21 de dezembro de 2008

Jul

Natal

0ºC em Estocolmo, 19ºC em Portimão

Com as últimas aulas e apresentações, festas ou saídas quase todos os dias e a azáfama das compras de Natal, claro que houve eventos a ficarem de fora deste blog, como o nosso fantástico jantar de tacos na semana passada.


Eu, Gustavo, Katarina e Neil; em baixo: Espen, Clarissa e Shermaine

No entanto, achei que era mais interessante dar-vos uma perspectiva do Natal na Suécia, em termos de tradições, e meter lá pelo meio o nosso jantar de natal do corredor e outras coisas interessantes.
*

Decorações

Dizia-me o Niklas, aqui há tempos, que Estocolmo no Natal é mais bonita, porque as iluminações de Natal tornavam a cidade mais luminosa numa altura em que o dia dura em média 5 horas. No entanto, só quem nunca viu as decorações em Lisboa é que pode dizer que estas são alguma coisa de especial – muito pobrezinhas mesmo. Sim, há umas luzinhas por cima de meia dúzia de ruas, na maioria delas mesmo só luzes, sem nenhumas formas alusivas ao Natal; nas mais imaginativas, lá se vê umas estrelinhas. Mesmo as árvores de natal são sem graça.


Decorações em Lisboa, o ano passado...

E em Estocolmo, este ano: querem comparar?

Uma excepção: as decorações de Natal do NK, o maior (e mais caro) centro comercial da cidade, com um gigantesca árvore suspensa do tecto e montras de Natal lindas, como nunca vi.

Quanto às decorações dentro de casa, a nossa “housekeeper” foi simpática ao ponto de nos pôr umas quantas no corredor, para alegrar. Isso e umas velas de Santa Lucia na sala de estar.


Velas de Sta. Lucia na nossa janela

Passo a explicar: todas as casas suecas têm dois tipos básicos de decoração de Natal, tão importantes como a árvore de Natal: uma estrela (ou mais) pendurada à janela, que dá um efeito espectacular quando todas as janelas de um prédio têm as estrelas acesas, à noite; e as velas de Santa Lucia, um feriado religioso que cá na Suécia é tão importante como o Natal.
*
Santa Lucia

Não está directamente relacionado com o Natal, mas faz parte da época de Natal cá na Suécia. Dia 13 de Dezembro é dia de Santa Lucia, uma santa italiana que, na época do Império Romano, escondia cristãos nas catacumbas e, para iluminar o caminho, usava uma coroa com velas. Neste dia também se celebrava a Lussinatte, a noite mais longa do ano segundo o calendário antigo, em que espíritos maléficos e trolls andavam pelas ruas em busca de crianças que se portassem mal.

Ora os nomes Lussi e Lucia são parecidos, logo, juntaram-se os 2 numa celebração, com cânticos e procissões para afastar os espíritos, e em que há uma Lucia, agora loira, como convém na Suécia, apesar de a original ser morena, com uma coroa de velas, que serve vinho quente (glögg) e bolos feitos com açafrão e distribui doces às crianças.
Ser uma Lucia é uma grande honra na Suécia, e elas são escolhidas a dedo. Para além da Lucia, as raparigas que a acompanham também se vestem a rigor, com uma fita brilhante (tipo aquelas da árvore de Natal) na cabeça, e os rapazes usam uma veste tipo bruxo, com um chapéu em forma de cone e uma estrela na ponta de uma vara. Lol.
Como deverão imaginar, apesar de ainda se verem algumas raparigas na rua, mesmo sem fazerem parte da procissão, de fita na cabeça (até a Dasha aderiu à moda!), o mesmo não acontece em relação aos rapazes que, no máximo, colocam uma fita na cabeça como as raparigas em vez do suposto chapéu de fada com estrelinhas :D.
(Ora estão a ver a minha cara quando eu, sem saber de nada disto, vejo dois gajos a passear de fitinha de Natal na cabeça, não estão? Parecia que tinha ficado tudo doido de repente…)
As bonecas da esquerda representam as raparigas de Sta Lucia, com as fitas na cabeça; ao centro temos os rapazes, de cone na cabeça e estrela na mão; à direita, a Lucia, com a coroa de velas na cabeça.

A época de Santa Lucia é um pretexto para inúmeros eventos, tais como o baile de Santa Lucia, do qual já vos falei e mostrei fotos. Aqui ficam mais umas…

*

Patinagem no gelo

Na época de Natal também se multiplicam as pistas de gelo em Estocolmo. A primeira vez fui com o Gustavo, um brasileiro cá do prédio (ver foto dos tacos, o que está ao meu lado!), e ele pagou e tudo para me ver fazer umas figuras monumentalmente parvas, lol. Nota mental: nunca mais ir patinar no gelo com um rapaz na “first date” – ok, foi uma saída de amigos, mas ainda assim…
A segunda vez foi com muita gente do curso. O Niklas assumiu o papel de meu professor e de me fazer descolar do poste (eu andava sempre agarrada para não cair) e até fez um bom trabalho, no fim já conseguia andar uns 15 metros sozinha sem cair. Depois de cair umas 8 vezes, lol. Fiquei cheia de nódoas negras mas diverti-me imenso… Quem não se divertiu foi o Mustafa, que deu uma queda (melhor dizendo, caiu um porradão), ficou com o braço inchado e depois de ir às urgências achando que tinha o braço partido, descobriu que tinha uma hemorragia interna na zona do cotovelo… :-s

A Shermaine agarrada ao poste, como eu antes dela! Fomos as piores, mas eu ainda lhe ganhei em quedas: 8 contra 3...

*

Compras de Natal

Começámos numa tarde como qualquer outra, com o Mario, Shermaine, Dasha e Espen, os rapazes convencidos de que comprariam tudo numa tarde, nós, raparigas, já sabendo que não seria assim.

A mim levou-me 4 tardes: essa, uma com a Dasha, duas sozinha. Os mercados de Natal de Estocolmo não são nada de especial, caros e pequeninos, em que as únicas coisas de jeito são a um preço impossível. Restam-nos assim as lojas normais, mesmo sabendo que não acrescentam nada ao que há em Portugal. Mas aqui e ali ainda se encontra qualquer coisa mais original ;) Agora é esperarem para ver!
*

Jantar de Natal

O jantar oficial foi aqui no corredor, com 14 pessoas, 2 das quais à última da hora. A ementa foi: sopa de tomate (muito boa), baguette com um recheio de vegetais picantes, massa com cogumelos (demasiado picante), arroz com frutos secos a acompanhar um frango com vegetais e geleia de alperce, e para finalizar folhados de chocolate e de maçã, mousse de chocolate e menta e arroz-doce. Foi um regalo para o estômago e a parte da troca de prendas (num jogo de amigo secreto) foi interessante – eu recebi umas meias de reflexologia (lol) e umas decorações de Natal para a janela. A mais gira, que deu azo a uma gargalhada geral, foi a da Shermaine para o Albert, em que ela se lembrou a meter dentro do embrulho um pacote de 1 kg de massa – em alusão às quantidades imensas que ele come! Para beber, o tradicional “glögg” sueco e uma coisa alemã que não há jeito de eu perceber o nome, à qual se dá fogo antes de beber – sempre dá um efeito engraçado…

O jantar não-oficial foi improvisado aqui na nossa cozinha. O Mario tinha que fazer tempo até às 3 da manhã para ir para o aeroporto e achou que não era má ideia fazermos um jantar de Natal cá no corredor. Fizemos lasanha (ou, como dizia a Giulia, muito ciosa da sua nacionalidade italiana, “uma espécie de comida que tem a mesma forma que uma lasanha”) e panquecas (a cargo do Espen). Bebeu-se Grappa (trazida pela Giulia), Martini (da Dasha) e vinho do Porto, que nunca falta onde quer que o Mario vá, já que é a sua bebida de eleição (e eu convencer aquele pessoal que vinho do Porto não se bebe à refeição, mas sim como digestivo? Está bem está…)

E assim ficam as notícias natalícias cá da Suécia. Amanhã volto para Portugal, yey! Por isso provavelmente podem ouvir estas histórias e muitas mais em pessoa, num café perto de si :P

Vemo-nos em breve!!!

14 de dezembro de 2008

Nobel vecka

Semana Nobel

2ºC em Estocolmo, 11ºC em Portimão

Nota prévia: eu sei que tinha prometido cortar o tamanho dos posts, mas tem acontecido imensa coisa ultimamente e não tenho tido muito tempo para “bloggar”… por isso aqui vai :)

A contagem decrescente começou no dia em que foram anunciados os prémios Nobel deste ano e acabou esta semana, em que estes foram finalmente entregues.

A entrega dos prémios Nobel é o momento alto do ano, na Suécia. Como diz a Dasha, nunca se ouve falar da Suécia nas notícias, a não ser durante as semanas do anúncio e da entrega dos prémios Nobel. Observa-se uma mobilização geral da cidade, com toda a gente a respirar Nobel durante 7 a 10 dias. Ao que parece, as conferências pelos Prémios Nobel foram no domingo e na segunda, e a essas não tive oportunidade de ir. Houve ainda o concerto Nobel na terça, pela orquestra nacional da Suécia, cujos bilhetes esgotaram.

***

Quarta, então, foi dia Nobel. Dia da entrega dos prémios na ópera de Estocolmo e dia do jantar Nobel, na câmara municipal, um dos eventos de maior importância da Suécia. A Madelinde, do nosso corredor, ganhou a lotaria de bilhetes para ir (para os estudantes, só alguns bilhetes estão disponíveis e são sorteados), pagou os 160€ do bilhete e lá foi ela – deslumbrante!


Quanto a nós, ficámos a ver a transmissão televisiva a ver se a víamos… Aparentemente ela apareceu, mas nós é que não tivemos paciência para ver as 6 horas de emissão em directo, em que a maioria dos comentários não eram sobre os prémios Nobel mas sobre os vestidos da rainha e das princesas (e o príncipe sueco, se é giro!!!).
Houve dois momentos engraçados na cerimónia: um em que começou a música para um dos momentos de (mau) entretenimento, muito alto, e a câmara estava a filmar a rainha, que deu um pulo hilariante; e quando estavam a mostrar uma reportagem no Karolinska e a Shermaine exclama: “Aquele não é o Albert?” E lá estava o Albert, no seu laboratório, a trabalhar na bancada, de costas para a câmara. Como é que o reconhecemos? Pelo facto de a cabeça dele não aparecer na filmagem, só dos ombros para baixo (sim, que isto 2 metros de altura…)

Pelo que a Madelinde nos contou do jantar e, especialmente, da after-party, é algo de espectacular que vale bem o preço que se paga. A festa é composta de várias salas, cada uma com um tema, associado ao qual vem um certo tipo de bebida, comida e música. Por exemplo, havia uma sala com o tema “Charlie e a fábrica de chocolates”, em que só passavam músicas com o tema “candy”, comiam-se todo o tipo de doces e bebia-se Bailey’s; outra tinha o tema do mar, e nessa servia-se marisco e bebia-se champanhe; outra com o tema da floresta; uma lounge; uma tipo discoteca; um bar de gelo; e assim por diante, em cerca de 15 salas, pelo que ela diz.

***

Sexta-feira, na faculdade, também foi dia Nobel. Eu consegui com a devida antecedência os bilhetes para a conferência “Meet the Nobel laureates”, uma oportunidade de colocarmos questões aos prémios Nobel da Medicina e Fisiologia. Foi inesquecível, mesmo. Desde a maioria das perguntas colocadas, com respostas muito interessantes, ao facto de eu ter tido a coragem de fazer uma pergunta :)… (Eu fiz uma pergunta ao prémio Nobel!!!!! :D)
O Mario levou o seu peluche do HIV (giant microbes, lembram-se?) para assistir e, no final, ofereceu-o à Françoise Barré-Sinoussi, que lhe disse que o ia pôr na sua secretária. E tirámos fotografias com os prémios Nobel!!!

Eu e Harald zur Hausen, um dos galardoados


Eu junto a Françoise Barré-Sinoussi

***

Sábado, à sua maneira, também foi dia Nobel, para nós. Por um lado, depois de uma sessão de compras de Natal por Estocolmo…

… fomos visitar o museu Nobel, que esta semana, em comemoração, era de graça. Tivemos visita guiada, o que é muito melhor, porque sem ela o museu não é assim tão interessante… Mas aprendemos imensa coisa sobre os ditos prémios, o seu fundador, particularidades de cada um, bem como factos sobre algumas das pessoas que o receberam.

Por fim, ontem à noite foi noite de baile de Sta. Lucia, um dos maiores eventos do ano na universidade, com os prémios Nobel da Medicina ou Fisiologia como convidados de honra. Não fui ao jantar porque não tinha vestido nem arranjei bilhete, mas fui lá ter para a “after-party”. Dizem que o jantar foi óptimo (o Niklas e a Marike, que foram), mas a after-party também foi o máximo. Fui com o Espen e o Mustafa, e lá juntámo-nos aos outros dois.

Afinal o baile… era mesmo baile. Com banda a tocar, valsas, jive e músicas conhecidas de todos como “Dancing queen” ou “New York, New York”. Dancei uma valsa com o Niklas, que não se safa nada mal, e depois de ele se ir embora com uma dor de estômago e de o Espen desaparecer porque aparentemente não se tinha apercebido de que um baile é uma festa em que se dança e ele não gosta desse tipo de coisas (LOL), ficámos eu, o Mustafa e a Marike. E foi um espectáculo :D

Dançávamos com o Mustafa alternadamente, a não ser uma dança irlandesa em que dançámos os 3, à maluca :D O Mustafa dança muito bem mesmo, não percebo aquela relutância em dançar nas últimas festas…
No final, começou música normal de discoteca, o DJ era bom e no final da noite eu e a Marike acabámos agarradas uma à outra a dançar (e cantar) “It’s raining men”, lol. Foi lindo e acho que há fotos comprometedoras, eu é que ainda não as tenho…

O engraçado foi que às tantas estava eu muito bem a dançar com eles os dois, e chega-se um tipo com o maior ar de “geek” ao pé de mim e diz-me (melhor frase de engate de sempre):
“You move your hips very well.”
E eu a pensar quem é este, ele apresenta-se (ainda hoje não sei dizer o nome) e depois cumprimenta a Marike e o Mustafa e vejo a Marike a falar com ele e ele depois ainda veio dançar comigo com interesse redobrado, a atirar-se que não era brincadeira… Em suma: aparentemente era uma estrela da TV sueca, de uns programas tipo reality show, e a Marike fez-me o favor de lhe dizer que eu era Portuguesa e como tal não sabia quem ele era, o que o fez ficar mais interessado e não me largar o resto da noite… Só é pena o Niklas já não estar lá para ver. Podia ser que se tocasse, visto ter sido o único rapaz que não me disse algo como “You’re really stunning” (Mustafa), “Muito bonita” (Espen) ou “You look fantastic!” (inglês do 1º andar do prédio). Pode ser que a Marike ou o Mustafa lhe contem…

Kanwal

-1ºC em Estocolmo, 15ºC em Portimão

Na segunda-feira tivemos mais um jantar no Vapiano, com várias pessoas do curso a decidirem ir.


Eu, o Mario e a "Death by chocolate"

Eu tinha ido para casa logo após o exame, por isso não estava ao corrente dos interessantes acontecimentos dos últimos dias e daquela tarde. Assim, quando cheguei ao jantar, não pude deixar de estranhar que toda a gente falasse do Kanwal.

O Kanwal é (era?) o indiano do nosso curso, uma pessoa extremamente estranha. Com 35 anos, comportava-se como uma criança, sem perceber coisas tão elementares como “na Suécia não se abraça toda a gente”, sem noção de espaço pessoal ou mesmo das mais elementares regras de educação, mas também uma criança no sentido que se encantava com as mais pequenas coisas. O seu péssimo inglês dificultava a comunicação e a sua prestação nos exames, já que chumbou nos poucos que fez. Era uma daquelas pessoas que arrepiavam por nunca se saber o que esperar dali e por alguns factos estranhos acerca dele, nomeadamente o facto de ter sido expulso do seu país e não poder regressar.

Lembro-me de vos ter contado a confusão que ele armou numa festa cá do prédio com o Neil. Dessa vez, ele estava a ser ele mesmo, a abraçar-se a toda a gente (até pessoas que não conhecia) e quando o Neil lhe disse para sair, ele respondeu que se quisesse, podia arranjar maneira de assassinar o Neil dentro de um mês (gosto deste pessoal que dá uma “deadline” – neste caso literal - , assim a pessoa tem tempo pra se despedir de família e amigos). Dessa vez acreditamos que ele não estava a falar a sério, apesar de ter tentado bater no Neil e de haver rumores de eventos numa estação de metro em que ele terá batido num tipo que disse mal da Índia.

Resumindo: na semana anterior ao jantar no Vapiano (há cerca de 2 semanas), o Kanwal começou a ligar a várias pessoas. À Dasha, à Iskra, Karin, Haythem, e os dois tipos do Bangladesh. Ligar insistentemente e compulsivamente. Para a Dasha, ligou umas 10 vezes em que a Dasha atendesse, e depois passou a ligar anonimamente até que a Dasha atendeu, e convidou-a para uma festa na casa dele, e quando a Dasha lhe disse que tinha que estudar, ele respondeu: “podes trazer os livros e ficar no meu quarto… podes ficar no meu quarto para sempre…” Lol. O grave é que para outras pessoas foi bem pior: para a Iskra ligou dezenas de vezes a dizer que a amava, apesar dos pedidos dela para ele parar de lhe ligar; com a Karin, foi agressivo e gritou com ela ao telefone; e ao que parece, ao Haythem terá dito que “Se isto continuava assim, ainda o forçavam a enveredar pela via criminal outra vez…” O que quer que isso queira dizer. Escusado será dizer que algumas pessoas andavam bastante nervosas com o assunto (eu não, só soube mais tarde), e decidiram que, naquela segunda-feira do jantar, era altura de fazer algo. E então foram à associação de estudantes, reuniram com eles, e em conjunto decidiram que o melhor era avisar os responsáveis pelo mestrado, porque, mesmo descontando as supostas ameaças, o que ele andava a fazer era no mínimo assédio. E então telefonaram ao nosso chefe (que por acaso é uma pessoa impecável, muito fixe mesmo) que disse que ia tratar do assunto.

Ao jantar, falava-se de tudo isto e havia pessoas, como o Mustafa, que arranjavam maneira de contar piadas sobre o assunto, algumas bem sádicas, lol.

No dia seguinte, ao chegarmos às aulas, o Kanwal não estava lá, mas sim 3 dos nossos administradores, que foram super atenciosos, disseram-nos que tínhamos feito a coisa certa ao contactá-los e ofereceram ajuda psicológica para alguém que precisasse, como a Karin, que andava nervosíssima. O Kanwal acabou por chegar, atrasado, e mal assomou à porta o Dan (o nosso “chefe”), obstruiu-lhe a passagem e levou-o lá fora para uma conversa. Dessa conversa resultou que o Kanwal aceitou ser internado na Unidade Psiquiátrica do hospital – parece que ele andava em consultas com o psiquiatra há muito tempo, e andava medicado, mas que agora que as irmãs, com quem vive, foram de férias para a Índia e ele ficou cá, deixou de tomar os medicamentos, ficando por isso um pouco alucinado. No final, acabou por ameaçar as únicas pessoas que ainda se davam com ele e alienar os poucos amigos que tinha. Como disse o Mario, as doenças mentais são tristes, e ele claramente tinha um problema qualquer.

Nunca mais vimos o Kanwal e não sabemos se ele vai voltar ao curso.

10 de dezembro de 2008

Blommor

Flores

1ºC em Estocolmo, 15ºC em Portimão

Depois de uma longa ausência, tenho a dizer em minha defesa que o trabalho nesta fase final foi mais que muito e o exame de Doenças Infecciosas foi mesmo mau… Por isso dêem-me um desconto :P

Os últimos dias também têm sido recheados de episódios interessantes, a alternar entre o trágico e o cómico. Não se preocupem, vou partilhá-los com vocês, claro, um por post.

Comecemos por falar do Neil, o americano do 1º andar. De facto, a história do Neil podia chamar-se “Neil e as suas 5 mulheres”, mas o nome “flores” também está apropriado, por razões que já irão perceber…

O Sr. Neil tem uma bolsa Fullbright, é giro e tem consciência disso. A Dasha tem um fraquinho por ele e farta-se de sofrer, apesar de não admitir, porque ele anda com umas e com outras.
Até que chegou um dia em que o Neil decidiu falar sobre a sua vida amorosa no Facebook (para quem não conhece, tipo Hi5 mas mais popular por cá e nos USA), sob a forma de um estudo de caso. OK, eu sei que também falo da minha vida aqui, mas as pessoas à minha volta não vão propriamente ler isto, porque, a) não têm o endereço do blog e b), não sabem português. Ao contrário das pessoas mencionadas no “estudo de caso” do Neil, que leram o que ele escreveu, a dizer coisas como “deixei-a porque não sabia falar de nada de interessante” ou “os homens foram programados para a poligamia” :D. Se quiserem ler o estudo de caso inteiro, continuem, senão, passem à frente:

Study case on relationships
I recently dated four girls:
Girl one was the closest thing to a one-night stand I have ever had. Met her at a bar and hung out with her the next day.
Girl two I met though a friend. She was very nice, but the conversations weren’t exciting and I got bored and I didn’t call her (it lasted 2 days)…now, I could have seen what was coming but that’s the way it always is…she got mad and I lied about breaking my phone. She told me it was my fault for misleading her.
Girl three lasted 2 weeks, I think…she was cool but the conversations sucked again and she always wanted to be entertained and didn’t pay once. So I didn’t call for a week. After, when we met up, all was well and IF she didn’t go and treat me like a boyfriend then it mighta worked…but it didn’t.
The fourth lives in another country and doesn’t like the fact im seeing anyone but her. So after this note were probably done.

Ok, normally I don’t talk about the girls I have seen. But I make an exception here to explain a point.

Expectations

If a relationship/dating/fling/marriage is going to work, you need to be on the same page.
The thing that is difficult is- when do you determine where each other is in the relationship. Too early is creepy and too late is dangerous.

I don’t want a serious girlfriend…ever. Maybe after im 30 (people always say ill change my mind- I wont.) Doesn’t mean im not open to it…I just don’t see it happening- I know me.

Here’s my conundrum. I’m a good guy (maybe after this note you wont agree, but I could care less.) and I like the cuddling/hand-holding/hugging/kissing in public/kissing everywhere all the time. Its real emotions…im not doing it to toy with the girl, it’s genuine. Problem is, it makes the girl treat ‘us’ as a relationship. This comes down to biology of course; you ladies are programmed to make love to one boy and were programmed for plurality.

Here is my light bulb.
Im a good lover (and modest, though it might not seem so here) but I understand why guys are ass holes now. If you meet a guy and he doesn’t call for a week and acts like a tough-guy it makes sense that that guy wont call, leave after sex, teat you like shit. Its easy to act this way b/c you girls expect it. As a sex this is ur biggest flaw. Nice guys should stop finishing last!

Problem for me is I don’t wana act like a dick. I wana call and I wana see you and I want to be able to act like lovers. This leads to trouble.

I guess this is my public declaration of my intentions. I want to date and I want to act like lovers because I have hope that one day I will never want to let you go. Until then lets have fun, be my lover, take it light and easy and we’ll let the serious stuff come with time.

FYI- The girls that I have seen the longest are the girls I take it slow with.

I’m open, not a prick.

I never love nobody fully, always one foot on the ground.
-Regina Spektor


Escusado será dizer que este post no Facebook fez ondas – e que ondas! Mas não nos apercebemos da extensão da peculiaridade deste personagem até ao dia em que os amigos da Dasha vieram visitá-la. O Neil estava na Califórnia e emprestou a chave à Dasha para os amigos dela ficarem no quarto dele. Foi então que a Dasha reparou num pormenor: na última vez que tinha estado no quarto do Neil, havia 4 orquídeas e agora havia 5. O que teria mudado desde então?
A Dasha começou a pensar, a pensar, e apercebeu-se de que desde que ela tinha visto as 4 orquídeas, e desde a nota no Facebook, o Neil tinha tido outra rapariga, a número 5. Será que….? Não pode, ou será que pode?
E foi nesse dia que conhecemos a Cécile, uma das primeiras 4 "flores", francesa, gira e a quem, aparentemente, o Neil disse que podia ficar no quarto dele, tal como aos amigos da Dasha. Felizmente essa situação resolveu-se, mas, depois de uma looonga conversa, ela lá confirmou que a história das orquídeas devia mesmo ser verdade. Ela foi a primeira, e nessa altura não havia nenhuma flor no quarto do Neil…

O que pensar? Bem, obviamente o tipo é parvo, coleccionar uma flor por rapariga é estúpido até porque, se continua a este ritmo, vai ter um jardim tropical no fim do ano… Para além disso, comprou-as de cores diferentes, e a Cécile diz que lhe há-de perguntar (se é que já não perguntou) de que cor é a dela e qual é o critério para escolher a cor…

O engraçado da história foi que a Cécile disse: “Então ele colecciona raparigas porque não gosta realmente delas e basicamente usa-as e joga-as fora, e ainda tem a lata de comprar uma flor a representar cada uma? Mas é que eu também o usei… Já estava mesmo de viagem para a França quando estive com ele e só me queria é divertir… Se calhar eu também devia comprar qualquer coisa, sei lá, por exemplo, um cacto!”


Moral da história: O Neil voltou de viagem e continua a procurar raparigas para se divertir, de qualquer nacionalidade. 2 dias depois, o status da Cécile no Facebook foi alterado para “A Cécile comprou um cacto.” LOL.