5 de outubro de 2008

Höst

Outono

8ºC em Estocolmo, 23ºC em Portimão

Ontem fui passear aqui ao pé de casa, apreciar o
Outono em Estocolmo. O Outono aqui é diferente de Portugal, onde só se vêm árvores de tom amarelado e nem todas. Aqui o Outono é amarelo, laranja, vermelho-vivo, e as cores sucedem-se a uma velocidade tão alucinante que temos a impressão de acordar no dia seguinte com o mundo pintado de outra cor. A minha zona é muito agradável porque temos um parque bem perto, junto à água, e é óptimo para relaxar ao fim do dia…


Quem disse que não havia praia em Estocolmo?




Hoje, para reforçar a ideia de que, de facto, é Outono em Estocolmo, o dia amanheceu cinzento e com chuva… Isto é, acho que amanheceu cinzento e com chuva, porque para mim o dia começou umas horitas depois do nascer do sol, às 10h30. Melhor motivação não havia para uma sessão de compras com as meninas, de roupa e calçado de inverno! O pior foi que o ponto de encontro era na estação central, às 13h, ou seja, acordando às 10h30, foi o tempo de tomar banho, não tomar pequeno-almoço mas sim começar logo a fazer o almoço, comer, arrumar a cozinha e ala que se faz tarde!

4 raparigas às compras é sempre divertido, quer pela conversa, quer pelas ditas compras, que são para mim um vício que seria ainda maior se tivesse mais dinheiro para fazer umas loucuras aqui e ali.
Mas como isto não são tempos para gastos fúteis, ficamo-nos pelos objectivos que definimos à partida (no meu caso, botas+casaco+gorro) e o resto é window-shopping. Ou window-eating, termo inventado pela Dasha para descrever o meu comportamento, quando fiquei durante uns 5 minutos a namorar uns bombons de aspecto fantástico na montra de uma pastelaria…


Talvez por isso as meninas tenham identificado a necessidade de me levarem a uma pastelaria, um sitio giríssimo sugerido pela Giulia, perto de Östermalm. A decoração parece da casa de uma avozinha, mas acaba por dar um ar muito acolhedor e old-fashioned que confere a piada toda ao local… Isso e os bolos deliciosos!!! Claro que, com 4 gajas juntas, depois de uma sessão de compras, e com comida de gajas a acompanhar, só se p
odia seguir uma série de fofoquices em que descobri, por exemplo, que a Amani, a rapariga do véu no meu curso, é uma PRINCESA no Omã.:O As coisas que uma pessoa descobre… Realmente já me tinha interrogado como é que uma “simples” rapariga do Omã tinha a)dinheiro e b) autorização da família para vir estudar para a Suécia, mas agora já percebi…

Mesmo com a chuva a fustigar impiedosamente as janelas, foi uma tarde bem passada, à volta de uma fatia de bolo de maçã com merengue… :D Isso e ter comprado as minhas botas!!


Miss Botas, como me chama o Pedro :)

4 de outubro de 2008

Polis

Polícia

"Police shoot knife attacker in Stureplan

Published: 4 Oct 08 10:17 CET
Online: http://www.thelocal.se/14744/20081004/

Stockholm police shot and wounded a man after he threatened policemen with a knife in Stureplan, Stockholm late on Friday night. "

Afinal foi isto a cena macaca a que nós assistimos. Nós bem ouvimos um barulho que parecia um foguete, afinal era o tiro da polícia... E vimos o homem no chão, alvejado no pé. A diferença para Portugal é que não estava um milhão de pessoas parado a assistir e uns quantos dos milhentos polícias que acorreram ao local isolaram logo o perímetro...

Improvisation

Improviso

11ºC em Estocolmo, 23ºC em Portimão

A Vivi não perdeu tempo, depois da saída do último fim-de-sema
na, em recolher os e-mails do pessoal todo do prédio para fazer a tal mailing list para combinarmos sair juntos. Ontem, à última da hora, recebo um mail do Neil a convidar o pessoal para ir sair à noite e para passarmos antes no 1º andar para uma “pre-party” bem à sueca. Entretanto, tanto o Pedro como o Albert tinham-me falado de uma festa brasileira que ia haver em Lappis essa noite, pelo que decidimos passar por lá.

O 1º andar é bem mais giro que o nosso e tem uma sala enorme, com internet! Temos que começar a ir lá de vez em quando… O Neil, o nosso organizador de eventos, lá andou a servir vodka com sumo de umas “berries” quaisquer às meninas
(nós as 4), uma combinação que até fica bastante bem… O Albert decidiu juntar-se a nós e lá fomos em direcção a Lappis.

A festa brasileira não estava grande coisa, era principalmente pes
soal mais velho e a música não era nada de especial… As caipirinhas eram boas mas as do João são melhores (ah grandes noites de caipirinhas na Lapa!). Ao fim de umas quantas músicas, decidimos rumar a outras paragens...

Fomos tentar Östermalm, a zona das discos por excelência, para descobrir que a maioria dos sítios ou eram muito exclusivos mesmo, ou eram para
maiores de 25 (e eu a pensar, quando fiz 21, que já não era barrada em lado nenhum), ou pagava-se 150 coroas (17 euros, sem bebidas incluídas!) para entrar. Entretanto, o Pedro, que conheci ontem, juntamente com o seu colega de curso e de casa, o Tiago, e o francês que já ontem o acompanhou à aula de salsa, o William, juntaram-se a nós. Escusado será dizer que a conversa se tornou bastante confusa daí para a frente, num misto de português e inglês… A dada altura desistimos de procurar um sítio naquelas bandas, não sem antes assistirmos a uma cena macaca de um homem caído na rua, ensanguentado, e uns 6 ou 7 carros de polícia à volta (ainda agora não faço a mínima ideia do que aconteceu).

Próxima paragem: Södermalm, a ver se encontrávamos uns sítios mais baratinhos perto de Medborgarplatsen. Nada. O mesmo problema: idade ou preço. Acabámos à porta do “The Club”, onde fomos na primeira vez que saímos juntas, mas a vontade de entrar e pagar 120 coroas não era muita… Para além disso, os portugueses ameaçavam ir-se embora, porque também não estavam com particular vontade de pagar. Foi então que o belo do Neil teve a ideia de voltarmos para casa e fazermos lá a festa, visto que ele tinha lá um “álcoolzito”…

A mudança de programa agradou também aos portugueses, que seguiram a trupe do nosso corredor para uma festa improvisada. Soube tão bem falar português o caminho todo e ouvir piadas em português… Às tantas estava eu a contar-lhes como tinha sido uma tortura para mim no outro dia ver a minha mãe a comer um marmelo com óptimo aspecto quando eu os adoro e cá não há, e começam logo eles: “Epa isso dava aqui azo a uma ou duas piadas fáceis.” “Sim, tu gostas é de marmelada!” E assim por diante. Ou, quando lhes estava a explicar o caminho para o metro, digo-lhes para seguir a estrada principal e começa logo um: “Segue, segue, segue, num bira, segue…” Lol.

O “álcoolzito” era, afinal, álcoolzão. Fomos para a sala do 1º andar, o Neil saca de 4 garrafas de vodka, umas 14 cervejas, sumos, coca-cola, etc. (não faço ideia de onde é que ele guardava aquela tralha toda), outro vai buscar copos, o Neil abre o computador para pôr música, o Albert baixa as luzes e assim, em 5 minutos, se improvisa uma festa.
Neil, o benfeitor da noite :D

O Albert foi buscar cervejas ao 6º andar, também, encontrou lá um pessoal a fazer um convívio de despedida do Dioni (espanhol) e convidou-os para se juntarem a nós; a Clarissa encomendou-me uma certa música brasileira que ela andava com vontade de dançar… E assim começa a festa, ao som de “Magalenha” e comigo e a Clarissa a dançar o samba. Não fomos à festa brasileira mas trouxemos o Brasil para a residência e, devo dizer, os portugueses tomaram conta da festa. Os latinos, vá, que a Clarissa era claramente a grande animadora. Dançou-se de tudo um pouco, de Black Eyed Peas a Bob Sinclair (os clássicos), a David Guetta ou mesmo a “Macarena”! Falando em Português, passaram pela pista Daniela Mercury, Van
essa da Mata e Ivete Sangalo, tendo a noite terminado com os acordes iniciais de… “A cabritinha!!!” Ah pois é, mesmo à tuga! Lol vá lá que a Clarissa desligou as colunas antes de os estragos serem demasiado grandes…
Realmente, com companhias destas como é que a festa não havia de ser um espectáculo?!

Foi a loucura!

A delegação portuguesa: Tiago, Joana e Pedro ;)

Resumindo: para que é que uma pessoa se há-de chatear a procurar um sítio onde tem que pagar para entrar se a melhor festa de todas se pode fazer com bebidas, música escolhida por nós e muita loucura, tudo isto à borla?

IKEA

4ºC em Estocolmo, 17ºC em Portimão

Última aula desta primeira cadeira, última viagem para o campus sul. Aulas chatas de manhã, nem tanto de tarde, em que tivemos alguns exercícios “práticos” para introduzir conceitos como trabalho em equipa…

Os professores olham para nós e dizem-nos para nos dividirmos em pares. Olho para o lado, o Niklas olha para mim, resolvemos ficar juntos. Talvez a decisão da minha parte tivesse sido diferente se tivesse ouvido logo o que veio a seguir: “OK, o exercício que temos para vos propor é… Braço de ferro!” Looool… :D OK, estão a ver os meus bracinhos, não estão? O Mario olha para trás, vê que eu estou com o Niklas, desmancha-se a rir e exclama: “Niklas, don’t break her arm!” Risada geral, inclusive da parte dos profs. Claro que o Niklas a princípio baixou o meu braço com a maior das facilidades. Na segunda ronda, começo a fazer a pouca força que tenho e qual não é o meu espanto quando quase não encontro resistência e consigo empurrar o braço dele até tocar a mesa. Ele faz o ar mais sonso do mundo e diz: “És mais forte do que pareces!” Yeah sure… À terceira lá ganhou outra vez, mas aquilo cheirou-me a esturro e eu não gosto que me deixem ganhar de propósito, tira a piada toda à coisa (aliás, o Mario encarregou-se de realçar que eu ganhar ao Niklas no braço de ferro era “contra as leis da Física”, lol).

Ainda houve um momento com piada quando o Mustafa tenta (e falha miseravelmente) entrar na aula à socapa, no meio da apresentação – teve azar, pois só havia lugar na primeira fila, a maioria das pessoas dessa fila estavam sentadas do lado da porta e teve que passar bem à minha frente, pelo “palco”, digamos, e eu, ruim como as cobras, encarreguei-me de lhe dar as boas vindas com um “Hi Mustafa, welcome!” e um sorriso de orelha a orelha que pôs tudo a rir…

A ida ao IKEA foi simplesmente hilariante. Imaginem só, eu sozinha com 4 gajos (e que gajos!): Mario, Mustafa, Niklas e Espen. O Espen perdeu-se duas vezes e o Mario e o Mustafa chegaram a considerar ir à recepção pedir para o chamarem pelos altifalantes, dizendo que eram pais dele, mas depois acharam que era melhor não, visto que negro+moreno=ruivo é uma combinação impossível pelas leis da genética e ainda a senhora achava que o pobre do Espen tinha sido raptado… Experimentar os sofás do IKEA... (Niklas e Espen)

Falando em leis, confirmam-se as leis da física de que falava o Mario: o Niklas lá confirmou que me deixou ganhar ao braço de ferro só para ser simpático. Pronto, foi fofinho, vá, mas eu não sou rapariga de batotices, nem para me favorecer :P O maior gozo da tarde teve precisamente o Niklas como alvo: um amigo dele (rapaz, portanto, sexo masculino) pediu-lhe para comprar velas COR-DE-ROSA com aroma de MORANGO quando ouviu dizer que ele estava no IKEA. A melhor parte veio quando percebemos que o Niklas ia passar a noite a casa desse gajo e possivelmente o resto do fim-de-semana também – já estão a ver, os dois sozinhos, noite e tal, velinhas aromáticas… O coitado muito teve que ouvir, especialmente da parte do Mustafa (who else!!).

Look, it's the bird man! (Ou será o Orlando Bloom a tentar esconder-se de um grupo de fãs?)

A tarde foi boa (mesmo boa) mas a noite ainda seria melhor… Mas essa história fica para o próximo post. ;)

2 de outubro de 2008

Portugisiska

Português


5ºC em Estocolmo, 20ºC em Portimão


Qual é a probabilidade de encontrar um gajo de Electro da nossa faculdade portuguesa numa aula de salsa em Estocolmo? Se me perguntassem esta manhã, eu diria que quase nula. Mas agora…


O dia foi bom, mas a noite foi melhor. Hoje tive uma conversa super gira com o Niklas (ele disse-me que eu era uma “nice girl”, o que é sempre bom de se ouvir), no comboio, em que falámos mais um pouco do conceito de espaço pessoal.


À noite, aula de salsa! Eu, a Dasha, a Shermaine, a Jacomijn e o Albert lá fomos, para uma aula que, em termos de passos, foi mais do mesmo – basicamente, repetir os passos das últimas aulas muuitas vezes. Chega a altura de dançar em pares, eu e o Albert olhamos um para o outro e lá fazemos tenções de dançar, a Shermaine agarra-se a um tipo giro. Dez segundos depois, toca-me no ombro e diz-me: “Ele é português!”


Resultado: “Oi, eu sou o Pedro”, “Eu sou a Joana”, dois beijinhos, e o Pedro desata-se a rir e diz: “Tens noção que todos os suecos nesta sala acabaram de ficar chocadíssimos com o facto de nós termos dado 2 beijinhos, não tens?” LOL parecia de propósito e lá lhe estive a contar do Niklas e do seu “espaço pessoal”… Onde é que eu estudo, onde é que tu estudas, há quanto tempo estás cá, como é estranho mas bom falar em português, e chega a pergunta com a resposta mais engraçada da noite: “Então qual foi a tua faculdade em Portugal?” Basicamente, chegámos à conclusão de que estudámos na mesma faculdade nos últimos 3 anos e que não nos conhecíamos, para virmos a encontrar-nos numa aula de salsa em Estocolmo, bem longe de casa… Não dançámos muito (até porque ele não era grande dançarino, como ele próprio se encarregou de realçar) mas conversámos imenso, e soube tão bem falar com alguém que sabe a diferença que faz o 158 ter deixado de passar pela via rápida e ter começado a entrar no monte! Lol… Lá trocámos números e assim, para não perdermos o contacto.


Ainda teve a sua piada, à ida para o metro, o facto de a Dasha e o Albert terem decidido roubar um bar ambulante que estava no meio da rua coberto por uma cartolina de uma companhia de telemóveis sueca… E carregarem-no o caminho todo até Jägargatan, para servir de adição às nossas próximas festas. Isto promete… Foi particularmente gira a parte em que tentámos entrar com aquilo no metro, tudo a olhar para nós, e a Dasha a olhar para nós com a cara mais angelical do mundo a perguntar: “Will you help me carry my scuba diving equipment?” Impossível não rir…



1 de outubro de 2008

Samspråk

Conversa


10ºC em Estocolmo, 22ºC em Portimão


Ontem conversei imenso… Sobre um pouco de tudo e com várias pessoas diferentes. Com a Giulia e o Mario de manhã, sobre história do mundo e de Portugal (em resposta à pergunta da Giulia “porque é que Portugal já foi dono do mundo e agora é o que é?”), sobre cultura geral, sobre educação. Ao almoço, com o Espen, sobre a importância de votar e sobre o sistema político nos EUA. Depois do almoço com o Haythem e a Clarissa, sobre religião e as mulheres na religião muçulmana, tópico complicado e até mesmo polémico mas que deu azo a uma discussão muito interessante, em que, devo dizer, mudei um pouco a minha visão acerca da mulher nos países árabes (pelo menos em alguns países árabes). Depois das aulas, fomos para um café e a conversa continuou, desta vez já a descambar para a parvoíce, como sempre acontece quando se juntam à mesma mesa a Clarissa, o Haythem e o Mustafa.


E hoje a tendência manteve-se… Desde relações entre homens e mulheres, ao almoço, a mezinhas contra constipações (que andam a atacar a grande maioria da população do curso), às relações com as nossas mães, passando por uma aula em que o objectivo era precisamente discutirmos entre nós um caso de empreendedorismo. Ao final do dia, dei por mim a dirigir-me para o comboio com 4 rapazes: Niklas, Haythem, Mustafa e Espen. Entrámos no comboio e eles decidem ir sair, a um café, para conviver, e convidam-me para ir com eles. Quando eu digo que tenho coisas para fazer, insistem uma vez, e outra, e outra, até quase me convencerem. Pergunto onde vão, dizem que não sabem, acabam por sair na mesma estação do que eu e seguir-me até casa, onde encontramos a Dasha na cozinha, a fazer o jantar. Sentamo-nos os 6 em volta da mesa, em breve a Shermaine junta-se a nós e até a Clarissa, em desde o andar de baixo para a conversa. O Haythem diz-me que gostou muito do aspecto dos meus camarões e se eu posso fazer a receita sem álcool; lá lhe digo que não tenho a certeza de ser tão boa, mas que há outra receita de camarões que ele é capaz de gostar. O tema de conversa alterna entre a faculdade, o tempo, relações, hábitos culturais, línguas, até chegarmos à parvoíce mais pura, especialmente sempre que há uma picardia entre a Clarissa e o Mustafa.


Em suma… momentos bem passados em torno de uma chávena de chá :D


Arbete

Trabalho

10ºC em Estocolmo, 22ºC em Portimão

É engraçado ver que até aqui, numa universidade de excelência, num curso com pessoas que supostamente são crânios nas respectivas áreas, ainda há quem me chame “nerd”. Na brincadeira, claro, tudo entre amigos. Tudo porque eu acabei os trabalhos todos na 5ª feira passada e pude andar na borga enquanto eles andaram a preguiçar e agora estão a bater com a cabeça na parede, porque o prazo para entregar o ensaio de filosofia está a acabar…

Os primeiros comentários que recebi aos meus trabalhos foram bastante bons! Na apresentação oral, o professor só fez elogios e o único defeito que apontou foi o facto de eu mover muito o laser… Todos os comentários que a professora de escrita científica fez ao meu abstract foram do tipo “A very well-written and structured abstract…”. Quanto ao módulo de apresentação de posters, gostaram do aspecto geral, agradável, apelativo a simétrico do nosso poster, bem como da apresentação em si. Só falta mesmo saber a opinião do professor de Filosofia sobre o meu ensaio sobre patentes de genes… Mas até agora diria que está a correr tudo bem :D