27 de agosto de 2009

Flygplan och bagage

Aviões e bagagem

18ºC em Estocolmo, 29ºC em Portimão

E depois de acordar às 3h30 da manhã, e de um primeiro vôo Faro-Lisboa sem incidentes, chega-se ao aeroporto de Lisboa para descobrir que o vôo está cancelado. Sai-se a correr para o balcão da TAP e afinal não estava, só mudou o número. E volta-se a passar pela segurança, e espera-se pelo voo que não só tem novo número como nova hora.

E entra-se no avião às 9h10 e às 10h10 ainda se está em Lisboa que há uma falha técnica qualquer. E afinal parece que o voo vai fazer escala em Copenhaga, já não é directo. E em Copenhaga a falha técnica ainda não resolvida dá para hora e meia de paragem.

E chega-se a Estocolmo às 17h15, 3 horas mais tarde do que era suposto, e o tipo que me ia entregar a chave já fechou a loja e foi pra casa. E a bagagem atrasada, atrasada, que nunca mais chegava, afinal parece que é agora, e é mesmo, mas não pra mim, que tinha logo que ser a única mala que se perdia com a roupa toda lá dentro.

E para ter onde dormir esta noite tive que apanhar um táxi para chegar rapidamente a casa da Stefania, que ia sair em breve com uns amigos, e lá foram 20 euros para uns míseros 10 minutos de táxi, se tanto.

E foi uma grande irritação, foi o que foi.

19 de agosto de 2009

Åtta dagar...

Oito dias...

27ºC em Portimão, 14ºC em Estocolmo

... e lá vou eu outra vez.

8 de junho de 2009

Tårar

Lágrimas

14ºC em Estocolmo, 20ºC em Portimão

Bem agora lembrei-me daquela fantástica canção de Zé Cabra... Mas má música à parte, a verdade é que a despedida custou muito, mesmo. Mesmo a Dasha e Clarissa e a Stefania indo a Portugal nas férias, mesmo indo ver o pessoal todo, a verdade é que os "Jägargatan times" (como a gente lhes chama) acabaram e muitas das pessoas de quem mais gosto vão-se embora e não voltam...

O Mario vai para a Alemanha morar com a namorada, a Dasha também para a Alemanha, Heidelberg, em intercâmbio (epa esta palavra escrita é mesmo feia), o Mustafa idem idem aspas aspas, os italianos Elisa, Gian Luca e Christian vão para Itália e em princípio não voltam, a Clarissa no próximo ano vai para o Peru e depois para a Austrália, por isso estes foram mesmo os últimos dias que passámos todos juntos.

Por isso foi mesmo aproveitar até ao último instante, sexta-feira jantar indiano depois do exame com o pessoal todo do curso - é incrível como nos damos todos tão bem, mesmo depois de um ano - e festa da associação de estudantes a seguir; sábado, uma festa de anos com o pessoal do meu antigo laboratório, também com muitos abraços apertados na despedida; ontem,depois de andar o dia todo a exportar caixotes para os 4 cantos de Estocolmo, jantar com a Clarissa, Dasha, irmãos, e os 3 portugueses Catarina, Diogo e Pedro (amigo da Verinha ;) ). Hoje, pequeno-almoço em casa da Catarina e do Diogo quando fui lá despejar as mihas roupas de inverno.

Foi óptimo mas agora há um nó na garganta que não passa... Quando chego a casa, vejo uma nota da Dasha na minha porta a dizer o seguinte:

"Joana,
Vi ses i Portugal! (Vemo-nos em Portugal)
I'm so blue, can't help but crying although I'm going to Portugal!
Don't cry on board, it was raining a lot the last few days (haha).
Keep in touch!
Dasha"

Escusado será dizer que a torneira abriu novamente... Realmente, se até a minha russa chora, o que farei eu, portuguesa e super chorona ainda por cima?

3 de junho de 2009

Sommar

Verão


9ºC em Estocolmo, 18ºC em Portimão


Diz-se que em Estocolmo há duas estações: o Inverno frio e o Inverno quente. Também se diz por aí que os suecos estão mortos-vivos durante o primeiro destes invernos e que finalmente acordam para a vida no segundo. É verdade: vêem-se pessoas na rua, pessoas deitadas em tudo quanto é relva, pessoas a conversar, pessoas, pessoas, pessoas… E finalmente a cidade perde o ar de semi-desabitada que tinha o resto do ano.


Lembram-se de um post que fiz há uns meses, para demonstrar como aqui estava sempre de noite? Pois é, agora a situação inverteu-se e, se bem que não vá cá estar para o "midsummer" a 21 de Junho (sol da meia-noite, 24 horas de luz), a verdade é que já começa a chatear uma pessoa acordar com o sol a bater-lhe na cara às 4 da matina.

8h30


10h30


12h15


14h30


18h50


21h


22h

23h


Meia-noite - não fica mais escuro que isto


2h


4h50


Por outro lado, sabe bem estar no "Verão" (se é que se pode chamar a isto Verão – hoje, por exemplo, chove e estão 9ºC): são os churrascos, um atrás do outro, sempre em parques diferentes;

são as caminhadas junto à água; são os gelados (deliciosos!) de framboesa ou mirtilos

; são os banhos, para alguns, em água que não deve estar muito acima dos 10ºC; é a possibilidade de, finalmente, bronzear um bocadinho :)


Mas claro, quem diz que não há nada como o Verão na Escandinávia é porque nunca passou um Verão no Algarve… ;)


28 de maio de 2009

København

Copenhaga


20ºC em Estocolmo, 24ºC em Portimão


Ora então passámos a ponte e chegámos a Copenhaga.

Deixámos o Florian em casa de um amigo e fomos dar com a pousada onde tínhamos marcado duas noites. Bem pior era difícil, mas realmente por 220 coroas dinamarquesas (~30 euros) para duas noites… Todos ao molhe numa camarata de 22, sem lençóis nem almofada nem cobertores… Se bem que os cobertores eram bem dispensáveis, tal não era o calor humano… Maravilha! A primeira noite passou-se, éramos só nós os 9 no quarto. O Haythem fez questão de manter o pessoal acordado por um bom bocado com as suas parvoíces (por exemplo, entra o tipo da recepção na camarata porque ia buscar uns cobertores e põe-se ele, num sotaque indiano de chorar a rir: "who aaaree yoouu? What do you want from us? You should be ashamed of disturbing us respectable people! Go back to the trash can you came from!"). A segunda foi horrível porque éramos uns 20 e mal se podia respirar… A única vantagem de tão auspicioso sítio era ser próximo do centro, uns 10 minutos a pé da câmara municipal.


Copenhaga é liiiindaaaa! Avenidas largas, canais, um conjunto de monumentos mas também zonas com arquitectura moderna, uma zona de compras bem melhor que Estocolmo… Deixou vontade de voltar. Fizemos a opção (correcta) de ir numa viagem guiada de barco e foi excelente, dando-nos uma perspectiva da cidade, desde o bairro hippy onde a polícia não entra, aos bairros residenciais novos com uma arquitectura espectacular, às casas-barco, à Ópera e Biblioteca novas, ao barco real, ao palácio real e, claro, à sereia, símbolo da cidade.

Mas a viagem também valeu pelo guia… Um israelita alto, moreno, de olhos verdes e barba de 3 dias que quando percebeu que eu e o Pedro éramos Portugueses mudou a narração da visita de italiano (o que estava previsto) para Português (já que não havia italianos no barco). Pronto, Português do Brasil. Mas valeu o esforço…

Depois de almoço, os preguiçosos dos rapazes decidiram ir a mais um fika, enquanto nós fomos a pé à sereia. Para quem não sabe, a sereia é uma estátua que foi construída em homenagem ao conto A pequena sereia de Hans Christian Andersen e que se tornou no símbolo de Copenhaga. A história é parecida à da Disney mas muito mais trágica e dolorosa, por o "Viveram felizes para sempre" não acontece e a sereia morre no fim. Tive que contar a história várias vezes ao longo do dia já que os irmãos, por exemplo, educados numa cultura árabe, nunca sequer tinham ouvido falar do conto. É engraçado apercebermo-nos de que coisas que para nós são tidas como dado adquirido que toda a gente sabe, afinal não o são bem… Também é engraçado verificar que por eles não saberem grande coisa de cultura ocidental / cristã, os irmãos assumem que nós também não sabemos nada da deles, e é vê-los abrir a boca de espanto quando dizemos que sabemos o que é Meca ou os contos das 1001 noites…

Contos à parte, a zona junto à sereia é linda e muito mitológica, também com a fonte de Gifeon (a divindade que, reza a lenda, separou a ilha de Zealand, em que Copenhaga se encontra, da Suécia).

Depois de passarmos por uma citadela que aparentemente é o local preferido para fotos de casamentos (cruzámo-nos com 3 num espaço de 15 minutos), fomos a pé ao palácio real, que está rodeado por um parque óptimo para descansar daquelas andanças. Grupos de jovens a conversar sentados na relva, famílias com miúdos pequenos a jogar à bola ou a lançar papagaios, velhotes sentadinhos à sombra… Os rapazes encontraram-nos lá, por coincidência, já que depois do fika também decidiram ir passear para aqueles lados.

Foi o momento de relax perfeito: sol (finalmente!), um relvado imenso, o pessoal todo deitado pela relva e… espectáculo ao vivo incluído! Ah pois é, depois de uns 15 minutos de descanso exclama alguém do nosso grupo: "Are those two HAVING SEX????" Os olhos que estavam fechados abrem-se, de deitados passa-se a sentados e toca a focar o olhar no dito ponto do parque, não particularmente recôndito, mas sim no meio da relva e em plena luz do sol, em que um casal dos seus 30 e tal 40 anos estava muito entretido, ela de vestido arregaçado até à cintura, ele por cima e vai cá disto! Realmente devia ser a isto que a Carol se referia quando escreveu na minha fita de finalista, citando: "Aproveita o que a Suécia tem de melhor, ou seja: NUDISMO!" Pronto, verdade seja dita estávamos na Dinamarca, mas é tudo Escandinávia :P Bem, para resumir, o espectáculo (do qual a parte mais engraçada não era ver os ditos cujos, mas sim as caras chocadas dos que passavam ao lado, desde velhotas e um tipo com ar de nerd que parecia ter ganhado a lotaria :D) durou ai por volta de meia-hora. A Clarissa só dizia: "Isto tem que ser para os apanhados" e olhava em volta à procura de uma câmara escondida. O Haythem não se faz rogado, pega numa bicicleta e vai todo afoito andar às voltinhas no local do acontecimento. O Niklas dizia: "não acham que quando eles acabassem devíamos bater palmas?". E assim por diante…


As saídas à noite: na primeira, fomos a um bar dos mais in de Copenhaga e divertimo-nos a ver o modus operandi dos dinamarqueses no engate. Aqui não há cá menino oferece bebida à menina, mas sim o oposto: elas é que tomam a iniciativa de os convidar para tomar uma bebida ou para simplesmente se juntarem a elas a conversar. Há as directas, que não estão com meias-medidas e se dirigem à mesa deles para os convidar, e as indirectas, que aproveitar o facto de pedirem uma cadeira emprestada à mesa deles para meter conversa. Há ainda as tímidas demais, que olham e olham mas não metem conversa e essas acabam a noite sozinhas. Por isso, meninas, se querem vir para a Suécia / Dinamarca, é prepararem-se para suar as estopinhas :)

Na segunda noite, fomos encontrar-nos com uns amigos da Clarissa, 2 italianos e um alemão super simpático e interessante que até já morou no Porto e fala um bocadinho de português… Só foi pena ter 10 anos a mais.


E assim se acabaram os nossos tempos em Copenhaga.

A viagem de volta à Suécia foi de ferry, directamente para este belo país em que às 10 da manhã de domingo não está nada aberto para uma pessoa tomar o pequeno almoço, em que à hora de almoço, numa das maiores cidades do país (tipo Braga), o McDonalds era a única coisa aberta, em que comprar álcool tem que ser muito bem planeado porque aos domingos a loja fecha. Mas às tantas tivemos que parar de reclamar, que o Niklas já estava a ficar chateado com tanta crítica…


E de volta a Estocolmo, no meio das filas de trânsito, fizemos inveja aos condutores dos outros carros ao dançarmos Shakira e Black Eyed Peas em altos berros dentro do carro, com os lagos suecos como testemunhas…


25 de maio de 2009

På vägen

Na estrada


22ºC em Estocolmo, 24ºC em Portimão


Então e não é que está calor em Estocolmo? Mais que em Copenhaga, onde estavam por volta de 12 ou 13 graus quando por lá passámos. Mas não vamos por a carroça à frente dos bois, que esta viagem teve de tudo um pouco, desde noites de rapazes vedadas a raparigas, engates na auto-estrada, banhos de piscina, andarmos perdido

s numa floresta, uma pousada ranhosa, sexo em público, dançarmos no carro como se estivéssemos numa festa, um guia turístico super giro e Copenhaga, que é LINDA!!!

A viagem: 1572 km, 2 carros, um Audi e um Passat (não estávamos mal servidos), 2 austríacos, 2 portugueses, 2 egípcios, uma russa, uma peruana, um sueco e uma de Singapura, 6 rapazes e 4 raparigas, tudo gente solteira ou que anda perto disso.

Primeiro dia: os irmãos chegam atrasados (típico). O austríaco a horas. Escolhem-se os condutores, dividem-se as pessoas pelos dois carros, eu com a Dasha, Niklas, Pedro e Haythem num, o resto do pessoal no outro. O Niklas, como primeiro condutor, fez os primeiros avisos: "No farts and no pissing out of the window" (citando o próprio).

O Pedro atrofiava, dizia que o Niklas conduzia muito devagar. Mas lá íamos andando… Direitos a Kalmar, no Sul da Suécia, a cantar e conversar.

Ou a dormir... :D



E eis que, a meio da viagem, damos por um carro a alta velocidade, conduzido à doida. Ora nos ultrapassava, ora deixava passar à frente, numa corrida com o carro do austríaco, até que, de repente, é o choque total para o pessoal do nosso carro que não sabia o que se passava quando de repente se abre a janela do "nosso" Audi, no meio da auto

-estrada, e passa um papel ao condutor do outro carro. Nós pensamos "Mas que raio se passa ali" e o Haythem, a conduzir na altura, acelera para ver quem é que ia no outro carro. Qual não é o nosso espanto ao descobrir que o condutor afinal era uma condutora, sueca, loira, toda boa, a quem o austríaco deu o seu número e que lhe ligou de imediato a dizer coisas como: "Gostaste da forma como conduzo este carro? Devias ver-me a andar na minha mota…" E pronto, depois disto não houve quem os calasse com a conversa da loira do Volvo cinzento…

Ai rapazes, rapazes… Na primeira noite, em que estávamos as 4 raparigas num quarto e os 6 rapazes no outro, expulsam-nos à noite porque queriam ter uma "noite de homens". No dia seguinte, quando os vamos acordar, vemos um DVD de filme porno com o título "Road Trip" em cima da mesa… Sem comentários!

No primeiro dia visitámos uma ilha, Öland, que é uma espécie de estância turística da Suécia, com praias e aldeiazinhas turísticas junto ao mar... Fomos visitar um castelo que afinal estava fechado para uma festa privada e acabámos num passeio pelos bosques junto ao castelo, nada de muito longe da civilização e só suficientemente recôndito para desembocarmos do outro lado numa rua da aldeia mais próxima sem sabermos onde estávamos… Mas hoje em dia existe GPS, e bastou um telefonema para o pessoal que ficou no carro com o nome da rua (o Haythem bem disse "estamos parados ao pé de um Volvo", mas acho que o GPS não nos encontrava por aí :D) para os perdidos passarem a achados.

Fotos parvas enquanto esperávamos pelo resgate...


A pousada da primeira noite era espectacular, uma antiga quinta transformada em pousada com sítio para roulottes e pequenos apartamentos, piscinas e campos de futebol e de vólei. Na sexta acordei cedinho, o sol brilhava e não estava assim tanto frio, pelo que decidi ir dar um mergulho à piscina – estava mais quente dentro do que fora… Ao sair cruzei-me com o Haythem, este conta ao resto dos rapazes e lá vão o Haythem e o Pedro também ao banho, sim, que isto uma rapariga mergulhar sem medos e os homens ficarem a ver não podia ser, era orgulho ferido de certeza. O pior foi que quando finalmente se decidiram a mergulhar (eu já vestida a gozar o prato) o sol estava encoberto e soprava uma brisa marinha… Ui ui. Coitados, iam morrendo.

A cara de choque do Haythem ao mergulhar!



No segundo dia fomos direitos a Malmö, cidade sueca que tem a ponte de ligação de Copenhaga. É engraçado como uma cidade tão mais pequena que Estocolmo parece muito maior e cheia de vida, pelas suas avenidas largas, zona de compras espectacular e dezenas e dezenas de esplanadas com milhares de pessoas nas

ruas. É como dizem os suecos, já são mais dinamarqueses que outra coisa… Começámos a nossa visita a Malmö com sol, acabámo-la com chuva intensa e granizo – um presságio nada bom para o nosso dia em Copenhaga…

Em Malmö


E eis que se aproxima o grande momento… Cruzamos a ponte, um carro ao lado do outro, o Pedro com o tronco de fora da janela a tirar fotos ao pôr-do-sol fantástico… E em menos de nada estávamos em Copenhaga.

O outro carro a passar a ponte: Niklas ao volante, Shermaine e Mustafa atrás



(Por isso, não percam o próximo episódio, porque nós… Também não!!!)

Tack så mycket

Muito obrigada

à Claudinha, Cris e Helinho pela prenda que me enviaram... adorei!!! :D
(e ao André que aparentemente era para assinar tb mas nunca mais se despachava... típico! :P)

Tb estou cheia de saudades... vemo-nos em breve!