8 de março de 2009

Ett hundra

Cem


3ºC em Estocolmo, 22ºC em Portimão


Cem posts, cem aventuras, 6 meses já na Suécia. Parece que passou uma eternidade, tantos que foram os acontecimentos e tanto que a minha vida mudou. Sinto que mudei e cresci como pessoa e como (futura) cientista, vejo o mundo de uma perspectiva completamente diferente e pela primeira vez sinto que realmente estou a viver a vida.

Obrigada ao pessoal que tem lido e comentado e ajudado a tornar esta Suécia um pouco menos fria e um pouco mais próxima de Portugal! Já sabem que, apesar de estar longe, vos adoro!!!


6 de março de 2009

Hej då

Adeus

-3ºC em Estocolmo, 16ºC em Portimão


O corridor está vazio… Uma a uma, as pessoas que eram a nossa segunda família começaram a ir-se embora. Claro que há aqueles que ficam, como a Dasha, a Shermaine, a Clarissa e o Maurijn, e aqueles que vêm, como o Mario, que se muda para o 5º andar amanhã. Ainda assim, dizer adeus foi difícil…


A primeira a ir foi a Sabrina, a alemã do 5º andar. Fomos almoçar com ela ao departamento de Farmacologia para nos despedirmos da nossa companheira de festas e saídas, a meio de Janeiro… Depois o Albert, no final de Janeiro – essa foi a primeira despedida que realmente custou. De repente apercebemo-nos que podíamos ter passado muito mais tempo juntos e nos últimos dias sentimos necessidade de compensar, de fazer o dobro, de aproveitar cada minuto. Na festa de despedida estavam mais de 30 pessoas…

Passa-se um mês e de repente, numa semana, vão-se mais 5. A Claudia, italiana do andar -1, despediu-se dos amigos entre lágrimas e abraços, na quinta à noite. Na sexta à noite, foi altura de dizer adeus à Vivi, numa festa com direito a crepes franceses, antes da sua partida para Paris. Mas a despedida que custou mais foi a da “Delegação Holandesa”. Ontem de manhã, a Jacomijn, a Madelinde e o Martijn deixaram Estocolmo para voltarem à Holanda, de comboio. A sua festa de despedida, no sábado passado, juntou imensa gente e nesta sexta, a última festa em que estivemos juntos, foi cheia de emoções quando entregámos às duas meninas “scrapbooks” feitos por nós com fotos dos melhores momentos em Jägargatan, comentários e os nossos contactos.

O que fica? Ficam as memórias de bons momentos passados juntos. Fica o espólio que cada um deixa para trás, repartido entre os amigos: a Sabrina deixou um postal na caixa de correio de cada amigo; o Albert deixou-me alguns temperos e chá; da Claudia fiquei com café e “body warmers”; já a Jacomijn e Madelinde, deixaram-me a mim e à Judith a tarefa de tomar conta do seu “armário dos bolos” (cheio de coisas para fazer bolos), e ainda fiquei com uma caneca, vela, incenso, uma toalha, temperos. Parece ridículo, mas antes da partida há sempre esta espécie de leilão em que se distribuem as coisas que não dá para levar…


Mas mais que as coisas, fica a promessa de que a amizade vai continuar e não vai desaparecer com a distância…

24 de fevereiro de 2009

“Vari från kommer du?” “Jag kommer från Portugal”

“De onde és?” “Eu sou de Portugal”

1ºC em Estocolmo, 15ºC em Portimão


E deste modo, há duas semanas atrás, começaram as aulas de sueco. Ainda não aprendi muito, só números, horas, “Como é que te chamas?” e coisas do género.

O pessoal da minha classe é muito simpático, há de tudo (e de toda a parte), incluindo um deus grego (ex-jogador de vólei de praia), uma francesa de Paris, uma carrada de chineses e uma portuguesa chamada Catarina que começou o PhD na Universidade de Coimbra e está a acabá-lo no Karolinska…

Claro que começámos logo a conversar (ela é super querida) e como boas portuguesas começámos a ir contra o sistema e a tentar juntar o pessoal para uma jantarada. Já temos os emails de toda a gente, só falta marcar…

A propósito de jantar e de português, na terça-feira passada (há uma semana exactamente) tivemos um jantar português (cozinhado por mim e pelo Pedro) aqui em Jägargatan. E a ementa foi: chouriço, morcela e farinheira assados no forno com pãozinho fresco para começar; bacalhau com natas e salada para continuar; arroz-doce e doce delícia (uma espécie de doce da casa) para terminar. Foi uma comezaina e peras, bem ao estilo português. E soube tão beeeeeeeeem… :D

20 de fevereiro de 2009

Oslo

Diz que estivemos na capital da Noruega…

-12ºC em Oslo, -4ºC em Estocolmo, 15ºC em Portimão


OK, só para esclarecer, briolito, que confesso não ser o mais belo dos vocábulos (como diria o nosso caro prof), referia-se mesmo ao frio. Muito frio. Em Oslo esteve quase sempre à volta dos -10ºC e lá houve um dia em que chegou aos -4ºC… Também o resto das vossas dúvidas serão esclarecidas, mas cada coisa a seu tempo… ;)

A cidade

Oslo não é uma cidade feia, mas também não é nada de espectacular. Não tem a majestade de Londres nem a magia de Paris, nem mesmo o tipo de identidade de Estocolmo, com as suas casas em cores quentes e os braços de mar a separarem as diferentes ilhas. É uma capital europeia, de um dos países mais ricos do mundo e que, como tal, tem coisas interessantes para ver. Ponto. Andámos no centro, na zona comercial, fortaleza, palácio real e a nova Ópera, que tem um design fantástico.
Palácio real...

Ópera

Fomos ao parque Vigeland, uma das atracções mais famosas da Noruega, com centenas de esculturas pelo escultor norueguês Vigeland (finais do séc. XIX, início do séc. XX), que, segundo eu ouvi um norueguês explicar a uns amigos estrangeiros de visita, era um tipo “sem namorada que tinha que compensar de alguma maneira”. Ora ele compensou esculpindo… gente nua. Montes de gente nua. Sozinhos, aos pares, em grupos, em posições inocentes ou nem tanto, zangados ou contentes, homens, mulheres, crianças. Uma orgia artística que culmina no símbolo do parque, bem no topo de uma colina, que é basicamente um objecto fálico composto de montes de corpos nus empilhados…
Arte, mas de outro tipo, tivemos também no domingo, quando visitámos o museu Munch e vimos o seu famoso quadro “O grito”, bem como muitos outros, de grande qualidade…

O tempo (a neve!)

Eu seeei que estou sempre a falar do tempo, mas em Oslo estava fantástico! Pronto, ok, estavam -10ºC, mas estava neve (uns 20 cm pelo menos) e um sol fantástico no sábado, o que deu azo a muitas brincadeiras na neve que foram, sem dúvida, um dos pontos altos da viagem!

Sim, estava assim tanto frio!

O Gustavo atirava a Dasha ao chão de cada vez que via um monte de neve, envolvemo-nos todos numa luta de bolas de neve, enterrámo-nos na neve, rebolámos na neve, deslizámos encosta abaixo, que é como quem diz, praticámos scu :D Primeiro com um saco plástico, depois com aquelas coisas de plástico (sledges) que não sei o nome em português, emprestadas por um pai de família norueguês super simpático que enquanto descansava com os miúdos nos deixou usar o material todo, até um mini trenó… Foi o melhor que nos podia ter acontecido :D

A companhia

Éramos 11, uma equipa de futebol, como dizia o Gustavo.
OK, nesta foto não somos 11... O Gustavo ficou a dormir :)

A Dasha assumiu o papel de nossa general (o nome que lhe ficou para o resto da viagem), de mapa em punho e a fazer toda a gente levantar-se a horas e decidir-se quanto aos destinos a visitar. O Gustavo esteve um bocado estranho, comportando-se um pouco como um miúdo, ora brincando na neve (como quando atirava a pobre da Dasha ao chão), ora amuando se não íamos onde ele queria. Ele e a Jacomijn fizeram as vezes de casal durante a viagem, apesar de eu vir a saber mais tarde que o Mustafa o viu aos beijos com a Cécile na paragem do autocarro do Karolinska e realmente eles os 2 desapareceram por uns tempos na viagem… Haja alegria. O Maurijn esteve super divertido a viagem inteira, é uma pena que não existam mais pessoas assim (mas de preferência sem namorada).
Eu e o Maurijn partilhámos um beliche...

A Shermaine emprestou algum encanto asiático ao grupo e o resto do pessoal formou a maioria do tempo um grupinho mais ou menos à parte, composto por Cécile, Katarina (Alemanha), Lies (Bélgica), Elisa e Gian Luca (Itália). Apesar de tudo, demo-nos bem e divertimo-nos imenso…

Latinos

E quando no mesmo grupo há pessoal do Brasil, Portugal e Itália, é certo e sabido que a coisa há-de aquecer… Na primeira noite (6ª) encontrámos um bar brasileiro e estivemos a beber caipirinhas (ridiculamente caras, como tudo em Oslo – 89 coroas norueguesas, o que se traduz nuns 9 euros e meio! Vá lá que o Gustavo decidiu oferecer uma rodada geral…) e a ouvir música brasileira.
No bar brasileiro...

Na segunda noite fomos a uma discoteca latina um bocado mal frequentada mas não foi por isso que deixámos de nos divertir… Dançámos reggaeton e parece que algumas pessoas estiveram a dançar salsa noutra das muitas salas da discoteca (ouvi dizer que a Dasha dançou com um cubano todo jeitoso). “Parece que” porque, nessa altura, eu não estava com o resto do pessoal… Eu e o Gian Luca começámos a conversar, conversa puxa conversa, num misto de italiano e inglês, e nesta mescla de palavras e línguas perdemos a noção do tempo… ;)

16 de fevereiro de 2009

Oslo preview...

-12ºC em Oslo, -4ºC em Estocolmo, 16ºC em Portimão

E para quem nem sequer sabia que eu tinha ido a Oslo, um pequeno aperitivo (segue-se o relato detalhado)...

Houve neve e sol, muitas horas a andar, monumentos e lutas na neve, sku, fotos pornográficas com estátuas, 6 pessoas por quarto, noites de pouca dormida, uns quantos beijinhos, ritmos latinos e um briolito... ui ui!!!


11 de fevereiro de 2009

Sushi

-1ºC em Estocolmo, 14ºC em Portimão


Sábado foi dia de sushi. Acabada a cadeira dos animais, foi tempo de festejar com uma noite no bar da associação (em que o Niklas engatou uma miúda do 1º ano de Medicina, eu e o sueco giro tivemos uma prestação miserável a jogar bilhar e toda a gente adorou a Sara, a espanhola do meu grupo) e com um dia de muffins (no café "da" Karin) e sushi (em casa da Iskra).

O café onde a Karin trabalha chama-se "Muffin fabriken" (fábrica dos muffins) e de cada vez que lá vamos temos muffins de graça (não controlam o número de muffins, a Karin oferece-nos e nós depois damos gorjetas reforçadas, que são directamente para ela). Os muffins são enormes e uma delícia, com sabores desde chocolate e menta a limão com cardamomo ou pistaccio.


O sushi... só o tinha provado uma vez e não gostei. Mas desta vez foi caseiro, feito por nós sob a direcção artística da Shermaine e ficou mesmo bom! A Clarissa e a Giulia inventaram uma variante chamada "Sushinito" (Sushi latino, assim pro acastanhado) e o único que não comeu foi o Mustafa, que preferiu um pacote de batatas fritas.



Depois do sushi e de uns quantos muffins trazidos da loja da Karin, foi a vez do cachimbo-de-água e de um divertimento novo (do mesmo tipo daquela noite no Bairro Alto em que ficámos uma hora à frente de um bar a ver quem escorregava nos degraus): tentar fazer bolas de sabão com fumo dentro. É obra... mas não é que houve quem conseguisse?





2 de fevereiro de 2009

...

(no comments)


Atrofios causados por esta última cadeira... ou o que acontece a 4 raparigas depois de uma semana intensiva de aulas, duas noites de festa mais um "acabanço"... (BHx2: Big Hangover + Broken Heart - o da Clarissa, que acabou com o Pedro)