30 de novembro de 2008

Skratta

Rir

4ºC em Estocolmo, 14ºC em Portimão

Os últimos dias resultaram em várias fotos memoráveis que não posso deixar de partilhar.

A primeira aconteceu na nossa visita ao IKEA, quinta-feira. O Niklas começa a experimentar camas e, às tantas, o Mustafa começa a tirar-lhe fotos e há um momento em que o Espen se junta ao Niklas (na mesma cama) e disto resulta a seguinte foto:


Como dizia a Cris, o que destacar? O arzinho de porno gay? A mãozinha do Niklas na perna do Espen (ficou tudo parvo por ele entrar na brincadeira)? Ou a carinha do Espen? LOL.

Depois, como vos disse no último post, houve os anos da Clarissa e o filme que nós decidimos oferecer-lhe, com uma montagem das melhores fotos dela em Estocolmo. O filme ficou de rir, e para uma das partes nós as 3 (eu, Dasha e Shermaine) tivemos que tirar fotos vestidas de nerds. Ficam alguns exemplos:


Chegou então a festa da Clarissa, Christian e Stefania:


Em que eu e o Mustafa tirámos a seguinte foto (adoro a T-shirt dele!):



E houve direito a strip por parte do aniversariante (que não estava particularmente bêbado, mas é um italiano espontâneo como poucos):


Por fim, depois de muito hesitar, decidi publicar aqui temporariamente o vídeo que fizemos para a Clarissa, com o aviso de que não é para menores (já que andam menores a ler o meu blog), tem palavras feias lá no meio e não esquecer que é um vídeo feito entre amigas para visualização privada. A Clarissa adorou e desatou a chorar… Apesar de eu achar que em vocês o efeito deve ser mais o oposto…




28 de novembro de 2008

Nyheter

Novidades

6ºC em Estocolmo, 16ºC em Portimão

As novidades não são muitas, mas aqui fica um apanhado da semana (excepto segunda-feira):

Começaram as aulas de doenças infecciosas. Os três primeiros dias foram um bocado seca, os dois últimos foram excelentes. Resultado: não sei bem o que vos diga…
Uma das aulas foi dada provavelmente no auditório mais cool em que já estive, valeria a pena só pelo auditório, lol. A primeira aula de hoje era de avaliação do nosso prof., que acho que está a concorrer a professor associado, e no fim houve café e bolos à borla para toda a gente! Devia ser sempre assim…

Saíram as notas do exame de Neuro e tive A outra vez, foi o único :) Mas no geral as notas foram bem melhores do que no outro exame…

O Espen mudou-se para cá e logo na primeira noite conseguiu a proeza de se infiltrar no nosso andar e fazer aquilo que temíamos que ele fizesse: de repente voltamo-nos e lá está ele. Lol, que susto :D

O nosso forno (que estava avariado) voltou ontem! Finalmente voltamos a poder cozinhar decentemente…

Ontem fomos numa “visita de estudo” ao IKEA, foi super giro porque éramos imensos! Lá estivemos nas parvoíces do costume de experimentar as camas e tirar fotos parvas… No final da visita ao IKEA passámos ao Outlet de Estocolmo, que tem coisas muito giras e FINALMENTE lá consegui comprar o meu casaco de Inverno (e com desconto)! Não é perfeito, mas cheguei à conclusão de que o casaco de inverno que eu queria não existe...

A temperatura subiu :) e a neve derreteu :(

Chegaram os amigos da Dasha que, com eles, trouxeram álcool da Rússia. Vodka, Bacardi, Bailey’s e tequila. Ontem à noite sentaram-se à volta da mesa da cozinha e em menos de nada, eles os 4 (2 rapazes + 2 raparigas) mais a Dasha despacharam a garrafa de Bacardi (uma das grandes). LOL se a Shermaine sofre os efeitos do gene asiático, deve haver para lá um gene russo com o efeito oposto… :D

A festa do ano cá em Jägargatan acontece amanhã: festa de anos conjunta da Clarissa, Stefania, Mustafa e de um italiano giro do 1º andar chamado Christian. Porquê a festa do ano? Porque os convidados são mais de 100 e ainda não sei como é que lá vão caber… Porque, se bem que de certeza que alguns dos 100 não podem ir, os convidados estão autorizados a levar amigos, o que de certeza que vai aumentar exponencialmente o número de pessoas, até porque toda a gente parece ter amigos de visita este fim-de-semana – 4 da Dasha, 4 da Jacomijn, 3 da Clarissa, 4 da Giulia, 2 da Iskra. Porque até pessoas que geralmente não vão a festas (como a Dhifaf e a Ghazal) dizem que vão a esta. Porque… é a Clarissa e quando a Clarissa está metida ao barulho já se sabe que há diversão assegurada :D

Dentro de momentos tenho que ir juntar-me à Shermaine para continuarmos a preparar a nossa prenda para a Clarissa, um vídeo com uma montagem dos melhores momentos em Estocolmo (e comentários a gozar, como não podia deixar de ser :D). Pode ser que eu depois ponha aqui a versão final para vocês se rirem ;)

24 de novembro de 2008

Snöboll, snögubbe, snödinosaurie… :D

Bola de neve, boneco de neve, dinossauro de neve… :D

0ºC em Estocolmo, 16ºC em Portimão


O exame era longo mas acho que correu razoavelmente bem.

Depois de duas horas e meia de exame, nada melhor do que… Luta de bolas de neve!!! A ideia foi originalmente minha, da Shermaine e da Dasha (quando no outro dia fizemos uma luta de bolas de neve na cozinha), mas depois o Niklas criou um evento no Facebook e teve a ideia de ser rapazes contra raparigas. Do lado dos rapazes: Espen, Niklas, Mario e Mustafa. Raparigas: eu, Clarissa, Dasha, Shermaine, Iskra, Giulia (que foi ao chão, coitada), Karin e Marike. Até que não estava desequilibrado, visto que a nossa pontaria era péssima. Fotógrafo: Xinming.
Foi super divertido e a forma ideal de libertar a tensão do exame!


Equipa das raparigas...



Equipa dos rapazes


Seguiu-se almoço enquanto contemplávamos uma paisagem digna de postais de natal (não parava de nevar) e a seguir fui comprar os bilhetes para a sessão com os prémios Nobel da Medicina, a 12 de Dezembro.

Depois 3 horas de aula para morrer, sobre taxonomia de bactérias e vírus e, por fim, vir para casa fazer um relatório para entregar amanhã. Foi um dia mais que cansativo…

Ainda assim, quando o Albert me veio convidar para fazer um boneco de neve em frente ao prédio, não pude recusar, visto que nunca tinha feito nenhum na minha vida! A Shermaine levou uma cenoura e tudo, super entusiasmada porque, como eu, também era uma novata no assunto. A Jacomijn, Madelinde e Albert lá nos guiaram nas lides de fazer um boneco de neve e, no fim, foi muito giro e ficaram o máximo! Entretanto, chegou o Espen, que a partir de amanhã passa a ser nosso vizinho do 1º andar… Quanto aos bonecos de neve, fizemos um tradicional, com cenoura e cachecol, e um dinossauro de neve! (Na verdade, começou por ser um boneco de neve deficiente, mas a Jacomijn com alguma imaginação lá o transformou num T-rex júnior com muita pinta que até cauda tinha!)

I luv snow

Pessoal do prédio com o boneco de neve e o nosso T-rex júnior em primeiro plano :)

23 de novembro de 2008

Sjukdom

Doença

-2ºC em Estocolmo, 17ºC em Portimão

Patologias – estudo de caso

Cardiovascular
Ao ver / falar / tocar uma certa pessoa, o sistema nervoso simpático desvia o fluxo sanguíneo, por exemplo, para as bochechas, aumenta a pressão sanguínea, o ritmo cardíaco também é maior, com arritmias esporádicas, dando-nos aquela sensação de que o coração vai saltar do peito.
Diagnóstico: talvez não fosse amor, mas pelo menos uma empatia acentuada…

Neurologia
A pessoa em questão tem a capacidade de promover libertação de serotonina e dopamina no meu cérebro, afectando o meu sistema límbico e Nucleus accumbens. Por volta da segunda semana, começam a observar-se perturbações na neurotransmissão, falta de comunicação nas sinapses levando a degeneração axónica e apoptose. A rede neuronal começa a degradar-se, levando a alterações de humor e perturbações na capacidade comunicativa.
Diagnóstico: excesso de transmissão sináptica nos primeiros dias levou a uma sobrecarga do sistema, que começou a apresentar falhas.

Cancro
Devido a sinais exógenos por parte de células malignas na periferia, o programa de proliferação celular foi alterado, apresentado sinais de elevada instabilidade genómica e mutações que o fazem comportar-se de forma diferente do esperado. Antes que os danos sejam irreparáveis, decide-se proceder à apoptose e, felizmente, parece que foi a decisão certa: depois de um período de recobro, com sintomas indesejáveis, verificou-se remissão total das células cancerosas e restabelecimento da comunicação normal célula-célula.
Diagnóstico: é como quem diz, acabámos mas ficámos amigos.

Não se preocupem, está tudo bem… Se bem que, depois de um chorrilho de disparates destes, compreendo que ponham em causa o meu discernimento… Mas acho que este não estará tão afectado pelo fim da relação como pelo facto de estar fechada em casa a estudar há 3 dias :D

P.S. O próximo módulo é sobre doenças infecciosas... Será que vou ficar doente outra vez, infectada por um novo agente infeccioso? Era só o que faltava para o quadro clínico ficar completo...

22 de novembro de 2008

Vit


Branco

-2ºC em Estocolmo, 21ºC em Portimão

Acordar de manhã e abrir as persianas para ver o mundo pintado de branco é algo a que não estou habituada. Afinal de contas, não há neve na Praia da Rocha… Agora já parou de nevar, mas houve momentos em que a neve caía furiosa, em flocos grandes, desencorajando qualquer pensamento de sair à rua… Mas a Dasha tinha razão: mesmo em dias escuros e pequenos, a neve torna tudo mais brilhante, claro, mágico. Uma pessoa sempre fica com outra moral, mesmo tendo que ficar fechada em casa a estudar…








21 de novembro de 2008

Beställning

Encomenda

-2ºC em Estocolmo, 18ºC em Portimão

Lembro-me de inúmeras conversas de professores da escola que “exportaram” os filhos para outros países… O David está nos EUA, a Lara em Inglaterra, o Manel no Luxemburgo. Tudo parece fácil, “straight-forward”, quando toca aos outros, e nem paramos para pensar no que significa essa ausência para eles e para as famílias… Até que nos toca a nós e então apercebemo-nos do que realmente implica uma pessoa dizer “o meu filho está do outro lado do mundo”.

Para a família, é ver a partida no aeroporto e saber que não vão ver a filha(o) / irmã(o) durante meses, é a casa vazia, responder às perguntas das pessoas sobre nós todos os dias, “ela está bem, muito frio por lá…”, tentar manter os dias o mais ocupados possíveis porque quando se volta a casa esta está vazia, e só restam ecos de risos, memórias, conversas. É esperar, contar os minutos pelas conversas no Skype e dar graças pela invenção da Internet, que permite ver a pessoa querida do outro lado, em tempo real, em vez de se contar os segundos de uma chamada internacional, demasiado cara, ou tentar ler nas entrelinhas de uma carta escrita vários dias antes de chegar ao destino. E enquanto se fala no Skype, por momentos, a cara e a voz que conhecemos voltam a encher a sala e aliviam a saudade…

Para nós, os “emigrados”, é a descoberta: um país novo, uma cultura nova, uma língua para aprender, pessoas para conhecer, e trabalho, que afinal foi para isso que para cá viemos. Há dias em que tudo parece normal, já nos habituámos à rotina, a ter aulas todos os dias e exames de duas em duas semanas, a ver o pôr-do-sol às 3 da tarde, a vestir quilos de roupa antes de sair à rua, a chamar os nossos amigos por nomes como Shermaine, Dashinka, Mustafa ou Khairun, em vez dos antigamente habituais João, Tânia, Cláudia, Cristiana… Falar em inglês o dia inteiro já não é estranho, e algumas palavras começam a sair mais facilmente nessa língua do que em português. E a verdade é que andamos sempre tão ocupados que a maior parte das vezes nem pensamos “Ah é verdade, estou na Suécia!”

Mas há dias… Há dias em que voltamos do supermercado, de sacos na mão, apressados de volta a casa, e em que, num momento aleatório e sem nada de especialmente diferente do momento anterior ou do momento seguinte, paramos no meio da estrada, olhamos em redor, para a noite escura que nos envolve às 4 da tarde, para os prédios de tijolo vermelho, para um casal que passa por nós em conversas que não conseguimos decifrar, cabelos louros, por vezes quase brancos de tão claros, olhos azuis e pele clara, o tempo é gélido e as roupas grossas, e quando chegar a casa sei que não vou ter o acolhimento da família nem um caldo verde quentinho nem um arroz de pato acabado de sair do forno… E é então que olho em volta e penso: “é verdade, estou na Suécia!” e a saudade aperta…

É por isso que sabe tão bem receber uma encomenda. Um pedaço de Portugal transportado para a Suécia, uma ligação entre os dois mundos que nos fazer recordar: é dali que eu venho. A casa que conheci ainda existe, com as minhas pessoas, as minhas coisas, os meus sabores. E saber que posso lá voltar um dia…


"Postal dos correios (João Gil)

Querida mãe, querido pai. Então que tal?
Nós andamos do jeito que Deus quer
Entre dias que passam menos mal
Lá vem um que nos dá mais que fazer

Mas falemos de coisas bem melhores
A Laurinda faz vestidos por medida
O rapaz estuda nos computadores
Dizem que é um emprego com saída

Cá chegou direitinha a encomenda
Pelo 'expresso' que parou na Piedade
Pão de trigo e linguiça pra merenda
Sempre dá para enganar a saudade

Espero que não demorem a mandar
Novidade na volta do correio
A ribeira corre bem ou vai secar?
Como estão as oliveiras de 'candeio'?

Já não tenho mais assunto pra escrever
Cumprimentos ao nosso pessoal
Um abraço deste que tanto vos quer
Sou capaz de ir aí pelo Natal"

19 de novembro de 2008

Poker, piano, personer

Poker, piano, pessoas

1ºC em Estocolmo, 19ºC em Portimão

Hoje foi um dia bom. Normal, mas ainda assim…

Mas comecemos por ontem, dia da primeira sessão do torneio de poker do nosso corredor. Foi também o dia de anos de uma holandesa, a Lisa, que fez bolo para nós todos e juntámo-nos, vários, à volta da mesa da cozinha, a jogar poker e a comer bolo… Foi óptimo para relaxar destas semanas de aulas, que têm sido intensivas e muito cansativas. Eu não sabia jogar, mas o Martijn encarregou-se de explicar as regras para toda a gente e agora já estou pró :P Não, não ganhei, perdi as fichas quase todas, mas não jogámos a dinheiro, logo não faz mal :)

Hoje… foi mais um dia de aulas, em mais um auditório em que nunca tínhamos estado antes. Depois de uma hora a ouvir falar em oncogenes, por um professor não particularmente interessante, saio da sala para um intervalo de 15 minutos e eis que dou de caras com… Um piano! Há vários espalhados pelo Karolinska, nos sítios mais inesperados, desde o bar à associação de estudantes a um dos corredores do hospital a, como hoje, um hall de entrada da unidade de investigação sobre cancro. Lá andei de um lado para o outro, a rondar o piano, sem saber se devia sentar-me a tocar ou não, com uma vontade imensa de tocar mas por outro lado inibida pelas pessoas do meu curso que lá estavam… Por fim, lá me sentei, abri-o, senti as teclas, os pedais, olhei em volta e vi que eram apenas 3 pessoas a assistir, logo, mal menor, e lá comecei… Com a Für Elise.
Não sei por que é que de cada vez que me sento ao piano tenho tendência para tocar essa música primeiro, talvez porque já a saiba de cor e a hipótese de me enganar seja mínima, mesmo eu não tocando há meses… E a partir do momento em que se começa a tocar, pronto, já sabem, fico noutro mundo :D Quando acabei tive direito a salva de palmas e lá me lancei a tocar as primeiras notas da “Claire de lune” e, por fim, a sonata ao luar, a pedido da Dhifaf. No final, até o professor ficou lá a ouvir-me e felicitou-me por “tocar muito bem”. Recebi imensos elogios, o que sabe sempre bem, desde a Su ao Espen (em português, claro), o Mustafa, o Niklas, o Haythem, que me pôs um papelinho no meu caderno, já durante a aula, a dizer “U rock!”. Lol. Soube-me tão bem… Quem me dera poder tocar mais vezes. Mas, de preferência, sem tanta gente a ver…


Pessoas… Nesta altura do curso, já passou a fase do encantamento, começam a surgir as tricas e discussões e chatices, e é engraçado ver como, por exemplo, muitas pessoas têm uma opinião diferente da Marike do que eu pensava. A Marike é meio francesa, meio sueca. Fala alto e gesticula, tem opinião sobre tudo (mas absolutamente tudo!) e esta opinião, 90% das vezes, é negativa.
A minha primeira impressão da Marike foi que ela era um bocado parva, depois comecei a dar-me bem com ela e a achar piada àquela maneira de ser, e, por fim, comecei a cansar-me. Pode ser que o meu cansaço, no meu caso particular, tenha sido despoletado pelo facto de ela ter metido bastante o bedelho na minha relação com o Niklas, mas toda a gente que a ouve, acha graça nas primeiras vezes, as segundas abana a cabeça e ignora, às terceiras começa a exasperar-se. Comecei a notar isso em conversas com a Shermaine, a Dasha e a Clarissa, que no início, tal como eu, também se davam com ela, e que eu achava que tinham dela a melhor ideia… Afinal não. Já estão um bocado fartas daquela mania de se achar, de pensar que a sua opinião é a lei, que a sua voz é a do grupo e que sempre que fala, fala por todos e que todos têm absolutamente que concordar com ela. É difícil de explicar a quem não a conhece as entoações afectadas, os trejeitos de cabeça sempre que fala, os gestos com os braços que parece que vai decapitar alguém, e, especialmente, a dureza com que responde a quem quer que se atreva a questionar sua excelência (Queen B., chama-lhe a Shermaine, baseada numa personagem da série “Gossip Girl”).
Hoje foi o Mario, que deve ser uma das pessoas mais pacíficas que conheço, e que supostamente era dos que se davam melhor com ela (se descontarmos o Niklas e o Mustafa, que lhe dão o desconto), acabou o dia a dizer, e passo a citar: “Jurei a mim mesmo que se ela fizesse mais uma observação lhe cortava a carótida.” LOL. Enfim, violência à parte, não pode deixar de irritar uma pessoa que toma qualquer pequena observação como um insulto, que trata os outros como “you people”, que é a primeira a apontar como todos os outros fazem imensos erros, como tudo está mal organizado, que o curso é super básico para o background dela em Biomedicina – mas depois vai-se a ver e tirou D, mas, como ela se encarregou de apontar a mim e à Su (as duas pessoas que tiraram A), os As não querem dizer nada e podia tirar-se um A naquele exame sem se saber nada, até porque os exames nunca avaliam o que realmente sabemos. Enfim, dor de cotovelo é danada…


E por que é que digo, no fim disto tudo, que foi um bom dia? Porque toquei piano :D E porque, no fim do dia, ao sentar-me no autocarro para vir para casa, adormeci e acordei à porta de casa, noite cerrada, com neve a cair, aos rodopios debaixo da luz amarelada dos candeeiros da rua, a pousar no espelho de água em frente ao hospital… Claire de lune, claire de neige…

16 de novembro de 2008

Snö!

Neve!

0ºC em Estocolmo, 19ºC em Portimão

Estava eu a almoçar, muito descansada, quando a Shermaine olha lá para fora e quase que manda tudo ao chão, salta da cadeira, aponta para a janela e exclama: “Está a nevar!!!”

Fica tudo numa excitação, telefona-se à família, tiram-se fotos e filma-se, de repente parecíamos um bando de putos. A neve não chegou para acumular, derretia mal tocava no chão, afinal de contas foi a primeira neve do ano… Mas foi bonito de se ver :D




A neve vista da minha janela



O meu guarda-chuva todo salpicado de branco :)

15 de novembro de 2008

Vännen

Amigos

5ºC em Estocolmo, 17ºC em Portimão


Amigos são aqueles que estão lá para nós nos bons e nos maus momentos… Que mudam o nick quando nos queixamos da falta de sol para montes de símbolos de sóis, só para iluminar os nossos dias… Que sentem a nossa falta quando estamos a 4000 km de distância… Que oferecem o ombro, conselhos ou “comfort food” quando estamos “down” e fazem tudo para nos sentirmos melhor…

Ontem houve uma festa cá no prédio que juntou muitos dos meus novos amigos, do corredor mas também do curso. Acabei por conhecer um senhor de Moçambique que mora no 1º andar e está cá a fazer doutoramento, um italiano muito giro, também do 1º piso, o pessoal do curso ficou finalmente a saber como são as festas do nosso “gang”, os meus amigos portugueses também apareceram e, fazendo as contas, devíamos ser umas 40 a 50 pessoas que por aquela festa passaram, entre as 9 da noite e 3 da manhã. Como contribuição para as bebidas, fiz sangria, que estava uma maravilha – desapareceu em menos de nada… Enquanto a fazia, na nossa cozinha, o chinês e a Edith (uma senhora da Tanzânia) olhavam muito espantados – nunca tinham visto sangria na vida! A Edith agora chama-lhe “Fruit wine”, hehe… E diz que vai tentar repetir a receita quando voltar para África, já daqui a 2 semanas…

Pesando os prós e os contras, a festa foi boa. Houve uma cena menos agradável com o Kanwal do meu curso e acho que o resto das pessoas do curso também não acharam que aquele fosse o seu tipo de festa, mas ao menos agora já não podem dizer que nunca os convidamos para nada. Quanto a mim, fiz a minha parte: conversei, bebi, dancei muito, tirei fotos e, acima de tudo, libertei a tensão e as energias negativas acumuladas durante a semana, que era o meu principal objectivo com esta festa… E, não me canso de dizer, é sempre bom ter amigos que fazem tudo para que a gente se divirta, que se aproximam de nós durante a festa a perguntar se está tudo bem e se precisamos de alguma coisa e que nos dão um abraço bem apertado antes de irmos dormir… Assim, vale a pena :)

11 de novembro de 2008

Utvärdering

Avaliação

5ºC em Estocolmo, 17ºC em Portimão

Há por aí pessoas desejosas de saber se, tanto no Karolinska como em Portugal, continuo a ser a mesma 19,5… As mesmas pessoas também andam a reclamar do tamanho dos meus posts…

Pois estejam descansados que este é um post bem curtinho, só para elucidar que, ao contrário do que diz o PVB (segundo quem as pessoas de cabelos encaracolados têm um gene para a estupidez), esta miúda de cabelo bem encaracolado teve A no exame de Cardiovascular, num panorama geral nada animador (em 25, 2 A, nenhum B, 6 C, 6 D, 6 E e 5 F – dos quais F é negativa e os restantes positiva, mas ainda assim…).


Ah, e o exame de Neuro também correu bem :D

Pronto, agora já sabem :P Happy?


8 de novembro de 2008

Idag...

Hoje…

8ºC em Estocolmo, 19ºC em Portimão

… está frio, escuro e a chover, e a única coisa boa é que assim não apetece mesmo sair de casa e há mais motivos para ficar no quarto com uma chávena de chá preto e dezenas de slides sobre Alzheimer, Parkinson e outras que tais…

Para que vocês, pessoas sortudas que podem estar em Portugal com um sol fantástico e 19 graus ou lá o que é, possam ter uma ideia do que é viver cá no fresquinho e escurinho, hoje resolvi tirar fotos de hora a hora para vocês verem a maravilha. Aqui vai, o dia de hoje, visto da janela do corredor:

8h15

9h15

10h15

11h15

12h15

14h15

15h15


16h15


Digam a verdade, estão mesmo cheios de inveja, não estão???

Neurologi eller hjärndöd

Neurologia ou morte cerebral

7ºC em Estocolmo, 11ºC em Portimão


Neurónio de peluche do site www.giantmicrobes.com :D

Desde a semana passada que entrámos, intensivamente, no módulo de Neurologia. Se eu tinha achado o de cardiovascular intensivo, então não estava bem a ver o que a neurologia me reservava…

Estão a ver a matéria de Fisiologia do último semestre? Isso aprendemos nós em 2 horas… Lol. Seguiram-se inúmeras aulas sobre os temas mais diversos, desde anatomia do sistema nervoso (macro e micro), desenvolvimento embrionário, sinalização neuronal, células gliais, aprendizagem e memória, várias aulas sobre Alzheimer, várias aulas sobre Parkinson, Esclerose múltipla, toxicodependência, doenças psiquiátricas…Sim, isto tudo em duas semanas. Ou seja, neste momento vemo-nos confrontados com um exame dentro de dois dias e imensa coisa para estudar. Claro que o facto de estes temas serem super interessantes facilitam o estudo mas, ainda assim…

Gostei particularmente das aulas sobre aprendizagem e memória, em que nos foram mostrados filmes de experiências em ratinhos realizadas em labirintos, das aulas sobre Alzheimer, da aula relacionada com a sinalização celular nos neurónios dopaminérgicos em Parkinson. Complexo mas apaixonante…

O pior deste módulo foi mesmo a falta de tempo. Aulas das 9 às 4 em imensos dias, chegar a casa às 5, já de noite, ter que fazer jantar e ainda estudar para tentar acompanhar minimamente (e falhar miseravelmente) a quantidade megalómana de matéria… Para além disso, como na semana passada ainda houve bastante rambóia (sessões de filmes com o Niklas, almoço com o pessoal no chinês, festa de Halloween) esta semana não houve mesmo margem de manobra, foi hibernar a olhar para montanhas de slides sobre doenças neurodegenerativas e sentir, a dada altura, os nossos próprios neurónios a degenerar, dendrite por dendrite, axónio por axónio… :P

4 de novembro de 2008

Stora microorganismer

Micróbios gigantes

4ºC em Estocolmo, 13ºC em Portimão

O nome do post é estranho, eu sei... Há uns tempos, quando fui comer lasanha a casa do Mario, ele mostrou-me o seu HIV de peluche e falou-me dos seus planos de comprar um neurónio de peluche para oferecer à namorada, que está num mestrado em neurociências... Sim, leram bem: HIV de peluche e neurónio de peluche. Cromice a mais? Provavelmente... :D

A verdade é que o assunto veio à baila outra vez hoje, em que descobrimos que os ditos micróbios de peluche estão à venda na livraria da nossa universidade - aparentemente, a Marike comprou um adipócito de peluche, o Mustafa uma MRSA (Staphylococcus aureus multi-resistente) e o meu amor comprou um leucócito de peluche... Tão fofos! Lol...

Se não fazem ideia do que raio é que estou a falar, vão ao website dos fabricantes:
http://www.giantmicrobes.com
E convertam-se à cromice... Afinal, a ciência pode ser fofinha!
Os meus favoritos: rhinovirus e bacteriófago T4 :Rhinovirus

Bacteriófago T4

2 de novembro de 2008

Hetta

Calor

3ºC em Estocolmo, 17ºC em Portimão


Ontem à noite saímos a mais uma festa, desta vez de Halloween, mas dou por mim a desejar não ter ido… O DJ não era grande coisa e o resultado é que hoje estou cansadíssima.


Este tipo vestiu-se de jogador de hockey no gelo e andou (e dançou!) sobre patins a noite inteira!


Para além disso, ontem tive uma previsão do que me espera este inverno aqui pela Suécia – voltar para casa às 2 da manhã com 5 graus negativos… Ia congelando! Cheguei à conclusão que, das duas uma, ou compro mesmo o casaco de inverno, bem quente, ou compro calças novas, ou collants de lã, ou sigo os conselhos do meu amor que diz que toda a gente por aqui veste uma espécie de ceroulas por baixo da roupa… LOL.

E quando o frio aperta, uma pessoa faz o que pode para se aquecer… Falando a sério, a roupa não chega, porque este tempo é completamente deprimente. Ainda a semana passada houve outro a atirar-se para a linha de comboio e é por estas e por outras que a taxa de suicídio na Suécia é das mais elevadas do mundo. Para mim, manter-me quente é aquecer a alma e ainda não sei de neurologia o suficiente para vos elucidar dos factos científicos, mas a minha alma aquece-se a partir de dois órgãos principais: coração e estômago.

Começando pelo último, a verdade é que desde que vim para Estocolmo tenho cozinhado como nunca antes na minha vida. Depois de uma primeira semana a comer demasiada comida pré-cozinhada (tipo sopas Knorr) decidi que, se ia sobreviver na Suécia, então pelo menos a comida tinha que saber bem e ser pelo menos parcialmente portuguesa. Mãos à obra e toca a cozinhar… Sou das poucas pessoas (se não a única) que cozinha todo o santo dia cá no corredor. Umas receitas são antigas, outras tiradas da net, umas tradicionais, outras não tanto, e o certo é que não só ganhei o prémio de melhor prato na nossa festa do corredor há uns tempos como tenho mesmo a reputação (não sei se merecida) de ser uma grande cozinheira… O chinês cá do corredor chama-me “the good cook", o Albert diz-me que sou uma “great cook”, a Madelinde pede-me conselhos de culinária e receitas… E a verdade é que cada vez tenho mais prazer em ir para a cozinha e passar lá uma hora a fazer algo que saiba bem para o meu jantar. Ontem fiz uma receita nova e deliciosa, um “frango mediterrânico” que ficou de comer e chorar por mais!


O Niklas obviamente é das pessoas que mais usufrui dos meus dotes culinários: desde o bolo de chocolate que fiz para ele no dia dos nossos primeiros “filmes”, até a um jantar para dois na semana passada, até uma mousse de chocolate com sabor a menta que levei para a faculdade para ele comer à sobremesa… O Haythem é o máximo, vira-se para ele e só lhe diz: “man, you are so lucky!!! I’m telling you, if I had a girlfriend who could cook I’d be at her place every week!” Ao que eu pergunto, indignada, afinal o que é que eu recebo em troca, ou ele acha que a minha vida é cozinhar para um gajo? E o Haythem responde: “You cook for him and he gives you TLC!” TLC??? “Tender Love and Care!!!!” LOL…

A juntar à comidinha que aquece e reconforta o estômago e a alma, temos o coração – e aí são óbvias as vantagens de termos alguém que nos ajude a passar pelas noites intermináveis, a combater a depressão e o stress, uma pessoa com quem falar, ver filmes, passear, uma pessoa que é super carinhosa connosco e não se cansa de nos elogiar, põe o braço à nossa volta, dá-nos a mão, está ao nosso lado para o que der e vier. E eu tenho essa pessoa e sou feliz… :D

1 de novembro de 2008

Kyla

Frio

3ºC em Estocolmo, 16ºC em Portimão


Por estes dias, cá na Suécia, está friozinho… Frescote, vá. Ainda não vi neve, verdade seja dita, mas na terra do Niklas (20 km a Norte de Estocolmo) ontem à noite já nevava… O frio sente-se, não só na rua, mas em casa, em que custa sair do quarto aquecido para o corredor mais frio, e vê-se, não só pelo gelo que cobre ruas e carros de manhã, mas pelo vestuário das pessoas…

A minha primeira experiência inesperada relacionada com o frio foi sair de casa há dois dias atrás e escorregar numa daquelas placas de gelo invisíveis – não, não caí, mas foi por pouco… Resolvi que se calhar já era altura de comprar um gorro e um casaco de inverno, e ontem, depois de um almoço óptimo e divertidíssimo num buffet chinês / japonês / tailandês, fomos uns quantos às compras.

O meu amor ajudou-me a escolher e gorro e diz que fico muito gira, mas visto que a opinião dele não é imparcial, deixo-vos uma foto para dizerem de vossa justiça…


Cold or hot? ;)

Hoje saí à rua com a fantástica temperatura de 2 graus. E vá lá, que de manhã estavam 0! Ir às compras com um frio destes exige preparação: uma blusa, um casaco, um casacão de inverno; cachecol com umas 3 voltas ao pescoço, luvas com pêlo por dentro, e o meu belo gorro enfiado até às orelhas; collants por baixo das calças, dois pares de meias, botas e pronto, parecemos o Pai Natal de tão gordos por causa das montanhas de roupa que temos em cima! Os preparativos também incluem creme na cara e bálsamo para os lábios, as únicas partes que não estão protegidas…

Sai-se de casa e é como que uma onda que nos invade e faz-nos lacrimejar. Respirar pelo nariz é difícil, à primeira lufada de ar o nariz começa a escorrer água e temos que passar a respirar pela boca. O corpo está protegido do frio, mas nas bochechas sente-se um frio cortante e se nos pudéssemos ver ao espelho (o que aconteceu quando voltei a casa) veríamos como toda a nossa cara se tornou vermelha, do sangue a afluir à cabeça para tentar manter a temperatura. Como eu já tinha dito, o frio também se vê, e apesar de hoje estar sol (sabe tão bem, depois de 3 dias horrorosos!), vêem-se camadas de gelo por cima dos carros, uma ou outra pessoa atarefada a jogar baldes de água quente para o derreter, as folhas ao longo do caminho estão cobertas de orvalho congelado… Uma família decidiu sair toda junta para aproveitar o sol, e é tão giro ver aquela amálgama de gorros e cachecóis, especialmente os dos miúdos, que são de todas as cores e feitios, uns simples, outros com orelhas de animais ou em forma de morango :) Mas a maioria das pessoas, nestes dias, não pára à beira do caminho, e segue rapidamente em direcção ao seu destino, o frio também se ouve nos seus passos apressados e na ausência de conversas entre vizinhos e conhecidos, que noutros dias param para se cumprimentar, mas não hoje.

É nestes dias que olho com admiração os pássaros que saltitam à beira da estrada, todos contentes, cobertos pela sua camada de penas, a aproveitarem o sol sem parecerem importar-se muito com o facto de estarem 2 graus, enquanto que nós, estúpidos e imperfeitos humanos, temos que correr a enfiar-nos em casa ou andarmos que nem espantalhos. Ainda dizem que os Homo sapiens sapiens são o supra-sumo da evolução…