27 de janeiro de 2010

I’m here, folks!

24-01-2010
Esta semana estou no Reino Unido para entrevistas para doutoramento. Mesmo que não entre, só a experiência vai ser (e está a ser) fantástica.
Cheguei ontem a Gatwick para me deparar com um senhor à minha espera com uma tabuleta a dizer “Ms. Flores, Cancer Research”. Uma pessoa até se sente toda importante, com motorista a carregar-nos as malas e tudo!

Fui instalar-me no hotel onde tenho um quarto pelo menos tão grande como o meu quarto de Estocolmo – e com televisão! É quase como estar de férias, se não fosse o nervoso miudinho… E toda a gente fala com aquele British accent super fofinho… Depois de 24h cá até eu já começo a dar uns ares de British enquanto falo.
Mas hoje foi um dia em que deu muito jeito falar português. Ontem mal cheguei, queria ligar o computador para trabalhar um bocado quando me apercebi que o carregador não servia na tomada! Lol esqueci-me completamente que estes ingleses têm a mania que são diferentes… Na loja os adaptadores para as tomadas estavam esgotados e eu sem saber o que fazer, já estava a desesperar. Estava eu a rever os apontamentos da minha apresentação quando começo a ouvir “os miúdos…”, “tem uma vida boa, ele…”, “ela ligou ao João”, etc., ou seja, uma grande converseta entre as duas senhoras da limpeza que eram… portuguesas! Pensei logo ir perguntar-lhes sobre os adaptadores e elas foram impecáveis! Arranjaram-me logo um de que um cliente se tinha esquecido e disseram-me que podia ficar com ele! Problema resolvido…

A comida… vai ser um problema. Epa, comida inglesa é do pior que há. Hoje já tive um “English breakfast”, que consistiu de bacon, ovo estrelado, salsichas, torrada, cogumelos e tomates e lá consegui evitar que o senhor me pusesse uma colherada de feijão no prato, blaargh :-s Ao almoço lá comi uma sopa de tomate e ao jantar “Fish and chips” – mais um ou dois dias disto e o meu estômago entra em greve!
Entretanto lá fui conhecendo o pessoal que, como eu, está cá para entrevistas. Somos 14, para 6-8 lugares. Logo, 50% de hipóteses. Há quem seja de cá e tenha vindo de Londres, Cambridge ou Oxford, uma italiana de Triste, uma cipriota, um polaco, uma alemã, etc. No geral, pessoal bastante simpático, mas alguns, como um dos ingleses, nota-se que são bastante competitivos e que estão mesmo cá para ir à luta e agarrar o PhD com unhas e dentes. Com outros até se fala bastante bem…

Hoje fomos recebidos pela primeira vez no Cancer Researck UK – London Research Institute – Clare Hall. É um centro na periferia de Londres, +- 20 minutos de comboio da estação mais próxima, que nem por isso é assim tão perto. Fica no meio do campo, vá, o que para mim é um factor -. Mas lá que têm dinheiro a montes, isso têm. Basicamente, tudo o que se quiser fazer em termos de investigação pode fazer-se aqui e, como eles próprios disseram hoje, “se não tiverem sucesso aqui, não têm sucesso em lado nenhum”. É muito bom, mesmo, e a investigação bastante interessante, embora talvez não seja a minha primeira escolha. Fomos recebidos num sítio a que eles chamam “The manor” e que é isso mesmo, uma mansão super gira em que os quartos no primeiro andar são ocupados por estudantes / investigadores de visita e no rés-do-chão têm salas para reuniões e conferências, mas em que temos sempre a sensação de estarmos numa casa de um nobre praí do século XIX. Nos vários intervalos das sessões tivemos direito a sumo e bolos e no final a bebidas. O dia acabou com um jantar com estudantes de doutoramento actuais num “British pub” com letreiros engraçados nas paredes, tipo “Children are welcome. However, if they are running around with no adult supervision, we might sell them to the circus.” Lol.

E foi assim o primeiro dia de uma loonga semana que aí vem. Amanhã de manhã tenho a primeira entrevista. Vamos ver como corre…

2 comentários:

Carolina/e disse...

nobres era praí no século XVI, pah!!

Janebloom227 disse...

ok, pronto! burguesia, va!