13 de setembro de 2008

Två

Dois

10ºC em Estocolmo, 27ºC em Portimão

Escolhi dividir os dias de ontem e de hoje em dois posts, pelo menos, visto que são demasiados eventos para um post só…

As aulas de ontem foram melhores do que as anteriores, especialmente as discussões (sobre eutanásia, por exemplo). Mas a nossa cabeça estava completamente noutro sítio, só conseguíamos pensar “Festa, festa” por ser sexta feira e o dia em que supostamente tínhamos 3 festas para ir…

Pusemo-nos belas, arranjadas e perfumadas e às 19h estávamos prontinhas para sair (saídas a começar às 19h, realmente só estes tipos…) A viagem de autocarro foi completamente de loucos – a pobre da Violenne sentou-se comigo, com a Shermaine e com a Clarissa e foi só rir, mais uma vez. Um dos resultados daquela conversa é que a Shermaine me chama agora, oficialmente, “She Devil”. Mas no meio das conversas e dos acontecimentos que se seguiriam acabámos por ver que mesmo a Dasha, a “anjinha” do grupo, afinal não era assim tão santinha…

(A "nossa" francesa, a Violenne, com a Clarissa - tão giras!)

A meio da viagem de autocarro o Niklas juntou-se a nós as 7 e acompanhou-nos até à associação. Desta vez a festa mudou-se para a cave (realmente, com o frio), onde tinham umas mesas, uma mesa de snooker, um bar, ou seja, o suficiente para o pessoal conversar e divertir-se. As raparigas tomaram conta da mesa de snooker, o que viria a originar uma verdadeira avalanche de jogadas péssimas, das que faziam os rapazes ou jogar as mãos à cabeça ou simplesmente desatar a rir – desde falhar a bola branca (não estou a brincar), até falhar as outras bolas todas, até meter a bola branca, até finalmente acertar numa bola “certa”, digamos, e vermos essa bola dar a volta à mesa toda para acertar na bola preta e enfiá-la no buraco – mau demais!!!

Entretanto a Marike e o Espen já se tinham juntado a nós e eu já andava à procura do Pedro (o português), sem resultados… Acabei por não o conseguir encontrar, apesar de ter uma suspeita de quem poderia ser… Em todo o caso perguntei a toda a gente correspondente à descrição que ele me deu (procurar grupo de gajos barulhentos, com um gajo de camisola vermelha entre eles) – ou seja, basicamente abordei quase todos os grupos de gajos da sala, em caso de dúvida… Uns deles, 4, todos giros, ainda começaram a dizer – “nós temos aqui um amigo português, e tal, se quiseres” – a gozar, claro, acho que ele era de Porto Rico ou assim; mas não seriam as últimas notícias que teria desses 4. Se eu soubesse o que sei agora, tinha-me lixado para procurar o português e tinha aceitado o convite deles para o convívio, mas naquela altura estava noutra… É a vida.

(Marike, Sabrina, Shermaine, Dasha et moi ;)


Por volta dessa altura ocorreu um dos casos polémicos da noite (aliás, O caso polémico, que deixou a Clarissa furiosa)… À chegada do Espen, eu e a Clarissa começamos a brincar com ele, a dizer que estávamos cheias de saudades, e a Clarissa diz a brincar, naquele estilo dela, que o coração dela pertencia ao Espen, etc. Não sei se foi isso que despoletou o “evento”, mas às tantas, estava o Espen a jogar snooker, e a Clarissa a brincar com ele, finge que lhe sopra um beijo em direcção à cara dele, ele volta a cara a oferecer a bochecha no momento em que ela faz o movimento como se lhe fosse dar um beijo na bochecha, ele vira a cara (de propósito, obviamente) e dá-lhe um beijo na boca. Risada geral, mas só quem conhece a Clarissa é que reconheceu aquele olhar latino mortífero de quem não tinha achado piada nenhuma, apesar de também esboçar um sorriso. E o Espen, feito parvo, ainda continuava a provocá-la – houve um ponto que eu achei, MESMO, que ela ia bater-lhe, mas depois as águas acalmaram…

O David andava por lá mais uma vez, mas como acho que ele não me conhece, não falei com ele. No entanto, acabei por falar bastante com o Niklas, que até é boa pessoa, apesar de ter os seus quês, como todos nós. Às tantas fui dar com ele a falar com outro tipo, no bar (por acaso um homem bem simpático, apesar de não me lembrar do nome dele), sobre whisky, e acabei por ter a minha introdução ao maravilhoso mundo do whisky, lol. Confesso que estava à espera de bem pior (apesar de, obviamente, eles terem diluído o meu um bocadinho). Na minha santa inocência, já me ia preparar para despejar aquilo pela goela abaixo quando o outro me pára a tempo e me ensina que isto do beber whisky tem uma técnica e que, se feito correctamente, nem sequer queima a garganta enquanto desce – inspirar, engolir e depois expirar com a boca aberta. As coisas que uma pessoa aprende – até para ser bêbada é preciso técnica! :D

Claro que eu não fiquei bêbada, não, não. Só bebi meia cerveja e dois golitos do whisky do Niklas… Acabámos por emparelhar no snooker e, não me perguntem como, mas ganhámos um jogo contra a Shermaine e a Clarissa, a primeira das quais é uma pró – e até consegui acertar com as bolas nos buracos, uma ou outra vez! Grande evolução, para alguém que começou a noite a fazer as acrobacias atrás descritas… A meio do jogo, a Shermaine agarra num bocado do giz azul para os tacos, pinta-me o braço e exclama: “Smurf!” (ou seja, Estrumpfe!) – sem comentários…

A Jacomyn e o Albert, cá do corredor, já tinham aparecido a dada altura, para nos informarem de que iam à outra festa, a suposta festa de Erasmus. A Jacomyn deu-me o número de telemóvel, para eu lhe ligar quando chegássemos ao metro da universidade…


Entretanto, íamos nós a sair do bar quando este fechou (às 10 da noite) quando a Clarissa dá com os olhos num dos gajos da mesa dos 4, à qual eu tinha ido para tentar encontrar o português… E nunca mais foi a mesma, lol. Está completamente apanhadinha… Os tipos foram connosco apanhar o autocarro, altura em que me deu uma cãibra (comentário dela: “Porque é que não me deu a cãibra a mim? Podia ir-lhe pedir para me levar ao colo” – e coisas semelhantes) daquelas mesmo más, tive que me sentar no chão, tirar o sapato, enfim. Mas passou, e seguimos depois para o metro; os outros também iam para o metro, por isso tivemos que aturar a babadice da Clarissa mais um bocado – mas lá que o rapaz era mesmo giro, era. Depois fiquei com remorsos de não ter aceitado o convite deles, posso ter comprometido a felicidade de minha querida amiga…


Ao chegarmos à estação de metro certa, tentei ligar à Jacomyn, sem resultados, pelo que seguimos directamente para a festa russa, guiados pela Dasha. No caminho, o Espen fez uns comentários um bocado machistas que não vou reproduzir mas que fizeram com que descesse ainda um bocado mais na minha consideração (decididamente, não foi uma noite favorável para ele)… Ao chegarmos à festa, damos de caras com a Jacomyn e o Albert – afinal a festa de Erasmus que eles tinham mencionado era a festa dos Erasmus russos, ou seja, estávamos todos a falar da mesma coisa. E assim, as três festas a que íamos converteram-se em duas…

Foi muito engraçado estar numa festa, como a Marike a apelidou, “cultural” – só com música de dança russa, à excepção de duas (David Guetta e Destination Calambria) -, em que toda a gente batia palmas e dançava à maneira russa – demos por nós aos saltos, numa roda, perna para um lado, perna para o outro, a cantar em coro com os russos. Nessa altura o Espen já se tinha ido embora – pouco depois da nossa chegada, pega-me na mão e o meu instinto (não foi por mal, foi derivado dos acontecimentos prévios) foi recuar, espero que com um ar não muito aterrorizado – até que ele disse que não gostava do ambiente e que se ia embora. Não sei se não é do tipo de dançar ou se simplesmente sentiu a pressão de ser um americano no meio de tantos russos – mas a parte da dança não é argumento, visto que o Niklas, pessoa bastante tímida que tinha afirmado, nessa mesma manhã, que não era pessoa de dançar, ao fim da terceira cerveja já pulava no meio de nós todas, divertidíssimo :D


Acabei por falar também com o Albert, uma conversa um tanto ou quanto difícil, visto que ele deve ter uns 2 metros de altura e, com a música tão alta, tinha que se baixar para me ouvir (não estou mesmo a exagerar, no outro dia reparei que ele tem que se baixar para entrar na nossa cozinha do corredor…)

(Albert e Dasha...)

A Dasha estava nas suas 7 quintas, cantava as letras todas (nós obviamente que não percebíamos patavina) e lá nos ia ensinando a dançar “à russa”. Foi só rir… Às tantas o Niklas foi embora porque o joelho dele (ao qual ele já foi operado 3 vezes, ao que conta, depois de uma ruptura de ligamentos a jogar futebol) estava a reclamar com tanta dançaria. Acabei por ir com ele à procura do casaco dele, porque ele não o conseguia encontrar, e à despedida dei-lhe um beijo na bochecha – acto para nós natural, em Portugal, mas depois fiquei naquela a pensar se tinha ido longe demais, já que este pessoal daqui é de manter as distâncias, tipo “Este é o meu espaço e esse é o teu”… Mas ele também estava tão alegre que duvido que se importe… E se para ele tudo bem, para mim tudo óptimo :D


Contei à Clarissa e ela fartou-se de gozar comigo, o que já era de esperar. Mas na nossa “sisterhood” os segredos ficam bem guardados. Voltámos para casa antes das 2, visto que nos tínhamos que levantar às 8h hoje, para as actividades de recepção aos caloiros…

11 de setembro de 2008

Program

Agenda

Parabéns a todos os recém-licenciados que acabaram hoje, estou orgulhosa de vocês... Já soube que hoje andaram a falar (mal) de mim, nomeadamente sobre uma eventual visita vossa cá (estou à espera!) mas também sobre a minha agitada vida social nos últimos dias... Ora para vocês terem só uma ideia, vejam só o programa das próximas festas:

Amanhã - 19h30, bar da associação; 21h, festa erasmus; 23h, festa russa
Sábado - actividades por equipas à tarde; after-party até às 3h
Próxima semana (nao sei o dia) - festa de inauguração do apartamento do Pedro (rapaz português que vou conhecer amanhã)
Próximo sábado - jantar multicultural do pessoal do mestrado
Sábado daqui a 2 semanas - jantar multicultural do pessoal do corredor

E no meio disto tudo, trabalhar? Não?

Diskussion

Debate

13ºC em Estocolmo, 30ºC em Portimão

Realmente, já estou mesmo a ficar habituada ao tempo da Suécia. A Shermaine hoje a morrer de frio e eu viro-me para ela e digo: “Mas hoje até está bom!” (13 graus…)

Ontem fiquei extremamente irritada com o jogo da selecção (estive a ouvir pela Antena 1 online), por isso não vou falar mais disso. Só espero que não seja o mesmo contra a Suécia, visto que eu vou para o meio dos suecos ver o jogo num café qualquer e perder “is not an option!”.

Hoje as aulas não foram assim tão más. Aliás, acho que hoje percebi a verdadeira importância de termos estas discussões e de recebermos este tipo de informação sobre ética, fraude, etc.

Quem viu os Jogos Olímpicos de Pequim ou pelo menos ouviu as notícias sobre toda a controvérsia da cerimónia inaugural (a miúda a cantar em playback porque a que tinha a voz espectacular tinha os dentes tortos, etc.) percebeu com certeza que os chineses têm uma tendência para buscar a perfeição, o aspecto exterior, para esconder os lados mais negativos, mas não me tinha apercebido ainda até que ponto é que tal se reflecte também na ciência. De facto, já tinha ouvido rumores sobre orientais a retocarem resultados para ficarem mais perfeitinhos e mais de acordo com as hipóteses defendidas, mas só quando ouvi a Eli perguntar ao professor qual era o problema de escolhermos os melhores de entre os nossos dados, se eram os nossos dados de qualquer maneira, é que me apercebi o quão normal é que isso é para eles. De facto, a própria Shermaine me disse que eles não recebem qualquer tipo de formação em ética, filosofia ocidental ou nada que se pareça, o que torna este módulo tão importante num curso tão internacional. A Eli ainda discutiu com o professor, como é que podia ser fraude se os dados eram dela, e se ela só estava a escolher alguns dos seus dados para apresentar, em vez de todos, e que não estava a mentir ou a enganar ninguém, mas a trabalhar com dados verdadeiros, até o professor lhe afirmar categoricamente que ocultar parte dos dados de uma experiência só porque são negativos é considerado fraude, mas foi uma discussão animada…

O tema de discussão de hoje também era mais interessante, sobre um cientista sueco que fez umas experiências nuns miúdos deficientes mentais para determinar se os doces faziam mal aos dentes, e claro que toda a gente argumentou contra o dito cientista, mas o engraçado é que no artigo em questão, do próprio, escrito já nos dias de hoje, ele continua a achar que agiu bem…

Ao almoço as discussões foram de outro tipo, e mais uma vez como éramos maioritariamente raparigas tenderam um bocado para o lado da parvoíce, mas houve partes giras, nomeadamente a continuação de uma conversa de ontem em que a Marike nos ensina a pronunciar certos sons suecos, que são ainda mais difíceis do que eu julgava… É muito giro ter uma mesa toda ao mesmo tempo a tentar imitar a forma como ela pronuncia o som “sj”, enrolando a língua, lol.

Na parte da tarde falámos de direitos dos animais, o que também originou discussão acesa, não propriamente entre nós, mas com o professor. É que era um professor diferente, que deu uma aula bem mais interessante que as do outro, mas que era completamente… filósofo! Daqueles com quem não dá para discutir. Do tipo: “Será que devíamos magoar os coitadinhos dos animaizinhos?” E nós: “Se não causarmos sofrimento desnecessário, não tem mal, porque de qualquer forma estamos a tratar da sobrevivência da nossa própria espécie.” E ele: “Eu não quero explicações biológicas… Isso é o que vocês fariam, mas será que era isso que deveriam fazer?” Epa impossível de discutir com alguém assim. Ainda por cima eu que não ligo nada aos animais… A discussão prolongou-se fora de portas, com a Clarissa a defender os animais e basicamente o resto do pessoal contra. Nós somos terríveis, eu sei… Mas acho que o professor atingiu o seu objectivo, que foi pôr-nos a discutir. Eu, a Shermaine e o Niklas ainda continuámos a discussão até à estação de comboios, e foi interessante ver como o Niklas, que parece até bastante tímido (especialmente porque é quase sempre a cobaia dos nossos almoços de raparigas, coitado), até é uma pessoa com quem se tem conversas muito giras. Aliás, giras não são só as conversas (tem uns olhos verdes…).

Agora olho pela janela e está SOL! Wow, isto é mesmo invulgar, lol. Acho que já não lhe via a cara há uma semana e tal… :D

10 de setembro de 2008

Filosofi

Filosofia

9ºC em Estocolmo, 27ºC em Portimão

Aproveito, antes de mais, para divulgar (finalmente) a tão falada foto de grupo que tirámos na 3ª feira e que a Clarissa só agora decidiu mostrar ao pessoal:
Legenda (da esquerda para a direita): Atrás: Delower (Bangladesh), Mustafa (Egipto / Sudão / UK), Espen (USA / Noruega), Kanwal (Índia), Haythem (Egipto / Sudão / UK), Xinming (China) Abaixo deles: Clarissa (Peru), agarrada à Iskra (Canadá / Croácia), Shermaine (Singapura), eu, Dasha (Rússia), um veterano nosso do qual não sei o nome Sentados no sofá: Karin (Suécia), Mario (Alemanha), Eli (China) e Niklas (Suécia) Fila de baixo: Ghezal (Suécia / Irão), Giulia (Itália), Su (Alemanha), Khayrun (Suécia / Bangladesh) No sofá do lado direito: Dhifaf (Suécia / Bangladesh), Marike (Suécia / França), Irina (Ucrânia) e o pobre do Andreas (Suécia) ficou com a cabeça cortada :)

Ontem não fiz mais nenhum post porque nos últimos dois dias não há mesmo grande coisa para contar… Começámos as aulas de filosofia da ciência, que têm sido… uma seca, lol. Coitado do senhor, ele bem que se esforça, mas não tem lá muito jeito para aquilo. E ele até que é giro (já foi comparado ao Brad Pitt, apesar de eu achar que não tem nada a ver), dos seus 40 anos, mas anda às voltas, às voltas e não se percebe onde é que quer chegar, e é capaz de passar 15 minutos (eu contei!) a falar de um único slide… As discussões nem têm sido más, até safam as aulas, porque alguns dos temas são interessantes q.b. No meu grupo de discussão estão, para além do Mario, Marike e Giulia, também a Su, o Armin (do Irão), a Ghezal e a Amani, uma rapariga do Omã que usa lenço. Ela é super querida e não parece muito mais velha do que nós (talvez uns 23 anos), mas é casada e o marido anda sempre atrás dela, quer antes e depois das aulas (ela não anda sozinha na rua), quer à hora de almoço. É estranho vermo-nos confrontados com uma situação tão diferente daquilo a que estamos habituados, sobretudo porque não sei até que ponto se pode dizer que ela é verdadeiramente “forçada” a usar lenço ou se é simplesmente uma questão cultural, até porque ela parece muito feliz e no outro dia ouvi-a a falar ao telemóvel com o marido e falava com um carinho tal que não parecia encarar o marido como o cão de guarda, mas como um companheiro. Vamos esperar para ver como é na realidade…


Escusado será dizer que o jantar do Vapiano teve repercussões: o Mario agora é conhecido por Orlando Bloom por muita gente, os irmãos já foram apelidados de “Mushroom brothers” e eu não me escapei à troça geral depois de a Dasha contar à Clarissa e esta última a toda a gente que encontrou a história do italiano e do seu copo de vinho. Ainda hoje, mais uma vez, o Mustafa começou a gozar comigo, porque eu deixei-o passar em primeiro lugar para a cadeira dele, e ele comentou: “So nice, you waited for me!” E eu: “I’m a rather nice person, I don’t know why people won’t recognize it…” E ele faz uma cara séria e diz: “I do, seriously, I do… But I’m not going to buy you a glass of wine, you know?” Lol. E falando a sério, o Espen ofereceu-se para me pagar um copo de vinho, da próxima vez que sairmos.


Ontem à noite tivemos mais um jantar de raparigas (para acabarmos com o que tinha sobrado da última vez). Éramos ainda mais do que da última vez e, como tal, a barulheira e parvoíce ainda foi maior. Mas ao menos rimos até a barriga doer… para além das 6 da última vez (nós as 4 e as 2 alemãs) ainda jantámos com a Patrícia (alemã), a Violenne (francesa) e uma turca cujo nome não apanhei bem, mas soava a algo como Bhirun.


As próximas hostilidades combinadas foram saída a mais um bar da associação de estudantes nesta sexta (onde vou conhecer um português, finalmente!), seguido de uma festa russa (vamos acompanhar a Dasha), actividades e jogos por equipas no sábado e estamos a organizar um almoço multicultural no próximo fim-de-semana, em que cada pessoa leva um prato característico do seu país… Deve ser muito giro. Entretanto também já divulguei pelo pessoal a lista com os aniversários de toda a gente, só numa de sabermos a quantas andamos (e termos mais uns motivos para festejar). A minha mãe diz que ando armada em cheerleader, mas então, uma pessoa tem que aproveitar, enquanto o trabalho não é muito… Acho que nomes que vem já não me vão ouvir falar de saídas, só se for a saída dos viriões das células, ou algo do género. Já nos avisaram que a próxima cadeira é tão má que mal vamos ter tempo para respirar… Por enquanto é só fingir que ouço o professor de Filosofia enquanto jogo ao jogo do galo com o Mustafa.

8 de setembro de 2008

Svamp

Cogumelo

11ºC em Estocolmo, 22ºC em Portimão

Segunda-feira; dia de aulas, mas também dia de um jantar num certo restaurante italiano que se revelaria muito interessante…

Mais dois blocos de Scientific Writing, o de manhã bastante divertido, leccionado por dois professores de inglês que, basicamente, nos deram uma aula de inglês académico, mas de forma bastante peculiar – para terem uma ideia, o artigo que eles escolheram para dar alguns exemplos de frases tinha como tema fezes de coruja – sim, leram bem, fezes de coruja. Aparentemente, também eram daquele tipo de pessoas que acham que biólogos são aqueles maluquinhos empoleirados numa rocha para tentar ver minhocas em rituais de acasalamento, lol. Mas os profs eram divertidos, um deles, ao ver o nosso olhar incrédulo (depois de 10 minutos a olhar para um slide em que a palavra “feaces” aparecia escrita umas 20 vezes) disse, bastante divertido: “I thought this was a rather funny one – I mean, it talks about owls, beautiful animals, and it talks about shit! What’s there not to like?” [Risada geral, claro]

Depois de mais um almoço de peixe panado (acho que eles desconhecem outras formas de cozinhar peixe, pelo menos no restaurante da faculdade), fomos para a aula da tarde, em que a professora escolheu a minha composição (sobre o tema “What is a gene”) como um dos exemplos positivos a destacar, o que é sempre agradável :). Foi também interessante aprender mais sobre o processo de revisão de artigos e alguns dos “podres” da comunidade científica aos quais nos devemos ir habituando…

Seguiu-se uma visita exasperante à associação de estudantes da faculdade (OK, não é só em Portugal que certas coisas funcionam mal, admito) – para comprar passe de estudante não basta cartão da faculdade, tenho que ter cartão da associação; para ter cartão da associação tenho que pagar 47€ e que ter um Swedish personal number; para ter um personal number tenho que ir à agência de impostos; para me darem o número tenho que, antes disso, registar-me no gabinete de imigração; para me registar no gabinete de imigração tenho que ter uma catrefada de documentos, ou seja… Tenho que tratar de umas 10 coisas diferentes para chegar ao passe de autocarro, lol.

Mas o melhor do dia veio… À noite. Tínhamos combinado ir jantar a um restaurante italiano muito in, o Vapiano, na melhor zona de Estocolmo, mas nem por isso muito caro. Logo à saída do metro compreendi o que queriam dizer com “melhor” zona de Estocolmo, ao dar logo de caras com uma loja Louis Vuitton… No entanto, eu e a Dasha não fazíamos a mínima ideia de onde estávamos, visto que aquela rua parecia não aparecer no mapa. Perguntámos a uma senhora, demos o nome da rua que procurávamos e ela perguntou logo: Vão ao Vapiano? Restaurante conhecido, aparentemente. Diz-nos ela: “Do you see the mushroom?” E nós olhamos uma para a outra e pensamos: Nah, devemos ter percebido mal. Vai ela, aponta numa dada direcção e repete: “Don’t you see the mushroom there? Just follow the mushroom and you’ll be in the right street. Just always go by the side of the mushroom…” E eu, que até tinha visto uma estrutura grande naquela direcção, pensei, bem, digo que sim e devo encontrar o caminho… o “cogumelo” era uma espécie de cabine telefónica com a forma daqueles chapéus de sol do Parque das Nações – os telefones junto ao poste e depois aquela estrutura à laia de guarda-sol/chuva por cima. Some mushroom…

O restaurante era dos mais giros a que já fui. É uma espécie de buffet. Podemos comer pizza ou pasta, o que quisermos, e é tudo feito na hora à nossa frente. A própria massa é pasta fresca, feita no momento do pedido. Quanto às pizzas, para as pessoas não ficarem à espera que aquilo coza no forno, dão-no uma espécie de beeper em forma de walkie-talkie que levamos para a mesa e que vibra no momento em que a nossa pizza está pronta para a irmos buscar – muito à frente! Tudo o que pedimos é descontado num cartão magnético que depois é lido à saída, e nem por isso os preços são muito elevados: 6€50 pelas pizzas mais simples, 7€50 pelas massas, podemos beber a água que quisermos à borla… As mesas estão guarnecidas com vasos de basilic e de rosmaninho que podemos arrancar directamente do vaso para pôr no prato – mais fresco é impossível! E o restaurante era muito bem frequentado, tudo pessoal com um ar muito nice… Foi giro porque à entrada o senhor nos perguntou logo, quando dissemos que estávamos com uns amigos – “Are you with a German guy?” Como sempre, o Mario fez-se anunciar… Mas ao menos não tivemos que andar à procura da mesa.

De início, estávamos só 6 – eu, a Dasha, o Mario, a Carolina (namorada do Mario, para quem não se lembra), a Giulia e a Marike. A conversa fluiu (ou rolou, como dizem os brasileiros) naturalmente, damo-nos todos bem, e o próprio processo de pedir a comida e esperar que os walkie-talkies tocassem foi divertido o suficiente para fornecer tema de conversa.

Mas o melhor do jantar veio com a chegada dos irmãos egípcios. Às tantas, já nós pensávamos que eles não vinham, toca o telemóvel da Marike e eram eles, que estavam perdidos. Quando damos por nós, estava a Marike a dizer-lhe, tal como a outra senhora, para procurarem o cogumelo, para seguirem o cogumelo, etc. Eu e a Dasha só olhamos uma para a outra e desatámos a rir, a pensar: “Quem não conhece, nunca adivinharia que aquilo era o que eles chamam cogumelo.” A Marike levanta-se para ir buscar os egípcios, o resto do pessoal levanta-se para ir buscar as sobremesas (nesta altura já tínhamos acabado as nossas pizzas / massas respectivas) e quando dou por mim estou sozinha na mesa.

De repente, do nada, vem um homem dos seus 30, 30 e poucos anos, estilo italiano mas daqueles meio sebosos, de cabelinho apanhado atrás e cheio de gel (daí a expressão seboso) ter comigo e pergunta-me se me pode oferecer um copo de vinho. Ok, não era feio de cara, só tinha meio aquele estilo italiano mafioso. Eu acho que me fiz de todas as cores… Lá disse, ah e tal, estou aqui com uns amigos… E ele: ah, não faz mal, eu ofereço à mesma. E eu, à desmancha-prazeres: ah, muito obrigada, e tal, mas não. Lol. Lá vai o coitado de volta recambiado para a mesa dele, ter com o amigo com quem estava (que até era mais giro).

Entretanto chega o Mario com um ar comprometido…

E aqui tenho que abrir um parêntesis: na ementa do restaurante há uma sobremesa chamada, nem mais nem menos do que “Death by chocolate”. Sugestivo, no mínimo, e então para chocaholics como eu, nem se fala! E então, tanto eu como a Carolina, outra chocahólica, dissemos: temos mesmo que provar esta. Aliás, descobrimos na parede do restaurante um lema que acho que nos serve perfeitamente:

Bem, e então chega o Mario e diz: “Please don’t hurt me… I just got the last piece of chocolate cake!” E eu, estava tão abananada com a história do outro homem que disse OK. Ele achou estranho mas não disse nada; entretanto a Marike já tinha encaminhado os egípcios para as barracas das massas e das pizzas. Chega a Carolina e eu conto-lhe o que tinha acontecido; ora qual foi o meu azar: o Mario é daquelas pessoas que as primeiras palavras que aprende numa língua (como português) são palavrões e bebidas, tipo vinho. Ora, pela expressão “copo de vinho”, pelo meu ar abananado e pelo facto de ter visto o homem a sair da mesa juntou 2+2 e percebeu o que se tinha passado. Foi o meu inferno… Para já, fez questão de contar ao resto da mesa, que, obviamente, quis saber detalhes e lá tive eu que contar. Depois começou tudo a olhar para o homem, e não ajudou o facto de, daí para a frente, o Mario dizer, de 5 em 5 minutos: “Your friend of the glass of wine is still there” ou “Your friend of the glass of wine just looked at you”, lol. Às tantas pergunta-me: “Does that happen to you a lot?”, tipo, homens oferecerem-me bebidas. E eu que não, e ele: “That’s good, means you moved to the right country!” E realmente, dada a agitação dos últimos dias, não posso deixar de concordar… Quanto ao bolo de chocolate, acabei por dividir o bolo com a Carolina, que disse que não o conseguia comer todo, e realmente tenho a dizer que não sei se morri, mas sem dúvida que fui ao Paraíso e voltei! Quem me conhece sabe que adoro chocolate, que provo tudo o que tenha chocolate e se, de facto, digo que foi o melhor bolo / doce de chocolate que já comi, é porque era fantabulástico.

Quanto aos egípcios, foi uma barrigada de rir, para variar

… Estiveram perdidos, primeiro porque não sabiam onde estavam e, depois de falarem com a Marike, porque andaram à procura de uma qualquer entidade estranha, um tal cogumelo mágico que os faria encontrar o caminho certo, qual conto de fadas. Às tantas estavam debaixo de uma estátua que, daquela perspectiva, parecia um cogumelo, mas quando se afastaram, viram que era apenas uma mulher numa posição invulgar; mas o melhor mesmo foi quando perguntaram a um turco se sabia onde era o cogumelo e o coitado do homem, tão perdido como eles, aponta para um restaurante mesmo em frente e diz: “Mushroom, yes, but they also have very good fish!!!” Surreal…


Mustafa, o irmão divertido...

E Haythem, o irmão sério.


Entre provocações, comida deliciosa, histórias meio loucas e conversas semi-sérias, foi uma noite muito bem passada. À saída, ainda nos ofereceram gomas em formas de ursinhos, yey! :D Foi um regresso à infância… E tudo isto por apenas 8 euros. Assim vale a pena…

7 de setembro de 2008

Kines

Chinês

Um terceiro post no mesmo dia só para vocês se rirem... Há um chinês no meu corredor (cujo nome, por razões óbvias, não consigo perceber) que almoça à mesma hora que eu, acompanhado por uma chinesa do 5º andar. Hoje chegam eles, estava eu a acabar a sopa de ervilha e bifes com cogumelos. Sento-me à mesa, enquanto eles tagarelavam em chinês (só disseram "Hi" quando entraram), e às tantas a chinesa sai e o chinês pergunta-me: "How you make soup?" E eu, feita parva, mas não querendo ser indelicada, lá comecei a descrever como fazia a sopa "Então, ponho cebolas, batatas, cenouras, ervilhas, ponho a cozer, e depois quando está cozido mexo com a varinha." E ele logo: "Sim, sim a varinha, onde compraste?" (Afinal era isso que ele queria saber desde o início e eu a falar-lhe de batata cozida.)

Mas o melhor veio depois, quando eles se sentaram à mesa comigo, a comer. Começaram por comer arroz - arroz sem mais nada, só arroz e depois tinham uma tigela com almôndegas e uma com legumes e tiravam um bocadinho disto, um bocadinho daquilo, até que o chinês tira os óculos (óculos de ver) e penso eu: "Então por que raio é que ele tira os óculos a meio da refeição se obviamente vê pior sem eles?" Estava prestes a descobrir... O arroz a chegar ao fim, ele inclina o prato e começa a sorver o caldo com o resto do arroz do fundo do prato, com a cara LÁ DENTRO (obviamente que com óculos não devia dar muito jeito, os baguinhos de arroz cozido agarrados às lentes eram capazes de perturbar a visão). Estão a ver a alarvidade do Songoku a comer arroz? Era tudo aquilo em que eu conseguia pensar... Isso e, claro está, em não levantar a cara do meu próprio prato para não me desmanchar a rir...