos à porta do “The Club”, onde fomos na primeira vez que saímos juntas, mas a vontade de entrar e pagar 120 coroas não era muita… Para além disso, os portugueses ameaçavam ir-se embora, porque também não estavam com particular vontade de pagar. Foi então que o belo do Neil teve a ideia de voltarmos para casa e fazermos lá a festa, visto que ele tinha lá um “álcoolzito”…

A mudança de programa agradou também aos portugueses, que seguiram a trupe do nosso corredor para uma festa improvisada. Soube tão bem falar português o caminho todo e ouvir piadas em português… Às tantas estava eu a contar-lhes como tinha sido uma tortura para mim no outro dia ver a minha mãe a comer um marmelo com óptimo aspecto quando eu os adoro e cá não há, e começam logo eles: “Epa isso dava aqui azo a uma ou duas piadas fáceis.” “Sim, tu gostas é de marmelada!” E assim por diante. Ou, quando lhes estava a explicar o caminho para o metro, digo-lhes para seguir a estrada principal e começa logo um: “Segue, segue, segue, num bira, segue…” Lol.

O “álcoolzito” era, afinal, álcoolzão. Fomos para a sala do 1º andar, o Neil saca de 4 garrafas de vodka, umas 14 cervejas, sumos, coca-cola, etc. (não faço ideia de onde é que ele guardava aquela tralha toda), outro vai buscar copos, o Neil abre o computador para pôr música, o Albert baixa as luzes e assim, em 5 minutos, se improvisa uma festa.
Neil, o benfeitor da noite :D

O Albert foi buscar cervejas ao 6º andar, também, encontrou lá um pessoal a fazer um convívio de despedida do Dioni (espanhol) e convidou-os para se juntarem a nós; a Clarissa encomendou-me uma certa música brasileira que ela andava com vontade de dançar… E assim começa a festa, ao som de “Magalenha” e comigo e a Clarissa a dançar o samba. Não fomos à festa brasileira mas trouxemos o Brasil para a residência e, devo dizer, os portugueses tomaram conta da festa. Os latinos, vá, que a Clarissa era claramente a grande animadora. Dançou-se de tudo um pouco, de Black Eyed Peas a Bob Sinclair (os clássicos), a David Guetta ou mesmo a “Macarena”! Falando em Português, passaram pela pista Daniela Mercury, Van
essa da Mata e Ivete Sangalo, tendo a noite terminado com os acordes iniciais de… “A cabritinha!!!” Ah pois é, mesmo à tuga! Lol vá lá que a Clarissa desligou as colunas antes de os estragos serem demasiado grandes…
Realmente, com companhias destas como é que a festa não havia de ser um espectáculo?!

Foi a loucura!

A delegação portuguesa: Tiago, Joana e Pedro ;)

Resumindo: para que é que uma pessoa se há-de chatear a procurar um sítio onde tem que pagar para entrar se a melhor festa de todas se pode fazer com bebidas, música escolhida por nós e muita loucura, tudo isto à borla?

IKEA

4ºC em Estocolmo, 17ºC em Portimão

Última aula desta primeira cadeira, última viagem para o campus sul. Aulas chatas de manhã, nem tanto de tarde, em que tivemos alguns exercícios “práticos” para introduzir conceitos como trabalho em equipa…

Os professores olham para nós e dizem-nos para nos dividirmos em pares. Olho para o lado, o Niklas olha para mim, resolvemos ficar juntos. Talvez a decisão da minha parte tivesse sido diferente se tivesse ouvido logo o que veio a seguir: “OK, o exercício que temos para vos propor é… Braço de ferro!” Looool… :D OK, estão a ver os meus bracinhos, não estão? O Mario olha para trás, vê que eu estou com o Niklas, desmancha-se a rir e exclama: “Niklas, don’t break her arm!” Risada geral, inclusive da parte dos profs. Claro que o Niklas a princípio baixou o meu braço com a maior das facilidades. Na segunda ronda, começo a fazer a pouca força que tenho e qual não é o meu espanto quando quase não encontro resistência e consigo empurrar o braço dele até tocar a mesa. Ele faz o ar mais sonso do mundo e diz: “És mais forte do que pareces!” Yeah sure… À terceira lá ganhou outra vez, mas aquilo cheirou-me a esturro e eu não gosto que me deixem ganhar de propósito, tira a piada toda à coisa (aliás, o Mario encarregou-se de realçar que eu ganhar ao Niklas no braço de ferro era “contra as leis da Física”, lol).

Ainda houve um momento com piada quando o Mustafa tenta (e falha miseravelmente) entrar na aula à socapa, no meio da apresentação – teve azar, pois só havia lugar na primeira fila, a maioria das pessoas dessa fila estavam sentadas do lado da porta e teve que passar bem à minha frente, pelo “palco”, digamos, e eu, ruim como as cobras, encarreguei-me de lhe dar as boas vindas com um “Hi Mustafa, welcome!” e um sorriso de orelha a orelha que pôs tudo a rir…

A ida ao IKEA foi simplesmente hilariante. Imaginem só, eu sozinha com 4 gajos (e que gajos!): Mario, Mustafa, Niklas e Espen. O Espen perdeu-se duas vezes e o Mario e o Mustafa chegaram a considerar ir à recepção pedir para o chamarem pelos altifalantes, dizendo que eram pais dele, mas depois acharam que era melhor não, visto que negro+moreno=ruivo é uma combinação impossível pelas leis da genética e ainda a senhora achava que o pobre do Espen tinha sido raptado… Experimentar os sofás do IKEA... (Niklas e Espen)

Falando em leis, confirmam-se as leis da física de que falava o Mario: o Niklas lá confirmou que me deixou ganhar ao braço de ferro só para ser simpático. Pronto, foi fofinho, vá, mas eu não sou rapariga de batotices, nem para me favorecer :P O maior gozo da tarde teve precisamente o Niklas como alvo: um amigo dele (rapaz, portanto, sexo masculino) pediu-lhe para comprar velas COR-DE-ROSA com aroma de MORANGO quando ouviu dizer que ele estava no IKEA. A melhor parte veio quando percebemos que o Niklas ia passar a noite a casa desse gajo e possivelmente o resto do fim-de-semana também – já estão a ver, os dois sozinhos, noite e tal, velinhas aromáticas… O coitado muito teve que ouvir, especialmente da parte do Mustafa (who else!!).

Look, it's the bird man! (Ou será o Orlando Bloom a tentar esconder-se de um grupo de fãs?)

A tarde foi boa (mesmo boa) mas a noite ainda seria melhor… Mas essa história fica para o próximo post. ;)

2 de outubro de 2008

Portugisiska

Português


5ºC em Estocolmo, 20ºC em Portimão


Qual é a probabilidade de encontrar um gajo de Electro da nossa faculdade portuguesa numa aula de salsa em Estocolmo? Se me perguntassem esta manhã, eu diria que quase nula. Mas agora…


O dia foi bom, mas a noite foi melhor. Hoje tive uma conversa super gira com o Niklas (ele disse-me que eu era uma “nice girl”, o que é sempre bom de se ouvir), no comboio, em que falámos mais um pouco do conceito de espaço pessoal.


À noite, aula de salsa! Eu, a Dasha, a Shermaine, a Jacomijn e o Albert lá fomos, para uma aula que, em termos de passos, foi mais do mesmo – basicamente, repetir os passos das últimas aulas muuitas vezes. Chega a altura de dançar em pares, eu e o Albert olhamos um para o outro e lá fazemos tenções de dançar, a Shermaine agarra-se a um tipo giro. Dez segundos depois, toca-me no ombro e diz-me: “Ele é português!”


Resultado: “Oi, eu sou o Pedro”, “Eu sou a Joana”, dois beijinhos, e o Pedro desata-se a rir e diz: “Tens noção que todos os suecos nesta sala acabaram de ficar chocadíssimos com o facto de nós termos dado 2 beijinhos, não tens?” LOL parecia de propósito e lá lhe estive a contar do Niklas e do seu “espaço pessoal”… Onde é que eu estudo, onde é que tu estudas, há quanto tempo estás cá, como é estranho mas bom falar em português, e chega a pergunta com a resposta mais engraçada da noite: “Então qual foi a tua faculdade em Portugal?” Basicamente, chegámos à conclusão de que estudámos na mesma faculdade nos últimos 3 anos e que não nos conhecíamos, para virmos a encontrar-nos numa aula de salsa em Estocolmo, bem longe de casa… Não dançámos muito (até porque ele não era grande dançarino, como ele próprio se encarregou de realçar) mas conversámos imenso, e soube tão bem falar com alguém que sabe a diferença que faz o 158 ter deixado de passar pela via rápida e ter começado a entrar no monte! Lol… Lá trocámos números e assim, para não perdermos o contacto.


Ainda teve a sua piada, à ida para o metro, o facto de a Dasha e o Albert terem decidido roubar um bar ambulante que estava no meio da rua coberto por uma cartolina de uma companhia de telemóveis sueca… E carregarem-no o caminho todo até Jägargatan, para servir de adição às nossas próximas festas. Isto promete… Foi particularmente gira a parte em que tentámos entrar com aquilo no metro, tudo a olhar para nós, e a Dasha a olhar para nós com a cara mais angelical do mundo a perguntar: “Will you help me carry my scuba diving equipment?” Impossível não rir…



1 de outubro de 2008

Samspråk

Conversa


10ºC em Estocolmo, 22ºC em Portimão


Ontem conversei imenso… Sobre um pouco de tudo e com várias pessoas diferentes. Com a Giulia e o Mario de manhã, sobre história do mundo e de Portugal (em resposta à pergunta da Giulia “porque é que Portugal já foi dono do mundo e agora é o que é?”), sobre cultura geral, sobre educação. Ao almoço, com o Espen, sobre a importância de votar e sobre o sistema político nos EUA. Depois do almoço com o Haythem e a Clarissa, sobre religião e as mulheres na religião muçulmana, tópico complicado e até mesmo polémico mas que deu azo a uma discussão muito interessante, em que, devo dizer, mudei um pouco a minha visão acerca da mulher nos países árabes (pelo menos em alguns países árabes). Depois das aulas, fomos para um café e a conversa continuou, desta vez já a descambar para a parvoíce, como sempre acontece quando se juntam à mesma mesa a Clarissa, o Haythem e o Mustafa.


E hoje a tendência manteve-se… Desde relações entre homens e mulheres, ao almoço, a mezinhas contra constipações (que andam a atacar a grande maioria da população do curso), às relações com as nossas mães, passando por uma aula em que o objectivo era precisamente discutirmos entre nós um caso de empreendedorismo. Ao final do dia, dei por mim a dirigir-me para o comboio com 4 rapazes: Niklas, Haythem, Mustafa e Espen. Entrámos no comboio e eles decidem ir sair, a um café, para conviver, e convidam-me para ir com eles. Quando eu digo que tenho coisas para fazer, insistem uma vez, e outra, e outra, até quase me convencerem. Pergunto onde vão, dizem que não sabem, acabam por sair na mesma estação do que eu e seguir-me até casa, onde encontramos a Dasha na cozinha, a fazer o jantar. Sentamo-nos os 6 em volta da mesa, em breve a Shermaine junta-se a nós e até a Clarissa, em desde o andar de baixo para a conversa. O Haythem diz-me que gostou muito do aspecto dos meus camarões e se eu posso fazer a receita sem álcool; lá lhe digo que não tenho a certeza de ser tão boa, mas que há outra receita de camarões que ele é capaz de gostar. O tema de conversa alterna entre a faculdade, o tempo, relações, hábitos culturais, línguas, até chegarmos à parvoíce mais pura, especialmente sempre que há uma picardia entre a Clarissa e o Mustafa.


Em suma… momentos bem passados em torno de uma chávena de chá :D


Arbete

Trabalho

10ºC em Estocolmo, 22ºC em Portimão

É engraçado ver que até aqui, numa universidade de excelência, num curso com pessoas que supostamente são crânios nas respectivas áreas, ainda há quem me chame “nerd”. Na brincadeira, claro, tudo entre amigos. Tudo porque eu acabei os trabalhos todos na 5ª feira passada e pude andar na borga enquanto eles andaram a preguiçar e agora estão a bater com a cabeça na parede, porque o prazo para entregar o ensaio de filosofia está a acabar…

Os primeiros comentários que recebi aos meus trabalhos foram bastante bons! Na apresentação oral, o professor só fez elogios e o único defeito que apontou foi o facto de eu mover muito o laser… Todos os comentários que a professora de escrita científica fez ao meu abstract foram do tipo “A very well-written and structured abstract…”. Quanto ao módulo de apresentação de posters, gostaram do aspecto geral, agradável, apelativo a simétrico do nosso poster, bem como da apresentação em si. Só falta mesmo saber a opinião do professor de Filosofia sobre o meu ensaio sobre patentes de genes… Mas até agora diria que está a correr tudo bem :D