Copenhaga
20ºC em Estocolmo, 24ºC em Portimão
Ora então passámos a ponte e chegámos a Copenhaga.
Deixámos o Florian em casa de um amigo e fomos dar com a pousada onde tínhamos marcado duas noites. Bem pior era difícil, mas realmente por 220 coroas dinamarquesas (~30 euros) para duas noites… Todos ao molhe numa camarata de 22, sem lençóis nem almofada nem cobertores… Se bem que os cobertores eram bem dispensáveis, tal não era o calor humano… Maravilha! A primeira noite passou-se, éramos só nós os 9 no quarto. O Haythem fez questão de manter o pessoal acordado por um bom bocado com as suas parvoíces (por exemplo, entra o tipo da recepção na camarata porque ia buscar uns cobertores e põe-se ele, num sotaque indiano de chorar a rir: "who aaaree yoouu? What do you want from us? You should be ashamed of disturbing us respectable people! Go back to the trash can you came from!"). A segunda foi horrível porque éramos uns 20 e mal se podia respirar… A única vantagem de tão auspicioso sítio era ser próximo do centro, uns 10 minutos a pé da câmara municipal.
Copenhaga é liiiindaaaa! Avenidas largas, canais, um conjunto de monumentos mas também zonas com arquitectura moderna, uma zona de compras bem melhor que Estocolmo… Deixou vontade de voltar. Fizemos a opção (correcta) de ir numa viagem guiada de barco e foi excelente, dando-nos uma perspectiva da cidade, desde o bairro hippy onde a polícia não entra, aos bairros residenciais novos com uma arquitectura espectacular, às casas-barco, à Ópera e Biblioteca novas, ao barco real, ao palácio real e, claro, à sereia, símbolo da cidade. Mas a viagem também valeu pelo guia… Um israelita alto, moreno, de olhos verdes e barba de 3 dias que quando percebeu que eu e o Pedro éramos Portugueses mudou a narração da visita de italiano (o que estava previsto) para Português (já que não havia italianos no barco). Pronto, Português do Brasil. Mas valeu o esforço…
Depois de almoço, os preguiçosos dos rapazes decidiram ir a mais um fika, enquanto nós fomos a pé à sereia. Para quem não sabe, a sereia é uma estátua que foi construída em homenagem ao conto A pequena sereia de Hans Christian Andersen e que se tornou no símbolo de Copenhaga. A história é parecida à da Disney mas muito mais trágica e dolorosa, por o "Viveram felizes para sempre" não acontece e a sereia morre no fim. Tive que contar a história várias vezes ao longo do dia já que os irmãos, por exemplo, educados numa cultura árabe, nunca sequer tinham ouvido falar do conto. É engraçado apercebermo-nos de que coisas que para nós são tidas como dado adquirido que toda a gente sabe, afinal não o são bem… Também é engraçado verificar que por eles não saberem grande coisa de cultura ocidental / cristã, os irmãos assumem que nós também não sabemos nada da deles, e é vê-los abrir a boca de espanto quando dizemos que sabemos o que é Meca ou os contos das 1001 noites…
Contos à parte, a zona junto à sereia é linda e muito mitológica, também com a fonte de Gifeon (a divindade que, reza a lenda, separou a ilha de Zealand, em que Copenhaga se encontra, da Suécia).
Depois de passarmos por uma citadela que aparentemente é o local preferido para fotos de casamentos (cruzámo-nos com 3 num espaço de 15 minutos), fomos a pé ao palácio real, que está rodeado por um parque óptimo para descansar daquelas andanças. Grupos de jovens a conversar sentados na relva, famílias com miúdos pequenos a jogar à bola ou a lançar papagaios, velhotes sentadinhos à sombra… Os rapazes encontraram-nos lá, por coincidência, já que depois do fika também decidiram ir passear para aqueles lados. Foi o momento de relax perfeito: sol (finalmente!), um relvado imenso, o pessoal todo deitado pela relva e… espectáculo ao vivo incluído! Ah pois é, depois de uns 15 minutos de descanso exclama alguém do nosso grupo: "Are those two HAVING SEX????" Os olhos que estavam fechados abrem-se, de deitados passa-se a sentados e toca a focar o olhar no dito ponto do parque, não particularmente recôndito, mas sim no meio da relva e em plena luz do sol, em que um casal dos seus 30 e tal 40 anos estava muito entretido, ela de vestido arregaçado até à cintura, ele por cima e vai cá disto! Realmente devia ser a isto que a Carol se referia quando escreveu na minha fita de finalista, citando: "Aproveita o que a Suécia tem de melhor, ou seja: NUDISMO!" Pronto, verdade seja dita estávamos na Dinamarca, mas é tudo Escandinávia :P Bem, para resumir, o espectáculo (do qual a parte mais engraçada não era ver os ditos cujos, mas sim as caras chocadas dos que passavam ao lado, desde velhotas e um tipo com ar de nerd que parecia ter ganhado a lotaria :D) durou ai por volta de meia-hora. A Clarissa só dizia: "Isto tem que ser para os apanhados" e olhava em volta à procura de uma câmara escondida. O Haythem não se faz rogado, pega numa bicicleta e vai todo afoito andar às voltinhas no local do acontecimento. O Niklas dizia: "não acham que quando eles acabassem devíamos bater palmas?". E assim por diante…
As saídas à noite: na primeira, fomos a um bar dos mais in de Copenhaga e divertimo-nos a ver o modus operandi dos dinamarqueses no engate. Aqui não há cá menino oferece bebida à menina, mas sim o oposto: elas é que tomam a iniciativa de os convidar para tomar uma bebida ou para simplesmente se juntarem a elas a conversar. Há as directas, que não estão com meias-medidas e se dirigem à mesa deles para os convidar, e as indirectas, que aproveitar o facto de pedirem uma cadeira emprestada à mesa deles para meter conversa. Há ainda as tímidas demais, que olham e olham mas não metem conversa e essas acabam a noite sozinhas. Por isso, meninas, se querem vir para a Suécia / Dinamarca, é prepararem-se para suar as estopinhas :)
Na segunda noite, fomos encontrar-nos com uns amigos da Clarissa, 2 italianos e um alemão super simpático e interessante que até já morou no Porto e fala um bocadinho de português… Só foi pena ter 10 anos a mais.
E assim se acabaram os nossos tempos em Copenhaga. A viagem de volta à Suécia foi de ferry, directamente para este belo país em que às 10 da manhã de domingo não está nada aberto para uma pessoa tomar o pequeno almoço, em que à hora de almoço, numa das maiores cidades do país (tipo Braga), o McDonalds era a única coisa aberta, em que comprar álcool tem que ser muito bem planeado porque aos domingos a loja fecha. Mas às tantas tivemos que parar de reclamar, que o Niklas já estava a ficar chateado com tanta crítica…
E de volta a Estocolmo, no meio das filas de trânsito, fizemos inveja aos condutores dos outros carros ao dançarmos Shakira e Black Eyed Peas em altos berros dentro do carro, com os lagos suecos como testemunhas…
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