19 de novembro de 2008

Poker, piano, personer

Poker, piano, pessoas

1ºC em Estocolmo, 19ºC em Portimão

Hoje foi um dia bom. Normal, mas ainda assim…

Mas comecemos por ontem, dia da primeira sessão do torneio de poker do nosso corredor. Foi também o dia de anos de uma holandesa, a Lisa, que fez bolo para nós todos e juntámo-nos, vários, à volta da mesa da cozinha, a jogar poker e a comer bolo… Foi óptimo para relaxar destas semanas de aulas, que têm sido intensivas e muito cansativas. Eu não sabia jogar, mas o Martijn encarregou-se de explicar as regras para toda a gente e agora já estou pró :P Não, não ganhei, perdi as fichas quase todas, mas não jogámos a dinheiro, logo não faz mal :)

Hoje… foi mais um dia de aulas, em mais um auditório em que nunca tínhamos estado antes. Depois de uma hora a ouvir falar em oncogenes, por um professor não particularmente interessante, saio da sala para um intervalo de 15 minutos e eis que dou de caras com… Um piano! Há vários espalhados pelo Karolinska, nos sítios mais inesperados, desde o bar à associação de estudantes a um dos corredores do hospital a, como hoje, um hall de entrada da unidade de investigação sobre cancro. Lá andei de um lado para o outro, a rondar o piano, sem saber se devia sentar-me a tocar ou não, com uma vontade imensa de tocar mas por outro lado inibida pelas pessoas do meu curso que lá estavam… Por fim, lá me sentei, abri-o, senti as teclas, os pedais, olhei em volta e vi que eram apenas 3 pessoas a assistir, logo, mal menor, e lá comecei… Com a Für Elise.
Não sei por que é que de cada vez que me sento ao piano tenho tendência para tocar essa música primeiro, talvez porque já a saiba de cor e a hipótese de me enganar seja mínima, mesmo eu não tocando há meses… E a partir do momento em que se começa a tocar, pronto, já sabem, fico noutro mundo :D Quando acabei tive direito a salva de palmas e lá me lancei a tocar as primeiras notas da “Claire de lune” e, por fim, a sonata ao luar, a pedido da Dhifaf. No final, até o professor ficou lá a ouvir-me e felicitou-me por “tocar muito bem”. Recebi imensos elogios, o que sabe sempre bem, desde a Su ao Espen (em português, claro), o Mustafa, o Niklas, o Haythem, que me pôs um papelinho no meu caderno, já durante a aula, a dizer “U rock!”. Lol. Soube-me tão bem… Quem me dera poder tocar mais vezes. Mas, de preferência, sem tanta gente a ver…


Pessoas… Nesta altura do curso, já passou a fase do encantamento, começam a surgir as tricas e discussões e chatices, e é engraçado ver como, por exemplo, muitas pessoas têm uma opinião diferente da Marike do que eu pensava. A Marike é meio francesa, meio sueca. Fala alto e gesticula, tem opinião sobre tudo (mas absolutamente tudo!) e esta opinião, 90% das vezes, é negativa.
A minha primeira impressão da Marike foi que ela era um bocado parva, depois comecei a dar-me bem com ela e a achar piada àquela maneira de ser, e, por fim, comecei a cansar-me. Pode ser que o meu cansaço, no meu caso particular, tenha sido despoletado pelo facto de ela ter metido bastante o bedelho na minha relação com o Niklas, mas toda a gente que a ouve, acha graça nas primeiras vezes, as segundas abana a cabeça e ignora, às terceiras começa a exasperar-se. Comecei a notar isso em conversas com a Shermaine, a Dasha e a Clarissa, que no início, tal como eu, também se davam com ela, e que eu achava que tinham dela a melhor ideia… Afinal não. Já estão um bocado fartas daquela mania de se achar, de pensar que a sua opinião é a lei, que a sua voz é a do grupo e que sempre que fala, fala por todos e que todos têm absolutamente que concordar com ela. É difícil de explicar a quem não a conhece as entoações afectadas, os trejeitos de cabeça sempre que fala, os gestos com os braços que parece que vai decapitar alguém, e, especialmente, a dureza com que responde a quem quer que se atreva a questionar sua excelência (Queen B., chama-lhe a Shermaine, baseada numa personagem da série “Gossip Girl”).
Hoje foi o Mario, que deve ser uma das pessoas mais pacíficas que conheço, e que supostamente era dos que se davam melhor com ela (se descontarmos o Niklas e o Mustafa, que lhe dão o desconto), acabou o dia a dizer, e passo a citar: “Jurei a mim mesmo que se ela fizesse mais uma observação lhe cortava a carótida.” LOL. Enfim, violência à parte, não pode deixar de irritar uma pessoa que toma qualquer pequena observação como um insulto, que trata os outros como “you people”, que é a primeira a apontar como todos os outros fazem imensos erros, como tudo está mal organizado, que o curso é super básico para o background dela em Biomedicina – mas depois vai-se a ver e tirou D, mas, como ela se encarregou de apontar a mim e à Su (as duas pessoas que tiraram A), os As não querem dizer nada e podia tirar-se um A naquele exame sem se saber nada, até porque os exames nunca avaliam o que realmente sabemos. Enfim, dor de cotovelo é danada…


E por que é que digo, no fim disto tudo, que foi um bom dia? Porque toquei piano :D E porque, no fim do dia, ao sentar-me no autocarro para vir para casa, adormeci e acordei à porta de casa, noite cerrada, com neve a cair, aos rodopios debaixo da luz amarelada dos candeeiros da rua, a pousar no espelho de água em frente ao hospital… Claire de lune, claire de neige…

16 de novembro de 2008

Snö!

Neve!

0ºC em Estocolmo, 19ºC em Portimão

Estava eu a almoçar, muito descansada, quando a Shermaine olha lá para fora e quase que manda tudo ao chão, salta da cadeira, aponta para a janela e exclama: “Está a nevar!!!”

Fica tudo numa excitação, telefona-se à família, tiram-se fotos e filma-se, de repente parecíamos um bando de putos. A neve não chegou para acumular, derretia mal tocava no chão, afinal de contas foi a primeira neve do ano… Mas foi bonito de se ver :D




A neve vista da minha janela



O meu guarda-chuva todo salpicado de branco :)

15 de novembro de 2008

Vännen

Amigos

5ºC em Estocolmo, 17ºC em Portimão


Amigos são aqueles que estão lá para nós nos bons e nos maus momentos… Que mudam o nick quando nos queixamos da falta de sol para montes de símbolos de sóis, só para iluminar os nossos dias… Que sentem a nossa falta quando estamos a 4000 km de distância… Que oferecem o ombro, conselhos ou “comfort food” quando estamos “down” e fazem tudo para nos sentirmos melhor…

Ontem houve uma festa cá no prédio que juntou muitos dos meus novos amigos, do corredor mas também do curso. Acabei por conhecer um senhor de Moçambique que mora no 1º andar e está cá a fazer doutoramento, um italiano muito giro, também do 1º piso, o pessoal do curso ficou finalmente a saber como são as festas do nosso “gang”, os meus amigos portugueses também apareceram e, fazendo as contas, devíamos ser umas 40 a 50 pessoas que por aquela festa passaram, entre as 9 da noite e 3 da manhã. Como contribuição para as bebidas, fiz sangria, que estava uma maravilha – desapareceu em menos de nada… Enquanto a fazia, na nossa cozinha, o chinês e a Edith (uma senhora da Tanzânia) olhavam muito espantados – nunca tinham visto sangria na vida! A Edith agora chama-lhe “Fruit wine”, hehe… E diz que vai tentar repetir a receita quando voltar para África, já daqui a 2 semanas…

Pesando os prós e os contras, a festa foi boa. Houve uma cena menos agradável com o Kanwal do meu curso e acho que o resto das pessoas do curso também não acharam que aquele fosse o seu tipo de festa, mas ao menos agora já não podem dizer que nunca os convidamos para nada. Quanto a mim, fiz a minha parte: conversei, bebi, dancei muito, tirei fotos e, acima de tudo, libertei a tensão e as energias negativas acumuladas durante a semana, que era o meu principal objectivo com esta festa… E, não me canso de dizer, é sempre bom ter amigos que fazem tudo para que a gente se divirta, que se aproximam de nós durante a festa a perguntar se está tudo bem e se precisamos de alguma coisa e que nos dão um abraço bem apertado antes de irmos dormir… Assim, vale a pena :)

11 de novembro de 2008

Utvärdering

Avaliação

5ºC em Estocolmo, 17ºC em Portimão

Há por aí pessoas desejosas de saber se, tanto no Karolinska como em Portugal, continuo a ser a mesma 19,5… As mesmas pessoas também andam a reclamar do tamanho dos meus posts…

Pois estejam descansados que este é um post bem curtinho, só para elucidar que, ao contrário do que diz o PVB (segundo quem as pessoas de cabelos encaracolados têm um gene para a estupidez), esta miúda de cabelo bem encaracolado teve A no exame de Cardiovascular, num panorama geral nada animador (em 25, 2 A, nenhum B, 6 C, 6 D, 6 E e 5 F – dos quais F é negativa e os restantes positiva, mas ainda assim…).


Ah, e o exame de Neuro também correu bem :D

Pronto, agora já sabem :P Happy?


8 de novembro de 2008

Idag...

Hoje…

8ºC em Estocolmo, 19ºC em Portimão

… está frio, escuro e a chover, e a única coisa boa é que assim não apetece mesmo sair de casa e há mais motivos para ficar no quarto com uma chávena de chá preto e dezenas de slides sobre Alzheimer, Parkinson e outras que tais…

Para que vocês, pessoas sortudas que podem estar em Portugal com um sol fantástico e 19 graus ou lá o que é, possam ter uma ideia do que é viver cá no fresquinho e escurinho, hoje resolvi tirar fotos de hora a hora para vocês verem a maravilha. Aqui vai, o dia de hoje, visto da janela do corredor:

8h15

9h15

10h15

11h15

12h15

14h15

15h15


16h15


Digam a verdade, estão mesmo cheios de inveja, não estão???

Neurologi eller hjärndöd

Neurologia ou morte cerebral

7ºC em Estocolmo, 11ºC em Portimão


Neurónio de peluche do site www.giantmicrobes.com :D

Desde a semana passada que entrámos, intensivamente, no módulo de Neurologia. Se eu tinha achado o de cardiovascular intensivo, então não estava bem a ver o que a neurologia me reservava…

Estão a ver a matéria de Fisiologia do último semestre? Isso aprendemos nós em 2 horas… Lol. Seguiram-se inúmeras aulas sobre os temas mais diversos, desde anatomia do sistema nervoso (macro e micro), desenvolvimento embrionário, sinalização neuronal, células gliais, aprendizagem e memória, várias aulas sobre Alzheimer, várias aulas sobre Parkinson, Esclerose múltipla, toxicodependência, doenças psiquiátricas…Sim, isto tudo em duas semanas. Ou seja, neste momento vemo-nos confrontados com um exame dentro de dois dias e imensa coisa para estudar. Claro que o facto de estes temas serem super interessantes facilitam o estudo mas, ainda assim…

Gostei particularmente das aulas sobre aprendizagem e memória, em que nos foram mostrados filmes de experiências em ratinhos realizadas em labirintos, das aulas sobre Alzheimer, da aula relacionada com a sinalização celular nos neurónios dopaminérgicos em Parkinson. Complexo mas apaixonante…

O pior deste módulo foi mesmo a falta de tempo. Aulas das 9 às 4 em imensos dias, chegar a casa às 5, já de noite, ter que fazer jantar e ainda estudar para tentar acompanhar minimamente (e falhar miseravelmente) a quantidade megalómana de matéria… Para além disso, como na semana passada ainda houve bastante rambóia (sessões de filmes com o Niklas, almoço com o pessoal no chinês, festa de Halloween) esta semana não houve mesmo margem de manobra, foi hibernar a olhar para montanhas de slides sobre doenças neurodegenerativas e sentir, a dada altura, os nossos próprios neurónios a degenerar, dendrite por dendrite, axónio por axónio… :P

4 de novembro de 2008

Stora microorganismer

Micróbios gigantes

4ºC em Estocolmo, 13ºC em Portimão

O nome do post é estranho, eu sei... Há uns tempos, quando fui comer lasanha a casa do Mario, ele mostrou-me o seu HIV de peluche e falou-me dos seus planos de comprar um neurónio de peluche para oferecer à namorada, que está num mestrado em neurociências... Sim, leram bem: HIV de peluche e neurónio de peluche. Cromice a mais? Provavelmente... :D

A verdade é que o assunto veio à baila outra vez hoje, em que descobrimos que os ditos micróbios de peluche estão à venda na livraria da nossa universidade - aparentemente, a Marike comprou um adipócito de peluche, o Mustafa uma MRSA (Staphylococcus aureus multi-resistente) e o meu amor comprou um leucócito de peluche... Tão fofos! Lol...

Se não fazem ideia do que raio é que estou a falar, vão ao website dos fabricantes:
http://www.giantmicrobes.com
E convertam-se à cromice... Afinal, a ciência pode ser fofinha!
Os meus favoritos: rhinovirus e bacteriófago T4 :Rhinovirus

Bacteriófago T4