A Malin vai sobreviver
E na terça-feira passada, quando devia estar a escrever a tese... cravaram-me para fazer isto.
O vídeo para a nossa colega a celebrar o fim do doutoramento... Que tal? :)
12 de abril de 2010
9 de abril de 2010
Svensk PhD
Doutoramento sueco
Em Novembro assisti à defesa da tese do meu pai e hoje à defesa de uma colega minha na Suécia e como há muitas diferencas, achei que era giro partilhar as tradicoes de doutoramento suecas (ou de fim de doutoramento). Como nota introdutoria, convem explicar que o doutoramento na Suecia dura entre 4 a 8 anos, logo, como devem imaginar, o fim do doutoramento e motivo de celebracao.
A primeira tradicao no Karolinska e que, 3 semanas antes da defesa, temos uma cerimonia que, traduzida a letra, se chama "o Pregar da Tese" em que, basicamente, a tese e pregada a uma tabua na parede da biblioteca como simbolismo de que, a partir daí, nao pode ser modificada.
Depois, 2 semanas antes da defesa, temos o que chamamos o "Churrasco", em que basicamente o arguente faz a apresentacao que ira fazer na defesa aos membros do seu grupo, para a gente o "grelhar" com perguntas, servindo assim de treino.
E por fim chega o dia da defesa. As coisas desenrolam-se da seguinte maneira:
- o orientador da tese faz uma pequena apresentacao de 5 minutos sobre a candidata e o arguente principal (opponent)
- o arguente, nao o candidato, faz uma apresentacao sobre a area de investigacao sobre a qual a tese incide (cerca de 10 minutos)
- a candidata (uma rapariga neste caso) faz uma apresentacao de 30 minutos com os pontos principais da tese
Seguem-se as questoes, essas sim que ca sao num regime bem diferente do que se segue em Portugal (da minha pouca experiencia com doutoramentos la). O arguente principal e o unico que faz questoes em muito detalhe sobre toda a tese; tanto ele como a candidata estao sentados a mesma mesa e debatem as varias questoes em tom de conversa (que, geralmente, gera uma discussao cientifica entre os 2 muito interessante de seguir). Hoje a discussao durou uma hora e terminou com o professor arguente (de Harvard) a perguntar 2 questoes que, aparentemente, e tradicao perguntar-se em Harvard aos recem-doutorados: Quantos filhos vais ter nos proximos 5 anos? e Onde e que vais estar profissionalmente daqui a 5 anos? A primeira foi mais facil de responder, ja que a candidata esta gravidissima, prai de 8 meses...
Depois do arguente seguem-se as questoes do juri, 3 outros professores, com menos detalhe mas ainda assim durou 45min a uma hora. E assim, 2 horas e meia depois do inicio, nos retiramos para beber champanhe e comer alguma coisa, cortesia da candidata, enquanto o juri delibera por 45 minutos (e almoca) e, por fim, o juri vem dizer que a candidata esta aprovada, faz-se um brinde, bebe-se mais champanhe e grita-se "Hip hip hurra! Hurra! hurra! Hurra!" (Sim, 4 vezes seguidas).
Seguem-se umas horas de descanso para a candidata, seguidas da festa de doutoramento, um jantar formal na universidade em que cada convidado paga uma determinada quantia (que contribui principalmente para a candidata comprar alcool mas tambem para ajudar a pagar o jantar). O jantar e com dress-code bastante formal, com os homens de fato e as senhoras de vestido (geralmente), boa comida, muita bebida e pista de danca no final. Geralmente ha discursos tanto da candidata como do orientador ou assim e costuma haver uma surpresa preparada para o recem-doutorado - normalmente um presente, para o qual todos contribuem, mas no nosso laboratorio e tradicao fazer um video a gozar com a pessoa, para o qual todos contribuem - nos fizemos uma versao do "I will survive" com o titulo "Malin will survive" e letra adaptada ao doutoramento... Se conseguir ponho o video aqui mais tarde para verem, esta um espectaculo (e as figuras que eu fiz!!!) :D
E pronto, assim se termina um doutoramento na Suecia :)
Em Novembro assisti à defesa da tese do meu pai e hoje à defesa de uma colega minha na Suécia e como há muitas diferencas, achei que era giro partilhar as tradicoes de doutoramento suecas (ou de fim de doutoramento). Como nota introdutoria, convem explicar que o doutoramento na Suecia dura entre 4 a 8 anos, logo, como devem imaginar, o fim do doutoramento e motivo de celebracao.
A primeira tradicao no Karolinska e que, 3 semanas antes da defesa, temos uma cerimonia que, traduzida a letra, se chama "o Pregar da Tese" em que, basicamente, a tese e pregada a uma tabua na parede da biblioteca como simbolismo de que, a partir daí, nao pode ser modificada.
Depois, 2 semanas antes da defesa, temos o que chamamos o "Churrasco", em que basicamente o arguente faz a apresentacao que ira fazer na defesa aos membros do seu grupo, para a gente o "grelhar" com perguntas, servindo assim de treino.
E por fim chega o dia da defesa. As coisas desenrolam-se da seguinte maneira:
- o orientador da tese faz uma pequena apresentacao de 5 minutos sobre a candidata e o arguente principal (opponent)
- o arguente, nao o candidato, faz uma apresentacao sobre a area de investigacao sobre a qual a tese incide (cerca de 10 minutos)
- a candidata (uma rapariga neste caso) faz uma apresentacao de 30 minutos com os pontos principais da tese
Seguem-se as questoes, essas sim que ca sao num regime bem diferente do que se segue em Portugal (da minha pouca experiencia com doutoramentos la). O arguente principal e o unico que faz questoes em muito detalhe sobre toda a tese; tanto ele como a candidata estao sentados a mesma mesa e debatem as varias questoes em tom de conversa (que, geralmente, gera uma discussao cientifica entre os 2 muito interessante de seguir). Hoje a discussao durou uma hora e terminou com o professor arguente (de Harvard) a perguntar 2 questoes que, aparentemente, e tradicao perguntar-se em Harvard aos recem-doutorados: Quantos filhos vais ter nos proximos 5 anos? e Onde e que vais estar profissionalmente daqui a 5 anos? A primeira foi mais facil de responder, ja que a candidata esta gravidissima, prai de 8 meses...
Depois do arguente seguem-se as questoes do juri, 3 outros professores, com menos detalhe mas ainda assim durou 45min a uma hora. E assim, 2 horas e meia depois do inicio, nos retiramos para beber champanhe e comer alguma coisa, cortesia da candidata, enquanto o juri delibera por 45 minutos (e almoca) e, por fim, o juri vem dizer que a candidata esta aprovada, faz-se um brinde, bebe-se mais champanhe e grita-se "Hip hip hurra! Hurra! hurra! Hurra!" (Sim, 4 vezes seguidas).
Seguem-se umas horas de descanso para a candidata, seguidas da festa de doutoramento, um jantar formal na universidade em que cada convidado paga uma determinada quantia (que contribui principalmente para a candidata comprar alcool mas tambem para ajudar a pagar o jantar). O jantar e com dress-code bastante formal, com os homens de fato e as senhoras de vestido (geralmente), boa comida, muita bebida e pista de danca no final. Geralmente ha discursos tanto da candidata como do orientador ou assim e costuma haver uma surpresa preparada para o recem-doutorado - normalmente um presente, para o qual todos contribuem, mas no nosso laboratorio e tradicao fazer um video a gozar com a pessoa, para o qual todos contribuem - nos fizemos uma versao do "I will survive" com o titulo "Malin will survive" e letra adaptada ao doutoramento... Se conseguir ponho o video aqui mais tarde para verem, esta um espectaculo (e as figuras que eu fiz!!!) :D
E pronto, assim se termina um doutoramento na Suecia :)
7 de abril de 2010
Chefen
6 de abril de 2010
Beslut
Decisões
6ºC em Estocolmo, 18ºC em Portimão
A principal razão de este blog ter andado parado é que eu tinha uma notícia para dar mas não queria dá-la sem ter 100% certeza. ora neste momento, não tenho 100 mas tenho, vá lá, 90% de certezas. E neste momento acho que vocês todos já sabem, nem que seja pelo Facebook, que entrei em Cambridge, no Wellcome Trust PhD Programme in Stem Cell Research. pronto, já disse.
Para ter os 100% de certeza, falta o IELTS, o estúpido exame de inglês em que eu tive excelente nota há 2 anos e meio mas que aparentemente só tem 2 anos de validade, apesar de eu ter passado estes 2 últimos anos a estudar em inglês. Por isso toca a desembolsar mais 200 euros e a voltar a estudar para um exame que (maravilha das maravilhas) vai calhar na mesma semana que a defesa da tese de mestrado e do projecto anterior que ainda não defendi porque estava em Oxford nesse dia. Yay.
(OK, para o caso de não parecer, eu estou contente de ter entrado em Cambridge, ok? Só que estas burocracias inglesas... Estão a dar cabo de mim :P)
6ºC em Estocolmo, 18ºC em Portimão
A principal razão de este blog ter andado parado é que eu tinha uma notícia para dar mas não queria dá-la sem ter 100% certeza. ora neste momento, não tenho 100 mas tenho, vá lá, 90% de certezas. E neste momento acho que vocês todos já sabem, nem que seja pelo Facebook, que entrei em Cambridge, no Wellcome Trust PhD Programme in Stem Cell Research. pronto, já disse.
Para ter os 100% de certeza, falta o IELTS, o estúpido exame de inglês em que eu tive excelente nota há 2 anos e meio mas que aparentemente só tem 2 anos de validade, apesar de eu ter passado estes 2 últimos anos a estudar em inglês. Por isso toca a desembolsar mais 200 euros e a voltar a estudar para um exame que (maravilha das maravilhas) vai calhar na mesma semana que a defesa da tese de mestrado e do projecto anterior que ainda não defendi porque estava em Oxford nesse dia. Yay.
(OK, para o caso de não parecer, eu estou contente de ter entrado em Cambridge, ok? Só que estas burocracias inglesas... Estão a dar cabo de mim :P)
24 de fevereiro de 2010
Is = kaos
Gelo = Caos
-13ºC em Estocolmo, 17ºC em Portimão
Os Suecos estão bem preparados para a neve e as temperaturas negativas. Se em Inglaterra ao fim de 5 minutos de neve está declarado estado de sítio, na Suécia mal a primeira neve começa a cair inúmeras respostas são desencadeadas para evitar transtornos à vida diária. São os batalhões de limpa neves que trabalham incessantemente todas as noites, para que ao sairmos de casa de manhã as estradas e passeios estejam limpinhos. É a areia despejada em ruas e passeios para evitar a formação de gelo e umas belas escorregadelas. São os senhores condutores que mal se anuncia a neve mudam os pneus para pneus de inverno. São os comboios cujas linhas são aquecidas, para que não se forme gelo nas linha, impedindo o tráfego. E assim se consegue que, mesmo ao fim de 3 meses de neve ininterrupta, uma pessoa consiga continuar a chegar ao trabalho a horas e a fazer a sua vidinha.
O problema... é quando baixa para as ditas "temperaturas extremas", ou seja, abaixo de -20ºC (últimos 5 dias, basicamente). Com menos de -20ºC, o que acontece é que o aquecimento das linhas de comboio não é suficiente para compensar a temperatura exterior e forma-se gelo. Os comboios deixam de funcionar. O metro passa a funcionar só no centro de Estocolmo, porque as linhas para a periferia também são exteriores. Ou seja, o pessoal tem que andar de carro. O trânsito (que normalmente em Estocolmo é muito pouco) aumenta para níveis impensáveis. Os autocarros, que já iam atrasados por terem que levar mais pessoas do que o costume, atrasam ainda mais com o aumento do trânsito. Chega-se a esperar 30, 40 minutos numa paragem de autocarro sem vir um único (e quando vem, já está tão cheio que nem a Olívia Palito lá cabia). Leva-se hora e meia para chegar a casa quando normalmente a mesma viagem demoraria 35 minutos.
E é por isto que eu digo: Neve é giro e tal, muito bem, mas JÁ CHEGA!
-13ºC em Estocolmo, 17ºC em Portimão
Os Suecos estão bem preparados para a neve e as temperaturas negativas. Se em Inglaterra ao fim de 5 minutos de neve está declarado estado de sítio, na Suécia mal a primeira neve começa a cair inúmeras respostas são desencadeadas para evitar transtornos à vida diária. São os batalhões de limpa neves que trabalham incessantemente todas as noites, para que ao sairmos de casa de manhã as estradas e passeios estejam limpinhos. É a areia despejada em ruas e passeios para evitar a formação de gelo e umas belas escorregadelas. São os senhores condutores que mal se anuncia a neve mudam os pneus para pneus de inverno. São os comboios cujas linhas são aquecidas, para que não se forme gelo nas linha, impedindo o tráfego. E assim se consegue que, mesmo ao fim de 3 meses de neve ininterrupta, uma pessoa consiga continuar a chegar ao trabalho a horas e a fazer a sua vidinha.
O problema... é quando baixa para as ditas "temperaturas extremas", ou seja, abaixo de -20ºC (últimos 5 dias, basicamente). Com menos de -20ºC, o que acontece é que o aquecimento das linhas de comboio não é suficiente para compensar a temperatura exterior e forma-se gelo. Os comboios deixam de funcionar. O metro passa a funcionar só no centro de Estocolmo, porque as linhas para a periferia também são exteriores. Ou seja, o pessoal tem que andar de carro. O trânsito (que normalmente em Estocolmo é muito pouco) aumenta para níveis impensáveis. Os autocarros, que já iam atrasados por terem que levar mais pessoas do que o costume, atrasam ainda mais com o aumento do trânsito. Chega-se a esperar 30, 40 minutos numa paragem de autocarro sem vir um único (e quando vem, já está tão cheio que nem a Olívia Palito lá cabia). Leva-se hora e meia para chegar a casa quando normalmente a mesma viagem demoraria 35 minutos.
E é por isto que eu digo: Neve é giro e tal, muito bem, mas JÁ CHEGA!
29 de janeiro de 2010
In love with Oxford
Oxford é lindo lindo lindo de morrer! Na primeira tarde só tive uns vislumbres da janela do autocarro / táxi mas quanto mais vejo mais gosto! Os edifícios antigos são lindos, as ruas cheias de gente, e respira-se um ar académico como duvido que haja em outro lugar do mundo.
Ontem à noite tivemos uma recepção muito agradável no novo departamento de Bioquímica que é fantástico tanto em termos de condições como de arquitectura. Foi muito agradável ter a oportunidade de conhecer os membros do júri, incluindo personalidades ilustres daquelas que a gente acha que só vê nos papers. Uma pessoa até se sente importante, ali, no meio dos deuses da ciência. A ciência que se faz é óptima e as pessoas super simpáticas, sentimo-nos imediatamente em casa.
Conheci uma rapariga de Cambridge que me contou que é do mesmo college do Stephen Hawking. Diz que ele é uma pessoa super amigável, que em alguns dos jantares até anda lá com a cadeira no meio da pista de dança mas que a doença tem vindo a avançar e nos últimos tempos já nem consegue escrever, por isso controla a máquina da fala piscando os olhos (!).
A entrevista... Bem, não sei como correu, para variar. Houve mais questões teóricas para as quais eu não estava muito preparada... Mas eles foram impecáveis.
Ainda tivemos uma visita guiada a dois departamentos (Bioquímica = :O ) e por fim decidi ir passear um bocadinho ao centro de Oxford (lindo!). Vou eu a virar uma esquina e dou de caras com o Rafal, o polaco que esteve comigo nas entrevistas de 2ª feira! Lol! O mundo é realmente pequeno... Fomos tomar café e ele levou-me ao Christ Church, um dos colleges mais imponentes e onde filmaram o Harry Potter :D
No dia seguinte, estive a passear pelo centro e a tirar fotos antes de ir apanhar o comboio de regresso...
Ontem à noite tivemos uma recepção muito agradável no novo departamento de Bioquímica que é fantástico tanto em termos de condições como de arquitectura. Foi muito agradável ter a oportunidade de conhecer os membros do júri, incluindo personalidades ilustres daquelas que a gente acha que só vê nos papers. Uma pessoa até se sente importante, ali, no meio dos deuses da ciência. A ciência que se faz é óptima e as pessoas super simpáticas, sentimo-nos imediatamente em casa.
Conheci uma rapariga de Cambridge que me contou que é do mesmo college do Stephen Hawking. Diz que ele é uma pessoa super amigável, que em alguns dos jantares até anda lá com a cadeira no meio da pista de dança mas que a doença tem vindo a avançar e nos últimos tempos já nem consegue escrever, por isso controla a máquina da fala piscando os olhos (!).
A entrevista... Bem, não sei como correu, para variar. Houve mais questões teóricas para as quais eu não estava muito preparada... Mas eles foram impecáveis.
Ainda tivemos uma visita guiada a dois departamentos (Bioquímica = :O ) e por fim decidi ir passear um bocadinho ao centro de Oxford (lindo!). Vou eu a virar uma esquina e dou de caras com o Rafal, o polaco que esteve comigo nas entrevistas de 2ª feira! Lol! O mundo é realmente pequeno... Fomos tomar café e ele levou-me ao Christ Church, um dos colleges mais imponentes e onde filmaram o Harry Potter :D
No dia seguinte, estive a passear pelo centro e a tirar fotos antes de ir apanhar o comboio de regresso...
28 de janeiro de 2010
Gollywobbles
As entrevistas para o Cancer Research UK terminaram com encontros individuais com os supervisores que seleccionamos. Devo confessar que em relacao a um dos projectos... Fiquei tentada. Muito interessante mesmo, apesar de eu a priori nao estar interessada naquela area.
No que eu estou interessada... e em celulas estaminais. Fui ainda agora entrevistada para o programa Wellcome Trust em Stem Cell Research e ainda sinto o estomago a andar as voltas... Que nervos! E para dizer a verdade nem sei como correu! So sei que de 164 candidatos escolheram 11 e destes 11 só vão ficar 6! A primeira parte da entrevista foi apresentação, depois questões sobre a apresentação (bem puxadinhas) e por fim questões gerais sobre o doutoramento e sobre mim.
Antes disso... Foi altura de me despedir do pessoal que conheci no Cancer Research, na terça. Há lá pessoas de quem gostei mesmo muito e que de quem fiquei amiga. Trocámos emails e ficámos de avisar quando um de nós fosse convidado.
À chegada a Cambridge, de comboio, foi só atravessar a rua para chegar à pousada. Quarto apertadinho, mal tinha espaço para abrir a minha mala gigante. Não faz mal, foram só duas noites. A primeira tarde-noite a fazer a apresentação (e a comer sanduíches do Marks&Spencer) e a manhã seguinte passada em parte num ciber-café a enviar a dita apresentação.
Cambridge é pequenina mas gira e tem imensos restaurantes e lojas, o que é um ponto positivo para uma shopaholic como eu. Alguns dos edifícios são lindos, mesmo.
Agora Oxford... é um sonho! Cheguei há 1 hora atrás e portanto só tive tempo de vislumbrar edifícios antigos e lindos de morrer das janelas do autocarro e do táxi. A muito custo, lá consegui dar com o Departamento de Bioquímica e instalar-me no fantástico "University Club", uma espécie de clube desportivo e recreativo com quartos para convidados que são fantásticos - e com Internet!!!!
O resto do dia vai ser passado com uma sesta, seguida da preparação das apresentações de amanhã (sem Powerpoint!) e, por fim, uma recepção e jantar no departamento de Bioquímica.
See you tomorrow! Cheers!
No que eu estou interessada... e em celulas estaminais. Fui ainda agora entrevistada para o programa Wellcome Trust em Stem Cell Research e ainda sinto o estomago a andar as voltas... Que nervos! E para dizer a verdade nem sei como correu! So sei que de 164 candidatos escolheram 11 e destes 11 só vão ficar 6! A primeira parte da entrevista foi apresentação, depois questões sobre a apresentação (bem puxadinhas) e por fim questões gerais sobre o doutoramento e sobre mim.
Antes disso... Foi altura de me despedir do pessoal que conheci no Cancer Research, na terça. Há lá pessoas de quem gostei mesmo muito e que de quem fiquei amiga. Trocámos emails e ficámos de avisar quando um de nós fosse convidado.
À chegada a Cambridge, de comboio, foi só atravessar a rua para chegar à pousada. Quarto apertadinho, mal tinha espaço para abrir a minha mala gigante. Não faz mal, foram só duas noites. A primeira tarde-noite a fazer a apresentação (e a comer sanduíches do Marks&Spencer) e a manhã seguinte passada em parte num ciber-café a enviar a dita apresentação.
Cambridge é pequenina mas gira e tem imensos restaurantes e lojas, o que é um ponto positivo para uma shopaholic como eu. Alguns dos edifícios são lindos, mesmo.
Agora Oxford... é um sonho! Cheguei há 1 hora atrás e portanto só tive tempo de vislumbrar edifícios antigos e lindos de morrer das janelas do autocarro e do táxi. A muito custo, lá consegui dar com o Departamento de Bioquímica e instalar-me no fantástico "University Club", uma espécie de clube desportivo e recreativo com quartos para convidados que são fantásticos - e com Internet!!!!
O resto do dia vai ser passado com uma sesta, seguida da preparação das apresentações de amanhã (sem Powerpoint!) e, por fim, uma recepção e jantar no departamento de Bioquímica.
See you tomorrow! Cheers!
27 de janeiro de 2010
“If you can’t succeed here, you can’t succeed anywhere”
25-01-2010
Foi o que nos disseram na sessão de apresentação de ontem e, de facto, não duvido. O Cancer Research UK é, apenas, o maior instituto de investigação sobre o cancro da Europa e a instituição que mais dinheiro move no UK – e completamente financiada por donativos! Têm TUDO: animal house, laboratórios de proteómica, de fermentação com reactores gigantes, FACS, microscópios de toda a maneira e feitio, pessoal só pra nos fazer todos os meios de cultura / reagentes / linhas celulares de que precisemos… É o paraíso do investigador. Para terem uma noção, às tantas uma das técnicas vira-se pra nós e diz: “Ah e se quiserem anticorpos venham falar connosco que nós fazemo-vos anticorpos monoclonais contra a proteína que estão a estudar. É um desperdício comprarem a companhias como a abcam porque somos nós que lhes fornecemos muitos dos anticorpos!” Lol. É realmente muuuito difícil dizer que não a um sítio em que basicamente se pode fazer qualquer experiência sem limites orçamentais…
Falando da entrevista propriamente dita: correu ok, acho eu, não fizeram muitas perguntas mas todas as que fizeram consegui responder, só me enrolei completamente numa em que estava super nervosa e esqueci-me do que estava a dizer a meio da frase. Mas pronto, não foi muito mau.
As pessoas, agora que já nos conhecemos: há de tudo um pouco. O Andrew, um inglês super competitivo para quem isto toma ares de batalha. A Abaigail, inglesa super posh, de saltos e saia lápis. O Martin, um daqueles tipos com ar de geek fofinhos, de Cambridge. Um tailandês que estuda em Oxford. Uma cipriota que estuda em Manchester. Um grego do Imperial College. Uma húngara que vai ser entrevistada também no programa de Oxford ao qual me candidatei. Um irlandês um pouco tímido. Mas as pessoas com quem me dou mesmo mesmo bem são um polaco chamado Rafal, super querido, um gentleman, mito simpático mesmo; uma italiana de Trieste chamada Nicol; e uma alemã/indiana chamada Jennifer. Aliás, nós as 3 formámos uma espécie de irmandade e hoje até partilhámos as sobremesas, para grande choque dos ingleses.
Também houve outra coincidência engraçada ao jantar – sentei-me num lugar +- aleatório e começo a falar com uma estudante de doutoramento italiana que estava sentada ao meu lado… Quando lhe disse que estava em Estocolmo, diz ela: “Ah, eu tinha uma amiga lá, mas não deves conhecer, a Elisa Storelli?” Loooool apenas a mesma Elisa que morava em Jagargatan, que estava sempre nas mesmas festas que eu, que foi comigo a Oslo e que agora mora em Trieste, tal como a Vera!!!! Lindo! A Alessandra pegou logo no telemóvel, ligou à Elisa e disse-lhe: “Olha vou passar o telefone a uma pessoa…” Quando eu contei à Elisa ela nem queria acreditar!
E pronto, no final do dia das entrevistas está tudo morto, toda a gente foi direitinha para a cama apesar de serem 9 da noite!
Foi o que nos disseram na sessão de apresentação de ontem e, de facto, não duvido. O Cancer Research UK é, apenas, o maior instituto de investigação sobre o cancro da Europa e a instituição que mais dinheiro move no UK – e completamente financiada por donativos! Têm TUDO: animal house, laboratórios de proteómica, de fermentação com reactores gigantes, FACS, microscópios de toda a maneira e feitio, pessoal só pra nos fazer todos os meios de cultura / reagentes / linhas celulares de que precisemos… É o paraíso do investigador. Para terem uma noção, às tantas uma das técnicas vira-se pra nós e diz: “Ah e se quiserem anticorpos venham falar connosco que nós fazemo-vos anticorpos monoclonais contra a proteína que estão a estudar. É um desperdício comprarem a companhias como a abcam porque somos nós que lhes fornecemos muitos dos anticorpos!” Lol. É realmente muuuito difícil dizer que não a um sítio em que basicamente se pode fazer qualquer experiência sem limites orçamentais…
Falando da entrevista propriamente dita: correu ok, acho eu, não fizeram muitas perguntas mas todas as que fizeram consegui responder, só me enrolei completamente numa em que estava super nervosa e esqueci-me do que estava a dizer a meio da frase. Mas pronto, não foi muito mau.
As pessoas, agora que já nos conhecemos: há de tudo um pouco. O Andrew, um inglês super competitivo para quem isto toma ares de batalha. A Abaigail, inglesa super posh, de saltos e saia lápis. O Martin, um daqueles tipos com ar de geek fofinhos, de Cambridge. Um tailandês que estuda em Oxford. Uma cipriota que estuda em Manchester. Um grego do Imperial College. Uma húngara que vai ser entrevistada também no programa de Oxford ao qual me candidatei. Um irlandês um pouco tímido. Mas as pessoas com quem me dou mesmo mesmo bem são um polaco chamado Rafal, super querido, um gentleman, mito simpático mesmo; uma italiana de Trieste chamada Nicol; e uma alemã/indiana chamada Jennifer. Aliás, nós as 3 formámos uma espécie de irmandade e hoje até partilhámos as sobremesas, para grande choque dos ingleses.
Também houve outra coincidência engraçada ao jantar – sentei-me num lugar +- aleatório e começo a falar com uma estudante de doutoramento italiana que estava sentada ao meu lado… Quando lhe disse que estava em Estocolmo, diz ela: “Ah, eu tinha uma amiga lá, mas não deves conhecer, a Elisa Storelli?” Loooool apenas a mesma Elisa que morava em Jagargatan, que estava sempre nas mesmas festas que eu, que foi comigo a Oslo e que agora mora em Trieste, tal como a Vera!!!! Lindo! A Alessandra pegou logo no telemóvel, ligou à Elisa e disse-lhe: “Olha vou passar o telefone a uma pessoa…” Quando eu contei à Elisa ela nem queria acreditar!
E pronto, no final do dia das entrevistas está tudo morto, toda a gente foi direitinha para a cama apesar de serem 9 da noite!
I’m here, folks!
24-01-2010
Esta semana estou no Reino Unido para entrevistas para doutoramento. Mesmo que não entre, só a experiência vai ser (e está a ser) fantástica.
Cheguei ontem a Gatwick para me deparar com um senhor à minha espera com uma tabuleta a dizer “Ms. Flores, Cancer Research”. Uma pessoa até se sente toda importante, com motorista a carregar-nos as malas e tudo!
Fui instalar-me no hotel onde tenho um quarto pelo menos tão grande como o meu quarto de Estocolmo – e com televisão! É quase como estar de férias, se não fosse o nervoso miudinho… E toda a gente fala com aquele British accent super fofinho… Depois de 24h cá até eu já começo a dar uns ares de British enquanto falo.
Mas hoje foi um dia em que deu muito jeito falar português. Ontem mal cheguei, queria ligar o computador para trabalhar um bocado quando me apercebi que o carregador não servia na tomada! Lol esqueci-me completamente que estes ingleses têm a mania que são diferentes… Na loja os adaptadores para as tomadas estavam esgotados e eu sem saber o que fazer, já estava a desesperar. Estava eu a rever os apontamentos da minha apresentação quando começo a ouvir “os miúdos…”, “tem uma vida boa, ele…”, “ela ligou ao João”, etc., ou seja, uma grande converseta entre as duas senhoras da limpeza que eram… portuguesas! Pensei logo ir perguntar-lhes sobre os adaptadores e elas foram impecáveis! Arranjaram-me logo um de que um cliente se tinha esquecido e disseram-me que podia ficar com ele! Problema resolvido…
A comida… vai ser um problema. Epa, comida inglesa é do pior que há. Hoje já tive um “English breakfast”, que consistiu de bacon, ovo estrelado, salsichas, torrada, cogumelos e tomates e lá consegui evitar que o senhor me pusesse uma colherada de feijão no prato, blaargh :-s Ao almoço lá comi uma sopa de tomate e ao jantar “Fish and chips” – mais um ou dois dias disto e o meu estômago entra em greve!
Entretanto lá fui conhecendo o pessoal que, como eu, está cá para entrevistas. Somos 14, para 6-8 lugares. Logo, 50% de hipóteses. Há quem seja de cá e tenha vindo de Londres, Cambridge ou Oxford, uma italiana de Triste, uma cipriota, um polaco, uma alemã, etc. No geral, pessoal bastante simpático, mas alguns, como um dos ingleses, nota-se que são bastante competitivos e que estão mesmo cá para ir à luta e agarrar o PhD com unhas e dentes. Com outros até se fala bastante bem…
Hoje fomos recebidos pela primeira vez no Cancer Researck UK – London Research Institute – Clare Hall. É um centro na periferia de Londres, +- 20 minutos de comboio da estação mais próxima, que nem por isso é assim tão perto. Fica no meio do campo, vá, o que para mim é um factor -. Mas lá que têm dinheiro a montes, isso têm. Basicamente, tudo o que se quiser fazer em termos de investigação pode fazer-se aqui e, como eles próprios disseram hoje, “se não tiverem sucesso aqui, não têm sucesso em lado nenhum”. É muito bom, mesmo, e a investigação bastante interessante, embora talvez não seja a minha primeira escolha. Fomos recebidos num sítio a que eles chamam “The manor” e que é isso mesmo, uma mansão super gira em que os quartos no primeiro andar são ocupados por estudantes / investigadores de visita e no rés-do-chão têm salas para reuniões e conferências, mas em que temos sempre a sensação de estarmos numa casa de um nobre praí do século XIX. Nos vários intervalos das sessões tivemos direito a sumo e bolos e no final a bebidas. O dia acabou com um jantar com estudantes de doutoramento actuais num “British pub” com letreiros engraçados nas paredes, tipo “Children are welcome. However, if they are running around with no adult supervision, we might sell them to the circus.” Lol.
E foi assim o primeiro dia de uma loonga semana que aí vem. Amanhã de manhã tenho a primeira entrevista. Vamos ver como corre…
Esta semana estou no Reino Unido para entrevistas para doutoramento. Mesmo que não entre, só a experiência vai ser (e está a ser) fantástica.
Cheguei ontem a Gatwick para me deparar com um senhor à minha espera com uma tabuleta a dizer “Ms. Flores, Cancer Research”. Uma pessoa até se sente toda importante, com motorista a carregar-nos as malas e tudo!
Fui instalar-me no hotel onde tenho um quarto pelo menos tão grande como o meu quarto de Estocolmo – e com televisão! É quase como estar de férias, se não fosse o nervoso miudinho… E toda a gente fala com aquele British accent super fofinho… Depois de 24h cá até eu já começo a dar uns ares de British enquanto falo.
Mas hoje foi um dia em que deu muito jeito falar português. Ontem mal cheguei, queria ligar o computador para trabalhar um bocado quando me apercebi que o carregador não servia na tomada! Lol esqueci-me completamente que estes ingleses têm a mania que são diferentes… Na loja os adaptadores para as tomadas estavam esgotados e eu sem saber o que fazer, já estava a desesperar. Estava eu a rever os apontamentos da minha apresentação quando começo a ouvir “os miúdos…”, “tem uma vida boa, ele…”, “ela ligou ao João”, etc., ou seja, uma grande converseta entre as duas senhoras da limpeza que eram… portuguesas! Pensei logo ir perguntar-lhes sobre os adaptadores e elas foram impecáveis! Arranjaram-me logo um de que um cliente se tinha esquecido e disseram-me que podia ficar com ele! Problema resolvido…
A comida… vai ser um problema. Epa, comida inglesa é do pior que há. Hoje já tive um “English breakfast”, que consistiu de bacon, ovo estrelado, salsichas, torrada, cogumelos e tomates e lá consegui evitar que o senhor me pusesse uma colherada de feijão no prato, blaargh :-s Ao almoço lá comi uma sopa de tomate e ao jantar “Fish and chips” – mais um ou dois dias disto e o meu estômago entra em greve!
Entretanto lá fui conhecendo o pessoal que, como eu, está cá para entrevistas. Somos 14, para 6-8 lugares. Logo, 50% de hipóteses. Há quem seja de cá e tenha vindo de Londres, Cambridge ou Oxford, uma italiana de Triste, uma cipriota, um polaco, uma alemã, etc. No geral, pessoal bastante simpático, mas alguns, como um dos ingleses, nota-se que são bastante competitivos e que estão mesmo cá para ir à luta e agarrar o PhD com unhas e dentes. Com outros até se fala bastante bem…
Hoje fomos recebidos pela primeira vez no Cancer Researck UK – London Research Institute – Clare Hall. É um centro na periferia de Londres, +- 20 minutos de comboio da estação mais próxima, que nem por isso é assim tão perto. Fica no meio do campo, vá, o que para mim é um factor -. Mas lá que têm dinheiro a montes, isso têm. Basicamente, tudo o que se quiser fazer em termos de investigação pode fazer-se aqui e, como eles próprios disseram hoje, “se não tiverem sucesso aqui, não têm sucesso em lado nenhum”. É muito bom, mesmo, e a investigação bastante interessante, embora talvez não seja a minha primeira escolha. Fomos recebidos num sítio a que eles chamam “The manor” e que é isso mesmo, uma mansão super gira em que os quartos no primeiro andar são ocupados por estudantes / investigadores de visita e no rés-do-chão têm salas para reuniões e conferências, mas em que temos sempre a sensação de estarmos numa casa de um nobre praí do século XIX. Nos vários intervalos das sessões tivemos direito a sumo e bolos e no final a bebidas. O dia acabou com um jantar com estudantes de doutoramento actuais num “British pub” com letreiros engraçados nas paredes, tipo “Children are welcome. However, if they are running around with no adult supervision, we might sell them to the circus.” Lol.
E foi assim o primeiro dia de uma loonga semana que aí vem. Amanhã de manhã tenho a primeira entrevista. Vamos ver como corre…
22 de janeiro de 2010
Elak
Mázinha
Uma bela noite estive com a Catarina, Fabbyie e João no Bairro Alto a ver quem escorregava nas escadas à saída de um bar, mandando as cervejas que segurava pelos ares. Hoje tive o mesmo divertimento ao ver pessoal a correr para o autocarro, que parou mesmo ao lado de uma placa de gelo invisível a quem não estivesse sentado na paragem. Hehehe. Ainda comecei o dia a rir ao ver aquele pessoal de pernas pro ar, a estrebuchar como tartarugas que não se conseguem virar... Muahahahaha!
Não façam essa cara, que ninguém se magoou - homens-almofada, lembram-se?
Uma bela noite estive com a Catarina, Fabbyie e João no Bairro Alto a ver quem escorregava nas escadas à saída de um bar, mandando as cervejas que segurava pelos ares. Hoje tive o mesmo divertimento ao ver pessoal a correr para o autocarro, que parou mesmo ao lado de uma placa de gelo invisível a quem não estivesse sentado na paragem. Hehehe. Ainda comecei o dia a rir ao ver aquele pessoal de pernas pro ar, a estrebuchar como tartarugas que não se conseguem virar... Muahahahaha!
Não façam essa cara, que ninguém se magoou - homens-almofada, lembram-se?
21 de janeiro de 2010
Kuddar
Almofadas
Hoje tive uma experiência que ainda não tinha tido na Suécia. Geralmente uma pessoa entra no autocarro, senta-se, ou então vai de pé, mas aquilo nunca enche muito por causa do "personal space". Não há aquela sensação de sairmos do trabalho e sermos esmigalhados contra o sovacum de alguém, vá. Mas hoje, não sei o que lhes deu, estava tudo com pressa de chegar a casa, e puxa, e empurra, e fica o autocarro tão cheio como em Lisboa à hora de ponta. Com duas diferenças: como aqui está frio, o pessoal não sua, logo, os odores corporais indesejados são mínimos; e o pessoal anda tão encasacado que em vez de sentirmos o cotovelo do vizinho no meio das costelas, temos a sensação de estarmos rodeados de homens-almofada que amortecem os balanços do autocarro...
Hoje tive uma experiência que ainda não tinha tido na Suécia. Geralmente uma pessoa entra no autocarro, senta-se, ou então vai de pé, mas aquilo nunca enche muito por causa do "personal space". Não há aquela sensação de sairmos do trabalho e sermos esmigalhados contra o sovacum de alguém, vá. Mas hoje, não sei o que lhes deu, estava tudo com pressa de chegar a casa, e puxa, e empurra, e fica o autocarro tão cheio como em Lisboa à hora de ponta. Com duas diferenças: como aqui está frio, o pessoal não sua, logo, os odores corporais indesejados são mínimos; e o pessoal anda tão encasacado que em vez de sentirmos o cotovelo do vizinho no meio das costelas, temos a sensação de estarmos rodeados de homens-almofada que amortecem os balanços do autocarro...
20 de janeiro de 2010
Salig
Feliz...
-1ºC em Estocolmo, 15ºC em Portimão
... porque a vida me corre bem. Porque tenho saúde, amigos e gosto do que faço. Porque o meu "chefinho" (o meu supervisor alemão) está satisfeito com o meu desempenho até agora. Porque adoro Estocolmo e sei que a melhor coisa que fiz foi vir pra cá. Porque me candidatei a 4 programas doutorais no Reino Unido e fui chamada pra entrevista nos 4. Porque à conta disso vou passar um fim-de-semana a passear em Londres. Porque sim.
-1ºC em Estocolmo, 15ºC em Portimão
... porque a vida me corre bem. Porque tenho saúde, amigos e gosto do que faço. Porque o meu "chefinho" (o meu supervisor alemão) está satisfeito com o meu desempenho até agora. Porque adoro Estocolmo e sei que a melhor coisa que fiz foi vir pra cá. Porque me candidatei a 4 programas doutorais no Reino Unido e fui chamada pra entrevista nos 4. Porque à conta disso vou passar um fim-de-semana a passear em Londres. Porque sim.
14 de janeiro de 2010
För igår
Para ontem...
-5ºC em Estocolmo (até está calor!), 19ºC em Portimão (frio? deixem-me rir)
Foi para quando o boss disse que queria resultados do nosso projecto. Ora se antes de ele dizer isto já eu e o meu chefinho (como diz o Pedro) andávamos numa roda viva, em que na primeira semana do projecto vim pra cá todos os dias das 9h30 às 19 incluindo ao sábado, imagino daqui pra frente. Eu já o avisei (ao chefinho, não ao chefão) que só me posso dedicar exclusivamente ao projecto depois das entrevistas de doutoramento. Sim, entrevistas no plural. Hoje recebi o convite para a segunda :) Também em Londres, University College London. Vamos a ver no que dá. Alea jacta est.
-5ºC em Estocolmo (até está calor!), 19ºC em Portimão (frio? deixem-me rir)
Foi para quando o boss disse que queria resultados do nosso projecto. Ora se antes de ele dizer isto já eu e o meu chefinho (como diz o Pedro) andávamos numa roda viva, em que na primeira semana do projecto vim pra cá todos os dias das 9h30 às 19 incluindo ao sábado, imagino daqui pra frente. Eu já o avisei (ao chefinho, não ao chefão) que só me posso dedicar exclusivamente ao projecto depois das entrevistas de doutoramento. Sim, entrevistas no plural. Hoje recebi o convite para a segunda :) Também em Londres, University College London. Vamos a ver no que dá. Alea jacta est.
6 de janeiro de 2010
Nytt år...
Ano novo...
... vida nova, laboratório novo e uns -20ºC (sim, menos vinte!) que tornam qualquer breve saída dolorosa (literalmente). Se há ano que vai muito de novo é este, que há de trazer o fim do mestrado e o início do doutoramento.
A ausência de posts (já um mês desde o último!) deve-se, como seria de esperar, ao trabalho. Houve ali uma altura em Dezembro em que, entre cadeiras, um projecto a acabar e outro a começar e candidaturas, não sabia mesmo para onde me virar.
Passo então a resumir os eventos das últimas semanas:
- acabou o projecto sobre leveduras, correu bem e tive alguns resultados. Estou agora a começar o projecto de mestrado, em regeneração do miocárdio após enfarte, em ratinhos. ADORO o projecto, comecei esta segunda-feira e por enquanto estou a gostar e a aprender imenso, como seria de esperar.
- as férias de Natal foram boas, à base de comer e dormir, mas sempre deu para descansar.
- as candidaturas para Inglaterra e para o EMBL já foram todas submetidas e resta esperar. Recebi a resposta da primeira (London Research Institute, Cancer Research UK) e fui convidada para entrevista - escolheram 65 pessoas para entrevistas entre 1300 candidaturas e agora só vão ficar 25! Ou seja, na última semana de Janeiro estarei por Londres...
- estão -20ºC. Pode não parecer muito como notícia, mas acreditem que não passam despercebidos...
Aproveito para desejar bom ano a todos! Ou, em bom sueco, Gott Nytt År!
... vida nova, laboratório novo e uns -20ºC (sim, menos vinte!) que tornam qualquer breve saída dolorosa (literalmente). Se há ano que vai muito de novo é este, que há de trazer o fim do mestrado e o início do doutoramento.
A ausência de posts (já um mês desde o último!) deve-se, como seria de esperar, ao trabalho. Houve ali uma altura em Dezembro em que, entre cadeiras, um projecto a acabar e outro a começar e candidaturas, não sabia mesmo para onde me virar.
Passo então a resumir os eventos das últimas semanas:
- acabou o projecto sobre leveduras, correu bem e tive alguns resultados. Estou agora a começar o projecto de mestrado, em regeneração do miocárdio após enfarte, em ratinhos. ADORO o projecto, comecei esta segunda-feira e por enquanto estou a gostar e a aprender imenso, como seria de esperar.
- as férias de Natal foram boas, à base de comer e dormir, mas sempre deu para descansar.
- as candidaturas para Inglaterra e para o EMBL já foram todas submetidas e resta esperar. Recebi a resposta da primeira (London Research Institute, Cancer Research UK) e fui convidada para entrevista - escolheram 65 pessoas para entrevistas entre 1300 candidaturas e agora só vão ficar 25! Ou seja, na última semana de Janeiro estarei por Londres...
- estão -20ºC. Pode não parecer muito como notícia, mas acreditem que não passam despercebidos...
Aproveito para desejar bom ano a todos! Ou, em bom sueco, Gott Nytt År!
4 de dezembro de 2009
80-talet
80s... ou anos 80, como preferirem
2ºC em Estocolmo, 9ºC em Portimão
Bem, este post já devia ter sido feito há duas semanas, que foi quando teve lugar a primeira festa temática dos anos 80 de Jägargatan, que surpreendeu pela quantidade de pessoas que realmente se deram ao trabalho de arranjar uma indumentária da respectiva época!!! Vou deixar as fotos falarem por si:




O meu outfit foi muito bem recebido (embora o meu preferido ainda seja o do gustavo, vejam foto acima). O ombro à mostra aparentemente é muito sexy e deu direito a um chorrilho de elogios...
2ºC em Estocolmo, 9ºC em Portimão
Bem, este post já devia ter sido feito há duas semanas, que foi quando teve lugar a primeira festa temática dos anos 80 de Jägargatan, que surpreendeu pela quantidade de pessoas que realmente se deram ao trabalho de arranjar uma indumentária da respectiva época!!! Vou deixar as fotos falarem por si:
O meu outfit foi muito bem recebido (embora o meu preferido ainda seja o do gustavo, vejam foto acima). O ombro à mostra aparentemente é muito sexy e deu direito a um chorrilho de elogios...
18 de novembro de 2009
En typiskt dag
Um dia típico
O despertador toca às 6h20. Nem é tarde nem é cedo: se geralmente toca Às 7, também já dias houve que tocou às 5, 5h20. Levanto-me a custo, banhoca, pequeno-almoço sozinha que isto o resto do pessoal levanta-se mais tarde. Lavar dentes, retocar maquilhagem, pegar no computador e na mala e toca a correr para o autocarro que, felizmente, para mesmo à porta.
Depois do autocarro nº1, autocarro nº2 - corro par o apanhar e o motorista tem mesmo gozo, nota-se, em fechar-me a porta na cara. Outro vem. Troco para o nº3 para ser mais rápido. Cheio, cheio a abarrotar, sem lugar sentado.
Finalmente no laboratório às 8h20, toca a fazer medições, começa-se a experiência. Viagem ao primeiro andar porque esta semana sou a responsável por manter o armário do material cheio. Depois dos deveres, lá ligo o computador. Análise dos dados já recolhidos nos últimos dias em que passei uma média de 5 a 7 horas ao microscópio, o que resultou numa dorzinha de cabeça irritantemente persistente que não passa. Chego à conclusão que se quero acabar de recolher os dados ao microscópio tenho que vir cá domingo o dia inteiro - óptimo. Vou ter que trocar de cartão com a Ingrid já que o meu não abre a sala do microscópio.
Entretanto, de hora em hora, vou medindo a densidade óptica da cultura. Lentinha... Mais um intervalo de uma hora, escrevo no caderno de laboratório tudo o que fiz nos últimos 5 dias e ainda não tinha tido tempo de escrever. Faço a lista do que tenho que fazer até às férias e o meu estômago dá uma volta. Mais uma medição e tentar não perder o fio à experiência enquanto me disperso pelas outras coisas todas que tenho que ler / escrever.
Combino almoçar com a Clarissa, o único momento de relax do dia, embora deprimente no sentido em que estávamos as duas tão cansadas que metade do tempo foi passado a suspirar entre mastigadelas.
Volto ao laboratório, mesmo a tempo: a cultura estava finalmente crescida, descongelo o factor-alfa, adiciono-o. Faltam 3 vezes de hora a hora. Na primeira hora de intervalo, planeio as próximas duas semanas de trabalho e chego à conclusão que se quero concluir este projecto tenho que trabalhar todos os fins-de-semana até às férias menos o que vou a Portugal. Na segunda, consigo ser produtiva ao ponto de acabar o trabalho de uma das cadeiras que ainda não acabei. Menos mal. Na terceira, toca a preparar soluções para o resto da experiência: umas a partir dos stocks, outras têm que ser descongeladas, fazem-se cálculos, já estou atrasada, para cúmulo não encontro o kitasato para a filtração.
Lá o desencanto, 10 minutos de atraso, agora vai ser uma corrida: filtração 1, filtração 2, células num novo meio, começa a recolha de amostras. 21 ml, 1 praqui, 20 prali, os 20 para a centrifuga 1, 5 minutos, os 1 para a centrífuga 2, 1 minuto, não dá para fazer mais nada, tira de lá, aspira, resuspende, pro congelador, hora de tirar a outra amostra da centrifuga 2, aspira, águinha gelada lá pra dentro, mais 5 minutos, e é a fomeca que aperta mas não dá para comer que já aí vem outra recolha em menos de nada.
Eu e a Ingrid discutimos como as pessoas que nunca trabalharam num laboratório acham que dá para fazer uma pausazinha de 5 minutos aqui ou ali e comer, dar uma dentadinha. Vê-se mesmo que nunca estiveram no stress de uma experiência com tempos definidos para tudo, em que 5 minutos fazem muita diferença, sim senhora, já que muitos dos eventos que estudamos até se passam em SEGUNDOS, em que os reagentes não podem ficar ali em cima à espera que a gente dê a dita dentadinha porque alguns deles estragam-se se não forem postos imediatamente a -20ºC ou -80ºC, depende, e até custam uns milhares de coroas, porque de qualquer forma não se pode comer no laboratório e comer implicaria sair do laboratório, tirar as luvas, lavar bem as mãozinhas porque já agora convinha assegurar que as substâncias cancerígenas com que trabalhamos não vão parar ao estômago, lembrar que ao voltar ao laboratório é necessário repetir o processo em ordem inversa, voltar a colocar luvas, etc., e que 5 minutinhos NÃO CHEGAM. Nem para ir à casa de banho dá, é tudo calculado, penso que na próxima centrifugação de 5 minutos lá consigo dar lá um saltinho mas então aparece o Haythem e estraga-me o esquema, 3 minutos de conversa e também tenho que lhe dar com os pés porque a experiência chama e não espera. Nos pequenos intervalos de 2, 3 minutos, é ir arrumando e lavando a imensidão de material que se gastou ao longo do dia, vejo que o armário já está vazio e vou ter que o encher novamente amanhã.
O laboratório de 8 pessoas agora tem duas: eu e a Ingrid. A experiência acaba por fim, últimas amostras no congelador, uma sandes comida à pressa só mesmo para aguentar a viagem e ala que se faz tarde, 18h30, autocarro nº1 mesmo a sair, metro, duas estações, LIDL onde compro 3 litros de azeite que acabou, 3 kg de cebolas e 1 kg de iogurte a ver se este dura, porque temos um ladrão de iogurtes no corredor que roubou 5 da minha prateleira nas últimas duas semanas. Mala cheia com as compras, está a chover, tão bom! (Sarcasmo) Metro, uma estação, esperar pelo autocarro, esperar, está a chover, estou a ficar molhada, o guarda-chuva está esmigalhado debaixo dos 7 kg de compras e o meu ombro a caminho de um deslocamento, o autocarro que não chega, em dias de chuva até na Suécia atrasa 20 minutos.
Entro no autocarro e durmo. O caminho todo. Acordo na curva da minha rua, saio disparada, entro em casa e finalmente pouso as coisas no quarto, vou à cozinha e como um prato de sopa e deixo o frango a marinar para o resto do jantar e é neste bocadinho que finalmente me consigo sentar a escrever para que vocês percebam, precisamente, porque é que eu não tenho tempo de escrever, porque não apareço no messenger e porque é que à noite me apetece tudo menos conversar. Agora multipliquem pelos 15 últimos dias que foram todos +- assim e pelos 25 que faltam e que assim hão-de ser.
E é por estas e por outras que me ponho a pensar se tenho estaleca para um doutoramento, em que é suposto fazermos isto tudo e muito mais todos os dias durante 4 anos a fio. Acho que caio pro lado ao fim do primeiro mês, quanto mais... É algo a considerar.
O frango está pronto. Amanhã o despertador toca às 6.
O despertador toca às 6h20. Nem é tarde nem é cedo: se geralmente toca Às 7, também já dias houve que tocou às 5, 5h20. Levanto-me a custo, banhoca, pequeno-almoço sozinha que isto o resto do pessoal levanta-se mais tarde. Lavar dentes, retocar maquilhagem, pegar no computador e na mala e toca a correr para o autocarro que, felizmente, para mesmo à porta.
Depois do autocarro nº1, autocarro nº2 - corro par o apanhar e o motorista tem mesmo gozo, nota-se, em fechar-me a porta na cara. Outro vem. Troco para o nº3 para ser mais rápido. Cheio, cheio a abarrotar, sem lugar sentado.
Finalmente no laboratório às 8h20, toca a fazer medições, começa-se a experiência. Viagem ao primeiro andar porque esta semana sou a responsável por manter o armário do material cheio. Depois dos deveres, lá ligo o computador. Análise dos dados já recolhidos nos últimos dias em que passei uma média de 5 a 7 horas ao microscópio, o que resultou numa dorzinha de cabeça irritantemente persistente que não passa. Chego à conclusão que se quero acabar de recolher os dados ao microscópio tenho que vir cá domingo o dia inteiro - óptimo. Vou ter que trocar de cartão com a Ingrid já que o meu não abre a sala do microscópio.
Entretanto, de hora em hora, vou medindo a densidade óptica da cultura. Lentinha... Mais um intervalo de uma hora, escrevo no caderno de laboratório tudo o que fiz nos últimos 5 dias e ainda não tinha tido tempo de escrever. Faço a lista do que tenho que fazer até às férias e o meu estômago dá uma volta. Mais uma medição e tentar não perder o fio à experiência enquanto me disperso pelas outras coisas todas que tenho que ler / escrever.
Combino almoçar com a Clarissa, o único momento de relax do dia, embora deprimente no sentido em que estávamos as duas tão cansadas que metade do tempo foi passado a suspirar entre mastigadelas.
Volto ao laboratório, mesmo a tempo: a cultura estava finalmente crescida, descongelo o factor-alfa, adiciono-o. Faltam 3 vezes de hora a hora. Na primeira hora de intervalo, planeio as próximas duas semanas de trabalho e chego à conclusão que se quero concluir este projecto tenho que trabalhar todos os fins-de-semana até às férias menos o que vou a Portugal. Na segunda, consigo ser produtiva ao ponto de acabar o trabalho de uma das cadeiras que ainda não acabei. Menos mal. Na terceira, toca a preparar soluções para o resto da experiência: umas a partir dos stocks, outras têm que ser descongeladas, fazem-se cálculos, já estou atrasada, para cúmulo não encontro o kitasato para a filtração.
Lá o desencanto, 10 minutos de atraso, agora vai ser uma corrida: filtração 1, filtração 2, células num novo meio, começa a recolha de amostras. 21 ml, 1 praqui, 20 prali, os 20 para a centrifuga 1, 5 minutos, os 1 para a centrífuga 2, 1 minuto, não dá para fazer mais nada, tira de lá, aspira, resuspende, pro congelador, hora de tirar a outra amostra da centrifuga 2, aspira, águinha gelada lá pra dentro, mais 5 minutos, e é a fomeca que aperta mas não dá para comer que já aí vem outra recolha em menos de nada.
Eu e a Ingrid discutimos como as pessoas que nunca trabalharam num laboratório acham que dá para fazer uma pausazinha de 5 minutos aqui ou ali e comer, dar uma dentadinha. Vê-se mesmo que nunca estiveram no stress de uma experiência com tempos definidos para tudo, em que 5 minutos fazem muita diferença, sim senhora, já que muitos dos eventos que estudamos até se passam em SEGUNDOS, em que os reagentes não podem ficar ali em cima à espera que a gente dê a dita dentadinha porque alguns deles estragam-se se não forem postos imediatamente a -20ºC ou -80ºC, depende, e até custam uns milhares de coroas, porque de qualquer forma não se pode comer no laboratório e comer implicaria sair do laboratório, tirar as luvas, lavar bem as mãozinhas porque já agora convinha assegurar que as substâncias cancerígenas com que trabalhamos não vão parar ao estômago, lembrar que ao voltar ao laboratório é necessário repetir o processo em ordem inversa, voltar a colocar luvas, etc., e que 5 minutinhos NÃO CHEGAM. Nem para ir à casa de banho dá, é tudo calculado, penso que na próxima centrifugação de 5 minutos lá consigo dar lá um saltinho mas então aparece o Haythem e estraga-me o esquema, 3 minutos de conversa e também tenho que lhe dar com os pés porque a experiência chama e não espera. Nos pequenos intervalos de 2, 3 minutos, é ir arrumando e lavando a imensidão de material que se gastou ao longo do dia, vejo que o armário já está vazio e vou ter que o encher novamente amanhã.
O laboratório de 8 pessoas agora tem duas: eu e a Ingrid. A experiência acaba por fim, últimas amostras no congelador, uma sandes comida à pressa só mesmo para aguentar a viagem e ala que se faz tarde, 18h30, autocarro nº1 mesmo a sair, metro, duas estações, LIDL onde compro 3 litros de azeite que acabou, 3 kg de cebolas e 1 kg de iogurte a ver se este dura, porque temos um ladrão de iogurtes no corredor que roubou 5 da minha prateleira nas últimas duas semanas. Mala cheia com as compras, está a chover, tão bom! (Sarcasmo) Metro, uma estação, esperar pelo autocarro, esperar, está a chover, estou a ficar molhada, o guarda-chuva está esmigalhado debaixo dos 7 kg de compras e o meu ombro a caminho de um deslocamento, o autocarro que não chega, em dias de chuva até na Suécia atrasa 20 minutos.
Entro no autocarro e durmo. O caminho todo. Acordo na curva da minha rua, saio disparada, entro em casa e finalmente pouso as coisas no quarto, vou à cozinha e como um prato de sopa e deixo o frango a marinar para o resto do jantar e é neste bocadinho que finalmente me consigo sentar a escrever para que vocês percebam, precisamente, porque é que eu não tenho tempo de escrever, porque não apareço no messenger e porque é que à noite me apetece tudo menos conversar. Agora multipliquem pelos 15 últimos dias que foram todos +- assim e pelos 25 que faltam e que assim hão-de ser.
E é por estas e por outras que me ponho a pensar se tenho estaleca para um doutoramento, em que é suposto fazermos isto tudo e muito mais todos os dias durante 4 anos a fio. Acho que caio pro lado ao fim do primeiro mês, quanto mais... É algo a considerar.
O frango está pronto. Amanhã o despertador toca às 6.
9 de novembro de 2009
Fem minuter...
1 de novembro de 2009
Halloween
6ºC em Estocolmo, 23ºC em Portimão
Os suecos têm amor à América e tudo o que de lá vem. São as séries de televisão. Os filmes. O inglês com sotaque americano que retiram das suas séries preferidas (fora os fãs das Brit coms que adoptam o british accent). E é o Halloween. Sem quaisquer raízes na sociedade sueca, mas é a loucura total. Em todos os supermercados vendem-se abóboras para esculpir e as festas e bares de Halloween multiplicam-se.

Eu também fui contagiada pela febre e comecei o aquecimento quarta-feira, no bar de Halloween do CCK.
Já sexta, foi dia de bar de Halloween do meu departamento actual, CMB. O bar estava às moscas, mas a noite traria uma das festas mais concorridas a que Jägargatan já alguma vez assistiu. Deviam ser umas 80 pessoas na sala de estar diminuta do 1º andar. Eu fui de Minnie - OK, eu sei, não parece à primeira vista relacionado com o Halloween, mas na verdade foi uma americana que me sugeriu o disfarce. Nos Estados Unidos eles mascaram-se de qualquer coisa no Halloween, não necessariamente de vampiros, fantasmas e outros que tais, apesar de essa ser a escolha mais frequente.
Só cerca de um terço a metade das pessoas é que foram mascaradas, mas houve disfarces excepcionais. O Pedro decidiu adoptar simplesmente um ar hardcore e colar caveiras na roupa e maquilhar-se de preto (depois da festa ficaria com a dúvida existencial de como é que as raparigas fazem aquilo todos os dias).

A Cécile foi uma freira sexy.

Duas raparigas de Jägargatan fizeram elas mesmas fatos de aranha, em que as pernas extra consistiam em collants pretos cheios com folhas de jornal - mas com um efeito bem engraçado!

A Karina vestiu-se de boneca Chuckie (tiveram que me explicar esta, eu não sou nada entendida nestes filmes).

Havia vampiros, diabos...

O Gustavo era a Morte.

A Clari e a Filipa pintaram as caras de forma assustadora.

Uma rapariga vestiu-se de doente psiquiátrica fugitiva.

Dois amigos meus pegaram simplesmente em batas de laboratório e salpicaram-nas de ketchup, o que, aliado à peruca maluca e às pipetas / seringas que usaram a noite toda para beber o que quer que fosse, desde cerveja a rum, deu um ar de cientistas completamente loucos.

Por fim, a festa serviu para dizer adeus (com lagriminha no olho) ao meu querido amigo Christian, que partiu para terras suíças à conquista do PhD. A nossa última foto.
Os suecos têm amor à América e tudo o que de lá vem. São as séries de televisão. Os filmes. O inglês com sotaque americano que retiram das suas séries preferidas (fora os fãs das Brit coms que adoptam o british accent). E é o Halloween. Sem quaisquer raízes na sociedade sueca, mas é a loucura total. Em todos os supermercados vendem-se abóboras para esculpir e as festas e bares de Halloween multiplicam-se.
Eu também fui contagiada pela febre e comecei o aquecimento quarta-feira, no bar de Halloween do CCK.
Já sexta, foi dia de bar de Halloween do meu departamento actual, CMB. O bar estava às moscas, mas a noite traria uma das festas mais concorridas a que Jägargatan já alguma vez assistiu. Deviam ser umas 80 pessoas na sala de estar diminuta do 1º andar. Eu fui de Minnie - OK, eu sei, não parece à primeira vista relacionado com o Halloween, mas na verdade foi uma americana que me sugeriu o disfarce. Nos Estados Unidos eles mascaram-se de qualquer coisa no Halloween, não necessariamente de vampiros, fantasmas e outros que tais, apesar de essa ser a escolha mais frequente.

Só cerca de um terço a metade das pessoas é que foram mascaradas, mas houve disfarces excepcionais. O Pedro decidiu adoptar simplesmente um ar hardcore e colar caveiras na roupa e maquilhar-se de preto (depois da festa ficaria com a dúvida existencial de como é que as raparigas fazem aquilo todos os dias).
A Cécile foi uma freira sexy.

Duas raparigas de Jägargatan fizeram elas mesmas fatos de aranha, em que as pernas extra consistiam em collants pretos cheios com folhas de jornal - mas com um efeito bem engraçado!
A Karina vestiu-se de boneca Chuckie (tiveram que me explicar esta, eu não sou nada entendida nestes filmes).

Havia vampiros, diabos...
O Gustavo era a Morte.
A Clari e a Filipa pintaram as caras de forma assustadora.

Uma rapariga vestiu-se de doente psiquiátrica fugitiva.
Dois amigos meus pegaram simplesmente em batas de laboratório e salpicaram-nas de ketchup, o que, aliado à peruca maluca e às pipetas / seringas que usaram a noite toda para beber o que quer que fosse, desde cerveja a rum, deu um ar de cientistas completamente loucos.
Por fim, a festa serviu para dizer adeus (com lagriminha no olho) ao meu querido amigo Christian, que partiu para terras suíças à conquista do PhD. A nossa última foto.
27 de outubro de 2009
Konferensen
A conferência
6ºC em Estocolmo, 25ºC em Portimão
OK, depois de muito reclamar das minhas leitoras :P lá me decidi a fazer um pequeno post, por entre centrifugações e amostras, em directo do laboratório. Eu já tinha dito que ADORO este laboratório? Se calhar não, mas a descrição detalhada vai ter que ficar para o próximo post. Por agora, fico-me por mencionar a conferência a que fui na 6a feira (enquanto certas pessoas se passeavam por Amesterdão, e tal, para fazerem o pessoal sentir-se mal).
O encontro anual do departamento teve lugar no meio do mato, que é como quem diz, num hotel nos subúrbios de Estocolmo. Lá foi o pessoal todo, excelsos cientistas e meros estudantes, em dois autocarros alugados que nem visita de estudo, a maioria de posters em punho, prontos para as apresentações. A maioria das apresentações foram muito interessantes, tínhamos sempre café, chá e bolos à disposição nos intervalos, a única coisa que ajudava a enfrentar aquelas horas matinais... Aliás, deixei-me de dormir durante uma das conferências, lol. O melhor desse episódio: deixei-me de dormir enquanto tirava notas e quando regressei a um estado consciente, reparei que tinha escrito uma palavra enquanto passava pelas brasas: guys (gajos). Lol. Nem o meu subconsciente me deixa em paz...
Mas o giro destas coisas nunca é a parte científica. Pronto, a ciência é interessante, mas giro giro é observar os cientistas quando se apanham num ambiente mais descontraído - e com bebidas à borla. Ninguém prestou muita atenção aos posters, as conferências foram seguidas umas com mais interesse que outras, mas a diversão começa quando o pessoal se apanha com bar aberto. Para além disso, os organizadores da conferência puseram o pessoal a jogar Guitar Hero (não, não estou a gozar) como forma de estimular o convívio, e foi giríssimo ver aqueles velhotes do comité Nobel todos contentes a jogar contra a malta nova (e a perder). O Takaharu, do nosso laboratório, até foi à final, mas perdeu.
Vendo bem as coisas, foi um dia giro. Conheceram-se pessoas, passou-se um bom bocado e vai-se a ver e ainda houve ciência no meio daquilo tudo. Devia ser sempre assim...
6ºC em Estocolmo, 25ºC em Portimão
OK, depois de muito reclamar das minhas leitoras :P lá me decidi a fazer um pequeno post, por entre centrifugações e amostras, em directo do laboratório. Eu já tinha dito que ADORO este laboratório? Se calhar não, mas a descrição detalhada vai ter que ficar para o próximo post. Por agora, fico-me por mencionar a conferência a que fui na 6a feira (enquanto certas pessoas se passeavam por Amesterdão, e tal, para fazerem o pessoal sentir-se mal).
O encontro anual do departamento teve lugar no meio do mato, que é como quem diz, num hotel nos subúrbios de Estocolmo. Lá foi o pessoal todo, excelsos cientistas e meros estudantes, em dois autocarros alugados que nem visita de estudo, a maioria de posters em punho, prontos para as apresentações. A maioria das apresentações foram muito interessantes, tínhamos sempre café, chá e bolos à disposição nos intervalos, a única coisa que ajudava a enfrentar aquelas horas matinais... Aliás, deixei-me de dormir durante uma das conferências, lol. O melhor desse episódio: deixei-me de dormir enquanto tirava notas e quando regressei a um estado consciente, reparei que tinha escrito uma palavra enquanto passava pelas brasas: guys (gajos). Lol. Nem o meu subconsciente me deixa em paz...
Mas o giro destas coisas nunca é a parte científica. Pronto, a ciência é interessante, mas giro giro é observar os cientistas quando se apanham num ambiente mais descontraído - e com bebidas à borla. Ninguém prestou muita atenção aos posters, as conferências foram seguidas umas com mais interesse que outras, mas a diversão começa quando o pessoal se apanha com bar aberto. Para além disso, os organizadores da conferência puseram o pessoal a jogar Guitar Hero (não, não estou a gozar) como forma de estimular o convívio, e foi giríssimo ver aqueles velhotes do comité Nobel todos contentes a jogar contra a malta nova (e a perder). O Takaharu, do nosso laboratório, até foi à final, mas perdeu.
Seguiu-se o jantar, a entrada e o prato nada de especial mas as sobremesas até eram boas. E no fim houve discursos e prémios para os melhores posters e conferências (desde garrafas de champanhe a câmaras para Western blot a livros a (?!) bolas de malabarismo. lol.). E foi ao jantar que eu cometi o erro, não pela primeira vez, de discutir a existência de Deus com um fanático religioso. Claro que, quando começámos, eu não sabia que ele o era, mas isso tornou-se bem claro ao longo da discussão, que acabou mal. E mais: ele é do meu laboratório e senta-se à minha frente todos os dias: ontem e hoje ainda não me falou (apesar de supostamente eu ter sido a "ofendida" e ele até ter dito que me ia pedir desculpa).
Pessoal do meu lab na mesa do lado: começando pela esquerda e no sentido dos ponteiros do relógio, Kristian J., Andreas, Ingrid, Camilla (a boss!), 3 japoneses do departamento (não sei o nome deles...)
Pessoal do meu lab na mesa do lado: começando pela esquerda e no sentido dos ponteiros do relógio, Kristian J., Andreas, Ingrid, Camilla (a boss!), 3 japoneses do departamento (não sei o nome deles...)
Depois de jantar, seguiu-se a festa, este ano sem tanta gente visto que não ficámos a dormir no hotel, mas ainda assim jeitosa. Tivemos bebidas de borla através de "senhas de bebida", por alguma razão toda a gente que tinha senhas de sobra dava-mas (não sei se me achavam com cara de bêbeda) e eu acabei por não usar nenhuma e a única bebida que tomei foi paga pelo meu supervisor. O pós-doc alemão do meu lab, o Andreas, só gozava comigo de cada vez que alguém (quase sempre gajos) me vinha dar mais uma senha. Na pista de dança, os investigadores libertavam-se de preconceitos e faziam figuras dignas de se ver, alguns bebiam um bocadinho mais que a conta e assumiam expressões demasiado felizes...
Eu, o meu supervisor (Kristian C.) e a Ingrid (sueca/americana, minha parceira de bancada)
Vendo bem as coisas, foi um dia giro. Conheceram-se pessoas, passou-se um bom bocado e vai-se a ver e ainda houve ciência no meio daquilo tudo. Devia ser sempre assim...
12 de outubro de 2009
Recept
Receita...
5ºC em Estocolmo, 20ºC em Portimão
...para começar a semana mais cansada do que se acabou a semana anterior:
Marinar durante uma semana em trabalho intensivo até se ficar bem exausto. Retirar do trabalho e passar por um jantar internacional. Rechear de comida e bebida de vários cantos do mundo. Repousar 3 horas.
No dia seguinte, lavar bem a roupa de duas semanas e refogar lentamente uma visita ao IKEA. Preparar para uma festa de despedida, cozinhar com espumante espanhol durante 5 horas. Repousar 5 horas.
Fritar os miolos a tentar compreender uma exposição de Dali no Museu de Arte Moderna. Estufar num restaurante vegetariano. Passar uma segunda vez por um jantar internacional, recheando de comida deliciosa. Reservar no quentinho da cama até o despertador tocar na segunda de manhã...
5ºC em Estocolmo, 20ºC em Portimão
...para começar a semana mais cansada do que se acabou a semana anterior:
Marinar durante uma semana em trabalho intensivo até se ficar bem exausto. Retirar do trabalho e passar por um jantar internacional. Rechear de comida e bebida de vários cantos do mundo. Repousar 3 horas.
No dia seguinte, lavar bem a roupa de duas semanas e refogar lentamente uma visita ao IKEA. Preparar para uma festa de despedida, cozinhar com espumante espanhol durante 5 horas. Repousar 5 horas.
Fritar os miolos a tentar compreender uma exposição de Dali no Museu de Arte Moderna. Estufar num restaurante vegetariano. Passar uma segunda vez por um jantar internacional, recheando de comida deliciosa. Reservar no quentinho da cama até o despertador tocar na segunda de manhã...
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