Honestidade
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Os suecos têm uma característica que ainda não consegui definir se se trata de honestidade extrema e confiança na honestidade do próximo ou, simplesmente, ingenuidade e estupidez. A verdade é que não é por acaso que a Suécia é considerada um país seguro, em que nem roubos são frequentes, dadas as penas pesadas aplicadas aos mesmos. Uma pessoa pode deixar cair uma carteira no chão e voltar meia-hora depois e a mesma ainda lá está, sem nada em falta (OK, este é um exemplo extremo). Mas são vários os exemplos do dia-a-dia em que se nota que, para os suecos, o que é meu é meu e o que é teu é teu, e nem lhes passa pela cabeça que para pessoal não-sueco estas coisas nos façam um pouco de confusão. Passo a exemplificar:
- os tipos de uma operadora de telemóvel, a fazer uma campanha na universidade de Estocolmo, deixam a banca montada durante a noite (OK, sem telemóveis); uma russa (não digo nomes) passa por lá, vê que aquilo é uma espécie de bar portátil e leva-o para casa :)
- ginásio: há uma zona a partir da qual se tem que tirar os sapatos, pelo que criaram uma enorme sala com prateleiras abertas em que o pessoal todo deixa os sapatos, à vista de toda a gente, sem ninguém a ver nem protecção de tipo nenhum. Havia de ser em Portugal, certo? "Ora, deixa cá ver, estou a precisar de uns sapatos novos… Ooolha aquelas botas Valentino, são mesmo estas, o meu número e tudo!!!" lol
- restaurante da biblioteca: com a refeição temos direito a café. A máquina de café está situada longe da senhora da caixa, é self-service (cada um tira o que quer) e nem sequer nos dão um talão para tirarmos um café. Ou seja, eu e a Dasha já tomámos café de borla (pronto, eu só uma vez, confesso. A Dasha bastante mais que uma, ela é especialista em encontrar estas "falhas no sistema"…)
- inúmeras lojas: com stands cá fora. Sem ninguém a ver. Nem câmaras de vigilância. Nada, nada.
- museu de História Natural: os bilhetes são autocolantes, tãão girooo… O pior é que o que cola, descola e volta a colar… Ora os visitantes do museu (principalmente jovens estudantes, imagino) têm a mania de, à saída do museu, descolar o autocolante que têm na lapela e pimbas! com ele no poste de iluminação mais próximo. Ou seja, eu e a minha amiga russa paramos no poste (ou sinal de trânsito, também serve) para "comprar" bilhete e toca connosco para dentro do museu! Há um truque, contudo: não sei se por repararem que havia mais pessoas no museu do que bilhetes vendidos, todos os dias põem uma cor diferente, aleatoriamente. A solução que a Dasha arranjou foi, antes de entrar, arranjar um autocolante de cada cor, depois à entrada olhar para as blusas do pessoal, ir à WC e colar o autocolante da cor certa! Txarããã! (Só lá fui uma vez, a Dasha 4 ou 5 :D)
O cúmulo da confiança (que me levou, depois de tantos meses a observar estes eventos, a escrever finalmente sobre eles): uma mãe com dois gémeos de cerca de 6 meses vai à florista e deixa o carrinho dos bebés no meio do passeio enquanto entra na loja para escolher as flores. Eu até acredito que ela estivesse mesmo mesmo mesmo a precisar de flores. E que estivesse de dentro da loja sempre com os olhos no carrinho. Agora também digo que uma pessoa a passar na rua e a ver 2 bebés sozinhos no meio da rua até dá calafrios…
E no meio de tudo isto não sei se a Suécia é mesmo um país espectacular em que nada acontece e toda a gente é honesta (à excepção de umas certas imigrantes russa e portuguesa) ou se são mesmo um bocadinho assim a descambar para super-ingénuos. O que acham?
PS: Eu não deixo as minhas Allstars lindas de morrer na prateleira nem por nada deste mundo. Vão comigo pela mão até ao balneário e ficam fechadinhas no cacifo. Não sou sueca, o que é que querem…
2 comentários:
contei-te que o meu primo patrick e a mulher, na hora da sesta agasalhavam os bébés e metiam-nos a dormir no carrinho a porta de casa? o frio dá sono e tal... uma vez la na suíça o meu primo fez isto com a miúda (de meses) e nós os 2 fomos pa cave jogar ping-pong:P pronto, levámos telecomunicador para a ouvir chorar se fosse o caso... achei estranho e ele disse que na suécia é assim mmo... cenas...
loool
pois tb n te sei dizes se é confiança ou ingenuidade... a cultura é mm uma coisa estranha e versátil!!!
Mas parece que no Canadá tb é um bocado assim.. uma amiga minha diz que qd lá foi ninguém trancava as portas qd saía de casa... acho que os nossos bandidos tugas eram muito felizes lá =) era o paraíso!!
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