6ºC em Estocolmo, 25ºC em Portimão
OK, depois de muito reclamar das minhas leitoras :P lá me decidi a fazer um pequeno post, por entre centrifugações e amostras, em directo do laboratório. Eu já tinha dito que ADORO este laboratório? Se calhar não, mas a descrição detalhada vai ter que ficar para o próximo post. Por agora, fico-me por mencionar a conferência a que fui na 6a feira (enquanto certas pessoas se passeavam por Amesterdão, e tal, para fazerem o pessoal sentir-se mal).
O encontro anual do departamento teve lugar no meio do mato, que é como quem diz, num hotel nos subúrbios de Estocolmo. Lá foi o pessoal todo, excelsos cientistas e meros estudantes, em dois autocarros alugados que nem visita de estudo, a maioria de posters em punho, prontos para as apresentações. A maioria das apresentações foram muito interessantes, tínhamos sempre café, chá e bolos à disposição nos intervalos, a única coisa que ajudava a enfrentar aquelas horas matinais... Aliás, deixei-me de dormir durante uma das conferências, lol. O melhor desse episódio: deixei-me de dormir enquanto tirava notas e quando regressei a um estado consciente, reparei que tinha escrito uma palavra enquanto passava pelas brasas: guys (gajos). Lol. Nem o meu subconsciente me deixa em paz...
Mas o giro destas coisas nunca é a parte científica. Pronto, a ciência é interessante, mas giro giro é observar os cientistas quando se apanham num ambiente mais descontraído - e com bebidas à borla. Ninguém prestou muita atenção aos posters, as conferências foram seguidas umas com mais interesse que outras, mas a diversão começa quando o pessoal se apanha com bar aberto. Para além disso, os organizadores da conferência puseram o pessoal a jogar Guitar Hero (não, não estou a gozar) como forma de estimular o convívio, e foi giríssimo ver aqueles velhotes do comité Nobel todos contentes a jogar contra a malta nova (e a perder). O Takaharu, do nosso laboratório, até foi à final, mas perdeu.
Seguiu-se o jantar, a entrada e o prato nada de especial mas as sobremesas até eram boas. E no fim houve discursos e prémios para os melhores posters e conferências (desde garrafas de champanhe a câmaras para Western blot a livros a (?!) bolas de malabarismo. lol.). E foi ao jantar que eu cometi o erro, não pela primeira vez, de discutir a existência de Deus com um fanático religioso. Claro que, quando começámos, eu não sabia que ele o era, mas isso tornou-se bem claro ao longo da discussão, que acabou mal. E mais: ele é do meu laboratório e senta-se à minha frente todos os dias: ontem e hoje ainda não me falou (apesar de supostamente eu ter sido a "ofendida" e ele até ter dito que me ia pedir desculpa).
Pessoal do meu lab na mesa do lado: começando pela esquerda e no sentido dos ponteiros do relógio, Kristian J., Andreas, Ingrid, Camilla (a boss!), 3 japoneses do departamento (não sei o nome deles...)
Pessoal do meu lab na mesa do lado: começando pela esquerda e no sentido dos ponteiros do relógio, Kristian J., Andreas, Ingrid, Camilla (a boss!), 3 japoneses do departamento (não sei o nome deles...)
Depois de jantar, seguiu-se a festa, este ano sem tanta gente visto que não ficámos a dormir no hotel, mas ainda assim jeitosa. Tivemos bebidas de borla através de "senhas de bebida", por alguma razão toda a gente que tinha senhas de sobra dava-mas (não sei se me achavam com cara de bêbeda) e eu acabei por não usar nenhuma e a única bebida que tomei foi paga pelo meu supervisor. O pós-doc alemão do meu lab, o Andreas, só gozava comigo de cada vez que alguém (quase sempre gajos) me vinha dar mais uma senha. Na pista de dança, os investigadores libertavam-se de preconceitos e faziam figuras dignas de se ver, alguns bebiam um bocadinho mais que a conta e assumiam expressões demasiado felizes...
Eu, o meu supervisor (Kristian C.) e a Ingrid (sueca/americana, minha parceira de bancada)
Vendo bem as coisas, foi um dia giro. Conheceram-se pessoas, passou-se um bom bocado e vai-se a ver e ainda houve ciência no meio daquilo tudo. Devia ser sempre assim...
Sem comentários:
Enviar um comentário