11 de outubro de 2008

Äventyret om den försvunna biljetten

Em busca do bilhete perdido

14ºC em Estocolmo, 18ºC em Portimão

Estive ausente durante uns dias devido a factores vários: aulas e trabalho a sério (finalmente), falta de tempo, mais uma festa Erasmus (fotos em breve) e uma enorme irritação devido ao jogo de futebol de hoje entre Suécia e Portugal.

Passo a explicar: como qualquer emigrante fora da sua terra natal, claro que queria ir ver o jogo entre as selecções sueca e portuguesa… Mas os bilhetes estavam esgotados desde o dia em que foram postos à venda. Descobri que ainda havia bilhetes em Portugal, na FPF… mas não tinha com quem ir, e ir para um estádio cheio de suecos, sozinha, à noite… não me parecia.

Até que conheci o Pedro, na semana passada. E ele ia ao jogo com o Tiago. De forma que… decidi ir ao jogo também, apesar de o preço do bilhete significar que durante o resto do semestre só posso sair para sítios onde não se pague :D Mas tudo na boa, o importante é que eu ia ao jogo, yey!

O bilhete foi comprado na sexta e posto no correio na segunda-feira, em correio expresso urgente, de forma a poder chegar cá a tempo do jogo. Deveria chegar na quarta-feira… Mas não chegou. Nem na quarta, nem na quinta, nem na sexta.

Este tipo de envio pressupõe um sistema de seguimento da encomenda / carta (neste caso) via internet. Quando na quinta-feira vou à net ver onde parava a minha carta, descubro que já estava em Estocolmo mas que não tinha sido entregue devido a endereço incorrecto – muito estranho, já que o endereço estava correcto, confirmei com a minha mãe. Vou aos correios para descobrir onde parava a carta e dizem-me que não havia registos de a carta ter chegado ao correio sueco, que talvez tivesse vindo por uma empresa de distribuição privada. Mais telefonemas, para a central de correios da Suécia, para uma das maiores companhias de entregas privadas, e nada… Já começava a desesperar.

Entretanto, em Portugal, a minha mãe ligou para o número de apoio do serviço expresso e eles abriram um processo de averiguação. Quinta à noite, nada e eu com uma grande irritação em cima, já a pensar nos mais de 60 euros perdidos...

Sexta de manhã, telemóvel ligado nas aulas, e tudo o que chegou foi uma sms da Clarissa (que por sinal estava sentada no mesmo auditório que eu e podia ter falado comigo no intervalo, mas não, mandar sms a meio da aula é mais giro) a convidar-me para um jantar. À tarde, chamada do meu pai a saber se há novidades, e eu que não.

15 h – Acabam as aulas, eu decido ir assistir ao treino da selecção que é já ali pertinho da universidade, já que provavelmente não vou ao jogo. Combinei tudo para ir assistir ao jogo pela tv com o resto do pessoal, num bar desportivo na nossa ilha… Que frustração!

15h45 – Chego ao estádio, dou a volta ao recinto para descobrir que o treino é à porta fechada. Nada a fazer, decido ir-me embora, dirijo-me para a estação de Solna.

16h05 – Chego à estação de Solna, toca o telemóvel, o meu pai finalmente conseguiu contactar alguém que lhe dissesse quem tinha a minha carta, uma empresa chamada DHL, dá-me o número de telefone e o número de identificação do pacote na Suécia (que como convém não é o mesmo que lhe atribuíram inicialmente em Portugal)

16h20 – 10 minutos ao telefone com a senhora da empresa para descobrir a estação onde estava a encomenda; ela dá-me uma morada algures em Estocolmo, que eu não tenho ideia nenhuma de onde fica, e diz-me que tenho que estar lá antes das 18h, hora de fecho. 1 hora e 40 minutos and counting down… Aproveito para perguntar qual é a estação de metro ou comboio mais próxima, a senhora diz-me para aguardar e… O meu telemóvel fica sem dinheiro.

16h30 – SMS (ou SOS) urgente para o meu pai, a ver se ele vê o mapa para me dizer onde raio é a tal rua. Apanho o comboio, saio na estação central para poder ter todas as opções de transporte à minha disposição e também para poder ir a uma das lojas que carregam telemóveis.

16h40 – Telemóvel carregado, ligo novamente para a empresa para eles me dizerem mais ou menos a zona da rua onde eu tinha que ir, o meu pai telefona e confirma +-, se bem que, sem mapa, não sei como ir para a rua a partir da estação.

16h50 – apanho novamente o comboio, apenas 2 estações de distância.

17h – Saio na estação certa, falta 1ª hora para o tempo terminar. Procuro um táxi, a única maneira de me orientar naquele fim-de-mundo (zona industrial, tão bom!), mas… não há praça de táxis, como convém.

17h05 – Telefonema ao Niklas, que me dá o número de uma companhia de táxis.

17h10 – Ligo para os táxis, dizem que me enviam algo já de seguida.

17h15 - O tipo dos táxis telefona-me, dizendo para aguardar 5 minutos pelo táxi e dando-me o número do mesmo, 48T.

17h20 – Chega o táxi, o condutor não fala inglês, mas lá aponto o endereço e ele parte na broa, cruzando umas quantas vias rápidas e zonas de fábricas cinzentas.

17h25 – Chegada ao destino. O motorista pergunta se eu quero que ele espere e eu que sim, claro, não faço ideia de como voltar para a estação e já estava a ficar de noite…

17h30 – Dentro do armazém, dou a referência da encomenda, o meu nome, assino papéis, mostro o passaporte, o homem desaparece dentro do armazém e…

17h35 – O homem volta de dentro do armazém com o meu envelope – finalmente!

17h40 – Já no táxi, de volta à estação, contemplo o meu bilhete com ar de incredulidade e adoração… Custou mas foi!

E lá fui eu apanhar o comboio para regressar a casa, depois desta aventura…

A sério (mas mesmo a sério), se a selecção não ganha, depois disto tudo… Eu mato-os!!! É contra os suecos, por amor de Deus, pelo menos dois golinhos têm que meter… Não?

Assim, planos para hoje:
Manhã – ler artigos sobre microarrays
12h30 – almoçar
13h – sair de casa
13h30 – St. Eriksplan, encontrar o pessoal para uma visita a Estocolmo
16h30 – encontrar Pedro e Tiago para irmos para o estádio
Das 17 às 20: entrar no estádio, encontrar os lugares, tirar fotos, conhecer mais portugueses :D
20h – pontapé de saída, gritar muito, sofrer muito, gritar “GOOOOLO” pelo menos duas vezes – é o que se espera!
22h – sair do estádio, irmos ter com o pessoal para uma after-party (como diz o Pedro, se ganharmos, bebemos para celebrar, senão, bebemos para esquecer…)

Eu diria que é um dia cheio de boas perspectivas… Depois conto como correu.

De qualquer forma, não se esqueçam:

SUÉCIA-PORTUGAL, HOJE A PARTIR DAS 20H SUECAS, 19H EM PORTUGAL

OLHOS ATENTOS À MIÚDA DE CASACO CASTANHO, CABELO ESCURO E CACHECOL DA SELECÇÃO, A PULAR QUE NEM UMA MALUCA, NA BANCADA DOS ADEPTOS PORTUGUESES!

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