Hoje acordei bem tarde, como seria de esperar, e mal tive tempo, durante a manhã, para fazer almoço, arrumar o quarto, etc. Tinha que me despachar relativamente depressa porque tinha combinado com algumas raparigas do curso encontrarmo-nos hoje para nos conhecermos antes do grande dia (ou seja, amanhã).
Apanhei o autocarro mais uma vez e saí em Gamla Stan, a ilha central, para me encontrar com elas. No caminho encontrei um grupo de dois casais portugueses, já na casa dos 60, a discutirem se deviam ir para um lado ou para o outro. Numa situação normal, até parava para os ajudar (é sempre bom falar português e ajudarmos o pessoal) mas, como já estava atrasada, decidi continuar…
Cheguei ao ponto de encontro, a estação de metro, mesmo em cima da hora. Realmente havia uma rapariga asiática encostada à parede mas como quando entrei não levantou a cabeça nem fez tenções de ver quem eu era, não liguei e encostei-me à parede ao lado dela. Dois minutos depois, ou nem tanto, o meu telemóvel toca, mensagem da Shermaine, de Singapura: “Estou no metro e tenho vestido um casaco preto e blusa vermelha”. Ou seja, estávamos lado a lado há um bocado e nem nos reconhecemos!
A Shermaine é a típica rapariga asiática, olhos muito em bico, mesmo, cara achatada, cabelo preto e liso. Ela é muito simpática, mesmo, e começámos a falar de Estocolmo e do sítio onde ela está a morar e para onde me vou mudar no final da semana. Aparentemente, os quartos são pequenos mas as áreas comuns são giras e bem equipadas; não há é Internet (ainda!), por isso do próximo fim-de-semana em diante vai ser bem mais complicado escrever no blog todos os dias…
Alguns minutos depois, chega a Eli (chinesa), a Su (alemã) e o cão desta que, confesso, foi o primeiro que eu reconheci! A Eli é baixinha, 1,50 m, cabelo castanho e ondulado (claramente obra do cabeleireiro), e a Su pouco mais alta, com cabelo castanho liso e um piercing no nariz, ar alternativo.
Partimos em direcção às ruas centrais da ilha, onde se encontram as lojinhas e os cafés, para bebermos o dito cafezinho e falarmos um bocado… No caminho, a Su entrou num café para saber se os cães podiam entrar e deixou o cão com a Eli. Quando demos por isso, o cão tinha levantado a perna e começado a fazer chichi nas botas da Shermaine! Lol ainda nos fartámos de rir… Acabámos num café na praça do Museu Nobel, onde ontem estava aquele grupo de música africano. Conversámos um pouco sobre tudo, a cidade, o curso, as pessoas do curso, o tempo (a Shermaine estava completamente chocada porque aparentemente, em Singapura a temperatura mínima ao longo de todo o ano são 27ºC!) … Entretanto, aprendi a minha primeira palavra chinesa (Shie Shie – pelo menos é assim que se diz e significa obrigado) e encomendámos uns bolos fantásticos – eu de chocolate, para variar, mas era enorme e está a dar-me umas dores de barriga que nem vos conto… :-s
Mas o momento alto da tarde (ok, estou a ser um bocado mazinha) foi mesmo quando um pássaro se aliviou em cima da mão da Shermaine – hoje não era mesmo o dia dela, primeiro o cão e depois o pássaro! Apesar de ser um bocado mau, não conseguíamos parar de rir…
E o cocó de pássaro acabou por ser o toque para a debandada, visto que a Shermaine ainda tinha que ir ajudar a Clarissa (uma rapariga do Peru, também do nosso curso) a carregar a bagagem… Separámo-nos na rua das lojas, até amanhã, altura em que vamos conhecer todos os nossos outros colegas e iniciar finalmente o programa de mestrado…
Ontem acabei por conhecer mais dois suecos para a colecção, um simpático, outro nem tanto, ambos lindos de morrer… Começou estava eu a escrever o meu post, quando chega o Jonatan, o boss cá da casa. Epa, lá que ele é giro é, cabelo castanho, olhos verdes, estão a ver o filme… O problema é que ele tem consciência de que é giro, o que se traduz naquela atitude “ah e tal eu sou mesmo muito à frente e uso chapéu mesmo dentro de casa porque acho que dá uma granda pausa e não sei se vocês têm fixeza que chegue para se darem comigo”. Lol. Quando entrou até me falou e assim, mas depois, não sei se se sentiu mais próximo da faixa etária das alemãs (que têm 28 anos, enquanto que ele tem 31), mas ignorou-me à grande durante imenso tempo. Estava eu na cozinha a fazer o meu jantarinho, quando ele entra, saca de uma cerveja do frigorífico e começa numa confraternização com as alemãs, que tinham trazido as suas próprias Heineken directamente da Alemanha. (Já agora, um aparte, para vos enquadrar na situação do álcool aqui na Suécia, para perceberem do que vou falar a seguir… Na Suécia, só pessoas maiores de 18 anos é que podem comprar álcool nos supermercados mas os supermercados só estão autorizados a vender álcool “fraquinho”, vá, tipo cervejas com 3% de álcool. Quem quer algo mais forte tem que ir a uma loja especial que só vende álcool e na qual só podem comprar pessoas com 20 ou mais anos. Para além disso, os preços são altíssimos, devido a um imposto extremamente elevado que tem como finalidade desencorajar as pessoas de beber – mas quem quer mesmo comprar álcool vai comprá-lo à Alemanha ou Dinamarca mais barato e traz grandes carregamentos de uma vez… As cervejas são vendidas mornas, também para desencorajar as pessoas de as beberem logo após a compra (!). Nos bares, a entrada é, no geral, limitada a maiores de 18 anos para raparigas e (esta é a parte gira) 20 anos para os rapazes! Aparentemente, baseado no facto de que as raparigas atingem a maturidade mais cedo :D ) Anyway, foi por isso que as alemãs trouxeram o álcool de casa. Enquanto eles ficaram lá a ocupar a mesa da cozinha e a ignorar peremptoriamente a minha existência eu lá fui jantar para a sala, um tanto ou quanto fula, para dizer a verdade.
Algum tempo mais tarde, já depois de os deveres de arrumação da cozinha estarem concluídos, o Erik saiu para ir buscar um amigo dele. Ele já me tinha contado que tinha um único amigo em Estocolmo, e que nesta noite tinham combinado o outro ir fazer-lhe uma visita guiada ao campus… Na companhia de umas quantas bjecas ;) Felizmente, convidaram-me para ir com eles, e eu, que até estava um bocado irritada, acabei por me divertir imenso, porque eles são mesmo muito porreiros… E então é assim: David, nascido em 1987 (ah é verdade e já confirmei a idade do Erik que é 23 anos), estudante de Medicina e mesmo muito giro… Não tenho nada a acrescentar, acho que os factos falam por si… =D E lá fomos nós, o David de bicicleta na mão e o Erik de saco de cervejas mornas acabadas de comprar na loja do álcool (não consigo atinar com o nome daquilo), em direcção ao campus. Começámos a visita, cada um com a sua cerveja (ofereceram-me uma e eu não ia recusar, apesar de não ser grande apreciadora…). O relato do David começou pela fonte da entrada, onde, aparentemente, o pessoal vai tomar banho na 6ª à noite quando chega bêbado de uma ronda pelos bares… Noutras partes da visita fazia comentários tão elucidativos como “Aqui temos o edifício da Administração” a propósito de um edifício em cuja parede se podia ler, em letras garrafais “Administration”. Ou então simplesmente “Não vos levo àquele edifício porque nunca lá estive e não faço ideia do que seja”. Houve uma parte mesmo fofinha (e tenho mesmo que fazer este comentário) da visita, que foi quando 4 ou 5 coelhos atravessaram a estrada mesmo à nossa frente! São mesmo fofinhos… Claro que o Erik começou logo com teorias do tipo que para haver ali coelhos deviam ter fugido de um laboratório de manipulação genética, e que se não tivéssemos cuidado ainda um deles se jogava à nossa garganta tipo Monty Python…
Acabámos a volta do lado do hospital, onde encontrámos uma área relvada com montes de cadeiras e mesas de plástico, muito agradável. Lá ficámos a ouvir as histórias malucas do David, que aparentemente gosta imenso de pregar partidas a outras pessoas, incluindo criancinhas. Apenas um exemplo: gravaram um noticiário falso, versão áudio, e puseram-no na aparelhagem da residência a fingir que era o verdadeiro, e uma das notícias era a fuga de um psicopata de um manicómio, a avisar as pessoas para se fecharem em casa e não saírem por nenhuma razão. Aparentemente, até houve um tipo que dormiu de machado ao lado da cama com o medo e mesmo no dia seguinte, ainda havia muita gente e recusar-se a acreditar que era mentira… :) Depois seguiu-se a parte mais penosa da viagem, para mim. O Erik decidiu que queria ir espreitar o quarto do outro, pois nunca tinha estado lá, só que era bastante longe (45 minutos a pé!) e a meio do caminho a cerveja começou a fazer efeito no meu sistema e, bem, tive que aguentar aquela sensação agradável de estar à espera para fazer uma ecografia :D Depois de uma penosa caminhada (durante a qual, ainda assim, conversámos bastante), chegámos finalmente a Lappis (www.lappis.org). Claro que vocês não sabem o que Lappis é, logo, passo a explicar: Lappis é apenas a maior comunidade de estudantes de Estocolmo, constituída por vários blocos de apartamentos / quartos, junto a um parque com um lago e à Universidade de Estocolmo, onde supostamente há as maiores festas de estudantes da cidade O quarto do David era muito giro, por um lado por causa da cama enoorme e do sofá cama muito confortável (especialmente depois de andar tanto) e depois porque ele comprou uma flat screen tv para o quarto o que, obviamente, fica sempre bem e dá um certo estilo. Abancámos lá, a conversar mais uma vez, ele abriu uma garrafa de vinho espanhol que lhe tinham oferecido e demos conta dela (claro que quando me levantei tinha a cabeça ligeiramente a andar à roda, mas nada de mais) e ficámos a ver uns episódios de Scrubs na tv fantabulástica dele. Ele sentou-se ao meu lado no sofá, e tal… Foi nice :D Só é pena eu mudar-me para a semana, porque ele e o Erik estavam a combinar todo o tipo de coisas e assim não vai dar para eu ir… Mas pronto, como durante a visita guiada acabei por perceber mais ou menos em que edifício é que ele tem aulas, posso fazer-lhe uma visitinha ;) Depois de muito rir e momentos realmente bem passados, time to go back… Em Lappis, àquela hora, não se dorme e só se ouve pessoal a conversar e a conviver, por todo o lado, em todos os edifícios. É mesmo giro, aquilo… O David ainda nos guiou durante metade do caminho e depois eu e o Erik continuámos até casa, onde chegámos quase às 3 da manhã para encontrar as alemãs a beber vodka finlandês na cozinha. O Erik ainda foi buscar um dos copos de shot da colecção dele (que ele normalmente surrupia de bares) e bebeu um, mas eu já tinha tido a minha conta naquela noite… Ainda assim, foi bom estarmos ali a conversar todos juntos, mas sem o Jonatan, que aparentemente abandonou as alemãs para ir ter com uns amigos e esta manhã ainda não tinha aparecido em casa…
Eu sei que ontem faltou o habitual post, mas no post seguinte a este são explicadas as razões de tal ausência…
O dia de ontem começou com a já habitual ida ao supermercado – depois de chegar à conclusão que tinha que reforçar o frigorífico (apesar de o espaço não ser muito). Foi mesmo muito má ideia… O facto é que não posso fazer compras tão grandes, porque carregar mais de 10 quilos de compras ao longo de 1 quilómetro… Não é pêra doce. Tive que parar umas 10 vezes no caminho e uma viagem que geralmente demora 15 minutos converteu-se numa penosa jornada de mais de meia hora…
Como não há espaço na cozinha, tive que, mais uma vez, guardar as coisas no meu quarto, que começa a ter o aspecto de uma pequena mercearia. Com as compras e o fazer o almoço (salada de atum, bem boa ;)), assim se passou a manhã num ápice. Até foi engraçado, porque o Erik acabou por ir para a cozinha na mesma altura e ainda estivemos a gozar um com o outro enquanto fazíamos os respectivos almoços.
Depois de almoçar e arrumar tudo (sim, que eu sou uma menina bem-comportada, especialmente quando estou a morar com outras pessoas; quando estou sozinha é que a coisa já fia mais fino…) decidi ir a Estocolmo dar uma volta para ver as vistas (e algumas lojas, sim, que isto de passear com gajos, como no outro dia com o Erik, não se pode entrar numa loja de roupa que parece que é um crime :P).
Desta vez decidi apanhar o autocarro, porque as minhas Allstars novinhas em folha decidiram dar-me umas belas dumas roeduras outra vez, logo custava a apoiar o pé no chão. A viagem de autocarro até foi gira, há uma voz gravada que anuncia a próxima estação por isso não há que enganar. Saí na Gamla Stan, mais uma vez, para mais uma voltinha naquelas ruas comerciais.
Mais uma vez repito que adoro esta cidade. Apesar de estarem nuvens , o facto de as casas estarem todas pintadas de cores quentes dá à cidade um ar mais acolhedor, mais cosy :)
Acabei por me divertir imenso nas compras, mesmo sozinha! Entrei em quase todas as lojas da rua e tirei algumas conclusões… Há 4 tipos essenciais de souvenirs que se podem levar da Suécia (daqueles que se encontram em todas as lojas):
- coisas com a bandeira da Suécia, que geralmente se traduzem em roupas de um amarelo extremamente fluorescente e horroroso, em combinação com um azulão que também não favorece ninguém;
- coisas de renas, ups, alces – um pouco de tudo, desde peluches a t-shirts a abre-latas em forma de alce =D
- coisas relacionadas com a temática dos vikings – mas hoje em dia os suecos são, no geral, tão simpáticos que já não assustam ninguém
- cachecóis, botinhas de dormir, luvas ou gorros de lã, a condizer com a tradição de que na Suécia faz muito frio (e faz, mas ainda não estamos propriamente na altura de usar aquele tipo de roupa)
Ainda me diverti numa loja a experimentar alguns chapéus / gorros, eram mesmo muito giros, com flores =D
Outra observação interessante, no que toca a lojas, teve que ver com uma loja completamente gótica (estão a ver o estilo, roupa preta, caveiras por todo o lado) com malinhas da Hello Kitty na montra! Eu já no outro dia quando passei por lá tinha achado aquilo estranho, mesmo nada a ver, logo entrei para esclarecer o mistério e cheguei à conclusão que aqueles tipos são mesmo sádicos – têm uma linha de roupa chamada Dye Dye Kitty, em que os motivos das roupas são, por exemplo, uma Kitty na forca – very nice! Lol
Continuei o meu passeio, até à Academia Sueca, que é onde se escolhe o vencedor do prémio Nobel da Literatura, e que tem uma enorme biblioteca que visa fornecer, digamos, material de trabalho e de consideração aos seus membros. Em frente à academia, um grupo de música africana (só homens) cantava e dançava, conferindo um certo colorido à praça.
Já perto do palácio real, cruzei-me com um casamento em que os noivos decidiram, aparentemente, ser aquele um lugar ideal para tirar as suas fotos românticas…
Desci até junto da água e deparei-me com mais uma vista fantástica de Estocolmo, com vários navios cruzeiro ao fundo a lembrar-me um pouco da vista da minha janela de Lisboa…
E assim dei a volta à ilha e voltei ao ponto de partida, onde apanhei o autocarro directo para casinha.
Ontem prometi que me ia deitar cedo e lá tive que quebrar a promessa outra vez.
A verdade é que ontem à noite chegou mais uma das pessoas que moram cá em casa, uma alemã chamada Sabrina. Tinha eu acabado de lançar o meu último post no blog quando o Erik (o sueco) me aparece à porta do escritório a dizer que uma pessoa com sotaque alemão lhe tinha telefonado a perguntar se ele estava em casa, porque estava quase a chegar e não tinha chave…
Entretanto lá fui fazer o meu jantarinho. Uma sopita de alho-francês e umas massas com fiambre e cogumelos, bem bom. :D Estava eu a acabar de jantar quando passam as alemãs em frente à janela da cozinha. Porque será que até agora a primeira imagem que todas as pessoas que cá vêm têm de mim é uma gaja a comer com a boca provavelmente cheia de mais?
A Sabrina veio com uma amiga, Olga, que aproveitou para passar uns dias de férias em Estocolmo (fico à espera que vocês sigam o exemplo!).
Já agora um aparte, a propósito de férias em Estocolmo: a Oriflame, uma marca de cosméticos sueca, lançou um concurso cujo prémio é uma viagem à Suécia para duas pessoas. Infelizmente só raparigas é que podem concorrer, mas espero que vocês aproveitem a oportunidade! Só têm que escrever um testemunho sobre a vossa melhor amiga e ganham uma viagem para as duas até Estocolmo, com direito a maquilhagem, cabeleireiro, sessão fotográfica e estadia num hotel todo nice ;) Vão a www.oriflame.pt e cliquem onde diz “Passatempo Mudança de Visual”, do lado direito. As inscrições abrem a 3 de Setembro, por isso toca a inscrever!!!
A Sabrina lá se instalou e saiu com a amiga mas, como não tinha chave, tinha que ficar alguém acordado à espera dela. O Erik ofereceu-se para ficar e eu também lhe fiquei a fazer companhia, para ele não ficar à seca. Como basicamente não havia nada para fazer (a casa não tem televisão), ele instalou o portátil dele na mesa da sala e ficámos a ver episódios dos Scrubs, sempre deu para rir um bocado. Com isto tudo, claro que já fui dormir próximo da meia-noite…
…
Hoje acordei com uma preguiça… O acordar também não foi dos melhores, visto que descobri uma aranha (daquelas com corpo minúsculo e patas enormes) dentro da minha cama… E eu que ADORO aranhas! Lol Coitadinha, já foi para o céu dos aracnídeos, depois de um encontro em 1º grau com a sola dos meus ténis…
O pequeno-almoço foi engraçado, porque tomei-o ao mesmo tempo que o Erik. Enquanto eu comia as habituais torradas, fruta e iogurte, ele fez uma papa esquisitíssima, depois jogou lá para dentro duas colheradas de puré de maçã (?!) e acompanhou isto tudo com uma sandes de fiambre (em que o pão tinha o aspecto de massa de pizza, com forma circular).
E é mais uma altura para um “sabia que…” sobre a Suécia!
Sabiam que… na Suécia, o fiambre é circular (com a forma de rodelas de chourição, mas a cor rosada do fiambre)? Que cá o Skip chama-se Via e a Olá (dos gelados) chama-se GB (não faço ideia porquê)? Que os suecos deixam os sapatos à porta? Esta última provavelmente sabiam… O que não sabem é que eu já me converti ao hábito! Ora digam lá se os meus ténis não ficam lindos ao lado dos outros sapatos todos…
Hoje fiquei-me pela casa e pela universidade porque tinha várias coisas para tratar. O tempo é que não estava para brincadeiras… Chuva e um frio horrível, parecia que estávamos no Inverno! Mas não, aparentemente, isto é o Verão deles. Maravilha!
Em primeiro lugar, fui tentar encontrar o sítio onde começam as aulas na 2ª feira, para assegurar que não me perdia, e realmente provou ser uma boa ideia. É que a universidade é ainda maior do que eu pensava e acabei por me perder uma ou duas vezes antes de dar com o sítio… (para terem uma ideia, faz no mínimo 3 campus da nossa querida faculdade…)
Depois de ver onde era, voltei para trás, para o extremo oposto, pois tinha que assinar o contrato em relação ao meu próximo poiso (no próximo fim-de-semana já mudo de sítio). Contrato, fotocópias para cá e para lá, condições de entrega de chave, renda e não renda, etc. e já estava despachada e sem grande coisa para fazer.
Decidi então ir explorar mais um pouco o campus (e mais uma vez fiquei parva com o tamanho daquilo) e acabei por chegar à biblioteca, que é fantástica! Dizem que é a maior biblioteca de literatura biomédica do Norte da Europa, e realmente é uma excelente biblioteca, tanto em termos das revistas e livros propriamente ditos (não só se encontram as habituais Nature e Science como umas coisas bastante rebuscadas tipo Chinese Journal of Medicine ou revistas bastante específicas de determinadas áreas médicas), como em termos de conforto.
Uma parte do conforto é óbvia, o quentinho, a contrastar com o frio que se sentia lá fora (a chuva e o vento não deram tréguas amanhã toda…). Mas também em relação aos sofás e recantos a montes, os candeeiros com design, as grandes janelas envidraçadas para o exterior. Só num andar, contei 15 salas de trabalhos de grupo, 3 salas grandes de leitura, 2 salas de cópias, uma sala de revelação de fotografias (?), 2 salas para palestras (com frigorífico e microondas lá dentro!), para além da parte dos livros propriamente dita e dos muitos computadores acessíveis.
No rés-do-chão, uma papelaria (adoro papelarias!) em que era tudo caríssimo, mas aos preços que tenho visto, não sei se encontro mais barato noutros sítios. O caderno mais barato que encontrei, com o símbolo da universidade na capa, custava para cima de 2€…
Depois destas minhas explorações, pensei eu, ora são 11h30, o que é que uma pessoa faz a estas horas? Vou almoçar! Já estou mesmo com o horário de cá…
O restaurante da biblioteca já estava cheio e é enorme, muito confortável e bem decorado. O pior é o preço… 7 euros por refeição (no mínimo) está, claramente, acima do orçamento. A comida até nem estava má, comi peixe que não sei como se chamava mas era bom – infelizmente, a ementa só estava em sueco. Claro que, com refeições a este preço, vou ter que cozinhar em casa ainda mais do que estava à espera e juntar-me à trupe dos tupperwares. À entrada do restaurante, do lado esquerdo, há uma parede cheia de microondas, por volta de 15, para o pessoal levar a comida e aquecer lá – e efectivamente as mesas em redor estavam cheias de pessoas a comer do seu tupperware!
(Agora estava a olhar pela janela e a pensar: muitos pássaros tenho eu visto! Só aqui no jardim já vi de vários tipos, todos lindos – desde um pequenino com plumagem cinzenta e amarelo vivo que acabou de voar aqui à frente, até outro que se atravessou à minha frente hoje, de dorso preto mas com as penas da cauda azul escuras… Claro que também já encontrei os familiares pombos e pardais, esses estão em todo o lado. Ah e a minha águia da sala – aproveito para vo-la apresentar!)
Depois do meu almocinho lá vim para casa novamente, encontrei as alemãs, que acabaram por sair para almoçar um pouco mais tarde, e fiquei-me pelo PC a falar com a minha priminha e a organizar as contas (já tinha meia dúzia de talões na carteira e tenho que ir fazendo as contas à vida, que isto de viver na Suécia não é nada fácil – nem barato!).
A parte mais gira do dia foi falar com o meu primo de 2 anos pelo MSN, com a webcam – ele ficou completamente doido e começámos a fazer caretas um ao outro! Por pouco que o Erik não entrava e apanhava-me naquelas figuras…
De resto, apareceu aí o dono da casa para saber como nós estávamos e para se apresentar, para nos dar o nº de telemóvel dele e disse para ligarmos se precisássemos de alguma coisa – muito simpático!
Entretanto, falei com a minha colega Shermaine de Singapura e parece que nos vamos mudar para o mesmo sítio – já somos 4 do mesmo curso a morar lá, vai ser mesmo giro! Mal posso esperar… Embora o pessoal desta casa também seja muito simpático, vou ter pena de os deixar…
Planos para o resto do dia: aprender mais umas palavritas de sueco, fazer jantar e ir para a cama cedo. Mas, desta vez, prefiro não prometer nada…
Olá pessoal! Já tinham saudades minhas, confessem…
A verdade é que hoje foi um dia beem longo. Andei quilómetros!
Ontem acabei por ter muito tempo para falar com o meu companheiro de casa, que é bem simpático. Deitei-me por volta das 11h, contrariamente às minhas promessas de me deitar cedo…
O dia de hoje começou às 8h, com o habitual banho (sim, eu tomo banho), pequeno-almoço, etc. Comecei por ir às compras porque ontem cheguei à conclusão que os restaurantes aqui à volta só estão abertos à hora de almoço, logo, vou mesmo ter que cozinhar, pelo menos ao jantar. Lá passei mais uma hora divertida entre as prateleiras do supermercado, felizmente desta vez sem precisar de consultar tantas vezes o dicionário. No caminho para lá, tive a sorte fantástica de apanhar o meu primeiro aguaceiro de muitos que se seguirão, pelo que me dizem… Mas o tempo aqui é um bocado estranho, porque só num dia podemos ter as 4 estações, alternadas… Quando voltei do supermercado, p.e., já estava um sol radioso.
Encontrei o sueco à volta, que tinha acabado de sair de casa, e decidimos ir a Estocolmo. Fui pousar as compras e, como não podia faltar, buscar a minha máquina fotográfica e o guia da cidade.
A cidade nem é longe, são cerca de 2 km até ao centro, e o mapa do guia ajudou bastante. Parecíamos mesmo uns turistas, como disse o sueco, de mapinha e máquina fotográfica… Nós e os japoneses que fomos encontrando ao longo do caminho.
A cidade é linda, confesso. Está tudo limpo e restaurado, os edifícios são todos do mesmo estilo, pintados de amarelo, laranja ou cor de tijolo, ladeando as avenidas largas e cheias de trânsito (o meu amigo sueco estava um pouco perdido, visto que é de uma cidade bem mais pequena e sem tanto trânsito).
Levámos a viagem toda na conversa, falando de tudo um pouco, desde o tempo aos malefícios da fast-food (ele ficou chocadíssimo ao saber que eu não gosto nem de hot-dogs, nem de hamburgers; eles aqui acabam por ter uma alimentação muito à base de carne, molhos e comida já feita, tipo knorr)
O primeiro monumento com o qual nos deparámos foi o Stadshuset (?), que é como quem diz a câmara municipal, o local onde fazem a entrega dos prémios Nobel (o sueco disse logo à entrada que era ali que ele ia receber o Nobel dele, um dia destes).
O edifício é lindo, todo em tijolo vermelho e com umas cúpulas verdes e douradas; dentro dele temos um pátio com arcadas que dão para um dos muitos braços de mar que rodeias as várias ilhas da cidade;
junto à água, há flores, relva, bancos, fontes e, é claro, japoneses a tirarem fotografias. Houve um momento hilariante em que eu e o sueco ficámos presos no meio de várias pessoas a tirarem fotografias ao mesmo tempo e parecia que estávamos numa corrida de obstáculos, a desviarmo-nos de uma e outra e outra objectiva.
Ficámos alguns momentos só a apreciar a vista e depois dirigimo-nos à Gamla Stan, a ilha central da cidade onde se situa o palácio real.
Escusado será dizer que a ilha estava apinhada de turistas. Onde quer que fôssemos só se ouvia falar japonês, espanhol, italiano, etc. metemos por uma rua de lojinhas, fantástica para fazer compras.
Desde lojas tipicamente para turistas, com os postais e as t-shirts a dizer Sverige (Suécia), a moontes de alces de peluche ou em muitos outros suportes (alces que eu comecei por confundir com renas até que o meu amigo me corrigiu muito indignado). A verdade é que o raio dos alces são mesmo fofinhos. Até há daquelas t-shirts que em Espanha mostram vacas ou touros com vários estados de espírito, aqui na Suécia é idêntico mas com alces. Como eu comentei a dada altura, naquela rua provavelmente havia mais alces do que existem alces reais em toda a Suécia… Mas há imensas coisas giras, então para uma shopaholic como eu é dificílimo não entrar nas lojas todas e comprar lembranças pró pessoal… por exemplo coisas de lã, como gorros e cachecóis e luvas, há aos pontapés, mas também imensas lojas com coisas para a casa com designs giros ou mesmo roupa… Tudo acima do orçamento, é claro…
Acima do orçamento, do meu e do do meu amigo, eram também os restaurantes. A dada altura (às 12h de Estocolmo, 11 de Portugal) a barriga começou a dar horas e começou a busca do restaurante. Era bom era… Tudo caríssimo, sei lá, o preço mínimo que eu vi de um restaurante italiano foi 10 euros cada pizza mais barata. O mais barato! Nos outros eram preços do género 16 euros umas massas à carbonara… Ou nos rendíamos às barracas de fast-food que ofereciam uns hamburgers manhosos a 3€50 os mais baratos ou a tarefa prometia ser bastante difícil. Ainda passámos pelo palácio real e demos umas boas gargalhadas, quer a ver as figuras ridículas que as pessoas fazem os guardas reais assar durante as tradicionais sessões fotográficas, quer na “Royal Gift Shop”, que basicamente é como a loja do Sporting mas em vez de se comprar tudo em verde e branco pode comprar-se tudo com o selo real impresso. Claro que estou a exagerar, não será tudo, tudo, mas digam-me, qual é a piada de comprar um IÔ-IÔ com o desenho do selo real? “Filho, queres ir jogar à bola? – Agora não papá, estou a brincar com o meu iôiô real!” lol
Continuando, como quem espera sempre alcança, lá conseguimos fazer uma refeição por menos de 10 euros, num restaurante de snacks tipo sandes e saladas, em que paguei 6€50 por uma salada (que ao menos era bastante bem servida, numa altura em que eu já quase desfalecia de fome) e 1 € por uma cola. Depois de atacar sofregamente tudo o que estava à minha frente, lá continuámos o passeio, desta vez pelas ruas comerciais e com objectivos bem mais sérios – no caso do sueco, comprar tapete e colcha para o quarto, para mim, comprar bilhetes de autocarro e um cartão para o meu telemóvel. A propósito – já não vale a pena ligarem-me ou mandarem SMSs, pois o meu cartão português está oficialmente fora de serviço até Dezembro. Qualquer coisa, mail!
E pronto, depois deste longo dia, em que já estávamos cansadíssimos e cheios de dores nos pés (pelo menos eu), lá nos predispusemos a percorrer a pé (para o sueco não gastar dinheiro) os 2 km que nos separavam de casa, uma vez mais. No caminho ainda estivemos com parvoíces tipo fingir que quase que éramos atropelados por uma bicicleta (um cenário não tão fora da realidade como isso, visto que me ia acontecendo logo no primeiro dia aqui – como dia o sueco, em Estocolmo os peões estão na base da cadeia alimentar, no que toca a andar na rua, bem abaixo das bicicletas…). O sueco ainda quis ir ao supermercado antes de voltarmos (não que me apetecesse muito, mas lá o fui ajudar, porque eu ao menos já sei onde estão as coisas). Quase uma hora depois, e quase sem sentir os pés, estava finalmente em casa… Ainda tenho que ir fazer o meu jantar e depois (hoje é que é, prometo), caminha bem cedo, que amanhã tenho muita coisa para resolver.