20 de fevereiro de 2009

Oslo

Diz que estivemos na capital da Noruega…

-12ºC em Oslo, -4ºC em Estocolmo, 15ºC em Portimão


OK, só para esclarecer, briolito, que confesso não ser o mais belo dos vocábulos (como diria o nosso caro prof), referia-se mesmo ao frio. Muito frio. Em Oslo esteve quase sempre à volta dos -10ºC e lá houve um dia em que chegou aos -4ºC… Também o resto das vossas dúvidas serão esclarecidas, mas cada coisa a seu tempo… ;)

A cidade

Oslo não é uma cidade feia, mas também não é nada de espectacular. Não tem a majestade de Londres nem a magia de Paris, nem mesmo o tipo de identidade de Estocolmo, com as suas casas em cores quentes e os braços de mar a separarem as diferentes ilhas. É uma capital europeia, de um dos países mais ricos do mundo e que, como tal, tem coisas interessantes para ver. Ponto. Andámos no centro, na zona comercial, fortaleza, palácio real e a nova Ópera, que tem um design fantástico.
Palácio real...

Ópera

Fomos ao parque Vigeland, uma das atracções mais famosas da Noruega, com centenas de esculturas pelo escultor norueguês Vigeland (finais do séc. XIX, início do séc. XX), que, segundo eu ouvi um norueguês explicar a uns amigos estrangeiros de visita, era um tipo “sem namorada que tinha que compensar de alguma maneira”. Ora ele compensou esculpindo… gente nua. Montes de gente nua. Sozinhos, aos pares, em grupos, em posições inocentes ou nem tanto, zangados ou contentes, homens, mulheres, crianças. Uma orgia artística que culmina no símbolo do parque, bem no topo de uma colina, que é basicamente um objecto fálico composto de montes de corpos nus empilhados…
Arte, mas de outro tipo, tivemos também no domingo, quando visitámos o museu Munch e vimos o seu famoso quadro “O grito”, bem como muitos outros, de grande qualidade…

O tempo (a neve!)

Eu seeei que estou sempre a falar do tempo, mas em Oslo estava fantástico! Pronto, ok, estavam -10ºC, mas estava neve (uns 20 cm pelo menos) e um sol fantástico no sábado, o que deu azo a muitas brincadeiras na neve que foram, sem dúvida, um dos pontos altos da viagem!

Sim, estava assim tanto frio!

O Gustavo atirava a Dasha ao chão de cada vez que via um monte de neve, envolvemo-nos todos numa luta de bolas de neve, enterrámo-nos na neve, rebolámos na neve, deslizámos encosta abaixo, que é como quem diz, praticámos scu :D Primeiro com um saco plástico, depois com aquelas coisas de plástico (sledges) que não sei o nome em português, emprestadas por um pai de família norueguês super simpático que enquanto descansava com os miúdos nos deixou usar o material todo, até um mini trenó… Foi o melhor que nos podia ter acontecido :D

A companhia

Éramos 11, uma equipa de futebol, como dizia o Gustavo.
OK, nesta foto não somos 11... O Gustavo ficou a dormir :)

A Dasha assumiu o papel de nossa general (o nome que lhe ficou para o resto da viagem), de mapa em punho e a fazer toda a gente levantar-se a horas e decidir-se quanto aos destinos a visitar. O Gustavo esteve um bocado estranho, comportando-se um pouco como um miúdo, ora brincando na neve (como quando atirava a pobre da Dasha ao chão), ora amuando se não íamos onde ele queria. Ele e a Jacomijn fizeram as vezes de casal durante a viagem, apesar de eu vir a saber mais tarde que o Mustafa o viu aos beijos com a Cécile na paragem do autocarro do Karolinska e realmente eles os 2 desapareceram por uns tempos na viagem… Haja alegria. O Maurijn esteve super divertido a viagem inteira, é uma pena que não existam mais pessoas assim (mas de preferência sem namorada).
Eu e o Maurijn partilhámos um beliche...

A Shermaine emprestou algum encanto asiático ao grupo e o resto do pessoal formou a maioria do tempo um grupinho mais ou menos à parte, composto por Cécile, Katarina (Alemanha), Lies (Bélgica), Elisa e Gian Luca (Itália). Apesar de tudo, demo-nos bem e divertimo-nos imenso…

Latinos

E quando no mesmo grupo há pessoal do Brasil, Portugal e Itália, é certo e sabido que a coisa há-de aquecer… Na primeira noite (6ª) encontrámos um bar brasileiro e estivemos a beber caipirinhas (ridiculamente caras, como tudo em Oslo – 89 coroas norueguesas, o que se traduz nuns 9 euros e meio! Vá lá que o Gustavo decidiu oferecer uma rodada geral…) e a ouvir música brasileira.
No bar brasileiro...

Na segunda noite fomos a uma discoteca latina um bocado mal frequentada mas não foi por isso que deixámos de nos divertir… Dançámos reggaeton e parece que algumas pessoas estiveram a dançar salsa noutra das muitas salas da discoteca (ouvi dizer que a Dasha dançou com um cubano todo jeitoso). “Parece que” porque, nessa altura, eu não estava com o resto do pessoal… Eu e o Gian Luca começámos a conversar, conversa puxa conversa, num misto de italiano e inglês, e nesta mescla de palavras e línguas perdemos a noção do tempo… ;)

16 de fevereiro de 2009

Oslo preview...

-12ºC em Oslo, -4ºC em Estocolmo, 16ºC em Portimão

E para quem nem sequer sabia que eu tinha ido a Oslo, um pequeno aperitivo (segue-se o relato detalhado)...

Houve neve e sol, muitas horas a andar, monumentos e lutas na neve, sku, fotos pornográficas com estátuas, 6 pessoas por quarto, noites de pouca dormida, uns quantos beijinhos, ritmos latinos e um briolito... ui ui!!!


11 de fevereiro de 2009

Sushi

-1ºC em Estocolmo, 14ºC em Portimão


Sábado foi dia de sushi. Acabada a cadeira dos animais, foi tempo de festejar com uma noite no bar da associação (em que o Niklas engatou uma miúda do 1º ano de Medicina, eu e o sueco giro tivemos uma prestação miserável a jogar bilhar e toda a gente adorou a Sara, a espanhola do meu grupo) e com um dia de muffins (no café "da" Karin) e sushi (em casa da Iskra).

O café onde a Karin trabalha chama-se "Muffin fabriken" (fábrica dos muffins) e de cada vez que lá vamos temos muffins de graça (não controlam o número de muffins, a Karin oferece-nos e nós depois damos gorjetas reforçadas, que são directamente para ela). Os muffins são enormes e uma delícia, com sabores desde chocolate e menta a limão com cardamomo ou pistaccio.


O sushi... só o tinha provado uma vez e não gostei. Mas desta vez foi caseiro, feito por nós sob a direcção artística da Shermaine e ficou mesmo bom! A Clarissa e a Giulia inventaram uma variante chamada "Sushinito" (Sushi latino, assim pro acastanhado) e o único que não comeu foi o Mustafa, que preferiu um pacote de batatas fritas.



Depois do sushi e de uns quantos muffins trazidos da loja da Karin, foi a vez do cachimbo-de-água e de um divertimento novo (do mesmo tipo daquela noite no Bairro Alto em que ficámos uma hora à frente de um bar a ver quem escorregava nos degraus): tentar fazer bolas de sabão com fumo dentro. É obra... mas não é que houve quem conseguisse?





2 de fevereiro de 2009

...

(no comments)


Atrofios causados por esta última cadeira... ou o que acontece a 4 raparigas depois de uma semana intensiva de aulas, duas noites de festa mais um "acabanço"... (BHx2: Big Hangover + Broken Heart - o da Clarissa, que acabou com o Pedro)




30 de janeiro de 2009

Animal

Djur

-2ºC em Estocolmo, 15ºC em Portimão


Disclaimer: para pessoas que não gostam de ratos, a leitura é segura. Quando não for, eu aviso.

E assim começou a cadeira de Laboratory Animal Science, ou seja, como matar animaizinhos sem eles sofrerem muito, duas semanas, 4,5 ECTS, aulas todos os dias das 9 às 5, ou seja, sobrecarga de trabalho.

Sobre a cadeira em si: no primeiro dia gostei muito, no segundo dia não gostei nada, no terceiro e quarto e quinto assim-assim. A verdade é que, se por um lado acho uma cadeira muito útil, por outro acho isto tudo uma hipocrisia e dá-me pena dos bichos. Por um lado, andam a ensinar-nos que devemos respeitar os comportamentos instintivos e naturais dos animais, a reduzir o seu sofrimento e tudo o mais; no dia a seguir mostram-nos umas jaulas baixíssimas que aquilo nem dá para as ratazanas se porem em pé e quando eu pergunto porque é que não as fazem mais altas dizem que depois dá “menos espaço de arrumação”. Falam-nos do ponto de vista dos tipos das associações de defesa dos direitos dos animais, que são contra toda e qualquer investigação nos mesmos: ora eu não acredito que esses tipos que se andam a armar em defensores da natureza se recusem a tomar comprimidos quando ficam doentes, ou recusem um transplante se dele precisarem para sobreviver – tudo medicamentos e técnicas IMPOSSÍVEIS de desenvolver sem animais. Mas os cientistas que se andam ali à frente a armar em bonzinhos e preocupados com os animais também que se deixem de tretas. Como é que é possível uma pessoa (como nós vimos num filme) ter cães em casa e ir fazer experiências em cães? E não me venham cá falar de equilíbrio da natureza, que a própria investigação biomédica prolonga a vida de forma artificial, contrariando a selecção natural e tornando-nos geneticamente mais fracos. Se fôssemos pelo “equilíbrio e ordem natural”, não fazíamos o que fazemos, tirávamos a roupa e íamos viver para cima das árvores, end of story.

O que é que aprendi nesta cadeira, então? Que temos necessidade da mesma essencialmente para nos sentirmos menos culpados. E lá pelo meio, aprendemos umas coisas sobre as leis e os animais propriamente ditos que, essas sim, têm utilidade. Mas dos animais falo noutro post, que é preciso separar as águas…

26 de janeiro de 2009

新年快乐

(lê-se Sin Yeng Huáila) – Feliz Ano Novo (Chinês)



1ºC em Estocolmo, 11ºC em Portimão



No Sábado ouvi uns rumores sobre umas festas em celebração do Ano Novo Chinês, tanto por parte da Shermaine como do Xinming. Não liguei muito, mesmo tendo sido convidada, porque no domingo não estava com muita vontade de sair de casa. Até que percebi que… Ambas eram no MEU prédio. Para variar!



No primeiro andar foi montada uma verdadeira linha de produção, eram uns 20 e tal chineses, todos a cozinhar, um amassa, outro estende, outro mete recheio, super coordenados e empenhados, durante 2 horas passadas a preparar comida.



No sexto, o jantar era dos de Singapura, que não queriam misturas com os chineses (conflitos culturais) mas como são de etnia chinesa celebram as mesmas festas. Aí, o tom foi descontraído, as coisas eram tiradas de pacotes 20 minutos antes de chegarem os convidados e algumas eram cozinhadas mesmo à nossa frente!
Jantar de Singapura



Ora eu, convidada para ambas as festas, lá tive que andar a saltitar de uma pra outra, que chatice!!! Uma das coisas mais estranhas que comi, uma espécie de sobremesa cujo interior sabe bem mas é de textura um bocado nojenta. Um bocado é pouco...

E lá fui provando bolinhas de peixe, tarteletes de ovos, bambu, cogumelos picantes (6º andar), várias coisas que não sei bem o que eram mas eram boas, uma coisa tipo um recheio de carne de porco com camarão e especiarias com massa à volta que era ÓPTIMA, uma espécie de frango engordurado que era tão horroroso que tive que o deitar fora, nem engolir consegui, uma tarte que não era chinesa mas sueca de supermercado (1º andar). E o Gustavo ainda fez a gracinha de ir buscar tequila só pela piada de ver chinesas (com a sua baixa resistência ao álcool) embebedarem-se ao primeiro shot. Houve um
a coitada que, só com um, ficou a abanar-se uma hora, com a cara completamente vermelha (não estou a exagerar, foi mesmo uma hora). E no fim de tudo, a Jacomijn ainda achou por bem contribuir com os seus muffins de chocolate. Ou seja: enfardar, enfardar, enfardar.

Jantar chinês


E viva o ano novo chinês! Bom ano do boi para todos!!!

25 de janeiro de 2009

Artist

Artista

2ºC em Estocolmo, 15ºC em Portimão


E eis que um dia aparece no parapeito da janela da cozinha uma família de gansos e um cesto cheio de rosas, tudo feito em papel de alumínio. Temos artista em Jägargatan! Depois de perguntar aqui e ali, lá se chegou à conclusão que o responsável era o Maurijn, um dos holandeses do corredor, que aparentemente terá aprendido aquela habilidade num bar na Turquia.

O Maurijn mora no quarto mesmo em frente à cozinha, o que o faz a vítima principal do homem das limpezas. Para terem uma ideia, o homem da limpeza é um grego que não percebe inglês, limpa mal e porcamente e faz uma barulheira dos infernos às 6 da manhã, todos os dias de semana, pois limpa o chão da cozinha sem fechar a porta e, como deve dar muito trabalho afastar as cadeiras para limpar debaixo da mesa, anda ali a bater com a esfregona nas pernas das cadeiras até acordar o corredor inteiro (de tal forma que a Madelinde, no fim do corredor, chegou a levantar-se um dia para o mandar calar). Enfim, coitado do Maurijn que acorda cedo todos os dias por causa do homem. Depois de considerar planos de vingança que incluíam equilibrar um balde de água na porta para lhe cair em cima quando ele a abrisse, lá se decidiu por um inocente desenho na porta a pedir silêncio. O problema é que, se para bom entendedor meia palavra basta, para mau entendedor um desenho não chega de certeza e o problema continua…

Entretanto chegou-nos aqui ao corredor o habitante mais estranho de todos os tempos. Veio do Ruanda e, para terem uma ideia, nunca tinha visto um semáforo antes de vir para cá?! Para além disso cheira-me que não toma banho e é uma pessoa uma bocado hostil, não faz esforço para meter conversa connosco… OK, eu sei que deve ser complicado uma pessoa vir para um ambiente tão diferente, mas também para nós não é propriamente fácil lidar com alguém que nos diz que “não gosta de europeus porque são pessoas que só pensam em si próprios e não ajudam os outros”, que “não gosta de Jägargatan porque acha o cúmulo uma pessoa como ele ter que aprender a cozinhar”, mesmo antes de se apresentar… Para além do mais, desde que ele chegou que se vai acumulando louça suja na cozinha e, visto que ele é a única variável no corredor, só pode ser dele. Não sei se está à espera que lavemos a loiça dele por sermos mulheres, ou se a boca dos europeus não ajudarem ninguém se dirigia ao facto de não lhe lavarmos os pratos e os copos. A verdade é que a situação se está a tornar insuportável. Ontem, alguém disse que devíamos pedir ao Maurijn para fazer um novo desenho, este a pedir para lavarem os pratos, e hoje de manhã acordo para dar de caras com esta obra prima por cima do lava-louça:

Decididamente, o rapaz é um artista. E é giro. E simpático. E com sentido de humor e um bocado maluco (pediram “emprestada” a bandeira da associação de estudantes, na última sexta-feira – enquanto a Madelinde distraía os responsáveis do bar, ele tirou a bandeira que agora está pendurada no nosso corredor – mas atenção, foi mesmo pela graça, que no próximo bar da associação já está planeada a devolução). Trabalha no CCK (Cancer Centre Karolinska) que era para onde eu queria ir. E só tem mesmo um defeito: tem namorada (de acordo com a regra da casa-de-banho - os bons estão ocupados)…