28 de maio de 2009

København

Copenhaga


20ºC em Estocolmo, 24ºC em Portimão


Ora então passámos a ponte e chegámos a Copenhaga.

Deixámos o Florian em casa de um amigo e fomos dar com a pousada onde tínhamos marcado duas noites. Bem pior era difícil, mas realmente por 220 coroas dinamarquesas (~30 euros) para duas noites… Todos ao molhe numa camarata de 22, sem lençóis nem almofada nem cobertores… Se bem que os cobertores eram bem dispensáveis, tal não era o calor humano… Maravilha! A primeira noite passou-se, éramos só nós os 9 no quarto. O Haythem fez questão de manter o pessoal acordado por um bom bocado com as suas parvoíces (por exemplo, entra o tipo da recepção na camarata porque ia buscar uns cobertores e põe-se ele, num sotaque indiano de chorar a rir: "who aaaree yoouu? What do you want from us? You should be ashamed of disturbing us respectable people! Go back to the trash can you came from!"). A segunda foi horrível porque éramos uns 20 e mal se podia respirar… A única vantagem de tão auspicioso sítio era ser próximo do centro, uns 10 minutos a pé da câmara municipal.


Copenhaga é liiiindaaaa! Avenidas largas, canais, um conjunto de monumentos mas também zonas com arquitectura moderna, uma zona de compras bem melhor que Estocolmo… Deixou vontade de voltar. Fizemos a opção (correcta) de ir numa viagem guiada de barco e foi excelente, dando-nos uma perspectiva da cidade, desde o bairro hippy onde a polícia não entra, aos bairros residenciais novos com uma arquitectura espectacular, às casas-barco, à Ópera e Biblioteca novas, ao barco real, ao palácio real e, claro, à sereia, símbolo da cidade.

Mas a viagem também valeu pelo guia… Um israelita alto, moreno, de olhos verdes e barba de 3 dias que quando percebeu que eu e o Pedro éramos Portugueses mudou a narração da visita de italiano (o que estava previsto) para Português (já que não havia italianos no barco). Pronto, Português do Brasil. Mas valeu o esforço…

Depois de almoço, os preguiçosos dos rapazes decidiram ir a mais um fika, enquanto nós fomos a pé à sereia. Para quem não sabe, a sereia é uma estátua que foi construída em homenagem ao conto A pequena sereia de Hans Christian Andersen e que se tornou no símbolo de Copenhaga. A história é parecida à da Disney mas muito mais trágica e dolorosa, por o "Viveram felizes para sempre" não acontece e a sereia morre no fim. Tive que contar a história várias vezes ao longo do dia já que os irmãos, por exemplo, educados numa cultura árabe, nunca sequer tinham ouvido falar do conto. É engraçado apercebermo-nos de que coisas que para nós são tidas como dado adquirido que toda a gente sabe, afinal não o são bem… Também é engraçado verificar que por eles não saberem grande coisa de cultura ocidental / cristã, os irmãos assumem que nós também não sabemos nada da deles, e é vê-los abrir a boca de espanto quando dizemos que sabemos o que é Meca ou os contos das 1001 noites…

Contos à parte, a zona junto à sereia é linda e muito mitológica, também com a fonte de Gifeon (a divindade que, reza a lenda, separou a ilha de Zealand, em que Copenhaga se encontra, da Suécia).

Depois de passarmos por uma citadela que aparentemente é o local preferido para fotos de casamentos (cruzámo-nos com 3 num espaço de 15 minutos), fomos a pé ao palácio real, que está rodeado por um parque óptimo para descansar daquelas andanças. Grupos de jovens a conversar sentados na relva, famílias com miúdos pequenos a jogar à bola ou a lançar papagaios, velhotes sentadinhos à sombra… Os rapazes encontraram-nos lá, por coincidência, já que depois do fika também decidiram ir passear para aqueles lados.

Foi o momento de relax perfeito: sol (finalmente!), um relvado imenso, o pessoal todo deitado pela relva e… espectáculo ao vivo incluído! Ah pois é, depois de uns 15 minutos de descanso exclama alguém do nosso grupo: "Are those two HAVING SEX????" Os olhos que estavam fechados abrem-se, de deitados passa-se a sentados e toca a focar o olhar no dito ponto do parque, não particularmente recôndito, mas sim no meio da relva e em plena luz do sol, em que um casal dos seus 30 e tal 40 anos estava muito entretido, ela de vestido arregaçado até à cintura, ele por cima e vai cá disto! Realmente devia ser a isto que a Carol se referia quando escreveu na minha fita de finalista, citando: "Aproveita o que a Suécia tem de melhor, ou seja: NUDISMO!" Pronto, verdade seja dita estávamos na Dinamarca, mas é tudo Escandinávia :P Bem, para resumir, o espectáculo (do qual a parte mais engraçada não era ver os ditos cujos, mas sim as caras chocadas dos que passavam ao lado, desde velhotas e um tipo com ar de nerd que parecia ter ganhado a lotaria :D) durou ai por volta de meia-hora. A Clarissa só dizia: "Isto tem que ser para os apanhados" e olhava em volta à procura de uma câmara escondida. O Haythem não se faz rogado, pega numa bicicleta e vai todo afoito andar às voltinhas no local do acontecimento. O Niklas dizia: "não acham que quando eles acabassem devíamos bater palmas?". E assim por diante…


As saídas à noite: na primeira, fomos a um bar dos mais in de Copenhaga e divertimo-nos a ver o modus operandi dos dinamarqueses no engate. Aqui não há cá menino oferece bebida à menina, mas sim o oposto: elas é que tomam a iniciativa de os convidar para tomar uma bebida ou para simplesmente se juntarem a elas a conversar. Há as directas, que não estão com meias-medidas e se dirigem à mesa deles para os convidar, e as indirectas, que aproveitar o facto de pedirem uma cadeira emprestada à mesa deles para meter conversa. Há ainda as tímidas demais, que olham e olham mas não metem conversa e essas acabam a noite sozinhas. Por isso, meninas, se querem vir para a Suécia / Dinamarca, é prepararem-se para suar as estopinhas :)

Na segunda noite, fomos encontrar-nos com uns amigos da Clarissa, 2 italianos e um alemão super simpático e interessante que até já morou no Porto e fala um bocadinho de português… Só foi pena ter 10 anos a mais.


E assim se acabaram os nossos tempos em Copenhaga.

A viagem de volta à Suécia foi de ferry, directamente para este belo país em que às 10 da manhã de domingo não está nada aberto para uma pessoa tomar o pequeno almoço, em que à hora de almoço, numa das maiores cidades do país (tipo Braga), o McDonalds era a única coisa aberta, em que comprar álcool tem que ser muito bem planeado porque aos domingos a loja fecha. Mas às tantas tivemos que parar de reclamar, que o Niklas já estava a ficar chateado com tanta crítica…


E de volta a Estocolmo, no meio das filas de trânsito, fizemos inveja aos condutores dos outros carros ao dançarmos Shakira e Black Eyed Peas em altos berros dentro do carro, com os lagos suecos como testemunhas…


25 de maio de 2009

På vägen

Na estrada


22ºC em Estocolmo, 24ºC em Portimão


Então e não é que está calor em Estocolmo? Mais que em Copenhaga, onde estavam por volta de 12 ou 13 graus quando por lá passámos. Mas não vamos por a carroça à frente dos bois, que esta viagem teve de tudo um pouco, desde noites de rapazes vedadas a raparigas, engates na auto-estrada, banhos de piscina, andarmos perdido

s numa floresta, uma pousada ranhosa, sexo em público, dançarmos no carro como se estivéssemos numa festa, um guia turístico super giro e Copenhaga, que é LINDA!!!

A viagem: 1572 km, 2 carros, um Audi e um Passat (não estávamos mal servidos), 2 austríacos, 2 portugueses, 2 egípcios, uma russa, uma peruana, um sueco e uma de Singapura, 6 rapazes e 4 raparigas, tudo gente solteira ou que anda perto disso.

Primeiro dia: os irmãos chegam atrasados (típico). O austríaco a horas. Escolhem-se os condutores, dividem-se as pessoas pelos dois carros, eu com a Dasha, Niklas, Pedro e Haythem num, o resto do pessoal no outro. O Niklas, como primeiro condutor, fez os primeiros avisos: "No farts and no pissing out of the window" (citando o próprio).

O Pedro atrofiava, dizia que o Niklas conduzia muito devagar. Mas lá íamos andando… Direitos a Kalmar, no Sul da Suécia, a cantar e conversar.

Ou a dormir... :D



E eis que, a meio da viagem, damos por um carro a alta velocidade, conduzido à doida. Ora nos ultrapassava, ora deixava passar à frente, numa corrida com o carro do austríaco, até que, de repente, é o choque total para o pessoal do nosso carro que não sabia o que se passava quando de repente se abre a janela do "nosso" Audi, no meio da auto

-estrada, e passa um papel ao condutor do outro carro. Nós pensamos "Mas que raio se passa ali" e o Haythem, a conduzir na altura, acelera para ver quem é que ia no outro carro. Qual não é o nosso espanto ao descobrir que o condutor afinal era uma condutora, sueca, loira, toda boa, a quem o austríaco deu o seu número e que lhe ligou de imediato a dizer coisas como: "Gostaste da forma como conduzo este carro? Devias ver-me a andar na minha mota…" E pronto, depois disto não houve quem os calasse com a conversa da loira do Volvo cinzento…

Ai rapazes, rapazes… Na primeira noite, em que estávamos as 4 raparigas num quarto e os 6 rapazes no outro, expulsam-nos à noite porque queriam ter uma "noite de homens". No dia seguinte, quando os vamos acordar, vemos um DVD de filme porno com o título "Road Trip" em cima da mesa… Sem comentários!

No primeiro dia visitámos uma ilha, Öland, que é uma espécie de estância turística da Suécia, com praias e aldeiazinhas turísticas junto ao mar... Fomos visitar um castelo que afinal estava fechado para uma festa privada e acabámos num passeio pelos bosques junto ao castelo, nada de muito longe da civilização e só suficientemente recôndito para desembocarmos do outro lado numa rua da aldeia mais próxima sem sabermos onde estávamos… Mas hoje em dia existe GPS, e bastou um telefonema para o pessoal que ficou no carro com o nome da rua (o Haythem bem disse "estamos parados ao pé de um Volvo", mas acho que o GPS não nos encontrava por aí :D) para os perdidos passarem a achados.

Fotos parvas enquanto esperávamos pelo resgate...


A pousada da primeira noite era espectacular, uma antiga quinta transformada em pousada com sítio para roulottes e pequenos apartamentos, piscinas e campos de futebol e de vólei. Na sexta acordei cedinho, o sol brilhava e não estava assim tanto frio, pelo que decidi ir dar um mergulho à piscina – estava mais quente dentro do que fora… Ao sair cruzei-me com o Haythem, este conta ao resto dos rapazes e lá vão o Haythem e o Pedro também ao banho, sim, que isto uma rapariga mergulhar sem medos e os homens ficarem a ver não podia ser, era orgulho ferido de certeza. O pior foi que quando finalmente se decidiram a mergulhar (eu já vestida a gozar o prato) o sol estava encoberto e soprava uma brisa marinha… Ui ui. Coitados, iam morrendo.

A cara de choque do Haythem ao mergulhar!



No segundo dia fomos direitos a Malmö, cidade sueca que tem a ponte de ligação de Copenhaga. É engraçado como uma cidade tão mais pequena que Estocolmo parece muito maior e cheia de vida, pelas suas avenidas largas, zona de compras espectacular e dezenas e dezenas de esplanadas com milhares de pessoas nas

ruas. É como dizem os suecos, já são mais dinamarqueses que outra coisa… Começámos a nossa visita a Malmö com sol, acabámo-la com chuva intensa e granizo – um presságio nada bom para o nosso dia em Copenhaga…

Em Malmö


E eis que se aproxima o grande momento… Cruzamos a ponte, um carro ao lado do outro, o Pedro com o tronco de fora da janela a tirar fotos ao pôr-do-sol fantástico… E em menos de nada estávamos em Copenhaga.

O outro carro a passar a ponte: Niklas ao volante, Shermaine e Mustafa atrás



(Por isso, não percam o próximo episódio, porque nós… Também não!!!)

Tack så mycket

Muito obrigada

à Claudinha, Cris e Helinho pela prenda que me enviaram... adorei!!! :D
(e ao André que aparentemente era para assinar tb mas nunca mais se despachava... típico! :P)

Tb estou cheia de saudades... vemo-nos em breve!



20 de maio de 2009

Tiden

O tempo


 

11ºC em Estocolmo, 13ºC em Kalmar, 14ºC em Malmo, 13ºC em Copenhaga, 19ºC em Portimão


 

"O tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem; o tempo respondeu ao tempo que o tempo tem tanto tempo quanto tempo o tempo tem."


 

Tempo foi coisa que faltou nestas últimas semanas; tempo para fazer algo tão essencial como dormir ou mesmo respirar. Depois do final do Junior Research Project, seguiu-se uma semana de avaliações para outra cadeira, com apresentação oral, escrita e de um poster, com uma discussão com um professor pelo meio que resultou numa nota final de A em vez de B (em Portugal seria B em vez de A; ou C… ou D…). Pelo meio houve uma entrevista para um laboratório para o próximo ano, em que fui aceite e já tenho imensa coisa para ler e escrever a minha descrição de projecto. Ah, e comecei na sexta uma cadeira em probabilidades e estatística (a maravilha!). Aaaah, que saudades dos tempos de PEC. A sério, então quando chegamos à aula prática e descubro que íamos usar o belo do R, o mesmo programa que usávamos nas aulas de computador com o nosso prof cromo, alto e espadaúdo… É que ia saindo a lagriminha. Foi por pouco.


 

O fim-de-semana, o único em muito tempo sem "nada para fazer", passou-se num ápice: jogo de basket e jantar grego na quinta, jantar só de raparigas na sexta, barbecue espanhol no sábado e futebol no domingo.


 

E na segunda-feira, a meio de uma aula de estatística, diz a Clarissa: esta semana temos fim-de-semana prolongado. 4 dias, de quinta a domingo. Vamos alugar uma carrinha e viajar até Copenhaga? E assim foi, telefona para um, telefona para outro, não havia carrinhas, mais pessoas interessadas do que lugares no carro, alojamento complicado, e vamos, e não vamos, e afinal vamos, decidimos nós terça-feira às 9 da noite, marca-se carro, pousada, a dormida de amanhã (quinta) só marcada hoje (quarta). 10 pessoas, 2 carros, 6 rapazes, 4 raparigas: eu, Dasha, Clarissa, Shermaine (as do costume), Pedro, Niklas, os irmãos Haythem e Mustafa, um austríaco nosso amigo e um amigo dele. Itinerário (decidido hoje): primeiro dia na costa sul da Suécia, 2º dia direitos a Copenhaga, quase 2 dias lá, e voltamos domingo pela estrada junto aos lagos do centro da Suécia. Vai saber mesmo bem… Vi ses på Sondag! (Vemo-nos no Domingo) :D

9 de maio de 2009

Kom tillbaka!

Volta!

10ºC em Estocolmo, 21ºC em Portimão


Acabou o projecto; acabaram os longos dias no laboratório, os almoços prolongados em conversas com italianos e holandeses, o partilhar a bancada com uma ucraniana e uma sueca. Os resultados experimentais não foram os melhores, os resultados pessoais não podiam ser melhores.

Depois do último Western blot ser revelado, da apresentação no "lab meeting" segunda-feira passada (que correu bem) e da apresentação para os colegas e professor na quinta-feira (que não correu assim tão bem), chegou a altura de dizer adeus ao pessoal do laboratório. E que outra forma de dizer adeus na Suécia senão através de um fika, reunindo toda a gente à volta da mesa do café a comer os bolos que eu e a Iryna trouxemos?

Para além do nosso grupo de investigação, composto por cerca de 10 pessoas, eu ainda convidei o resto do pessoal do andar que acabou por se tornar meu amigo: a Natalie (organizadora do bar do CCK), o Christian (italiano que me trata por "tesoro"), o Maurijn e a Judith (dispensam apresentações), a Sara (amiga da Masako), o Joe (inglês, já de uma certa idade, quer comprar casa no Algarve) e o Braslav (médico sérvio divertidíssimo, põe sempre toda a gente a rir). Foi um fika saboroso (eu fiz bolo de côco e bolo de chocolate) e cheio de emoções, especialmente quando o Dan nos ofereceu, a mim e à Iryna, um girassol lindo, que ele mesmo foi comprar na sua bicicleta, em agradecimento pelo nosso trabalho, enquanto toda a gente realçava o quanto gostariam de nos ter de volta a trabalhar no mesmo laboratório… (se bem que nem todos por razões científicas: o Braslav por exemplo sugeriu que eu ficasse por lá, um mês em cada laboratório e ao fim de cada mês dava um novo "goodbye fika" com bolos diferentes :D)

A Iryna (esquerda), a Katja (nossa supervisora, ao centro) e eu :)



Agora tenho um girassol na minha janela para me lembrar dos bons momentos passados no CCK :)



1 de maio de 2009

Sol

Sol

8ºC em Estocolmo, 13ºC em Portimão


Há coisas que uma pessoa faz na Suécia que nunca faria em Portugal. Como, por exemplo, estar tão sedenta de sol que se senta de manhã em frente à secretária para escrever o relatório do projecto em biquini e óculos de sol, para aproveitar o sol que está a dar de chapa desde as 5 da manhã. É triste mas é verdade...

PS: O vídeo do último post já está num formato que deve dar para toda a gente conseguir ver ;)