15 de novembro de 2008

Vännen

Amigos

5ºC em Estocolmo, 17ºC em Portimão


Amigos são aqueles que estão lá para nós nos bons e nos maus momentos… Que mudam o nick quando nos queixamos da falta de sol para montes de símbolos de sóis, só para iluminar os nossos dias… Que sentem a nossa falta quando estamos a 4000 km de distância… Que oferecem o ombro, conselhos ou “comfort food” quando estamos “down” e fazem tudo para nos sentirmos melhor…

Ontem houve uma festa cá no prédio que juntou muitos dos meus novos amigos, do corredor mas também do curso. Acabei por conhecer um senhor de Moçambique que mora no 1º andar e está cá a fazer doutoramento, um italiano muito giro, também do 1º piso, o pessoal do curso ficou finalmente a saber como são as festas do nosso “gang”, os meus amigos portugueses também apareceram e, fazendo as contas, devíamos ser umas 40 a 50 pessoas que por aquela festa passaram, entre as 9 da noite e 3 da manhã. Como contribuição para as bebidas, fiz sangria, que estava uma maravilha – desapareceu em menos de nada… Enquanto a fazia, na nossa cozinha, o chinês e a Edith (uma senhora da Tanzânia) olhavam muito espantados – nunca tinham visto sangria na vida! A Edith agora chama-lhe “Fruit wine”, hehe… E diz que vai tentar repetir a receita quando voltar para África, já daqui a 2 semanas…

Pesando os prós e os contras, a festa foi boa. Houve uma cena menos agradável com o Kanwal do meu curso e acho que o resto das pessoas do curso também não acharam que aquele fosse o seu tipo de festa, mas ao menos agora já não podem dizer que nunca os convidamos para nada. Quanto a mim, fiz a minha parte: conversei, bebi, dancei muito, tirei fotos e, acima de tudo, libertei a tensão e as energias negativas acumuladas durante a semana, que era o meu principal objectivo com esta festa… E, não me canso de dizer, é sempre bom ter amigos que fazem tudo para que a gente se divirta, que se aproximam de nós durante a festa a perguntar se está tudo bem e se precisamos de alguma coisa e que nos dão um abraço bem apertado antes de irmos dormir… Assim, vale a pena :)

11 de novembro de 2008

Utvärdering

Avaliação

5ºC em Estocolmo, 17ºC em Portimão

Há por aí pessoas desejosas de saber se, tanto no Karolinska como em Portugal, continuo a ser a mesma 19,5… As mesmas pessoas também andam a reclamar do tamanho dos meus posts…

Pois estejam descansados que este é um post bem curtinho, só para elucidar que, ao contrário do que diz o PVB (segundo quem as pessoas de cabelos encaracolados têm um gene para a estupidez), esta miúda de cabelo bem encaracolado teve A no exame de Cardiovascular, num panorama geral nada animador (em 25, 2 A, nenhum B, 6 C, 6 D, 6 E e 5 F – dos quais F é negativa e os restantes positiva, mas ainda assim…).


Ah, e o exame de Neuro também correu bem :D

Pronto, agora já sabem :P Happy?


8 de novembro de 2008

Idag...

Hoje…

8ºC em Estocolmo, 19ºC em Portimão

… está frio, escuro e a chover, e a única coisa boa é que assim não apetece mesmo sair de casa e há mais motivos para ficar no quarto com uma chávena de chá preto e dezenas de slides sobre Alzheimer, Parkinson e outras que tais…

Para que vocês, pessoas sortudas que podem estar em Portugal com um sol fantástico e 19 graus ou lá o que é, possam ter uma ideia do que é viver cá no fresquinho e escurinho, hoje resolvi tirar fotos de hora a hora para vocês verem a maravilha. Aqui vai, o dia de hoje, visto da janela do corredor:

8h15

9h15

10h15

11h15

12h15

14h15

15h15


16h15


Digam a verdade, estão mesmo cheios de inveja, não estão???

Neurologi eller hjärndöd

Neurologia ou morte cerebral

7ºC em Estocolmo, 11ºC em Portimão


Neurónio de peluche do site www.giantmicrobes.com :D

Desde a semana passada que entrámos, intensivamente, no módulo de Neurologia. Se eu tinha achado o de cardiovascular intensivo, então não estava bem a ver o que a neurologia me reservava…

Estão a ver a matéria de Fisiologia do último semestre? Isso aprendemos nós em 2 horas… Lol. Seguiram-se inúmeras aulas sobre os temas mais diversos, desde anatomia do sistema nervoso (macro e micro), desenvolvimento embrionário, sinalização neuronal, células gliais, aprendizagem e memória, várias aulas sobre Alzheimer, várias aulas sobre Parkinson, Esclerose múltipla, toxicodependência, doenças psiquiátricas…Sim, isto tudo em duas semanas. Ou seja, neste momento vemo-nos confrontados com um exame dentro de dois dias e imensa coisa para estudar. Claro que o facto de estes temas serem super interessantes facilitam o estudo mas, ainda assim…

Gostei particularmente das aulas sobre aprendizagem e memória, em que nos foram mostrados filmes de experiências em ratinhos realizadas em labirintos, das aulas sobre Alzheimer, da aula relacionada com a sinalização celular nos neurónios dopaminérgicos em Parkinson. Complexo mas apaixonante…

O pior deste módulo foi mesmo a falta de tempo. Aulas das 9 às 4 em imensos dias, chegar a casa às 5, já de noite, ter que fazer jantar e ainda estudar para tentar acompanhar minimamente (e falhar miseravelmente) a quantidade megalómana de matéria… Para além disso, como na semana passada ainda houve bastante rambóia (sessões de filmes com o Niklas, almoço com o pessoal no chinês, festa de Halloween) esta semana não houve mesmo margem de manobra, foi hibernar a olhar para montanhas de slides sobre doenças neurodegenerativas e sentir, a dada altura, os nossos próprios neurónios a degenerar, dendrite por dendrite, axónio por axónio… :P

4 de novembro de 2008

Stora microorganismer

Micróbios gigantes

4ºC em Estocolmo, 13ºC em Portimão

O nome do post é estranho, eu sei... Há uns tempos, quando fui comer lasanha a casa do Mario, ele mostrou-me o seu HIV de peluche e falou-me dos seus planos de comprar um neurónio de peluche para oferecer à namorada, que está num mestrado em neurociências... Sim, leram bem: HIV de peluche e neurónio de peluche. Cromice a mais? Provavelmente... :D

A verdade é que o assunto veio à baila outra vez hoje, em que descobrimos que os ditos micróbios de peluche estão à venda na livraria da nossa universidade - aparentemente, a Marike comprou um adipócito de peluche, o Mustafa uma MRSA (Staphylococcus aureus multi-resistente) e o meu amor comprou um leucócito de peluche... Tão fofos! Lol...

Se não fazem ideia do que raio é que estou a falar, vão ao website dos fabricantes:
http://www.giantmicrobes.com
E convertam-se à cromice... Afinal, a ciência pode ser fofinha!
Os meus favoritos: rhinovirus e bacteriófago T4 :Rhinovirus

Bacteriófago T4

2 de novembro de 2008

Hetta

Calor

3ºC em Estocolmo, 17ºC em Portimão


Ontem à noite saímos a mais uma festa, desta vez de Halloween, mas dou por mim a desejar não ter ido… O DJ não era grande coisa e o resultado é que hoje estou cansadíssima.


Este tipo vestiu-se de jogador de hockey no gelo e andou (e dançou!) sobre patins a noite inteira!


Para além disso, ontem tive uma previsão do que me espera este inverno aqui pela Suécia – voltar para casa às 2 da manhã com 5 graus negativos… Ia congelando! Cheguei à conclusão que, das duas uma, ou compro mesmo o casaco de inverno, bem quente, ou compro calças novas, ou collants de lã, ou sigo os conselhos do meu amor que diz que toda a gente por aqui veste uma espécie de ceroulas por baixo da roupa… LOL.

E quando o frio aperta, uma pessoa faz o que pode para se aquecer… Falando a sério, a roupa não chega, porque este tempo é completamente deprimente. Ainda a semana passada houve outro a atirar-se para a linha de comboio e é por estas e por outras que a taxa de suicídio na Suécia é das mais elevadas do mundo. Para mim, manter-me quente é aquecer a alma e ainda não sei de neurologia o suficiente para vos elucidar dos factos científicos, mas a minha alma aquece-se a partir de dois órgãos principais: coração e estômago.

Começando pelo último, a verdade é que desde que vim para Estocolmo tenho cozinhado como nunca antes na minha vida. Depois de uma primeira semana a comer demasiada comida pré-cozinhada (tipo sopas Knorr) decidi que, se ia sobreviver na Suécia, então pelo menos a comida tinha que saber bem e ser pelo menos parcialmente portuguesa. Mãos à obra e toca a cozinhar… Sou das poucas pessoas (se não a única) que cozinha todo o santo dia cá no corredor. Umas receitas são antigas, outras tiradas da net, umas tradicionais, outras não tanto, e o certo é que não só ganhei o prémio de melhor prato na nossa festa do corredor há uns tempos como tenho mesmo a reputação (não sei se merecida) de ser uma grande cozinheira… O chinês cá do corredor chama-me “the good cook", o Albert diz-me que sou uma “great cook”, a Madelinde pede-me conselhos de culinária e receitas… E a verdade é que cada vez tenho mais prazer em ir para a cozinha e passar lá uma hora a fazer algo que saiba bem para o meu jantar. Ontem fiz uma receita nova e deliciosa, um “frango mediterrânico” que ficou de comer e chorar por mais!


O Niklas obviamente é das pessoas que mais usufrui dos meus dotes culinários: desde o bolo de chocolate que fiz para ele no dia dos nossos primeiros “filmes”, até a um jantar para dois na semana passada, até uma mousse de chocolate com sabor a menta que levei para a faculdade para ele comer à sobremesa… O Haythem é o máximo, vira-se para ele e só lhe diz: “man, you are so lucky!!! I’m telling you, if I had a girlfriend who could cook I’d be at her place every week!” Ao que eu pergunto, indignada, afinal o que é que eu recebo em troca, ou ele acha que a minha vida é cozinhar para um gajo? E o Haythem responde: “You cook for him and he gives you TLC!” TLC??? “Tender Love and Care!!!!” LOL…

A juntar à comidinha que aquece e reconforta o estômago e a alma, temos o coração – e aí são óbvias as vantagens de termos alguém que nos ajude a passar pelas noites intermináveis, a combater a depressão e o stress, uma pessoa com quem falar, ver filmes, passear, uma pessoa que é super carinhosa connosco e não se cansa de nos elogiar, põe o braço à nossa volta, dá-nos a mão, está ao nosso lado para o que der e vier. E eu tenho essa pessoa e sou feliz… :D

1 de novembro de 2008

Kyla

Frio

3ºC em Estocolmo, 16ºC em Portimão


Por estes dias, cá na Suécia, está friozinho… Frescote, vá. Ainda não vi neve, verdade seja dita, mas na terra do Niklas (20 km a Norte de Estocolmo) ontem à noite já nevava… O frio sente-se, não só na rua, mas em casa, em que custa sair do quarto aquecido para o corredor mais frio, e vê-se, não só pelo gelo que cobre ruas e carros de manhã, mas pelo vestuário das pessoas…

A minha primeira experiência inesperada relacionada com o frio foi sair de casa há dois dias atrás e escorregar numa daquelas placas de gelo invisíveis – não, não caí, mas foi por pouco… Resolvi que se calhar já era altura de comprar um gorro e um casaco de inverno, e ontem, depois de um almoço óptimo e divertidíssimo num buffet chinês / japonês / tailandês, fomos uns quantos às compras.

O meu amor ajudou-me a escolher e gorro e diz que fico muito gira, mas visto que a opinião dele não é imparcial, deixo-vos uma foto para dizerem de vossa justiça…


Cold or hot? ;)

Hoje saí à rua com a fantástica temperatura de 2 graus. E vá lá, que de manhã estavam 0! Ir às compras com um frio destes exige preparação: uma blusa, um casaco, um casacão de inverno; cachecol com umas 3 voltas ao pescoço, luvas com pêlo por dentro, e o meu belo gorro enfiado até às orelhas; collants por baixo das calças, dois pares de meias, botas e pronto, parecemos o Pai Natal de tão gordos por causa das montanhas de roupa que temos em cima! Os preparativos também incluem creme na cara e bálsamo para os lábios, as únicas partes que não estão protegidas…

Sai-se de casa e é como que uma onda que nos invade e faz-nos lacrimejar. Respirar pelo nariz é difícil, à primeira lufada de ar o nariz começa a escorrer água e temos que passar a respirar pela boca. O corpo está protegido do frio, mas nas bochechas sente-se um frio cortante e se nos pudéssemos ver ao espelho (o que aconteceu quando voltei a casa) veríamos como toda a nossa cara se tornou vermelha, do sangue a afluir à cabeça para tentar manter a temperatura. Como eu já tinha dito, o frio também se vê, e apesar de hoje estar sol (sabe tão bem, depois de 3 dias horrorosos!), vêem-se camadas de gelo por cima dos carros, uma ou outra pessoa atarefada a jogar baldes de água quente para o derreter, as folhas ao longo do caminho estão cobertas de orvalho congelado… Uma família decidiu sair toda junta para aproveitar o sol, e é tão giro ver aquela amálgama de gorros e cachecóis, especialmente os dos miúdos, que são de todas as cores e feitios, uns simples, outros com orelhas de animais ou em forma de morango :) Mas a maioria das pessoas, nestes dias, não pára à beira do caminho, e segue rapidamente em direcção ao seu destino, o frio também se ouve nos seus passos apressados e na ausência de conversas entre vizinhos e conhecidos, que noutros dias param para se cumprimentar, mas não hoje.

É nestes dias que olho com admiração os pássaros que saltitam à beira da estrada, todos contentes, cobertos pela sua camada de penas, a aproveitarem o sol sem parecerem importar-se muito com o facto de estarem 2 graus, enquanto que nós, estúpidos e imperfeitos humanos, temos que correr a enfiar-nos em casa ou andarmos que nem espantalhos. Ainda dizem que os Homo sapiens sapiens são o supra-sumo da evolução…