28 de setembro de 2008

Segrare

Vencedora


14ºC em Estocolmo, 21ºC em Portimão


Depois de uma overdose de comida na sexta à noite, sábado prometia mais do mesmo.

Acordar, tomar banho, pequeno-almoço, arrumar quarto, fazer almoço (uma bôla de carnes que não ficou nada má), falar para casa, dormir a sesta, ver os 2 primeiros episódios de Anatomia de Grey, voltar à cozinha.


Fui encontrar o Albert a preparar o seu prato para o jantar, uns ovos recheados. Não imaginam como é que ele encheu (ou tentou encher, pelo menos) os ovos: com uma seringa roubada do laboratório. Lol mesmo coisa de cientista :D Ele não previu é que se calhar o recheio era um bocadinho demasiado espesso para conseguir passar pela seringa, e lá teve que desistir da sua ideia maluca e encher os ovos usando um saco plástico (não, colheres não, que isso dá muito trabalho).


A cozinha foi decorada principalmente quando eu não estava lá, mas ficou óptima… Para a iluminação não ser tão intensa, puseram um pano dobrado por cima da lâmpada, espalharam velas, trouxeram as mesas da sala da televisão e puseram-nas em cima da mesa da cozinha, criando um efeito agradável, cadeiras arrumadas a um canto e computador em cima do frigorífico, com música sempre a tocar…


O conceito do jantar era: tapas, características do nosso país, e com direito a prémio para o melhor prato!


Fui cozinhar para a cozinha do 5º piso para não ter distracções. O meu prato da noite seria: camarões com laranja e whisky. Enquanto cozinhava, a Vivi e uma asiática do andar fizeram-me companhia e quiseram aprender a fazer os ditos camarões… Claro que, pelo apoio moral, tiveram direito a provar no fim! Ficaram óptimos, com um molho que estava uma verdadeira delícia…

Lá levei os meus camarões para a cozinha, onde já estava toda a gente! Coloquei o meu prato no sítio, com o meu nome à frente, como todos os outros… O jantar foi muito agradável, apesar de a qualidade da comida, no geral, ser inferior à de sexta. Mas foi muito bom para conhecer as pessoas que vivem connosco e que geralmente quase nunca vemos. Conheci pessoas novas, nomeadamente infiltrados de outros corredores… O meu prato preferido foi uma sobremesa, um bolo de chocolate fantástico feito pela Karina (alemã)… De comer e chorar por mais!

"The Dutch delegation", como eles se auto-intitularam: Jacomijn, Martijn e Madelinde...


A votação era feita nuns papelinhos que eram depositados numa urna (decididamente, a Jacomijn pensou em tudo). Quando dei por isso, já tinham recolhido a urna sem que eu tivesse conseguido votar no bolo de chocolate… Quando perguntei à Jacomijn se ainda podia votar, ela respondeu com um enigmático “De qualquer forma, o teu voto não fazia diferença”…

E pouco depois, são anunciados os resultados. O Albert faz as honras da casa, à apresentador televisivo, e começa por dizer que foi renhido e que, por isso, não conseguiram decidir um 3º lugar, e que o 2º lugar vai para a “pasta” feita por uma colombiana, a Catarina…

“And the first place goes to…” (suspense, silêncio, expectativa…) “The shrimps!”


Ao princípio não percebi, porque estava à espera que dissessem o nome da pessoa e porque não estava nada à espera de ganhar, mas… Lá fui receber o meu prémio :D Weeee!!!! Sim, eu sei, eu sou boa! O prémio era um jogo de dados que dá para fazer uns “drinking games” e que já combinámos jogar juntos um dia destes… Claro, depois seguiram-se os agradecimentos, a sessão de autógrafos, etc, que eu sou uma pessoa muito importante :D Lol ainda bem que o pessoal gostou… No final sobraram 2 camarões que eu me encarreguei de acabar, era um desperdício deitá-los fora...


Depois de jantar, saída de grupo!

Foi giríssimo para conhecer melhor o pessoal do prédio, e não só do nosso andar. Fomos a um bar com karaoke e acabámos a cantar (uns 6 ou 7 de nós) a música “I will survive” para uma audiência de suecos bêbados – desafinámos como tudo, mas foi o máximo e quer-me parecer que alguém filmou… Se conseguir arranjar faço um post com o vídeo ;)

Falei com um indiano do andar -1, com o iraniano do nosso andar, com o holandês, que para além de giro é mesmo muito simpático, com o espanhol que se vai embora esta semana, com um americano do piso 1 que é mesmo giro… Fica uma foto para melhor me expressar (visto que uma imagem vale mais que mil palavras!)

E, por fim, voltámos para casa. Algumas das meninas ainda foram sair com o Albert, mas eu estava mesmo cansada… No fim, viemos o caminho todo a conversar, desenvolveu-se um espírito de grupo óptimo e a Vivi já prometeu recolher os emails de todas as pessoas de todos os andares para fazer uma mailing list e combinarmos sair novamente no próximo fim-de-semana…

Mat

Comida

14ºC em Estocolmo, 21ºC em Portimão

Sexta à noite: altura do primeiro de dois jantares multiculturais que muitas surpresas trariam…

Encontramo-nos no metro, estação mais próxima da casa da Su. Toda a gente a carregar comida e bebidas, o que atraía os olhares de muitos curiosos… Ainda pensámos se não seria de fazer negócio a vender comida na rua… Mas não. A casa é gira, rés-do-chão, nos subúrbios, o “ninho de amor” da Su e do seu namorado sueco, o Philip. A comida começa a sair dos sacos e a ser disposta em cima da mesa, e é imensa, muita mesma, alguma de aspecto familiar, outra nem por isso. Conseguem adivinhar qual é a minha?


Anyway, provei de quase tudo (menos as bratwurst, que é como quem diz salsichas alemãs, do Mario) e passo a descrever algumas das iguarias:
Eli (China) – porco frito num molho meio doce, meio picante, muito bom

Ghezal (Suécia / Irão) – frango e arroz com “persian berri
es” (bagas persas?), umas bagas com aspecto de sultanas mas de cor vermelha viva e azedinhas
Marike (França) – um bolo de maçã fantástico

Clarissa (Peru) – não sei explicar… uma espécie de puré com batata, maionese, chili, tomate e frango, mistura estranha mas deliciosa….

Iskra (Croácia / Canadá) – salada de cuscus com pimento e tomate
Giulia (Itália) – duas saladeiras com dois tipos de “pasta”: uma com tomate cereja e orégãos, outra com “pesto” feito por ela – de salivar!
Mustafa (UK / Egipto) – um cheesecake óptimo, mesmo para quem não gosta de cheesecake…


E assim por diante. Era imensa comida e sobrou a montes, menos de algumas coisas, como o meu arroz-doce, que toda a gente adorou! A Eli comeu 3 vezes, e toda a gente que provava, primeiro um bocado a medo, gostava imenso. Foi engraçado descobrir que no Egipto têm um prato parecido, pelo que me disseram os dois irmãos…

Mas agora que já descrevi a parte gostosa do jantar, e aproveito para dizer que comi que nem uma alarve, fiquei super cheia e até mesmo maldisposta, passemos à parte social. Chegados a casa, sapatos à porta, como convém. E fiquem mesmo com esta ideia na cabeça, do pessoal a andar pela casa em meias, que será importante mais tarde. Uma imagem para realçar como o hall de entrada tomou aspecto de sapataria:


Comíamos em pratos de plástico, sentados no chão, em círculo(s), a conversar uns com os outros, a conhecermo-nos melhor, especialmente aqueles de nós que não têm tanta oportunidade de falar fora das aulas. Pouca gente faltou: só o Niklas, que teve de trabalhar, e algum do pessoal mais velho, como o indiano. Risos (especialmente em qualquer grupo a que se juntasse a Clarissa), conversa alta, música, pessoas a alternar entre a cozinha e a sala… Os irmãos egípcios chegam e a festa melhora, ri-se (ainda) mais, o pessoal já está cheio e a Clarissa sente que é altura de animar a festa. Não foi fácil convencer as pessoas a dançar… Mas quando a Clarissa se lembrou de jogarmos ao “Limbo” (aquele jogo em que temos que passar por baixo de uma corda que vai baixando cada vez mais), houve muita gente a aderir. E o vencedor foi… O Haythem, um dos irmãos, que se baixava de uma forma notável! A Marike chegou a um prestigiante segundo lugar, surpreendendo todos com a sua flexibilidade (ok, não foi uma surpresa assim tão grande, dado que ela já dançou ballet, mas ainda assim…)

A parte mais gira viria quando a Clarissa fez uma última tentativa de por o pessoal a cantar / dançar. O Mustafa foi forçado a entrar em cena durante uma música de Queen, aquela da bicicleta, e começou a fazer palhaçadas com o Espen, nomeadamente a fingir que andava de bicicleta à volta da sala. Ora, pulinhos em meias em chão encerado e não é preciso ser um génio da matemática da vida para ver que a equação se iguala a uma queda descomunal, que provocou risos descontrolados, choro de tanto rir e que, por sorte minha e azar do Mustafa, aconteceu no preciso momento em que eu tinha começado a filmar :D Durante o resto da noite os irmãos ainda me tentaram coagir para eu apagar o filme, mas eu não o fiz, é bom demais… :D Depois de uma promessa de que este não iria parar ao YouTube, o Mustafa lá ficou mais descansado. Claro que não prometi nada em relação a publicá-lo no blog… Have fun ;) (sugiro que baixem as luzes para ver o filme, porque está um bocado escuro e não se vê bem com o reflexo no ecrã)

Teater

Teatro

15ºC em Estocolmo, 22ºC em Portimão

A aula de ontem foi espectacular. Foi altura de deixarmos o nosso espaço de conforto e trabalharmos a nossa linguagem corporal… A nossa professora do dia é actriz e dá aulas de teatro na universidade de Uppsala. Começámos pelos habituais exercícios de respiração, relaxamento, etc. aos quais já estava mais que habituada depois de 5 anos de coro e 2 de teatro. A parte gira veio depois, quando tivemos que nos expor cada vez mais aos outros, começando simplesmente por associarmos o nosso nome a um gesto para todos repetirem, avançando depois para expressarmos um desejo, depois para trabalho em pares em que tínhamos que contar a nossa experiência da “vida selvagem” aos outros…

A minha parte preferida do dia foi quando tivemos que contar a nossa experiência à turma inteira. Aprendi imenso… Como eu mesma diria mais tarde, hoje viajei pelo mundo todo sem sair daquela sala. O objectivo era exactamente esse: pintar um postal da nossa experiência, usando todos os sentidos, de forma a que os outros pudessem ver o que nós estávamos a ver…
Houve de tudo, desde risos a choros… Os primeiros provocados, por exemplo, pela Giulia e pelo Mustafa, este último com uma história que envolveu muito vomitado, lol, os últimos da parte da Dhifaf, que contou uma experiência muito vívida de um assalto à loja da mãe dela em que os assaltantes apontaram uma arma à cabeça da mãe com ela a ver…

A última parte da aula foi dedicada aos nossos poemas, com algumas performances espectaculares, outras nem tanto… O melhor foi a Marike a interpretar a letra da canção I Will Survive, a Clarissa a dedicar “The Way you look tonight” ao Haythem, e o Niklas a ter que dizer o seu poema sobre libertar-se das pessoas que o deitam abaixo com os dois irmãos egípcios a agarrá-lo e a puxá-lo para trás e ele a lutar ao mesmo tempo…

Foi um dia de aulas bem passado, em que deu para tudo: rir, chorar, coisas sérias. Aprendi que tenho que fazer menos gestos e concentrar-me mais na audiência e vou tentar melhorar para a minha apresentação de segunda-feira…

25 de setembro de 2008

Kul

Diversão

16ºC em Estocolmo, 23ºC em Portimão

A apresentação de ontem correu bem e foi extraordinário como uma pessoa se pode divertir numa aula, só de assistir às apresentações uns dos outros e depois fazer comentários, uns com piada, outros sérios… Mas boa boa deve ter sido a apresentação da Clarissa de manhã, em que apresentou uma teoria sobre a extinção do cromossoma Y dentro de 10 milhões de anos e mostrou uma fotografia de todos os rapazes da nossa turma para demonstrar como eles estavam à beira da extinção.

Claro que não se pode comparar a diversão da aula, com o nosso professor extremamente engraçado, ao tipo de diversão que se seguiu nessa noite, na festa Erasmus. Para resumir: 8 pessoas de Jägargatan + um amigo do Albert + Stefania + amigos da Stefania, um dos quais era português e que me puxou para dançar durante o fantástico “hit” Dragostea din tei (têm saudades, confessem!) = noite fantástica. Música boa, ambiente óptimo e companhia nem se fala… Ficam algumas fotos…

O Martyn, holandês do nosso andar e amor da Clarissa... Bem simpático, para dizer a verdade...

4 meninas do "Sex" floor (sexto andar, o que é que estavam a pensar???)

Dois rapazes encostados às boxes!!!

A foto mais gira e simultaneamente horrivel da noite! (eu a posar para a foto e o Albert decide fazer um tributo aos Kiss... gajos, não há quem os perceba...)

A diversão continuou esta noite, com a aula de salsa mais fantástica de sempre. Obviamente que parte da fantasticidade (e aqui atinjo um novo nível no que toca à língua portuguesa) teve que ver com os parceiros de dança, ou um deles em particular, que veio directamente de Jägargatan e que se revelou um dançarino fantástico… (A minha mão no ombro dele, a mão dele na minha cintura, e 1, 2, 3… 5, 6, 7…) :D Agora a sério, estou mesmo a adorar as aulas e acho que até tenho jeito para aquilo :D Ao menos é giro quando estamos a fazer um esquema ou uma volta e vemos que mais ninguém acompanha a não sermos nós :P Sempre deu para subir um bocadinho o ego. E danças latinas é tão bom, uma pessoa até parece que se sente mais em casa…

Amanhã novos desenvolvimentos, com o primeiro de dois jantares multiculturais para o qual já fiz um fantástico arroz-doce (dei a provar à Shermaine e ela adorou!)…

Dröm

Sonho


16ºC em Estocolmo, 23ºC em Portimão


Uma nota breve para dizer que… As aulas deste módulo estão a ser fantásticas. Tenho aprendido imenso sobre coisas do dia-a-dia de ser cientista nas quais uma pessoa não pensa verdadeiramente até precisar, mas eles aqui têm tudo muito bem organizado e estruturado. Do género: como escrever um artigo? Como PUBLICAR um artigo (que não é bem o mesmo)? Como fazer uma apresentação de um poster? E uma comunicação científica? Como colocar a voz, como usar a linguagem corporal, como fazer pausas para ver se as pessoas nos estão a acompanhar? Como responder a perguntas colocadas numa conferência? O que fazer se essas perguntas forem “para nos lixar” (basicamente)? Como preparar uma entrevista de emprego? Como criar um negócio? E assim por diante… Não há um dia que se dê por perdido e, apesar da rambóia, tenho mesmo aproveitado as aulas.


Hoje vimos o discurso “I have a dream” do Martin Luther King e, confesso, arrepiei-me. Eu sei que o discurso nos foi mostrado com a intenção de dar um exemplo de retórica perfeita, mas… o conteúdo e forma são tão bons que às tantas deixei de tirar apontamentos e concentrei-me apenas no discurso… E emocionei-me, lol. Vá lá que estava na primeira fila e acho que ninguém notou… Mas fiquei arrepiada (a palavra inglesa é melhor: overwhelmed) durante mais uns minutos antes de voltar à realidade. I have a dream…

24 de setembro de 2008

Sköldpadda

Tartaruga

14ºC em Estocolmo, 22ºC em Portimão


O meu professor de retórica parece um híbrido entre uma tartaruga e o Mr. Bean. Não pretendo com isto insultar o meu professor de retórica, muito pelo contrário, até acho que as aulas dele são das mais interessantes que já tive… Imaginem a figura: óculos de fundo de garrafa, redondinhos, barriga, baixo (para um sueco), calvo (tipo Tartaruga Genial), de laçarote ao pescoço e fato horroroso… Mas a verdade é que consegue captar a nossa atenção o tempo inteiro. Ou não fosse ele professor de Retórica…
Giro giro foi às tantas eu lembrar-me de um certo professor nosso da licenciatura que logo na primeira aula disse que tinha uma voz muito monocórdica e tentar ver quantas das regras do bem-falar e bem-apresentar é que ele cumpria nas aulas dele, tendo chegado ao fantástico número de… 0. Lol.

Para além de ter aprendido imenso, a última parte da aula foi gira, com o professor a dividir-nos em pares, tendo nós que entrevistar o nosso par e depois apresentá-lo perante a turma… Fiquei com a Giulia e foi muito giro, basicamente fartámo-nos de dar graxa uma à outra mas ela até que fez uma descrição bastante simpática da minha pessoa (sinal de que não me conhece assim tão bem, lol :D).

O resto da tarde foi passada com trabalhos de filosofia (finalmente acabei, ao contrário da maioria do pessoal do curso – ironicamente, já há quem me chame workaholic, embora o meu raciocínio seja precisamente despachar o trabalho o mais rapidamente possível para poder ir a festas, aulas de salsa e outras que tais :D) e a preparar a apresentação para hoje – 5 minutos apenas, não me parece que vá conseguir cumprir o tempo…

Ainda assim, espero despachar isto o mais rapidamente possível para poder ir para casa fazer o jantar e depois sair com a Shermaine e o Albert… :)

Dumhet...

Estupidez…


8ºC em Estocolmo, 17ºC em Portimão


…é a voz dele funcionar como um despertador, mesmo se ele está na cozinha, a 4 portas de distância, a falar baixinho com alguém e se, sendo 7 da manhã, eu estava a dormir profundamente e a sonhar (com imigrantes portugueses na Suécia que abriram um hotel junto à praia – altamente improvável, eu sei).

…é levantar-me a correr, tentar dar um jeito ao cabelo desgrenhado do contacto com a almofada, sair do quarto em pijama e com olhos ensonados para estar com ele, já que não o vi ontem.

…é combinarmos as coisas para logo à noite, eu pedir-lhe o nº de telemóvel para assegurar que não nos desencontramos, dar-lhe o meu em vez disso, ele dar-me um toque para o meu telemóvel, esquecido nalgum recanto do meu quarto.

…é tirar as coisas para o pequeno-almoço enquanto falo com ele, apesar de nunca tomar pequeno-almoço a estas horas ou em pijama (apesar de ele não saber isso, visto que geralmente sai antes de eu acordar).


Mas o cúmulo da estupidez é mesmo…

…voltar ao quarto para guardar o número dele e descobrir que não está lá, ou porque lhe demos o número errado tal não era o sono, ou simplesmente porque ele não deixou tocar o tempo suficiente…