2 de novembro de 2008

Hetta

Calor

3ºC em Estocolmo, 17ºC em Portimão


Ontem à noite saímos a mais uma festa, desta vez de Halloween, mas dou por mim a desejar não ter ido… O DJ não era grande coisa e o resultado é que hoje estou cansadíssima.


Este tipo vestiu-se de jogador de hockey no gelo e andou (e dançou!) sobre patins a noite inteira!


Para além disso, ontem tive uma previsão do que me espera este inverno aqui pela Suécia – voltar para casa às 2 da manhã com 5 graus negativos… Ia congelando! Cheguei à conclusão que, das duas uma, ou compro mesmo o casaco de inverno, bem quente, ou compro calças novas, ou collants de lã, ou sigo os conselhos do meu amor que diz que toda a gente por aqui veste uma espécie de ceroulas por baixo da roupa… LOL.

E quando o frio aperta, uma pessoa faz o que pode para se aquecer… Falando a sério, a roupa não chega, porque este tempo é completamente deprimente. Ainda a semana passada houve outro a atirar-se para a linha de comboio e é por estas e por outras que a taxa de suicídio na Suécia é das mais elevadas do mundo. Para mim, manter-me quente é aquecer a alma e ainda não sei de neurologia o suficiente para vos elucidar dos factos científicos, mas a minha alma aquece-se a partir de dois órgãos principais: coração e estômago.

Começando pelo último, a verdade é que desde que vim para Estocolmo tenho cozinhado como nunca antes na minha vida. Depois de uma primeira semana a comer demasiada comida pré-cozinhada (tipo sopas Knorr) decidi que, se ia sobreviver na Suécia, então pelo menos a comida tinha que saber bem e ser pelo menos parcialmente portuguesa. Mãos à obra e toca a cozinhar… Sou das poucas pessoas (se não a única) que cozinha todo o santo dia cá no corredor. Umas receitas são antigas, outras tiradas da net, umas tradicionais, outras não tanto, e o certo é que não só ganhei o prémio de melhor prato na nossa festa do corredor há uns tempos como tenho mesmo a reputação (não sei se merecida) de ser uma grande cozinheira… O chinês cá do corredor chama-me “the good cook", o Albert diz-me que sou uma “great cook”, a Madelinde pede-me conselhos de culinária e receitas… E a verdade é que cada vez tenho mais prazer em ir para a cozinha e passar lá uma hora a fazer algo que saiba bem para o meu jantar. Ontem fiz uma receita nova e deliciosa, um “frango mediterrânico” que ficou de comer e chorar por mais!


O Niklas obviamente é das pessoas que mais usufrui dos meus dotes culinários: desde o bolo de chocolate que fiz para ele no dia dos nossos primeiros “filmes”, até a um jantar para dois na semana passada, até uma mousse de chocolate com sabor a menta que levei para a faculdade para ele comer à sobremesa… O Haythem é o máximo, vira-se para ele e só lhe diz: “man, you are so lucky!!! I’m telling you, if I had a girlfriend who could cook I’d be at her place every week!” Ao que eu pergunto, indignada, afinal o que é que eu recebo em troca, ou ele acha que a minha vida é cozinhar para um gajo? E o Haythem responde: “You cook for him and he gives you TLC!” TLC??? “Tender Love and Care!!!!” LOL…

A juntar à comidinha que aquece e reconforta o estômago e a alma, temos o coração – e aí são óbvias as vantagens de termos alguém que nos ajude a passar pelas noites intermináveis, a combater a depressão e o stress, uma pessoa com quem falar, ver filmes, passear, uma pessoa que é super carinhosa connosco e não se cansa de nos elogiar, põe o braço à nossa volta, dá-nos a mão, está ao nosso lado para o que der e vier. E eu tenho essa pessoa e sou feliz… :D

1 de novembro de 2008

Kyla

Frio

3ºC em Estocolmo, 16ºC em Portimão


Por estes dias, cá na Suécia, está friozinho… Frescote, vá. Ainda não vi neve, verdade seja dita, mas na terra do Niklas (20 km a Norte de Estocolmo) ontem à noite já nevava… O frio sente-se, não só na rua, mas em casa, em que custa sair do quarto aquecido para o corredor mais frio, e vê-se, não só pelo gelo que cobre ruas e carros de manhã, mas pelo vestuário das pessoas…

A minha primeira experiência inesperada relacionada com o frio foi sair de casa há dois dias atrás e escorregar numa daquelas placas de gelo invisíveis – não, não caí, mas foi por pouco… Resolvi que se calhar já era altura de comprar um gorro e um casaco de inverno, e ontem, depois de um almoço óptimo e divertidíssimo num buffet chinês / japonês / tailandês, fomos uns quantos às compras.

O meu amor ajudou-me a escolher e gorro e diz que fico muito gira, mas visto que a opinião dele não é imparcial, deixo-vos uma foto para dizerem de vossa justiça…


Cold or hot? ;)

Hoje saí à rua com a fantástica temperatura de 2 graus. E vá lá, que de manhã estavam 0! Ir às compras com um frio destes exige preparação: uma blusa, um casaco, um casacão de inverno; cachecol com umas 3 voltas ao pescoço, luvas com pêlo por dentro, e o meu belo gorro enfiado até às orelhas; collants por baixo das calças, dois pares de meias, botas e pronto, parecemos o Pai Natal de tão gordos por causa das montanhas de roupa que temos em cima! Os preparativos também incluem creme na cara e bálsamo para os lábios, as únicas partes que não estão protegidas…

Sai-se de casa e é como que uma onda que nos invade e faz-nos lacrimejar. Respirar pelo nariz é difícil, à primeira lufada de ar o nariz começa a escorrer água e temos que passar a respirar pela boca. O corpo está protegido do frio, mas nas bochechas sente-se um frio cortante e se nos pudéssemos ver ao espelho (o que aconteceu quando voltei a casa) veríamos como toda a nossa cara se tornou vermelha, do sangue a afluir à cabeça para tentar manter a temperatura. Como eu já tinha dito, o frio também se vê, e apesar de hoje estar sol (sabe tão bem, depois de 3 dias horrorosos!), vêem-se camadas de gelo por cima dos carros, uma ou outra pessoa atarefada a jogar baldes de água quente para o derreter, as folhas ao longo do caminho estão cobertas de orvalho congelado… Uma família decidiu sair toda junta para aproveitar o sol, e é tão giro ver aquela amálgama de gorros e cachecóis, especialmente os dos miúdos, que são de todas as cores e feitios, uns simples, outros com orelhas de animais ou em forma de morango :) Mas a maioria das pessoas, nestes dias, não pára à beira do caminho, e segue rapidamente em direcção ao seu destino, o frio também se ouve nos seus passos apressados e na ausência de conversas entre vizinhos e conhecidos, que noutros dias param para se cumprimentar, mas não hoje.

É nestes dias que olho com admiração os pássaros que saltitam à beira da estrada, todos contentes, cobertos pela sua camada de penas, a aproveitarem o sol sem parecerem importar-se muito com o facto de estarem 2 graus, enquanto que nós, estúpidos e imperfeitos humanos, temos que correr a enfiar-nos em casa ou andarmos que nem espantalhos. Ainda dizem que os Homo sapiens sapiens são o supra-sumo da evolução…

30 de outubro de 2008

Berätta…

Contar…

5ºC em Estocolmo, 18ºC em Portimão


… ou não contar? Foi esta a questão dos primeiros dias de namoro, em que algumas pessoas sabiam, outras não, mas não demorou muito até as novidades alastrarem por outras vias que não as nossas…

Da minha parte, fui interrogada logo no primeiro dia: pelas meninas de Jägargatan, que estranharam a minha ausência durante a tarde toda, e não paravam de perguntar onde tinha estado e, principalmente, com quem; pela minha mãe e pela Tani, que sabiam o que se passava e estavam ansiosas para saber as novidades. Escolhi contar às segundas e não às primeiras, porque estava com medo que elas se portassem de forma difere
nte connosco na universidade e não queria causar confusões, porque ainda não estava certa do que ele queria.

Da parte dele, no dia seguinte contou logo à sua melhor amiga (a Marike) que se encarregou de contar ao Mustafa e pronto, com aqueles dois a saber, já se está a ver que as notícias correram rapidamente… Mas eu ainda não sabia que ele tinha contado a alguém quando contei, eu própria, às meninas de Jägargatan. A verdade é que fui completamente encurralada “entre a espada e a parede”, como se costuma dizer… Jantar de meninas n
a cozinha do 6º andar: ainda mal tinha tido tempo para respirar quando pergunto uma coisa qualquer à Clarissa e ela responde, a atacar: “We won’t tell you ANYTHING until you tell us what’s going on with Niklas!!!” Pronto, impossível escapar a múltiplas questões, umas respondidas satisfatoriamente, outras evadidas melhor ou pior, a verdade é que elas ficaram satisfeitas e em breve pararam o bombardeamento.

No dia seguinte voltámos a sair, só os dois, e a fuga do rebanho foi mais difícil e notada, e cada vez era mais evidente que toda a gente ficaria a saber em breve. Passou o fim-de-semana, em que contei a pessoal amigo mas de Portugal, e não passou mais dia nenhum sem toda a gente saber…


A partir do momento em que contei à Clarissa que o Mustafa já sabia, ela considerou as notícias de foro público e oficial, e tratou de se portar “à Clarissa”…
Acho que já tinha contado que a Clarissa desde que entrou no curso declarou-se dona e proprietária de todos os rapazes no curso… Na segunda de manhã, começou por se mostrar “ofendida” por o Niklas, um dos rapazes do seu harém, se ter extraviado, e deu-me o mesmo tratamento, a dizer que não me perdoava e que raio de amiga era eu, lol. Claro que com este tipo de comportamento exuberante, quem ainda não tinha reparado começou a reparar e a comentar… E que MESMO assim não reparou, não passou do almoço: a Clarissa (who else?) vira-se para a Karin e diz “Whaat, you don’t know the neewwws? Let me tell you, let me tell you: Joana and… Niklas are dating!!!!” E assim passou a dado adquirido. Ao menos não tivemos que disfarçar quando voltámos a sair juntos nessa tarde, para um passeio romântico por Estocolmo…

Terça-feira: o único a não saber, o Mario, chegou de viagem, pois tinha ido à Alemanha e não estava a par de nada. Desta vez não foi a Clarissa a contar-lhe… A dada altura, pelo andar da conversa apercebeu-se de algo e perguntou, com ca
ra de espanto: “Whaat? SHE (apontando para mim) is your girlfriend?” Ao que o Niklas respondeu “Yes, I think at this point we can start calling ourselves that.” E ele que não se surpreendia, que já andava desconfiado desde o dia da nossa visita ao IKEA…

E assim passámos a ser uma entidade, Joana e Niklas. Ao almoço, na segunda-feira em que toda a gente ficou a saber, ainda houve uns engraçadinhos a tentarem arranjar um nickname para nós os dois (Joaniklas? Dizia a Clarissa. Nah, Jiklas! Respondia o Mustafa) – felizmente que a moda não pegou… Passaram duas semanas e cada vez gosto mais do meu sueco :D E sinto que ele de mim também…


28 de outubro de 2008

Examen

Exame

2ºC em Estocolmo, 15ºC em Portimão

O exame correu bem :D Vamos a ver o resultado…

26 de outubro de 2008

Vinter

Inverno

10ºC em Estocolmo, 21ºC em Portimão

OK, o Inverno chegou – definitivamente!
Eu sei, eu sei, só a 22 de Dezembro é que é oficialmente inverno. Mas hoje que a hora mudou nota-se mais do que nunca…

Visto que antes de a hora mudar anoitecia às 17h, hoje passou a anoitecer às 16h – sim, 4 da tarde aqui são 4 da noite… Ou seja, a estas horas, 8 da noite, o pessoal já jantou e só apetece ir para a cama – já é escuro há tanto tempo!

A escuridão vem acompanhada de frio, vá, frescote – esta semana vamos ter temperaturas entre os 2 e os 6 graus, tão boom… As folhas das árvores já caíram quase todas e por isso à nossa volta o mundo aparece pintado de cinzento, especialmente em dias de chuva como hoje.

Sim, é inverno em Estocolmo – e as coisas ainda vão piorar. Vá lá que já cumpri o objectivo delineado no primeiro post deste blog, de encontrar um sueco para me aquecer – pode ser que o Inverno passe sem eu dar por isso ;)

25 de outubro de 2008

Studera

Estudar

8ºC em Estocolmo, 19ºC em Portimão

E depois do amor… O estudo! Exame de cardiovascular na segunda-feira não é pêra-doce… De forma que tanto eu como o meu sueco como toda a gente com o mínimo de responsabilidade está com a cabeça mergulhada em livros e apontamentos e slides…

Aproveito para fazer uma súmula (epa já pareço o prof. e Bio-informática) das últimas semanas, já que muita gente me tem perguntado: sim, amor e festas e tal, tudo bem, mas e o curso? Como está a ser? E de facto, esse aspecto, que está a ser tão positivo como o resto, tem sido deixado um pouco de lado, por isso passo a comentar.

Do primeiro mês já falei, foi basicamente darem-nos as ferramentas para podermos enfrentar tarefas tão distintas como escrita de artigos, elaboração de um poster para uma conferência ou apresentação de um seminário. Mas este mês as aulas “a sério” começaram…

Temos aulas no hospital, num auditório em que as cadeiras são (demasiado) confortáveis e não ajudam à concentração… Daí que me sente sempre na primeira fila, para não ter distracções, se bem que geralmente o tema é suficientemente interessante para a mente não divagar (muito, divaga sempre um bocadinho para o parceiro do lado :P). Os professores dão-nos os slides no início da aula, impressos por eles, às vezes mesmo a cores, para que possamos tirar apontamentos à medida que eles vão falando - de momento a pilha de folhas de slides já passa a espessura de uma lista telefónica, sem exagerar...

Primeira semana sobre técnicas moleculares, já as mencionei… É interessante ver como as coisas podem ser abordadas de formas tão distintas em universidades diferentes. Claro que eu já tinha ouvido falar de microarrays, de transgénicos, de RT-PCR, Western blot e afins, mas aqui é tudo dado do ponto de vista das ciências biomédicas, não se focando tanto na parte mais técnica porque, obviamente, não é numa aula teórica que vamos aprender o método, isso logo acontecerá se formos para um laboratório em que tivermos que o aplicar. Assim, as apresentações focam-se em questões como: em que é que esta técnica me pode ajudar a investigar a doença X? quais são as várias abordagens alternativas que posso ter para endereçar um mesmo problema? Quais são as vantagens e desvantagens de uma e outra técnica e quais as situações em que será preferível usar uma ou outra? Tudo isto acompanhado de exemplos CONCRETOS, visto que as pessoas que nos falaram de cada uma das técnicas estão de facto a aplicá-la na sua investigação e podem realçar-nos aspectos mais específicos que só alguém por dentro do assunto poderia conhecer… E essa é a vantagem de termos um professor por aula, sempre pessoas diferentes, pois sabemos que são de facto as pessoas mais indicadas para nos falarem sobre aquele tema em especial.

Uma semana depois começa o módulo cardiovascular, ou seja, enquanto na primeira semana os nossos médicos andaram à nora e nós na maior, porque obviamente já sabemos as bases das várias técnicas apresentadas e foi só um acrescentar de conhecimento, nestas últimas semanas deu-se o oposto: os médicos na maior, pois o que demos já eles sabem de cor e salteado (a maioria mas não tudo, porque demos alguns aspectos mais relacionados com investigação que o médico “normal” desconhece) e nós… nada. Para terem uma ideia, na primeira aula destas duas semanas demos tudo o que falámos em fisiologia sobre o sistema cardiovascular ao longo de um semestre inteiro, lol.
Mas é diferente… No segundo dia fomos visitar as instalações onde o pessoal de fisiologia faz investigação, para vermos os vários aparelhos de que tínhamos falado no primeiro dia e que permitem medir vários factores relacionados com o funcionamento do sistema cardiovascular. Vimos corações de rato, artérias, uma montagem que permite estudar um coração fora do corpo ainda a bater, adicionámos substâncias várias a artérias previamente extraídas para ver se elas contraíam ou relaxavam, vimos os aparelhos usados para fazer ECG e ecos em ratinhos, e até nos cruzámos com alguns dos ditos cujos em gaiolas. No fim, o professor (que era o típico cientista “maluco”, super entusiasmado com o seu próprio trabalho) ainda nos mostrou o seu próprio projecto mais acarinhado, investigação sobre o sistema cardiovascular em peixe-zebra (zebrafish), estivemos a ver as larvas do dito peixe, que não têm mais de 3 mm de comprimento, e surpreendemo-nos quando percebemos que eles são capazes de extrair um músculo daquela coisinha minúscula para estudar a sua contractibilidade. No final, dado o nosso entusiasmo, o professor levou-nos ao laboratório, anestesiou umas quantas larvas e estivemos a vê-las ao microscópio – foi giríssimo, porque elas são completamente transparentes e dá para ver o coração a bater…

OK, eu sei, conversa de nerd, toda entusiasmada com ratos e larvas. Eu sou assim, o que é que querem…

O resto das aulas debruçaram-se sobre assuntos vários, como células endoteliais, sinalização celular em processos de contracção de células cardíacas, controlo neurohumoral da circulação, função vascular em processos inflamatórios, “pericytes” (não sei como traduzir), tecido adiposo e resistência à insulina, inflamação na aterosclerose, enfarte do miocárdio, AVCs. Estes são apenas alguns exemplos… O facto é que as aulas se tornam extremamente interessantes pelo facto de os professores apresentarem sempre dados experimentais a ilustrar cada parte, falam do que está a ser feito na “crista da onda” naquela área e como podemos aplicar várias técnicas para tirar conclusões sobre cada doença – como diz a nossa coordenadora desta cadeira, o objectivo é nós sairmos deste módulo a sermos capazes de ler e compreender qualquer artigo em investigação cardiovascular e, de facto, acho que nos dá uma excelente preparação para tal. Eu, pelo menos, estou a adorar esta parte e gostava de fazer um dos meus projectos nesta área…

E pronto, já dei a seca para aqueles a quem o meu curso não interessa nada, mas espero ter esclarecido um pouco aqueles que me perguntam frequentemente “como é que isto é”.

Espero também que agora percebam a razão de eu estar a hibernar, sem sair do meu quarto 24 horas por dia, até ao exame de 2ª feira… Intervalos, só para comer, WC, dormir, falar com o meu amor na net e com a minha mãe no Skype, arrumar o quarto, passar roupa a ferro – ou seja, regime militar! Mas como o estudo está a correr bem, pode ser que hoje à noite vá a uma festa que há no 5º andar… Se for, amanhã mostro fotos ;) E agora dêem-me licença, que tenho que voltar aos processos inflamatórios na aterosclerose…

23 de outubro de 2008

Kyss

Beijo

39ºC em Estocolmo :), 19ºC em Portimão

Para as mentes mais lentinhas que não tenham apanhado os múltiplos sinais de paixão à vista, o título deste post deverá ser esclarecedor… Sim, passa-se ALGO… LOL.

Começando pelo começo: um rapaz tem um gesto simpático, digamos, deixar-nos ganhar numa competição de braço-de-ferro, ainda que fosse fisicamente impossível, só para nós não ficarmos tristes… E de repente começamos a vê-lo sob outra luz. Começamos a falar mais, ele é querido, não nos poupa elogios, começamos a ver que temos algo em comum… As conversas são boas, falamos de tudo um pouco, mas é preciso algo mais.

E é então que esbarramos na evidência de que nem ele viu o meu filme preferido (“Moulin Rouge” – “filme de gajas”, segundo ele) nem eu o dele (“Top Gun” – filme de gajos!). Parece-lhe a desculpa perfeita para uma sessão de filmes, planos começam a ser feitos… Na minha casa ou na tua? A questão quase não se põe, já que eu vivo num corredor em cuja sala da tv não há leitor de DVD, logo, fica para casa dele. Já que ele dá a casa, eu prometo fazer o meu bolo de chocolate para acompanhar o filme; ele promete limpar o quarto e deixá-lo decente, já que eu vou lá… Seguem-se os preparativos, as compras de supermercado planeadas cuidadosamente com antecedência, ele, quase sem mencionar o assunto, deixa escapar um “Hoje vou para casa mais cedo já que tenho que limpar o quarto para esta quarta-feira”, não precisamos de falar para sabermos que estamos os dois ansiosos para saber se o nosso próprio filme terá o fim que esperamos…

E eis que chega o dia D, dorme-se mal na noite anterior, o bolo de chocolate (óptimo!) já prontinho e num tupperware para levar. As aulas (em que nos sentamos sempre lado a lado) passam mais lentamente do que nos outros dias, e não sabemos muito bem como evadir questões na altura de sairmos dali juntos, tendo como destino a casa dele e uma sessão de “filmes”, sem dar bandeira para o resto do pessoal. Tarde livre, a maioria vai para casa, alguns ficam na faculdade a almoçar, nós lá conseguimos escapulir-nos os dois e apanhar o autocarro.

A viagem de autocarro e depois comboio corre bem, passa rápido, a conversa flui, sem parar em nenhuma estação, em direcção a paragens só nossas. A casa dele é na periferia, numa zona muito arborizada, onde, segundo a Marike, “em cada 5 pessoas a 5ª é um cavalo”. Casa gira, de madeira vermelho-escuro, plantinhas à janela, frascos de doce nas prateleiras. Quentinho lá dentro, como convém, e sapatos à porta (vá lá que eu me lembrei desse pormenor e deixei as meias com vaquinhas em casa, lol!). Primeiro almoçamos, que eu estava a morrer de fome, e depois seguem-se os filmes em si. Saco do meu arsenal: bolo de chocolate, de comer e chorar por mais – ele adora e eu sei que já estou a marcar pontos, que toda a gente sabe que um homem se conquista pelo estômago ;)

Os filmes foram visualizados no ecrã plasma do quarto dele. Começamos pelo Moulin Rouge: ok devo confessar que ele se portou bastante bem, não dormiu, não bocejou, viu o filme inteiro sem reclamar nem gozar, disse que era giro eu chorar no fim, porque mostrava um lado sensível de mim que ele não conhecia, e por fim lá admitiu que o filme “não era mau”. Lol. Mas depois é que os olhos dele se iluminaram, só de pensar no que se seguia: Top Gun, yey! OK, até gostei, mas é um filme light, não tem emoção. Coisa de gajos, pronto. Daí que no final, quando eu lhe disse: “Sinceramente, entre aviões de um lado e música e romance do outro, o que é que escolhias?” E ele, que eram os aviões, sem hesitar. Hopeless…

Sim, dizem vocês, mas então e o outro filme, aquele do qual ainda não sabemos o fim e que estamos em pulgas para saber? Bem, se não sabem onde é que isto foi desembocar, sugiro a leitura atenta do título do post de hoje. Questões? Dúvidas? Comentários?

E para concluir, deixem-me só dizer que o “filme” terminou quando os pais dele chegaram a casa, que fui logo apresentada e tudo (como amiga, claro), que ele me levou à estação, muito fofinho, e que não consegui tirar o sorriso estúpido da cara o resto da noite… Quando cheguei a casa deparei-me com um jantar indiano do qual já vos falei e com perguntas infindáveis das meninas do meu corredor, que já andavam desconfiadas… Mas essas histórias ficam para próximos posts.

Sim, tenho um sueco só para mim… E sim, estou completamente apanhadinha :D