Um dia típico
O despertador toca às 6h20. Nem é tarde nem é cedo: se geralmente toca Às 7, também já dias houve que tocou às 5, 5h20. Levanto-me a custo, banhoca, pequeno-almoço sozinha que isto o resto do pessoal levanta-se mais tarde. Lavar dentes, retocar maquilhagem, pegar no computador e na mala e toca a correr para o autocarro que, felizmente, para mesmo à porta.
Depois do autocarro nº1, autocarro nº2 - corro par o apanhar e o motorista tem mesmo gozo, nota-se, em fechar-me a porta na cara. Outro vem. Troco para o nº3 para ser mais rápido. Cheio, cheio a abarrotar, sem lugar sentado.
Finalmente no laboratório às 8h20, toca a fazer medições, começa-se a experiência. Viagem ao primeiro andar porque esta semana sou a responsável por manter o armário do material cheio. Depois dos deveres, lá ligo o computador. Análise dos dados já recolhidos nos últimos dias em que passei uma média de 5 a 7 horas ao microscópio, o que resultou numa dorzinha de cabeça irritantemente persistente que não passa. Chego à conclusão que se quero acabar de recolher os dados ao microscópio tenho que vir cá domingo o dia inteiro - óptimo. Vou ter que trocar de cartão com a Ingrid já que o meu não abre a sala do microscópio.
Entretanto, de hora em hora, vou medindo a densidade óptica da cultura. Lentinha... Mais um intervalo de uma hora, escrevo no caderno de laboratório tudo o que fiz nos últimos 5 dias e ainda não tinha tido tempo de escrever. Faço a lista do que tenho que fazer até às férias e o meu estômago dá uma volta. Mais uma medição e tentar não perder o fio à experiência enquanto me disperso pelas outras coisas todas que tenho que ler / escrever.
Combino almoçar com a Clarissa, o único momento de relax do dia, embora deprimente no sentido em que estávamos as duas tão cansadas que metade do tempo foi passado a suspirar entre mastigadelas.
Volto ao laboratório, mesmo a tempo: a cultura estava finalmente crescida, descongelo o factor-alfa, adiciono-o. Faltam 3 vezes de hora a hora. Na primeira hora de intervalo, planeio as próximas duas semanas de trabalho e chego à conclusão que se quero concluir este projecto tenho que trabalhar todos os fins-de-semana até às férias menos o que vou a Portugal. Na segunda, consigo ser produtiva ao ponto de acabar o trabalho de uma das cadeiras que ainda não acabei. Menos mal. Na terceira, toca a preparar soluções para o resto da experiência: umas a partir dos stocks, outras têm que ser descongeladas, fazem-se cálculos, já estou atrasada, para cúmulo não encontro o kitasato para a filtração.
Lá o desencanto, 10 minutos de atraso, agora vai ser uma corrida: filtração 1, filtração 2, células num novo meio, começa a recolha de amostras. 21 ml, 1 praqui, 20 prali, os 20 para a centrifuga 1, 5 minutos, os 1 para a centrífuga 2, 1 minuto, não dá para fazer mais nada, tira de lá, aspira, resuspende, pro congelador, hora de tirar a outra amostra da centrifuga 2, aspira, águinha gelada lá pra dentro, mais 5 minutos, e é a fomeca que aperta mas não dá para comer que já aí vem outra recolha em menos de nada.
Eu e a Ingrid discutimos como as pessoas que nunca trabalharam num laboratório acham que dá para fazer uma pausazinha de 5 minutos aqui ou ali e comer, dar uma dentadinha. Vê-se mesmo que nunca estiveram no stress de uma experiência com tempos definidos para tudo, em que 5 minutos fazem muita diferença, sim senhora, já que muitos dos eventos que estudamos até se passam em SEGUNDOS, em que os reagentes não podem ficar ali em cima à espera que a gente dê a dita dentadinha porque alguns deles estragam-se se não forem postos imediatamente a -20ºC ou -80ºC, depende, e até custam uns milhares de coroas, porque de qualquer forma não se pode comer no laboratório e comer implicaria sair do laboratório, tirar as luvas, lavar bem as mãozinhas porque já agora convinha assegurar que as substâncias cancerígenas com que trabalhamos não vão parar ao estômago, lembrar que ao voltar ao laboratório é necessário repetir o processo em ordem inversa, voltar a colocar luvas, etc., e que 5 minutinhos NÃO CHEGAM. Nem para ir à casa de banho dá, é tudo calculado, penso que na próxima centrifugação de 5 minutos lá consigo dar lá um saltinho mas então aparece o Haythem e estraga-me o esquema, 3 minutos de conversa e também tenho que lhe dar com os pés porque a experiência chama e não espera. Nos pequenos intervalos de 2, 3 minutos, é ir arrumando e lavando a imensidão de material que se gastou ao longo do dia, vejo que o armário já está vazio e vou ter que o encher novamente amanhã.
O laboratório de 8 pessoas agora tem duas: eu e a Ingrid. A experiência acaba por fim, últimas amostras no congelador, uma sandes comida à pressa só mesmo para aguentar a viagem e ala que se faz tarde, 18h30, autocarro nº1 mesmo a sair, metro, duas estações, LIDL onde compro 3 litros de azeite que acabou, 3 kg de cebolas e 1 kg de iogurte a ver se este dura, porque temos um ladrão de iogurtes no corredor que roubou 5 da minha prateleira nas últimas duas semanas. Mala cheia com as compras, está a chover, tão bom! (Sarcasmo) Metro, uma estação, esperar pelo autocarro, esperar, está a chover, estou a ficar molhada, o guarda-chuva está esmigalhado debaixo dos 7 kg de compras e o meu ombro a caminho de um deslocamento, o autocarro que não chega, em dias de chuva até na Suécia atrasa 20 minutos.
Entro no autocarro e durmo. O caminho todo. Acordo na curva da minha rua, saio disparada, entro em casa e finalmente pouso as coisas no quarto, vou à cozinha e como um prato de sopa e deixo o frango a marinar para o resto do jantar e é neste bocadinho que finalmente me consigo sentar a escrever para que vocês percebam, precisamente, porque é que eu não tenho tempo de escrever, porque não apareço no messenger e porque é que à noite me apetece tudo menos conversar. Agora multipliquem pelos 15 últimos dias que foram todos +- assim e pelos 25 que faltam e que assim hão-de ser.
E é por estas e por outras que me ponho a pensar se tenho estaleca para um doutoramento, em que é suposto fazermos isto tudo e muito mais todos os dias durante 4 anos a fio. Acho que caio pro lado ao fim do primeiro mês, quanto mais... É algo a considerar.
O frango está pronto. Amanhã o despertador toca às 6.
18 de novembro de 2009
9 de novembro de 2009
Fem minuter...
1 de novembro de 2009
Halloween
6ºC em Estocolmo, 23ºC em Portimão
Os suecos têm amor à América e tudo o que de lá vem. São as séries de televisão. Os filmes. O inglês com sotaque americano que retiram das suas séries preferidas (fora os fãs das Brit coms que adoptam o british accent). E é o Halloween. Sem quaisquer raízes na sociedade sueca, mas é a loucura total. Em todos os supermercados vendem-se abóboras para esculpir e as festas e bares de Halloween multiplicam-se.

Eu também fui contagiada pela febre e comecei o aquecimento quarta-feira, no bar de Halloween do CCK.
Já sexta, foi dia de bar de Halloween do meu departamento actual, CMB. O bar estava às moscas, mas a noite traria uma das festas mais concorridas a que Jägargatan já alguma vez assistiu. Deviam ser umas 80 pessoas na sala de estar diminuta do 1º andar. Eu fui de Minnie - OK, eu sei, não parece à primeira vista relacionado com o Halloween, mas na verdade foi uma americana que me sugeriu o disfarce. Nos Estados Unidos eles mascaram-se de qualquer coisa no Halloween, não necessariamente de vampiros, fantasmas e outros que tais, apesar de essa ser a escolha mais frequente.
Só cerca de um terço a metade das pessoas é que foram mascaradas, mas houve disfarces excepcionais. O Pedro decidiu adoptar simplesmente um ar hardcore e colar caveiras na roupa e maquilhar-se de preto (depois da festa ficaria com a dúvida existencial de como é que as raparigas fazem aquilo todos os dias).

A Cécile foi uma freira sexy.

Duas raparigas de Jägargatan fizeram elas mesmas fatos de aranha, em que as pernas extra consistiam em collants pretos cheios com folhas de jornal - mas com um efeito bem engraçado!

A Karina vestiu-se de boneca Chuckie (tiveram que me explicar esta, eu não sou nada entendida nestes filmes).

Havia vampiros, diabos...

O Gustavo era a Morte.

A Clari e a Filipa pintaram as caras de forma assustadora.

Uma rapariga vestiu-se de doente psiquiátrica fugitiva.

Dois amigos meus pegaram simplesmente em batas de laboratório e salpicaram-nas de ketchup, o que, aliado à peruca maluca e às pipetas / seringas que usaram a noite toda para beber o que quer que fosse, desde cerveja a rum, deu um ar de cientistas completamente loucos.

Por fim, a festa serviu para dizer adeus (com lagriminha no olho) ao meu querido amigo Christian, que partiu para terras suíças à conquista do PhD. A nossa última foto.
Os suecos têm amor à América e tudo o que de lá vem. São as séries de televisão. Os filmes. O inglês com sotaque americano que retiram das suas séries preferidas (fora os fãs das Brit coms que adoptam o british accent). E é o Halloween. Sem quaisquer raízes na sociedade sueca, mas é a loucura total. Em todos os supermercados vendem-se abóboras para esculpir e as festas e bares de Halloween multiplicam-se.
Eu também fui contagiada pela febre e comecei o aquecimento quarta-feira, no bar de Halloween do CCK.
Já sexta, foi dia de bar de Halloween do meu departamento actual, CMB. O bar estava às moscas, mas a noite traria uma das festas mais concorridas a que Jägargatan já alguma vez assistiu. Deviam ser umas 80 pessoas na sala de estar diminuta do 1º andar. Eu fui de Minnie - OK, eu sei, não parece à primeira vista relacionado com o Halloween, mas na verdade foi uma americana que me sugeriu o disfarce. Nos Estados Unidos eles mascaram-se de qualquer coisa no Halloween, não necessariamente de vampiros, fantasmas e outros que tais, apesar de essa ser a escolha mais frequente.

Só cerca de um terço a metade das pessoas é que foram mascaradas, mas houve disfarces excepcionais. O Pedro decidiu adoptar simplesmente um ar hardcore e colar caveiras na roupa e maquilhar-se de preto (depois da festa ficaria com a dúvida existencial de como é que as raparigas fazem aquilo todos os dias).
A Cécile foi uma freira sexy.

Duas raparigas de Jägargatan fizeram elas mesmas fatos de aranha, em que as pernas extra consistiam em collants pretos cheios com folhas de jornal - mas com um efeito bem engraçado!
A Karina vestiu-se de boneca Chuckie (tiveram que me explicar esta, eu não sou nada entendida nestes filmes).

Havia vampiros, diabos...
O Gustavo era a Morte.
A Clari e a Filipa pintaram as caras de forma assustadora.

Uma rapariga vestiu-se de doente psiquiátrica fugitiva.
Dois amigos meus pegaram simplesmente em batas de laboratório e salpicaram-nas de ketchup, o que, aliado à peruca maluca e às pipetas / seringas que usaram a noite toda para beber o que quer que fosse, desde cerveja a rum, deu um ar de cientistas completamente loucos.
Por fim, a festa serviu para dizer adeus (com lagriminha no olho) ao meu querido amigo Christian, que partiu para terras suíças à conquista do PhD. A nossa última foto.
27 de outubro de 2009
Konferensen
A conferência
6ºC em Estocolmo, 25ºC em Portimão
OK, depois de muito reclamar das minhas leitoras :P lá me decidi a fazer um pequeno post, por entre centrifugações e amostras, em directo do laboratório. Eu já tinha dito que ADORO este laboratório? Se calhar não, mas a descrição detalhada vai ter que ficar para o próximo post. Por agora, fico-me por mencionar a conferência a que fui na 6a feira (enquanto certas pessoas se passeavam por Amesterdão, e tal, para fazerem o pessoal sentir-se mal).
O encontro anual do departamento teve lugar no meio do mato, que é como quem diz, num hotel nos subúrbios de Estocolmo. Lá foi o pessoal todo, excelsos cientistas e meros estudantes, em dois autocarros alugados que nem visita de estudo, a maioria de posters em punho, prontos para as apresentações. A maioria das apresentações foram muito interessantes, tínhamos sempre café, chá e bolos à disposição nos intervalos, a única coisa que ajudava a enfrentar aquelas horas matinais... Aliás, deixei-me de dormir durante uma das conferências, lol. O melhor desse episódio: deixei-me de dormir enquanto tirava notas e quando regressei a um estado consciente, reparei que tinha escrito uma palavra enquanto passava pelas brasas: guys (gajos). Lol. Nem o meu subconsciente me deixa em paz...
Mas o giro destas coisas nunca é a parte científica. Pronto, a ciência é interessante, mas giro giro é observar os cientistas quando se apanham num ambiente mais descontraído - e com bebidas à borla. Ninguém prestou muita atenção aos posters, as conferências foram seguidas umas com mais interesse que outras, mas a diversão começa quando o pessoal se apanha com bar aberto. Para além disso, os organizadores da conferência puseram o pessoal a jogar Guitar Hero (não, não estou a gozar) como forma de estimular o convívio, e foi giríssimo ver aqueles velhotes do comité Nobel todos contentes a jogar contra a malta nova (e a perder). O Takaharu, do nosso laboratório, até foi à final, mas perdeu.
Vendo bem as coisas, foi um dia giro. Conheceram-se pessoas, passou-se um bom bocado e vai-se a ver e ainda houve ciência no meio daquilo tudo. Devia ser sempre assim...
6ºC em Estocolmo, 25ºC em Portimão
OK, depois de muito reclamar das minhas leitoras :P lá me decidi a fazer um pequeno post, por entre centrifugações e amostras, em directo do laboratório. Eu já tinha dito que ADORO este laboratório? Se calhar não, mas a descrição detalhada vai ter que ficar para o próximo post. Por agora, fico-me por mencionar a conferência a que fui na 6a feira (enquanto certas pessoas se passeavam por Amesterdão, e tal, para fazerem o pessoal sentir-se mal).
O encontro anual do departamento teve lugar no meio do mato, que é como quem diz, num hotel nos subúrbios de Estocolmo. Lá foi o pessoal todo, excelsos cientistas e meros estudantes, em dois autocarros alugados que nem visita de estudo, a maioria de posters em punho, prontos para as apresentações. A maioria das apresentações foram muito interessantes, tínhamos sempre café, chá e bolos à disposição nos intervalos, a única coisa que ajudava a enfrentar aquelas horas matinais... Aliás, deixei-me de dormir durante uma das conferências, lol. O melhor desse episódio: deixei-me de dormir enquanto tirava notas e quando regressei a um estado consciente, reparei que tinha escrito uma palavra enquanto passava pelas brasas: guys (gajos). Lol. Nem o meu subconsciente me deixa em paz...
Mas o giro destas coisas nunca é a parte científica. Pronto, a ciência é interessante, mas giro giro é observar os cientistas quando se apanham num ambiente mais descontraído - e com bebidas à borla. Ninguém prestou muita atenção aos posters, as conferências foram seguidas umas com mais interesse que outras, mas a diversão começa quando o pessoal se apanha com bar aberto. Para além disso, os organizadores da conferência puseram o pessoal a jogar Guitar Hero (não, não estou a gozar) como forma de estimular o convívio, e foi giríssimo ver aqueles velhotes do comité Nobel todos contentes a jogar contra a malta nova (e a perder). O Takaharu, do nosso laboratório, até foi à final, mas perdeu.
Seguiu-se o jantar, a entrada e o prato nada de especial mas as sobremesas até eram boas. E no fim houve discursos e prémios para os melhores posters e conferências (desde garrafas de champanhe a câmaras para Western blot a livros a (?!) bolas de malabarismo. lol.). E foi ao jantar que eu cometi o erro, não pela primeira vez, de discutir a existência de Deus com um fanático religioso. Claro que, quando começámos, eu não sabia que ele o era, mas isso tornou-se bem claro ao longo da discussão, que acabou mal. E mais: ele é do meu laboratório e senta-se à minha frente todos os dias: ontem e hoje ainda não me falou (apesar de supostamente eu ter sido a "ofendida" e ele até ter dito que me ia pedir desculpa).
Pessoal do meu lab na mesa do lado: começando pela esquerda e no sentido dos ponteiros do relógio, Kristian J., Andreas, Ingrid, Camilla (a boss!), 3 japoneses do departamento (não sei o nome deles...)
Pessoal do meu lab na mesa do lado: começando pela esquerda e no sentido dos ponteiros do relógio, Kristian J., Andreas, Ingrid, Camilla (a boss!), 3 japoneses do departamento (não sei o nome deles...)
Depois de jantar, seguiu-se a festa, este ano sem tanta gente visto que não ficámos a dormir no hotel, mas ainda assim jeitosa. Tivemos bebidas de borla através de "senhas de bebida", por alguma razão toda a gente que tinha senhas de sobra dava-mas (não sei se me achavam com cara de bêbeda) e eu acabei por não usar nenhuma e a única bebida que tomei foi paga pelo meu supervisor. O pós-doc alemão do meu lab, o Andreas, só gozava comigo de cada vez que alguém (quase sempre gajos) me vinha dar mais uma senha. Na pista de dança, os investigadores libertavam-se de preconceitos e faziam figuras dignas de se ver, alguns bebiam um bocadinho mais que a conta e assumiam expressões demasiado felizes...
Eu, o meu supervisor (Kristian C.) e a Ingrid (sueca/americana, minha parceira de bancada)
Vendo bem as coisas, foi um dia giro. Conheceram-se pessoas, passou-se um bom bocado e vai-se a ver e ainda houve ciência no meio daquilo tudo. Devia ser sempre assim...
12 de outubro de 2009
Recept
Receita...
5ºC em Estocolmo, 20ºC em Portimão
...para começar a semana mais cansada do que se acabou a semana anterior:
Marinar durante uma semana em trabalho intensivo até se ficar bem exausto. Retirar do trabalho e passar por um jantar internacional. Rechear de comida e bebida de vários cantos do mundo. Repousar 3 horas.
No dia seguinte, lavar bem a roupa de duas semanas e refogar lentamente uma visita ao IKEA. Preparar para uma festa de despedida, cozinhar com espumante espanhol durante 5 horas. Repousar 5 horas.
Fritar os miolos a tentar compreender uma exposição de Dali no Museu de Arte Moderna. Estufar num restaurante vegetariano. Passar uma segunda vez por um jantar internacional, recheando de comida deliciosa. Reservar no quentinho da cama até o despertador tocar na segunda de manhã...
5ºC em Estocolmo, 20ºC em Portimão
...para começar a semana mais cansada do que se acabou a semana anterior:
Marinar durante uma semana em trabalho intensivo até se ficar bem exausto. Retirar do trabalho e passar por um jantar internacional. Rechear de comida e bebida de vários cantos do mundo. Repousar 3 horas.
No dia seguinte, lavar bem a roupa de duas semanas e refogar lentamente uma visita ao IKEA. Preparar para uma festa de despedida, cozinhar com espumante espanhol durante 5 horas. Repousar 5 horas.
Fritar os miolos a tentar compreender uma exposição de Dali no Museu de Arte Moderna. Estufar num restaurante vegetariano. Passar uma segunda vez por um jantar internacional, recheando de comida deliciosa. Reservar no quentinho da cama até o despertador tocar na segunda de manhã...
7 de outubro de 2009
Namn
Nomes
Eu já sabia que os cientistas tinham a mania de dar nomes, vá, estúpidos, às proteínas, genes e outros que tais. Como "Sonic Hedgehog", por exemplo! Mas hoje descobri uma proteína cujo nome é (para mim) o cúmulo: "Ménage-à-trois". No comments...
Eu já sabia que os cientistas tinham a mania de dar nomes, vá, estúpidos, às proteínas, genes e outros que tais. Como "Sonic Hedgehog", por exemplo! Mas hoje descobri uma proteína cujo nome é (para mim) o cúmulo: "Ménage-à-trois". No comments...
6 de outubro de 2009
Tvivel
Dúvida
8ºC em Estocolmo, 24ºC em Portimão
Nunca tantas vezes como na Suécia fui assaltada por dúvidas existenciais durante simples viagens de metro ou autocarro.
A mais frequente é "Homem ou mulher?" Já sou capaz de ter mencionado o quão femininos são os homens suecos, mas também há mulheres daquelas com a mania do feminismo que se vestem à homem e tornam tudo mais complicado. Gera-se então uma espécie de diálogo na nossa mente que poderia ser algo do género:
"Homem ou mulher?"
"Muito alto - deve ser homem"
"Calças super justas - deve ser mulher"
"Ah não espera, eles na Suécia vestem-se assim - homem"
"Cabelo super liso, comprido e bem tratado e sem pêlos faciais - mulher"
"Botas de homem - homem"
"Ah, mas tem gloss nos lábios!!! - Mulher!"
"Ah mas... não tem mamas! OK, definitivamente homem... Ou "homem"..."
Outro problema são as suecas, que se vestem todas de igual. Se virem uma loura de olhos azuis com maquilhagem perfeita, calças cinzentas ou pretas, botas ou botins pretos por fora das calças, blusa branca larga com blusão de cabedal preto por cima, lenço ao pescoço e cabelo artisticamente desgrenhado, então, meus caros, estão a olhar para uma sueca. Que se veste de forma igual a 99% das outras suecas.
Qual é a confusão então?? A idade, meus caros, a idade. As suecas parecem ter uma infância que termina com a escola primária; mal chegam aos 10 anos, as suecas começam a maquilhar-se e a vestir-se como adultas - faz MESMO impressão ver miúdas (que não têm outro nome) vestidas como eu descrevi acima e completamente maquilhadas. Mas quer dizer, de que outra forma é que elas atingiam o grau de prática em que conseguem retocar a maquilhagem dos olhos com uma única mão no metro sem se cegarem com o rímel quando o condutor faz uma travagem brusca???
OK, dizem vocês, mas ainda não percebemos onde está a dúvida. Voltem comigo há umas horas atrás, quando eu estava na paragem de autocarro à espera do dito cujo. Vem uma sueca.
"Criança ou mulher?"
"Epa que cara de miúda! Criança."
"Mas está vestida com roupa de adulto! Mulher."
"É tão baixinha! Criança."
"Está na estação de metro da universidade, deve ser estudante... Mulher."
"Ah mas... Não tem mamas! OK, criança."
Eu sei que a sociedade sueca é do mais livre que existe e que não põem rótulos a ninguém, por isso as pessoas sentem-se livres para expressar a sua individualidade... Ou será que o problema é o oposto e as pessoas não rotulam porque 50% das vezes não sabem que rótulo pôr???
8ºC em Estocolmo, 24ºC em Portimão
Nunca tantas vezes como na Suécia fui assaltada por dúvidas existenciais durante simples viagens de metro ou autocarro.
A mais frequente é "Homem ou mulher?" Já sou capaz de ter mencionado o quão femininos são os homens suecos, mas também há mulheres daquelas com a mania do feminismo que se vestem à homem e tornam tudo mais complicado. Gera-se então uma espécie de diálogo na nossa mente que poderia ser algo do género:
"Homem ou mulher?"
"Muito alto - deve ser homem"
"Calças super justas - deve ser mulher"
"Ah não espera, eles na Suécia vestem-se assim - homem"
"Cabelo super liso, comprido e bem tratado e sem pêlos faciais - mulher"
"Botas de homem - homem"
"Ah, mas tem gloss nos lábios!!! - Mulher!"
"Ah mas... não tem mamas! OK, definitivamente homem... Ou "homem"..."
Outro problema são as suecas, que se vestem todas de igual. Se virem uma loura de olhos azuis com maquilhagem perfeita, calças cinzentas ou pretas, botas ou botins pretos por fora das calças, blusa branca larga com blusão de cabedal preto por cima, lenço ao pescoço e cabelo artisticamente desgrenhado, então, meus caros, estão a olhar para uma sueca. Que se veste de forma igual a 99% das outras suecas.
Qual é a confusão então?? A idade, meus caros, a idade. As suecas parecem ter uma infância que termina com a escola primária; mal chegam aos 10 anos, as suecas começam a maquilhar-se e a vestir-se como adultas - faz MESMO impressão ver miúdas (que não têm outro nome) vestidas como eu descrevi acima e completamente maquilhadas. Mas quer dizer, de que outra forma é que elas atingiam o grau de prática em que conseguem retocar a maquilhagem dos olhos com uma única mão no metro sem se cegarem com o rímel quando o condutor faz uma travagem brusca???
OK, dizem vocês, mas ainda não percebemos onde está a dúvida. Voltem comigo há umas horas atrás, quando eu estava na paragem de autocarro à espera do dito cujo. Vem uma sueca.
"Criança ou mulher?"
"Epa que cara de miúda! Criança."
"Mas está vestida com roupa de adulto! Mulher."
"É tão baixinha! Criança."
"Está na estação de metro da universidade, deve ser estudante... Mulher."
"Ah mas... Não tem mamas! OK, criança."
Eu sei que a sociedade sueca é do mais livre que existe e que não põem rótulos a ninguém, por isso as pessoas sentem-se livres para expressar a sua individualidade... Ou será que o problema é o oposto e as pessoas não rotulam porque 50% das vezes não sabem que rótulo pôr???
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