26 de abril de 2009

Hiss

Elevador

16ºC em Estocolmo, 19ºC em Portimão


Um post curto num fim-de-semana de sol em que estive fechada no laboratório...

Ora no fim-de-semana passado tivemos (mais) uma festa em Jägargatan... Eu, a Shermaine, a Dasha e o Maurijn começámos por ter uma pré-festa no nosso andar, em que estivemos a fazer cocktails de vários tipos... Depois dos cocktails, era altura de ir para o primeiro andar, já que a responsabilidade de levar o bar e a música era minha. Já íamos perto do elevador lembra-se o Maurijn: "E se a gente fizesse a nossa própria festa no elevador?"
Bem dito, bem feito, lá nos metemos os 4 com as bebidas e a música no elevador e estivemos meia-hora para cima e para baixo, a dar boleia ao pessoal surpreendido que ia para a festa do primeiro andar. Segue-se o filme da maluqueira:





23 de abril de 2009

Ärlighet

Honestidade


 

16ºC em Estocolmo, 25ºC em Portimão


 

Os suecos têm uma característica que ainda não consegui definir se se trata de honestidade extrema e confiança na honestidade do próximo ou, simplesmente, ingenuidade e estupidez. A verdade é que não é por acaso que a Suécia é considerada um país seguro, em que nem roubos são frequentes, dadas as penas pesadas aplicadas aos mesmos. Uma pessoa pode deixar cair uma carteira no chão e voltar meia-hora depois e a mesma ainda lá está, sem nada em falta (OK, este é um exemplo extremo). Mas são vários os exemplos do dia-a-dia em que se nota que, para os suecos, o que é meu é meu e o que é teu é teu, e nem lhes passa pela cabeça que para pessoal não-sueco estas coisas nos façam um pouco de confusão. Passo a exemplificar:


 

- os tipos de uma operadora de telemóvel, a fazer uma campanha na universidade de Estocolmo, deixam a banca montada durante a noite (OK, sem telemóveis); uma russa (não digo nomes) passa por lá, vê que aquilo é uma espécie de bar portátil e leva-o para casa :)


 

- ginásio: há uma zona a partir da qual se tem que tirar os sapatos, pelo que criaram uma enorme sala com prateleiras abertas em que o pessoal todo deixa os sapatos, à vista de toda a gente, sem ninguém a ver nem protecção de tipo nenhum. Havia de ser em Portugal, certo? "Ora, deixa cá ver, estou a precisar de uns sapatos novos… Ooolha aquelas botas Valentino, são mesmo estas, o meu número e tudo!!!" lol


 

- restaurante da biblioteca: com a refeição temos direito a café. A máquina de café está situada longe da senhora da caixa, é self-service (cada um tira o que quer) e nem sequer nos dão um talão para tirarmos um café. Ou seja, eu e a Dasha já tomámos café de borla (pronto, eu só uma vez, confesso. A Dasha bastante mais que uma, ela é especialista em encontrar estas "falhas no sistema"…)


 

- inúmeras lojas: com stands cá fora. Sem ninguém a ver. Nem câmaras de vigilância. Nada, nada.


 

- museu de História Natural: os bilhetes são autocolantes, tãão girooo… O pior é que o que cola, descola e volta a colar… Ora os visitantes do museu (principalmente jovens estudantes, imagino) têm a mania de, à saída do museu, descolar o autocolante que têm na lapela e pimbas! com ele no poste de iluminação mais próximo. Ou seja, eu e a minha amiga russa paramos no poste (ou sinal de trânsito, também serve) para "comprar" bilhete e toca connosco para dentro do museu! Há um truque, contudo: não sei se por repararem que havia mais pessoas no museu do que bilhetes vendidos, todos os dias põem uma cor diferente, aleatoriamente. A solução que a Dasha arranjou foi, antes de entrar, arranjar um autocolante de cada cor, depois à entrada olhar para as blusas do pessoal, ir à WC e colar o autocolante da cor certa! Txarããã! (Só lá fui uma vez, a Dasha 4 ou 5 :D)


 

O cúmulo da confiança (que me levou, depois de tantos meses a observar estes eventos, a escrever finalmente sobre eles): uma mãe com dois gémeos de cerca de 6 meses vai à florista e deixa o carrinho dos bebés no meio do passeio enquanto entra na loja para escolher as flores. Eu até acredito que ela estivesse mesmo mesmo mesmo a precisar de flores. E que estivesse de dentro da loja sempre com os olhos no carrinho. Agora também digo que uma pessoa a passar na rua e a ver 2 bebés sozinhos no meio da rua até dá calafrios…


 

E no meio de tudo isto não sei se a Suécia é mesmo um país espectacular em que nada acontece e toda a gente é honesta (à excepção de umas certas imigrantes russa e portuguesa) ou se são mesmo um bocadinho assim a descambar para super-ingénuos. O que acham?


 


 

PS: Eu não deixo as minhas Allstars lindas de morrer na prateleira nem por nada deste mundo. Vão comigo pela mão até ao balneário e ficam fechadinhas no cacifo. Não sou sueca, o que é que querem…

14 de abril de 2009

Fruktan

Medo

7ºC em Estocolmo, 13ºC em Portimão

Medo. Meeeedo. É o que se sente nos 3 minutos durante os quais achamos que demos cabo de uma objectiva de microscópio de fluorescência que custa apenas 5000 euros. O coração pára de bater até nos assegurarmos que está mesmo tudo a funcionar, que não estragámos coisa nenhuma, que a nossa carreira científica não morreu ali. E a única maneira de pôr o coração de volta a um ritmo decente foi mesmo uma hora suada no ginásio, a rebentar calorias e músculos até a tensão sair toda, todinha :)

13 de abril de 2009

Min laboratoriet

O meu laboratório


 

15ºC em Estocolmo, 20ºC em Portimão


 

Ora visto que há mais de 3 semanas que estou no laboratório, achei que já era altura de falar do mesmo. Estou a fazer um mini-projecto de 2 meses (a que chamamos Junior Research Project) sobre "Efeito da rapamicina sobre a fosforilação de Akt na presença de interferão-α", num laboratório do centro de investigação em cancro da uni. O projecto é OK, o objectivo principal é mesmo ficarmos com uma ideia do que é trabalho de projecto e aprendermos algumas técnicas, mas o laboratório é um espectáculo!


 

O ambiente é descontraído, não significando necessariamente relaxado (há pessoal que é completamente workaholic), mas sim que se vive numa atmosfera em que os professores não são colocados num pedestal e em que se compreende que boa ciência não significa sermos escravos e vivermos exclusivamente para aquilo. Toda a gente se trata pelo nome próprio, não há cá títulos e deferências; e há espaços para nos conhecermos uns aos outros fora do contexto científico, tais como o bar do departamento, uma vez por mês, e o famoso fika todas as semanas ou sempre que alguém faz anos. E volta e meia ainda há as celebrações de publicação de artigos ou recepção de bolsas, com direito a champanhe e queijos caros (se bem que eu não goste de queijo). Isto não tem nada a ver com ciência? Talvez não. Mas o certo é que torna as pessoas que trabalham juntas mais próximas e reforça as relações inter-pessoais do grupo, o que é sem dúvida muito positivo.


 

O chefão do meu laboratório é apenas o director do meu mestrado, lol. Confesso que, apesar de o tratar pelo nome, ainda tenho dificuldade em falar com ele abertamente, apesar de ele ser uma pessoa muito acessível…

A minha supervisora, a Katja, é russa e super simpática. Tem uma abordagem correcta no que toca a mim e à Iryna, a outra estudante dela, que é: orientação cuidada no princípio, para nos ensinar as lides da casa, e depois dá-nos autonomia para planearmos experiências, apresentarmos ideias, etc. quando já nos conseguimos orientar. Os resultados é que não estão a ser famosos…

Trabalho com a Iryna, uma ucraniana do meu mestrado que também está lá a fazer este mini-projecto, com um tema ligeiramente diferente do meu, que tem 24 anos e é casada e mãe de uma menina de 4 anos.

A assistente de laboratório é a Lotte, sueca e super-maternal, chama-nos (a mim e à Iryna) "as suas meninas", lol. E está sempre disponível para ajudar…

De resto, há 3 suecos, um irlandês, um grego, um iraniano e uma japonesa, a Masako, que é um espectáculo. Para além de corresponder ao cliché japonês de andar sempre a tirar fotografias, achou que, aos 29 anos, estava farta de sair com uns e outros sem conseguir encontrar o homem ideal, e então inventou um sistema de avaliação (não estou a brincar) em que avalia cada 1ª saída de 0 a 100 com base em 10 critérios (que vão desde a musculatura do indivíduo a quão interessante foi a conversa) e se ele pontuar mais de 70, então pode passar à segunda saída; senão, adeus e as saídas acabam ali. (Esta história foi contada ontem e gerou um ar de incredulidade na audiência, mas é mesmo verdade).


 

Quanto ao resto do andar, basta dizer que trabalha lá o Maurijn, a Judith e o Christian (italiano) para perceberem que melhor ambiente não podia haver… :)

5 de abril de 2009

Lördag

Sábado


7ºC em Estocolmo, 20ºC em Portimão


Se todos os dias fossem como ontem…


Um dia radioso, com 15ºC de máxima. Compras de supermercado para a semana logo de manhãzinha, com o sol a brilhar. Chegar a casa, almoçar rapidamente para ir para o primeiro evento do dia – o Stockholm freeze.


O Stockholm freeze foi basicamente uma ideia do pessoal do Couch Surfing (www.couchsurfing.com), que decidiram pregar uma "partida de Abril" aos habitantes de Estocolmo pondo umas quantas dezenas de pessoas a fazer de estátua durante 5 minutos na estação central. Devíamos ser uns 40 e tal que às 12h20 "congelámos" na estação, com pessoas a passar entre nós, a olhar e a tirar fotografias. Claro que não tenho registo do evento, não dava para me mexer. Mas houve quem tirasse fotos…


No fim, quando nos voltámos a mexer, deu para conhecer o resto do pessoal. Reconheci algumas caras de Jägargatan e o fotógrafo aproximou-se de nós com um amigo para nos mostrar as fotos que nos tinha tirado. Começámos a falar os 3 (eu, o fotógrafo e o amigo, que se chamava Dilman) e eu, como estava sozinha, colei-me a eles quando soube que também iam à luta de almofadas (sim, já explico). Com um dia de sol fantástico, os amigos do Dilman foram fika e eu e ele decidimos que não devíamos desperdiçar aquele sol e fomos primeiro comprar uma almofada para ele (eu tinha trazido a minha) e depois andar junto à água até à Stadshuset. O Dilman, trabalha numa companhia de electricidade, canta num coro, dança salsa e faz mergulho de prancha, é interessante e isso tudo, giro, ao fim de 5 minutos até me pediu em casamento (lol) a dizer que éramos almas gémeas mas só tem um problema: apesar de ser sueco, a família é curda (do Iraque). Tudo muito bonito, mas… não. Não é preconceito, é precaução...


Depois de o Dilman me pagar um gelado lá fomos para a luta de almofadas. Em Lisboa também houve, ao que parece, por isso devem ter ouvido falar: 15 minutos de loucura a dar almofadadas em pessoal conhecido e desconhecido num local público, no âmbito do "International Pillow Fight Day", também com o patrocínio do Couch Surfing. Foi a loucura. Os participantes na maluqueira foram: eu, a Clarissa, o Maurijn, o Mario, o Espen e mais umas raparigas de Jagargatan, entre mais umas centenas de desconhecidos.

De fora, a ver, filmar e fotografar, ficaram as raparigas alemãs do nosso corredor, o Mustafa, o Niklas (claro) e a namorada do Mario, a Carolina. Não há forma de descrever por palavras a sensação, logo, aqui fica o vídeo de uma insider (eu):


A sensação é extraordinária, o stress vai todo ao ar, juntamente com o recheio de muitas almofadas (no fim eram só penas e algodão no chão). A minha sobreviveu, felizmente, assim continuo a ter com que dormir :)


Depois da luta, eu, a Karina (lembram-se dela? Esteve cá em Setembro), o Niklas, o Mustafa, a Clarissa e o Maurijn fomos fika junto à água, trocámos o café por um gelado (para mim o segundo do dia, mas o primeiro que paguei :D) e pusemo-nos que nem postas de pescada a apanhar solinho.

Fazia-se tarde. Tínhamos prometido à Shermaine ajudarmo-la na mudança (deixou Jagargatan e mudou-se para outra zona de estudantes) por isso fomos andando para casa. A fome apertava, eu tinha comprado uns morangos no LIDL e a Clarissa aproveitou para nos introduzir ao petisco favorito dela: morangos com leite condensado…


Depois dos morangos, lá carregámos a tralha da Shermaine para o outro lado da cidade (o sítio novo é giro) e voltámos mesmo a tempo de jantar a correr e começar a festa.


A de ontem foi para celebrar o aniversário do Maurijn, Judith e Hadi e foi ainda a festa de despedida da Ines do nosso corredor. Foi uma das melhores festas de sempre e a melhor dos últimos tempos, com toda a gente a conversar e a dançar junta…

Se todos os dias fossem assim :)


4 de abril de 2009

Terrass

Terraço

15ºC (!!!) em Estocolmo, 19ºC em Portimão

Sol!!! Calorzinho!!! Primaveraaaaaaaaa!!!

Ontem estive num terraço a tomar champanhe para comemorar uma bolsa de um investigador do laboratório, em T-shirt, com 10ºC mas com muito sol! Já pareço aqueles bifes que andam em mangas cavas na praia da Rocha em Dezembro :)

3 de abril de 2009

:P

Bom dia das mentiraaas! Achavam mesmo que eu ia fechar o meu bloguezito para sempre?? (Faço um post este fim-de-semana. Prometo. Não juro porque dá azar :P)

1 de abril de 2009

Aviso

Pessoal, não dá mais. Já devem ter reparado que há quase 2 semanas que não escrevo. A verdade é que agora que comecei o laboratório não tenho tempo para escrever, mal tenho tempo para me coçar! Por isso, acho que não vale a pena continuarem a espreitar o blog todos os dias, nem nenhum dia daqui para a frente: o "Faz frio lá fora" fechou a loja. Definitivamente. Obrigada por lerem e, se quiserem notícias, mandem-me um mail! Beijinhos para todos, a gente vê-se em Junho!