Rapazes
13ºC em Estocolmo, 23ºC em Portimão
Ontem acabei por conhecer mais dois suecos para a colecção, um simpático, outro nem tanto, ambos lindos de morrer…
Começou estava eu a escrever o meu post, quando chega o Jonatan, o boss cá da casa. Epa, lá que ele é giro é, cabelo castanho, olhos verdes, estão a ver o filme… O problema é que ele tem consciência de que é giro, o que se traduz naquela atitude “ah e tal eu sou mesmo muito à frente e uso chapéu mesmo dentro de casa porque acho que dá uma granda pausa e não sei se vocês têm fixeza que chegue para se darem comigo”. Lol.
Quando entrou até me falou e assim, mas depois, não sei se se sentiu mais próximo da faixa etária das alemãs (que têm 28 anos, enquanto que ele tem 31), mas ignorou-me à grande durante imenso tempo. Estava eu na cozinha a fazer o meu jantarinho, quando ele entra, saca de uma cerveja do frigorífico e começa numa confraternização com as alemãs, que tinham trazido as suas próprias Heineken directamente da Alemanha.
(Já agora, um aparte, para vos enquadrar na situação do álcool aqui na Suécia, para perceberem do que vou falar a seguir…
Na Suécia, só pessoas maiores de 18 anos é que podem comprar álcool nos supermercados mas os supermercados só estão autorizados a vender álcool “fraquinho”, vá, tipo cervejas com 3% de álcool.
Quem quer algo mais forte tem que ir a uma loja especial que só vende álcool e na qual só podem comprar pessoas com 20 ou mais anos.
Para além disso, os preços são altíssimos, devido a um imposto extremamente elevado que tem como finalidade desencorajar as pessoas de beber – mas quem quer mesmo comprar álcool vai comprá-lo à Alemanha ou Dinamarca mais barato e traz grandes carregamentos de uma vez…
As cervejas são vendidas mornas, também para desencorajar as pessoas de as beberem logo após a compra (!).
Nos bares, a entrada é, no geral, limitada a maiores de 18 anos para raparigas e (esta é a parte gira) 20 anos para os rapazes! Aparentemente, baseado no facto de que as raparigas atingem a maturidade mais cedo :D )
Anyway, foi por isso que as alemãs trouxeram o álcool de casa. Enquanto eles ficaram lá a ocupar a mesa da cozinha e a ignorar peremptoriamente a minha existência eu lá fui jantar para a sala, um tanto ou quanto fula, para dizer a verdade.
Algum tempo mais tarde, já depois de os deveres de arrumação da cozinha estarem concluídos, o Erik saiu para ir buscar um amigo dele. Ele já me tinha contado que tinha um único amigo em Estocolmo, e que nesta noite tinham combinado o outro ir fazer-lhe uma visita guiada ao campus… Na companhia de umas quantas bjecas ;)
Felizmente, convidaram-me para ir com eles, e eu, que até estava um bocado irritada, acabei por me divertir imenso, porque eles são mesmo muito porreiros… E então é assim: David, nascido em 1987 (ah é verdade e já confirmei a idade do Erik que é 23 anos), estudante de Medicina e mesmo muito giro… Não tenho nada a acrescentar, acho que os factos falam por si… =D
E lá fomos nós, o David de bicicleta na mão e o Erik de saco de cervejas mornas acabadas de comprar na loja do álcool (não consigo atinar com o nome daquilo), em direcção ao campus.
Começámos a visita, cada um com a sua cerveja (ofereceram-me uma e eu não ia recusar, apesar de não ser grande apreciadora…). O relato do David começou pela fonte da entrada, onde, aparentemente, o pessoal vai tomar banho na 6ª à noite quando chega bêbado de uma ronda pelos bares… Noutras partes da visita fazia comentários tão elucidativos como “Aqui temos o edifício da Administração” a propósito de um edifício em cuja parede se podia ler, em letras garrafais “Administration”. Ou então simplesmente “Não vos levo àquele edifício porque nunca lá estive e não faço ideia do que seja”.
Houve uma parte mesmo fofinha (e tenho mesmo que fazer este comentário) da visita, que foi quando 4 ou 5 coelhos atravessaram a estrada mesmo à nossa frente! São mesmo fofinhos… Claro que o Erik começou logo com teorias do tipo que para haver ali coelhos deviam ter fugido de um laboratório de manipulação genética, e que se não tivéssemos cuidado ainda um deles se jogava à nossa garganta tipo Monty Python…
Acabámos a volta do lado do hospital, onde encontrámos uma área relvada com montes de cadeiras e mesas de plástico, muito agradável. Lá ficámos a ouvir as histórias malucas do David, que aparentemente gosta imenso de pregar partidas a outras pessoas, incluindo criancinhas. Apenas um exemplo: gravaram um noticiário falso, versão áudio, e puseram-no na aparelhagem da residência a fingir que era o verdadeiro, e uma das notícias era a fuga de um psicopata de um manicómio, a avisar as pessoas para se fecharem em casa e não saírem por nenhuma razão. Aparentemente, até houve um tipo que dormiu de machado ao lado da cama com o medo e mesmo no dia seguinte, ainda havia muita gente e recusar-se a acreditar que era mentira… :)
Depois seguiu-se a parte mais penosa da viagem, para mim. O Erik decidiu que queria ir espreitar o quarto do outro, pois nunca tinha estado lá, só que era bastante longe (45 minutos a pé!) e a meio do caminho a cerveja começou a fazer efeito no meu sistema e, bem, tive que aguentar aquela sensação agradável de estar à espera para fazer uma ecografia :D
Depois de uma penosa caminhada (durante a qual, ainda assim, conversámos bastante), chegámos finalmente a Lappis (www.lappis.org). Claro que vocês não sabem o que Lappis é, logo, passo a explicar: Lappis é apenas a maior comunidade de estudantes de Estocolmo, constituída por vários blocos de apartamentos / quartos, junto a um parque com um lago e à Universidade de Estocolmo, onde supostamente há as maiores festas de estudantes da cidade
O quarto do David era muito giro, por um lado por causa da cama enoorme e do sofá cama muito confortável (especialmente depois de andar tanto) e depois porque ele comprou uma flat screen tv para o quarto o que, obviamente, fica sempre bem e dá um certo estilo.
Abancámos lá, a conversar mais uma vez, ele abriu uma garrafa de vinho espanhol que lhe tinham oferecido e demos conta dela (claro que quando me levantei tinha a cabeça ligeiramente a andar à roda, mas nada de mais) e ficámos a ver uns episódios de Scrubs na tv fantabulástica dele. Ele sentou-se ao meu lado no sofá, e tal… Foi nice :D Só é pena eu mudar-me para a semana, porque ele e o Erik estavam a combinar todo o tipo de coisas e assim não vai dar para eu ir… Mas pronto, como durante a visita guiada acabei por perceber mais ou menos em que edifício é que ele tem aulas, posso fazer-lhe uma visitinha ;)
Depois de muito rir e momentos realmente bem passados, time to go back… Em Lappis, àquela hora, não se dorme e só se ouve pessoal a conversar e a conviver, por todo o lado, em todos os edifícios. É mesmo giro, aquilo… O David ainda nos guiou durante metade do caminho e depois eu e o Erik continuámos até casa, onde chegámos quase às 3 da manhã para encontrar as alemãs a beber vodka finlandês na cozinha. O Erik ainda foi buscar um dos copos de shot da colecção dele (que ele normalmente surrupia de bares) e bebeu um, mas eu já tinha tido a minha conta naquela noite… Ainda assim, foi bom estarmos ali a conversar todos juntos, mas sem o Jonatan, que aparentemente abandonou as alemãs para ir ter com uns amigos e esta manhã ainda não tinha aparecido em casa…
31 de agosto de 2008
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
2 comentários:
Agora começo a perceber o verdadeiro motivo da ida para a Suécia... só que eu não sei se a minha amiga sabe que isso não se faz...há o Erik, o David o não sei quantos... e fotos não??? E agora anda-me armada em borrachona a meter-se no álcool??!
Beijinhos grandes ***
Borrachona, eu? Então não percebeste nada do meu post? O borracho era o David...
Enviar um comentário